{"id":47555,"date":"2023-06-17T14:26:29","date_gmt":"2023-06-17T14:26:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47555"},"modified":"2023-06-18T14:36:21","modified_gmt":"2023-06-18T14:36:21","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-18","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47555","title":{"rendered":"Produtividade por empregado piora no contexto europeu desde a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/produtividade-por-empregado-piora-no-contexto-europeu-desde-a-pandemia-16544459.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>J\u00e1 em cr\u00f3nicas anteriores apontei para a ilus\u00e3o de alguns n\u00fameros recentes de conjuntura econ\u00f3mica, quando vistos isoladamente, tendo mesmo levado o Presidente da Rep\u00fablica a falar de \"alguma boa economia\", mas que, infelizmente \"ainda n\u00e3o tinha chegado \u00e0s pessoas\".<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenhamos ilus\u00f5es, bons resultados de curto prazo, mesmo que cheguem \u00e0s pessoas, ser\u00e3o ef\u00e9meros se n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a de pol\u00edticas que melhore estruturalmente a nossa economia, para que beneficie de uma forma sustentada e consistente a vida das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Puxemos a \"fita\" atr\u00e1s e olhemos para um filme mais completo, ilustrado no gr\u00e1fico, em vez das cenas mais recentes da \"novela econ\u00f3mica\" contadas pelos pol\u00edticos e repetidas pelos media at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, designadamente o desempenho irrepet\u00edvel de crescimento econ\u00f3mico em 2022 (empolado pela compara\u00e7\u00e3o com n\u00edveis baixos de atividade nos dois anos anteriores e pela forte retoma do turismo, beneficiado pela imagem de pa\u00eds seguro, longe da guerra) e a progress\u00e3o tamb\u00e9m acima do previsto no 1\u00ba trimestre deste ano (tamb\u00e9m \"puxada\" pelo turismo), ambos superando a evolu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia (UE), que n\u00e3o passa disso mesmo, uma m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento do PIB, que mede a riqueza gerada num ano pela economia, dito de forma simples, pode ser divido entre a varia\u00e7\u00e3o do PIB por empregado (ou produtividade por empregado) e a do emprego. Trata-se de um exerc\u00edcio b\u00e1sico de contabilidade do crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 simples, procurar aferir quanto do crescimento econ\u00f3mico se deveu ao incremento do n\u00famero de trabalhadores e quanto teve origem no acr\u00e9scimo da sua produtividade, que depende de muitos fatores, como o investimento em capital f\u00edsico, em inova\u00e7\u00e3o, em capital humano (educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade) e na qualidade da gest\u00e3o, bem como da redu\u00e7\u00e3o dos custos de contexto, onde cabe um conjunto alargados de obst\u00e1culos \u00e0 produtividade, com realce para a fiscalidade e a burocracia excessivas e a baixa qualidade das institui\u00e7\u00f5es em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, segundo dados do Eurostat, o PIB por empregado em paridades de poder de compra (ou seja, ajustando pela diferen\u00e7a de pre\u00e7os entre pa\u00edses), PPC, de Portugal situou-se em 74,7% da m\u00e9dia da UE 27, que traduz a 24\u00aa posi\u00e7\u00e3o, ou seja, a 4\u00aa pior no contexto europeu (ver gr\u00e1fico).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, antes da pandemia e da guerra, Portugal situava-se na 20\u00aa posi\u00e7\u00e3o na produtividade por empregado em PPC (a 8\u00aa pior), em 76,4% da m\u00e9dia da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos, portanto, significativamente piores ao n\u00edvel da produtividade por empregado considerando o per\u00edodo agregado de 2019 a 2022 e n\u00e3o per\u00edodos parcelares (como um ano ou trimestre espec\u00edficos), muito influenciados pelas oscila\u00e7\u00f5es provocadas pelas crises recentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de din\u00e2mica, o gr\u00e1fico mostra que esse retrocesso se deveu ao facto de Portugal ter registado nesse per\u00edodo a 4\u00aa pior taxa de varia\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual (tvma) da produtividade por empregado (em PPC) na UE, abaixo da m\u00e9dia europeia (0,6% e 0,8% em termos nominais, respetivamente), tendo o crescimento do emprego sido de 0,2% ao ano em ambos os casos, pelo que as tvma nominais do PIB (em PPC) foram cerca de 0,8% e 1,0%, respetivamente (basta somar as evolu\u00e7\u00f5es do emprego e da produtividade para ter uma boa aproxima\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>As varia\u00e7\u00f5es nominais significam simplesmente que incorporam o efeito da evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>A medi\u00e7\u00e3o habitual do crescimento econ\u00f3mico, a pre\u00e7os constantes (excluindo os efeitos pre\u00e7o, incluindo a corre\u00e7\u00e3o PPC) mostra que o PIB de Portugal teve uma tvma de 0,2% entre 2019 e 2022 em termos reais, tal como a UE, mas que foi a 9\u00aa mais baixa entre os Estados-membros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, tamb\u00e9m neste indicador mais usual de crescimento n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es para celebrar o nosso desempenho relativo entre 2019 e 2022. O mesmo sucede no emprego, j\u00e1 que a subida j\u00e1 referida de 0,2% ao ano, igual \u00e0 da m\u00e9dia da UE, foi apenas a 17\u00aa mais alta (a 11\u00aa pior).<\/p>\n\n\n\n<p>Retomando a an\u00e1lise da produtividade por empregado e olhando mais para tr\u00e1s, Portugal perdeu posi\u00e7\u00f5es neste indicador nas duas primeiras d\u00e9cadas do mil\u00e9nio, sobretudo na segunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, Portugal at\u00e9 se aproximou do padr\u00e3o europeu de produtividade por empregado (em PPC) entre 1999 e 2009, passando de 76,2% para 79,8% da m\u00e9dia da UE, mas perdeu uma posi\u00e7\u00e3o, de 17\u00ba para 18\u00ba. Por outro lado, esta d\u00e9cada caracterizou-se pela acumula\u00e7\u00e3o de fortes desequil\u00edbrios na economia portuguesa, que acabaram por nos prejudicar mais \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, a d\u00e9cada seguinte, marcada pela aplica\u00e7\u00e3o do Programa de Ajustamento da Troika de credores (2011-2014) - cujo apoio solicitado pelo governo de ent\u00e3o evitou a bancarrota do Estado portugu\u00eas -, foi bastante pior, provocando um retrocesso no indicador em an\u00e1lise de 79,8% da UE em 2009 para 76,4% em 2019, da 18\u00aa para a 20\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal refletiu, em termos de din\u00e2mica relativa, o aumento da produtividade por empregado (em PPC) acima da UE na d\u00e9cada de 2000 (tvma de 3,4% face a 2,9%, em termos nominais) e o inverso na d\u00e9cada seguinte (1,8% face a 2,3%).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, dado que o emprego n\u00e3o cresceu em Portugal nessas duas d\u00e9cadas - registando, em cada uma delas, a 7\u00aa pior evolu\u00e7\u00e3o na UE, onde a subida foi assinal\u00e1vel (tvma de 0,7% e 0,6%, respetivamente) -, a tvma do PIB em PPC de Portugal foi inferior \u00e0 da UE nas duas d\u00e9cadas em termos nominais (cerca de 3,4% face 3,6% na primeira e cerca de 1,8% face a 2,9% na segunda).<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos reais (excluindo os efeitos pre\u00e7o), o crescimento m\u00e9dio anual do PIB de Portugal foi ainda mais dececionante na compara\u00e7\u00e3o com a m\u00e9dia europeia, com valores de 0,9% na d\u00e9cada de 2000 e de 0,8% na d\u00e9cada de 2010, que compara com 1,5% e 1,6% na UE, respetivamente, traduzindo em ambas as d\u00e9cadas o 3\u00ba pior desempenho na Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que, desde o in\u00edcio do mil\u00e9nio, os n\u00fameros de Portugal no crescimento econ\u00f3mico e nas suas componentes emprego e produtividade por empregado foram muito dececionantes quando comparados com a evolu\u00e7\u00e3o na m\u00e9dia da UE e, sobretudo, nos pa\u00edses mais din\u00e2micos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o n\u00fameros que vale a pena repetir at\u00e9 entrarem na cabe\u00e7a do cidad\u00e3o comum, para que n\u00e3o fiquemos, enquanto Sociedade, acomodados a desempenhos relativos med\u00edocres, sobretudo atendendo ao montante elevado de fundos europeus que Portugal recebeu desde 1986, ano de entrada na ent\u00e3o CEE (Comunidade Econ\u00f3mica Europeia), continuando a ser ultrapassado em PIB por empregado e per capita por pa\u00edses que aderiram mais tarde e receberam muito menos fundos, o que nos coloca cada vez mais na cauda da europa em n\u00edvel de vida e bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pr\u00f3ximos anos vamos receber um montante anual ainda mais elevado de fundos, que (por v\u00e1rios motivos j\u00e1 referidos em cr\u00f3nicas anteriores) desta vez se afigura mesmo irrepet\u00edvel, e infelizmente temo que os resultados voltem a ser dececionantes, porque, como ter\u00e1 dito Einstein, \"n\u00e3o podemos continuar a fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes\".<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.globalnoticias.pt\/dv\/image.jpg?brand=DV&amp;type=generate&amp;guid=d1a72187-200b-40a8-9611-f37325af09e6&amp;t=20230617094707\" alt=\"Produtividade por empregado piora no contexto europeu desde a pandemia\"\/><\/figure><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo J\u00e1 em cr\u00f3nicas anteriores apontei para a ilus\u00e3o de alguns n\u00fameros recentes de conjuntura econ\u00f3mica, quando vistos isoladamente, tendo mesmo levado o Presidente da Rep\u00fablica a falar de &#8220;alguma boa economia&#8221;, mas que, infelizmente &#8220;ainda n\u00e3o tinha chegado \u00e0s 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