{"id":47637,"date":"2023-08-10T22:02:05","date_gmt":"2023-08-10T22:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47637"},"modified":"2023-08-10T22:02:07","modified_gmt":"2023-08-10T22:02:07","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-63","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47637","title":{"rendered":"A \u00e9tica e a integridade \u00e9 que nos fazem humanos \u2013 ainda os ecos de Jornada Mundial da Juventude"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Ant\u00f3nio Maia, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2023-08-10-A-etica-e-a-integridade-e-que-nos-fazem-humanos--ainda-os-ecos-de-Jornada-Mundial-da-Juventude-37bf0b97\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Independentemente de sermos mais ou menos crentes, ateus ou agn\u00f3sticos, crist\u00e3os ou que professemos outra qualquer religi\u00e3o, por certo que ningu\u00e9m ficou indiferente ou passou ao lado da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e de toda a din\u00e2mica que a marcou. Mesmo as vozes mais cr\u00edticas, algumas muito negativas, que se ouviram, e ainda ouvem, e que s\u00e3o muito naturais - a liberdade de opini\u00e3o \u00e9 um valor fundamental de inquestion\u00e1vel import\u00e2ncia -, s\u00e3o evidencias dessa marca impactante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Independentemente de se concordar ou discordar mais ou menos com o sentido dos atos e dos discursos que foram sendo partilhados intensamente ao longo dos diversos dias e espa\u00e7os c\u00e9nicos que deram forma \u00e0 JMJ, as mensagens apresentaram-se sempre com uma enorme carga simb\u00f3lica. Todas muito positivas e agregadoras, como era suposto, dada a natureza lit\u00fargica do evento.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que a figura central foi a de Sua Santidade, o Papa Francisco, um ser humano maior, brilhante, com uma dimens\u00e3o verdadeiramente universal, capaz de arrebatar qualquer um mero mortal para o patamar mais elevado da plenitude da espiritualidade humana, com uma presen\u00e7a forte e inspiradora e uma enorme capacidade para comunicar, e de, com as palavras mais simples, nos tocar a alma e convocar.<\/p>\n\n\n\n<p>E para que nos convocou afinal Sua Santidade?<\/p>\n\n\n\n<p>Para coisas t\u00e3o mundanas e simples, com as quais todos nos cruzamos a cada dia, como sejam:<\/p>\n\n\n\n<p>- O respeito pelo outro, porque, afinal de contas, o outro, seja ele quem for, n\u00e3o nem mais nem menos do que um igual a mim - um irm\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>- O sentido do coletivo, que nos diz que vivemos em comunidade, uns com os outros, e que \u00e9 em comunidade que nos fazemos humanos e que a vida adquire um sentido e uma coer\u00eancia plena;<\/p>\n\n\n\n<p>- A harmonia, na medida em que ningu\u00e9m se realiza, ningu\u00e9m \u00e9 nem se faz feliz sozinho, e que a entreajuda \u00e9 uma for\u00e7a fundamental para o desenvolvimento da nossa dimens\u00e3o humana;<\/p>\n\n\n\n<p>- O sentido de respeito pela individualidade do ser humano, que deve pautar de modo inequ\u00edvoco qualquer rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos, e que se pode sintetizar do seguinte modo - todos diferentes, todos iguais e todos especiais;<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, as palavras do Papa Francisco convocam-nos para sermos cada vez mais melhores seres humanos, e mostram-nos, ao mesmo tempo, que tudo depende afinal da atitude com que sejamos capazes de nos envolver, em cada circunst\u00e2ncia da vida, com os outros e com o pr\u00f3prio mundo. S\u00e3o as atitudes, mais do que outro fator qualquer, que nos aproximam ou afastam dessa espiritualidade e viv\u00eancia humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade falou-se essencialmente de \u00e9tica e de integridade, pois claro. De seres humanos que, para o serem, t\u00eam de se posicionar de forma una, inteira, perante si pr\u00f3prios, perante a sua consci\u00eancia e perante todos os demais. Pois \u00e9 essa a circunst\u00e2ncia que deve caracterizar as rela\u00e7\u00f5es entre seres que se dizem e se assumem humanos. \u00c9 a \u00e9tica que nos faz humanos, como referi anteriormente em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2017\/02\/03\/economia\/opiniao\/all-we-need-is-ethics-1760793\">All we need is Ethics<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Deste ponto de vista - e perdoem-me se agora possa parecer um pouco redutor, apesar de n\u00e3o o pretender - a realidade que a JMJ nos mostrou foi mais um espa\u00e7o e uma oportunidade - muito importante, \u00e9 certo! - de reflex\u00e3o e apelo \u00e0 \u00c9tica e \u00e0 Integridade, ao que de melhor o homem pode, atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o com o seu semelhante, dar a si pr\u00f3prio, enquanto pilar fundamental e estruturante da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, e bem vistas a coisas de um ponto de vista mais objetivo, n\u00e3o deixou de ser \u201capenas\u201d mais uma das muitas e c\u00edclicas ocasi\u00f5es que a Hist\u00f3ria nos tem mostrado de apelo e refor\u00e7o para o envolvimento das pessoas em torno dos valores \u00e9ticos pr\u00f3prios do seu tempo e dos deveres e responsabilidade de a\u00e7\u00e3o na sua concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalvo que utilizo o termo \u201capenas\u201d n\u00e3o para apequenar o evento, nem, muito menos, para reduzir a sua grandiosidade e conte\u00fado, o qual, como referimos inicialmente, foi evidentemente extraordin\u00e1rio e nos deve deixar a todos com uma pontinha de grande orgulho nacional - uma vez mais, quando abra\u00e7amos desafios desta grandeza somos verdadeiramente capazes de mostrar o que de melhor temos quanto \u00e0 nossa capacidade de organiza\u00e7\u00e3o de grandes eventos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, se neste caso da JMJ ficarmos unicamente neste registo, e receio que assim seja com muitas pessoas, incluindo pessoas com elevadas responsabilidades p\u00fablicas, ent\u00e3o provavelmente n\u00e3o percebemos grande coisa sobre o significado do que se passou nem do evento que realiz\u00e1mos.<\/p>\n\n\n\n<p><a><u>Os valores da \u00e9tica e as condutas que lhes d\u00e3o (devem dar) sentido e coer\u00eancia s\u00e3o dimens\u00f5es de sempre. De todos os tempos e de todas as sociedades. S\u00e3o intemporais. Por essa raz\u00e3o requerem sempre exalta\u00e7\u00e3o. Sempre!<\/u><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mas requerem igualmente e sobretudo a disponibilidade e o envolvimento de todos (de todos sem exce\u00e7\u00e3o!) para os operacionalizar, como bem foi salientado por Sua Santidade. Para os colocar permanentemente em pr\u00e1tica. Para lhes conferir um sentido coerente e os fazer brilhar.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00c9tica e a Integridade s\u00e3o muito mais decorrentes dessa consci\u00eancia, envolvimento de esp\u00edrito e disponibilidade para a a\u00e7\u00e3o permanente de todos, do que propriamente de discursos muito bonitos de circunst\u00e2ncia para aplaudirmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da consci\u00eancia individual, as atitudes quotidianas das pessoas parecem evidenciar que a \u00c9tica e Integridade \u00e9 menos uma quest\u00e3o de autoavalia\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel sobre o eu e os meus comportamentos, e mais a capacidade para sinalizar e identificar as incorre\u00e7\u00f5es nos outros. E todos sabemos, por vezes de forma menos consciente, como ningu\u00e9m \u00e9 perfeito. A aus\u00eancia de \u00c9tica e Integridade ainda \u00e9 muito percebida por todos e por cada um com um problema essencialmente dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Se todo o sentido grandioso dos discursos e das mensagens da JMJ n\u00e3o forem impactantes nem tiverem grande consequ\u00eancia no refor\u00e7o do envolvimento e disponibilidade da generalidade das pessoas (como provavelmente suceder\u00e1), n\u00e3o ficar\u00e1 o homem com mais uma m\u00e3o cheia de pouco? N\u00e3o regressaremos \u00e0 espuma dos dias, em que damos mais \u00e0 import\u00e2ncia ao nosso ter do que propriamente ao nosso ser? Esperemos que assim n\u00e3o seja, que, pelo menos, alguns tra\u00e7os da mensagem fiquem mais avivados nas nossas consci\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se diz, o caminho faz-se caminhando, como de resto tamb\u00e9m foi expresso nas mensagens do evento, e deste ponto de vista, as palavras, os sinais, a empatia motivadora com que foram partilhados, s\u00e3o mais alertas para essa permanente atitude esfor\u00e7ada de todos no respeito pelo outro independentemente da sua circunst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A finalizar, ocorrem-me as tamb\u00e9m brilhantes palavras de Almada Negreiros, em \u201cA inven\u00e7\u00e3o do dia claro\u201d (1921), \u201cquando eu nasci, as frases que h\u00e3o de salvar a humanidade j\u00e1 estavam todas escritas, s\u00f3 faltava uma coisa - salvar a humanidade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Maia, Expresso online Independentemente de sermos mais ou menos crentes, ateus ou agn\u00f3sticos, crist\u00e3os ou que professemos outra qualquer religi\u00e3o, por certo que ningu\u00e9m ficou indiferente ou passou ao lado da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e de toda a din\u00e2mica que a marcou. 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