{"id":47548,"date":"2023-06-09T10:20:39","date_gmt":"2023-06-09T10:20:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47548"},"modified":"2023-06-09T10:20:41","modified_gmt":"2023-06-09T10:20:41","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-6-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47548","title":{"rendered":"Cada povo tem o governo que merece"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Pedro Moura, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2023-06-09-Cada-povo-tem-o-governo-que-merece-c63444ad\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>A culpabiliza\u00e7\u00e3o do \u2018Poder\u2019 sobre todos os males da nossa realidade (passada, atual e futura) \u00e9 alimentada n\u00e3o s\u00f3 pelos pr\u00f3prios cidad\u00e3os, mas tamb\u00e9m pelas estruturas e organiza\u00e7\u00f5es que de alguma forma dependem dos cidad\u00e3os, como os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, sindicatos, e at\u00e9, paradoxalmente, os pr\u00f3prios partidos pol\u00edticos ou organiza\u00e7\u00f5es do \u2018Poder\u2019<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>No livro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/narrow-corridor-daron-acemoglu\/23810700\">\u2018O Equil\u00edbrio do Poder\u2019<\/a>\u00a0(t\u00edtulo original \u2018<em>The Narrow Corridor\u2019), Daron Acemoglu<\/em> e <em>James Robinson<\/em> apresentam o conceito de \u2018Corredor Estreito\u2019 numa tentativa de explicar a evolu\u00e7\u00e3o das sociedades em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade e prosperidade (ou n\u00e3o). Este conceito assenta numa rela\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de tens\u00e3o entre os poderes do Estado e a Sociedade. Quando esta rela\u00e7\u00e3o se inclina mais para o lado do Estado tende-se a ter sociedades autorit\u00e1rias, opressivas e com pouca liberdade (exemplos: China, R\u00fassia). Se a rela\u00e7\u00e3o se inclina mais para o lado da Sociedade a tend\u00eancia \u00e9 para gerar aus\u00eancia de capacidade de governa\u00e7\u00e3o coletiva, anarquia e caos (exemplos: L\u00edbano, Z\u00e2mbia).<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o velho ditado latino de \u2018No meio est\u00e1 a virtude\u2019 tamb\u00e9m serve para a evolu\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel das sociedades. A imagem seguinte serve para refor\u00e7ar o conceito.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.impresa.pt\/expresso\/2023-06-09-imagem.png-6f629b69\/original\" alt=\"O \u201ccorredor estreito\u201d, reproduzido de artigo por Miller, Zissimos\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O \u201ccorredor estreito\u201d, reproduzido de artigo por Miller, ZissimosDR<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Introduzi este conceito para chegar ao tema que realmente quero abordar: a falta de responsabilidade e responsabiliza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os na sociedade, e o efeito que tal tem na sa\u00fade da mesma. Embora julgue que este fen\u00f3meno \u00e9 imensamente generalizado, irei focar-me naturalmente em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre que se discute algo negativo no funcionamento da sociedade ou das organiza\u00e7\u00f5es, as responsabilidades tendem a ser atribu\u00eddas quase exclusivamente ao \u2018Poder\u2019, seja esse poder uma entidade mais ou menos humana (ou seja, o \u2018chefe\u2019, o patr\u00e3o, o presidentes da autarquia ou do clube do bairro, o Governo, a empresa, o funcion\u00e1rio por detr\u00e1s do guichet, etc.), ou seja esse poder algo mais abstrato como \u2018o Sistema\u2019, as leis, os processos, a burocracia, \u2018os esquemas\u2019, \u2018o habitual\u2019 ou qualquer outro conceito similar. No fundo, a ra\u00edz do problema \u00e9 sempre um \u2018Outro Poderoso\u2019 que tende a ter n\u00edveis arbitr\u00e1rios de poder e que, obviamente, tem sempre inten\u00e7\u00f5es dolosas (ou seja, mais populisticamente, \u2018de nos querer lixar\u2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta culpabiliza\u00e7\u00e3o do \u2018Poder\u2019 sobre todos os males da nossa realidade (passada, atual e futura) \u00e9 alimentada n\u00e3o s\u00f3 pelos pr\u00f3prios cidad\u00e3os, mas tamb\u00e9m pelas estruturas e organiza\u00e7\u00f5es que de alguma forma dependem dos cidad\u00e3os, como os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, sindicatos, e at\u00e9, paradoxalmente, os pr\u00f3prios partidos pol\u00edticos ou organiza\u00e7\u00f5es do \u2018Poder\u2019 (naturalmente remetendo culpas para os seus concorrentes quando assim conv\u00e9m). Cria-se (criou-se) assim um caldo cultural em que, \u00e0 partida, se sabe quem s\u00e3o as v\u00edtimas e os culpados. As v\u00edtimas o \u2018Povo\u2019, os culpados o \u2018Poder\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, os pr\u00f3prios cidad\u00e3os, o \u2018Povo\u2019, tende a ser insulado de toda e qualquer responsabilidade pela realidade que o rodeia, pois \u00e9, por natureza e omiss\u00e3o, v\u00edtima, e nunca culpado. O cidad\u00e3o tem direitos sociais, mas n\u00e3o deveres sociais. O cidad\u00e3o deve exigir, e o Poder deve entregar. O cidad\u00e3o vota e paga impostos, mas a sua responsabilidade termina a\u00ed. O cidad\u00e3o pode virar a cara a situa\u00e7\u00f5es em que at\u00e9 poderia intervir, e simplesmente dizer a si mesmo (e por vezes aos outros) que n\u00e3o tem \u2018nada a ver com isso\u2019. Ou seja, o cidad\u00e3o nunca \u00e9 realmente chamado \u00e0 li\u00e7a quando se trata de assumir responsabilidades que extravasem a sua pr\u00f3pria pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de continuar, outros dados relevantes: Portugal \u00e9 o pen\u00faltimo pa\u00eds da OCDE (38 pa\u00edses) no que toca \u00e0 participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica dos cidad\u00e3os (<a href=\"https:\/\/www.oecdbetterlifeindex.org\/topics\/civic-engagement\/\">mais aqui<\/a>). E j\u00e1 agora o 5.\u00ba pior no que toca a \u2018Satisfa\u00e7\u00e3o de Vida\u2019 (<a href=\"https:\/\/www.oecdbetterlifeindex.org\/topics\/life-satisfaction\/\">mais aqui<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Para se estar no \u2018Corredor Estreito\u2019 de Acemoglu e Robinson \u00e9 preciso equil\u00edbrio entre Estado e Sociedade. Neste momento a \u2018Sociedade\u2019 em Portugal est\u00e1 ref\u00e9m da sua pr\u00f3pria in\u00e9pcia e de uma narrativa que a desculpabiliza de toda e qualquer responsabilidade c\u00edvica e social. Isto traduz-se num desequil\u00edbrio estrutural que legitima a captura de recursos e poder por parte de grupos corporativos, danificando a qualidade das Institui\u00e7\u00f5es Pol\u00edticas e Econ\u00f3micas, da Liberdade e da Justi\u00e7a e desviando recursos para fins extrativos. Os cidad\u00e3os ou vivem do \u2018p\u00e3o e circo\u2019 de sal\u00e1rio m\u00ednimo a sal\u00e1rio m\u00e9dio (ambos miser\u00e1veis), ou aqueles que conseguem ter mais no\u00e7\u00e3o das coisas optam por se alhear do papel positivo que poderiam ter na condu\u00e7\u00e3o dos nosso destinos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a na \u00e9tica social dos cidad\u00e3os, que assumam responsabilidade pelo papel de participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica que \u00e9 necessariamente seu, que participem di\u00e1ria e ativamente na vida das organiza\u00e7\u00f5es e das institui\u00e7\u00f5es com que se relacionam. \u00c9 necess\u00e1rio que o \u2018Poder\u2019 perceba que uma sociedade fraca os enfraquecer\u00e1 tamb\u00e9m a eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social podem ter aqui um papel fundamental, desviando parte dos recursos que gastam nas \u2018novelas\u2019 do poder que tanto entret\u00eam (e anestesiam) a popula\u00e7a para uma l\u00f3gica editorial promotora de uma maior participa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Atores como o Presidente da Rep\u00fablica e muitos outros com influ\u00eancia deviam definir como prioridade o enaltecimento de uma mudan\u00e7a de atitude por parte dos cidad\u00e3os no sentido de maior participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e responsabiliza\u00e7\u00e3o. Os nossos \u2018brandos costumes\u2019 n\u00e3o devem ser usados para criar e manter uma paz social podre, assente em fraco crescimento econ\u00f3mico e manuten\u00e7\u00e3o de n\u00edveis de literacia e participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica miser\u00e1veis, claramente comprometedora do nosso futuro em quanto Povo e Pa\u00eds. Devemos mais n\u00e3o s\u00f3 a n\u00f3s, mas sobretudo aos nossos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque n\u00e3o uma nova campanha \u2018Portugal n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 teu\u2019 (lembram-se do Herman&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=V-zd-73uxYo\">aqui<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7au-Vu8UQ64\">aqui<\/a>?). Nessa altura houve uma mudan\u00e7a de comportamento por parte do povo, a par de um forte progresso social e econ\u00f3mico. Que tal uma campanha \u2018Portugal tamb\u00e9m \u00e9 teu\u2019, a incitar as pessoas a n\u00e3o se limitarem \u00e0 resigna\u00e7\u00e3o e \u00e0 maledic\u00eancia, a n\u00e3o se habituarem \u00e0 mediocridade e \u00e0 depend\u00eancia, a terem um maior papel nas suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>E, no final, \u00e9 bom recordar o fundo de verdade encerrado no prov\u00e9rbio \u2018<a href=\"https:\/\/www.pensador.com\/frase\/MTQ5NjIyNw\/\">cada povo tem o governo que merece<\/a>\u2019. Povo, que governo merecemos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura, Expresso online A culpabiliza\u00e7\u00e3o do \u2018Poder\u2019 sobre todos os males da nossa realidade (passada, atual e futura) \u00e9 alimentada n\u00e3o s\u00f3 pelos pr\u00f3prios cidad\u00e3os, mas tamb\u00e9m pelas estruturas e organiza\u00e7\u00f5es que de alguma forma dependem dos cidad\u00e3os, como os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, sindicatos, e at\u00e9, paradoxalmente, os pr\u00f3prios partidos pol\u00edticos ou organiza\u00e7\u00f5es&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47548\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-47548","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47548"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47548\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47549,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47548\/revisions\/47549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}