{"id":47586,"date":"2023-06-29T15:27:49","date_gmt":"2023-06-29T15:27:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47586"},"modified":"2023-07-01T15:30:34","modified_gmt":"2023-07-01T15:30:34","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47586","title":{"rendered":"Lisboa, cidade sem rumo, Cen\u00e1rios de Futuro"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/lisboa-cidade-sem-rumo-cenarios-de-futuro-16611618.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>A cidade de Lisboa \u00e9 hoje uma cidade em decl\u00ednio, sem rumo, sem estrat\u00e9gia, sem futuro, flutuando ao sabor das mar\u00e9s tur\u00edsticas. Mar\u00e9 vaza durante a pandemia que assustou empres\u00e1rios e pol\u00edticos mas que perante a atual mar\u00e9 cheia rapidamente esqueceram o que deviam ter aprendido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Os jovens n\u00e3o encontram casa compat\u00edveis com os seus magros rendimentos, os empres\u00e1rios hoteleiros queixam-se das poucas restri\u00e7\u00f5es que ainda t\u00eam, os residentes reclamam que os turistas tudo invadem e os expulsam dos seus bairros, das suas casas. A popula\u00e7\u00e3o que trabalha em Lisboa vem de periferias cada vez mais afastadas ou vive nas novas favelas verticais, das casas sobre habitadas. Simultaneamente milhares de casas continuam devolutas. Os transportes p\u00fablicos s\u00e3o insuficientes, os carros s\u00e3o em demasia. Os espa\u00e7os de escrit\u00f3rios vazios crescem tornando-se obsoletos com o trabalho remoto e com a dificuldade de acesso dos trabalhadores. A incapacidade da C\u00e2mara em gerir a Capital \u00e9 envergonha o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Moedas parece mais interessado em usar a C\u00e2mara como trampolim para voos mais altos do que para atuar ao n\u00edvel local. O poder pelo futuro maior poder mais do que o poder para materializar uma pol\u00edtica, uma ideia ou um plano. Por isso mais focado no acess\u00f3rio do que no fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante este abandono, face a este decl\u00ednio, que futuros se abrem para a nossa Cidade, centro e motor gripado de toda uma vasta \u00e1rea metropolitana? Avan\u00e7amos tr\u00eas cen\u00e1rios poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cen\u00e1rio \"Nem sim, nem sopas\".<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel. A continua\u00e7\u00e3o da atual pol\u00edtica. Lisboa continua a despovoar-se. A empobrecer. A&nbsp;<em>favelar-se<\/em>. A acolher cada vez mais turistas e estrangeiros reformados ou n\u00f3madas digitais. \u00c9 uma pol\u00edtica de lucros privados, no turismo, no imobili\u00e1rio caro destinado a uma classe m\u00e9dia ou uma elite estrangeira. Mas de grandes custos sociais. O crescimento da habita\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel dos portugueses residentes e dos imigrantes trabalhadores. A expuls\u00e3o de muitos residentes para periferias distantes. A press\u00e3o cada vez maior dos transportes individuais e o decl\u00ednio dos transportes p\u00fablicos. Uma cidade em que n\u00e3o vale a pena viver.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a tentativa infrut\u00edfera de conciliar o turismo de grandes massas com a habita\u00e7\u00e3o de uma massa menor sempre acossada, desapossada e sob stress permanente. \u00c9 procurar misturar \u00e1gua com azeite. Pura e simplesmente n\u00e3o funciona.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cen\u00e1rio \"Veneza-Bras\u00edlia\"<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o cen\u00e1rio mais favor\u00e1vel. O que melhor pode conciliar as vantagens do turismo com as necessidades da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Passa por afetar parte ou a totalidade da cidade ao turismo, investindo em mais alojamento local, mais hot\u00e9is, mais museus, mais atra\u00e7\u00f5es e divertimentos. Como o faz Veneza, cidade abandonada pelos seus anteriores habitantes e hoje completamente tomada pela ind\u00fastria do turismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas em simult\u00e2neo transferir para outro local os atuais habitantes. Com a sua anu\u00eancia. Com o seu contributo. Com a escolha de futuros locais, bairros e casas. Sem o atual desrespeito pelas pessoas. Sem a atual expuls\u00e3o sem alternativa compat\u00edvel. Como em Veneza a fun\u00e7\u00e3o resid\u00eancia foi transferida para a vizinha cidade de Mestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo transferindo a fun\u00e7\u00e3o de Capital pol\u00edtica do pa\u00eds para outro local. Como o Brasil fez, criando Bras\u00edlia de raiz. Deslocalizando os Minist\u00e9rios pelas capitais de distrito. Ter\u00edamos assim uma capital mais pequena, mais funcional, mais amiga do ambiente e mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um cen\u00e1rio que exige decis\u00f5es corajosas, s\u00f3 poss\u00edvel com um forte investimento estatal, mas capaz de galvanizar a ind\u00fastria nacional e de entusiasmar as popula\u00e7\u00f5es se forem envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cen\u00e1rio \"Cidade Residencial\"<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a solu\u00e7\u00e3o que muitos reclamam. Limitar o turismo. Circunscrev\u00ea-lo a uma \u00e1rea limitada. Procurar retomar o sonho ut\u00f3pico de uma cidade puramente residencial. \u00c9 procurar parar o vento com as m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando da mecaniza\u00e7\u00e3o da manufatura alguns artes\u00e3os opunham-se destruindo as m\u00e1quinas. O sucesso de tal movimento foi nulo. Nada consegue opor-se ao progresso. Podemos mold\u00e1-lo. Podemos regula-lo. Mas n\u00e3o podemos, nem devemos impedi-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o pior cen\u00e1rio. O cen\u00e1rio do velho do Restelo, clamando pelo retorno ao passado, glorificando uma \u00e9poca que tendo sido boa para uns, foi p\u00e9ssima para a maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>Recordemos aqui que as casas de Lisboa, s\u00e3o, na generalidade, velhas, n\u00e3o s\u00e3o insonorizadas, n\u00e3o s\u00e3o aquecidas, n\u00e3o t\u00eam as instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias adequadas, nem os elevadores de que necessitam, e muito menos as comodidades modernas necess\u00e1rias. Viver em Lisboa \u00e9 \u00e1rduo para muitos. N\u00e3o \u00e9 um para\u00edso que estejamos prestes a abandonar ou dele ser expulsos. Com alternativas adequados muitos mudariam de bom grado. Obviamente, sem alternativa, ningu\u00e9m quer perder a sua habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter\u00e3o os nossos pol\u00edticos a coragem de pensar um futuro. Apresent\u00e1-lo para discuss\u00e3o, alter\u00e1-lo com as boas sugest\u00f5es, alocar os fundos necess\u00e1rios e lan\u00e7ar m\u00e3os \u00e0 obra? Ou preferir\u00e3o continuar a tradi\u00e7\u00e3o de usar C\u00e2mara de Lisboa como simples antec\u00e2mara, apeadeiro obrigat\u00f3rio, da ascens\u00e3o a outros cargos pol\u00edticos de \u00e2mbito nacional?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo A cidade de Lisboa \u00e9 hoje uma cidade em decl\u00ednio, sem rumo, sem estrat\u00e9gia, sem futuro, flutuando ao sabor das mar\u00e9s tur\u00edsticas. 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