{"id":47658,"date":"2023-08-17T20:27:00","date_gmt":"2023-08-17T20:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47658"},"modified":"2023-08-19T20:33:53","modified_gmt":"2023-08-19T20:33:53","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-65","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47658","title":{"rendered":"Riscos da conjuntura"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">\u00d3scar Afonso, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2023-08-17-Riscos-da-conjuntura-37b02cb2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Os dados mais recentes da conjuntura econ\u00f3mica afiguram-se menos positivos do que as recentes revis\u00f5es em alta das previs\u00f5es de crescimento da economia portuguesa apontava<\/em>m.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>No final de junho, o FMI reviu em alta a previs\u00e3o de crescimento econ\u00f3mico de Portugal para 2,6% em 2023 e 1,8% em 2024, pouco depois do Banco de Portugal ter apresentado as proje\u00e7\u00f5es mais otimistas at\u00e9 ao momento, respetivamente 2,7% e 2,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em julho, o INE e o Eurostat revelaram estimativas preliminares mais modestas relativamente ao andamento do PIB no 2\u00ba trimestre em Portugal e na Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa r\u00e1pida do INE mostra que a economia portuguesa prosseguiu em abrandamento pelo quinto trimestre seguido, com o crescimento hom\u00f3logo do PIB a reduzir-se para 2,3% em termos reais (face a 2,5% no trimestre anterior), o que refletiu uma varia\u00e7\u00e3o trimestral nula, ap\u00f3s uma subida de 1,6% no trimestre anterior (dados corrigidos de sazonalidade e dias \u00fateis).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis dados quantificados das componentes de despesa, mas apenas uma an\u00e1lise qualitativa do INE, dando conta que:<\/p>\n\n\n\n<p>- \"<em>O contributo positivo da procura externa l\u00edquida para a varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga do PIB foi inferior ao do trimestre anterior, observando-se uma desacelera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os em volume mais acentuada que a das importa\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os<\/em>\";<\/p>\n\n\n\n<p>- \"<em>O contributo positivo da procura interna para a varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga do PIB aumentou, em compara\u00e7\u00e3o com o observado no trimestre precedente, verificando-se uma redu\u00e7\u00e3o menos pronunciada do investimento, tendo o consumo privado registado um ligeiro abrandamento<\/em>\".<\/p>\n\n\n\n<p>Na UE, o PIB registou uma progress\u00e3o hom\u00f3loga de apenas 0,5% no 2\u00ba trimestre, em termos reais, ap\u00f3s 1,1% no trimestre anterior, com a Alemanha ainda em contra\u00e7\u00e3o, embora ligeira (-0,1%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados demonstram de forma evidente os efeitos da pol\u00edtica monet\u00e1ria cada vez mais restritiva do BCE no seu combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o na \u00c1rea Euro \u2013 penalizando tanto a procura externa como a procura interna de Portugal (abrandamento do consumo e investimento em queda, embora menos, o que poder\u00e1 estar associado \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do PRR) \u2013, que persiste ainda significativamente acima do referencial de 2% no m\u00e9dio prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, a infla\u00e7\u00e3o na \u00c1rea Euro voltou a descer, mas de forma j\u00e1 pouco significativa, de 5,5% para 5,3%, pois o valor da infla\u00e7\u00e3o subjacente, que exclui energia e alimentos n\u00e3o processados, continua alto (6,6%). Destaca-se, em particular, o crescimento ainda muit\u00edssimo elevado dos pre\u00e7os da alimenta\u00e7\u00e3o, que se situou em 10,8% em julho, incluindo tamb\u00e9m \u00e1lcool e tabaco.<\/p>\n\n\n\n<p>O fim do acordo de cereais entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, com media\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas e Turquia, poder\u00e1 acentuar os pre\u00e7os da alimenta\u00e7\u00e3o e fazer prolongar no tempo a pol\u00edtica restritiva, como reconheceu a Presidente do BCE, Christine Lagarde, esperando-se, por isso, que o abrandamento econ\u00f3mico continue num futuro pr\u00f3ximo, tanto na UE como em Portugal, pelo efeito da subida das taxas de juro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os valores de crescimento econ\u00f3mico de Portugal ainda acima da m\u00e9dia da UE prendem-se com a din\u00e2mica ainda apreci\u00e1vel do turismo, que continua a ser bafejado pela nossa imagem de pa\u00eds bonito e seguro, longe do cen\u00e1rio de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o abrandamento o turismo \u00e9 claro desde o in\u00edcio do ano, como mostra a informa\u00e7\u00e3o mais recente das dormidas de estrangeiros (varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga de 8,7% em junho, quando em janeiro era de 100,3%), embora ainda contraste com a evolu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es de bens, que registam j\u00e1 quebras significativas (5,2% no 2\u00ba trimestre).<\/p>\n\n\n\n<p>O dinheiro gerado pela atividade tur\u00edstica poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar a explicar o abrandamento menos forte do que o esperado, pelo menos para j\u00e1, do consumo privado que, segundo a aprecia\u00e7\u00e3o qualitativa do INE, at\u00e9 ter\u00e1 registado uma acelera\u00e7\u00e3o em cadeia no 2\u00ba trimestre (pese embora o abrandamento hom\u00f3logo).<\/p>\n\n\n\n<p>As revis\u00f5es em alta do crescimento econ\u00f3mico de Portugal at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo prendem-se, por isso, com a resili\u00eancia da atividade tur\u00edstica, mas como sabemos trata-se de uma atividade vol\u00e1til, sujeita a oscila\u00e7\u00f5es s\u00fabitas de procura internacional. Por exemplo, o desejado fim da guerra na Ucr\u00e2nia, embora pare\u00e7a distante, poder\u00e1 alterar o padr\u00e3o de turismo que tem beneficiado Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Num balanco dos riscos de curto prazo para a atividade econ\u00f3mica, nesta altura predominam claramente os riscos descendentes, sobretudo a forte desacelera\u00e7\u00e3o da economia da UE e o impacto da subida acumulada das taxas de juro na despesa das fam\u00edlias e das empresas portuguesas, bem como a perspetiva de que o \u201cpico da montanha\u201d ainda n\u00e3o foi atingido e, quando for, estaremos perante um \u201cplanalto\u201d de extens\u00e3o desconhecida, conforme sinalizado pela Presidente do BCE, que afastou do horizonte de pol\u00edtica previs\u00edvel o momento de descida de taxas de juro.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, desenvolvimentos desfavor\u00e1veis da guerra na Ucr\u00e2nia, de natureza imprevis\u00edvel, poder\u00e3o adensar os riscos para o crescimento econ\u00f3mico e infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estando tamb\u00e9m afastados riscos financeiros, embora os problemas banc\u00e1rios de h\u00e1 uns meses pare\u00e7am ter sido largamente controlados. Como risco ascendente, temos o impacto econ\u00f3mico da Jornada Mundial da juventude, mas que apenas dever\u00e1 atenuar ou inverter brevemente o abrandamento em curso da atividade tur\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Se admitirmos por hip\u00f3tese que o PIB a pre\u00e7os constantes voltar\u00e1 a registar uma varia\u00e7\u00e3o nula em cadeia no terceiro e no quarto trimestres, o crescimento econ\u00f3mico ser\u00e1 de 2,1% no conjunto do ano, bem longe das previs\u00f5es de 2,7% do Banco de Portugal e 2,6% do FMI, que nesta altura poder\u00e3o j\u00e1 ser otimistas.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer modo, a previs\u00e3o de crescimento econ\u00f3mico do Governo \u00e9 ainda o valor de 1,8% inscrito no Programa de Estabilidade de abril e a infla\u00e7\u00e3o continua a empolar as receitas fiscais, pelo que a eventual revis\u00e3o em baixa das perspetivas de crescimento para um valor mais perto de 2% n\u00e3o levanta problemas ao exerc\u00edcio or\u00e7amental deste ano. O problema \u00e9 precisamente oposto, o de o Governo n\u00e3o devolver \u00e0s fam\u00edlias e empresas parte do excesso de receitas fiscais que est\u00e1 a ter devido ao efeito da infla\u00e7\u00e3o, o que aliviaria os problemas por que t\u00eam vindo a passar, em especial as fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis, esmagadas pela infla\u00e7\u00e3o e\/ou pela subida das taxas de juro.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, um menor crescimento em 2023 poder\u00e1 penalizar a din\u00e2mica do PIB em 2024 e condicionar o Or\u00e7amento de Estado de 2024, em prepara\u00e7\u00e3o, tendo a proposta or\u00e7amental de ser apresentada ao Parlamento at\u00e9 10 de outubro. No Programa de Estabilidade de abril, o Governo projetou um crescimento econ\u00f3mico de 2,0% em 2024, valor otimista a luz da previs\u00e3o mais recente do FMI (1,8%), embora inferior \u00e0 do Banco de Portugal (2,4%). Nesta altura, parece bem mais realista a proje\u00e7\u00e3o do FMI.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Expresso online Os dados mais recentes da conjuntura econ\u00f3mica afiguram-se menos positivos do que as recentes revis\u00f5es em alta das previs\u00f5es de crescimento da economia portuguesa apontavam.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-47658","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47658"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47659,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47658\/revisions\/47659"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}