{"id":47557,"date":"2023-06-16T14:31:17","date_gmt":"2023-06-16T14:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47557"},"modified":"2023-06-18T14:36:00","modified_gmt":"2023-06-18T14:36:00","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47557","title":{"rendered":"Caricatura Racista"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/caricatura-racista-16538264.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em> O epis\u00f3dio de um cartaz contendo uma caricatura de Ant\u00f3nio Costa poderia ser aproveitado, n\u00e3o como arma de arremesso contra os professores e os seus sindicatos, que ali\u00e1s j\u00e1 se demarcaram claramente do conte\u00fado do desenho, mas para debater quais os crit\u00e9rios que devemos usar para definir se um trabalho deste tipo deve ou n\u00e3o ser classificado de racista. Uma discuss\u00e3o deste t\u00f3pico ajudaria certamente os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social a perceber melhor o tema e a fazer julgamentos cr\u00edticos corretos e a n\u00e3o invocar a liberdade de express\u00e3o a torto e a direito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>H\u00e1 caricaturas abertamente racistas que s\u00e3o f\u00e1ceis de identificar, mas h\u00e1 outras mais subtis que muitas vezes servem de cobertura \u00e0 difus\u00e3o de ideias racistas. \u00c9 neste territ\u00f3rio que a clareza de ideias \u00e9 mais importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Como contributo para uma discuss\u00e3o darei a minha modesta opini\u00e3o centrando-a em tr\u00eas ideias basilares: i) foco no grupo e n\u00e3o no individuo, ii) atribui\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas negativas ao grupo; iii) incitar \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, ao \u00f3dio ou \u00e0 viol\u00eancia contra o grupo alvo.<\/p>\n\n\n\n<p>O foco no grupo existe sempre que se a caricatura se dirige a uma comunidade ou etnia, os judeus, os negros, os Indianos, etc. Mas tamb\u00e9m pode surgir de maneira mais subtil associando um individuo a um grupo racializado e representando-o de tal forma que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 ele, como individuo, o caricaturado mas os tra\u00e7os caracter\u00edsticos do grupo em que o querem integrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Integramos facilmente a caricatura de Ant\u00f3nio Costa neste \u00faltimo caso. Temos um Ant\u00f3nio Costa irreconhec\u00edvel simultaneamente com os tra\u00e7os preconceituosos de uma pessoa de ascend\u00eancia indiana bem vis\u00edveis. Trata-se de salientar essa perten\u00e7a como forma de identificar a pessoa singular ao estere\u00f3tipo negativo do grupo racializado. Temos, ent\u00e3o, um primeiro ind\u00edcio que aponta para racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como caracteriza, positiva ou negativamente, o cartoonista o grupo em que integra Ant\u00f3nio Costa. Um simples olhar e conclu\u00edmos que lhe atribui caracter\u00edsticas negativas. A atribui\u00e7\u00e3o de atributos negativos a um grupo pode ser feita de in\u00fameras maneiras sendo uma das mais conhecidas a da animaliza\u00e7\u00e3o, normalmente recorrendo a animais mais repulsivos, intelectualmente diminu\u00eddos ou sujos. Ora a caricatura animaliza o grupo caricaturado substituindo parte da face por um focinho de porco. Segundo ind\u00edcio aponta tamb\u00e9m para racismo. Neste ponto n\u00e3o parecem restar j\u00e1 muitas d\u00favidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente a incita\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio e \u00e0 viol\u00eancia sobre o grupo racializado \u00e9 tamb\u00e9m uma marca frequente do racismo. Os l\u00e1pis pontiagudos espetados nos olhos s\u00e3o um sinal claro de \u00f3dio. A quem furar\u00edamos os olhos sen\u00e3o a quem odiamos? Temos, ent\u00e3o, uma confirma\u00e7\u00e3o em forma. Esta caricatura \u00e9, sem margem para d\u00favidas ou discuss\u00f5es, racista.<\/p>\n\n\n\n<p>Recapitulando, Ant\u00f3nio Costa \u00e9 explicitamente apresentado como membro de um grupo racializado. Essa liga\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte e explicita que sem o contexto da manifesta\u00e7\u00e3o nem saber\u00edamos quem \u00e9 o representado, mas facilmente o identificar\u00edamos como uma pessoa indiana. Atribui-se ao grupo atributos negativos, atrav\u00e9s da desumaniza\u00e7\u00e3o e da animaliza\u00e7\u00e3o. E finalmente incita-se \u00e0 viol\u00eancia contra o individuo por este pertencer ao grupo em que o integraram. Um processo cl\u00e1ssico do racismo mais puro.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma caricatura racista est\u00e1 para al\u00e9m do admiss\u00edvel, viola a liberdade de express\u00e3o, deve ser considerada crime e os seus autores punidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A propaga\u00e7\u00e3o do racismo viola a liberdade de express\u00e3o no seu \u00e2mago. O princ\u00edpio basilar da Liberdade, qualquer que seja, incluindo a de express\u00e3o, \u00e9 o de que a Liberdade de qualquer indiv\u00edduo cessa quando compromete a Liberdade e a seguran\u00e7a alheias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo O epis\u00f3dio de um cartaz contendo uma caricatura de Ant\u00f3nio Costa poderia ser aproveitado, n\u00e3o como arma de arremesso contra os professores e os seus sindicatos, que ali\u00e1s j\u00e1 se demarcaram claramente do conte\u00fado do desenho, mas para debater quais os crit\u00e9rios que devemos usar para definir se um&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47557\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-47557","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47557"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47557\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47558,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47557\/revisions\/47558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}