{"id":47526,"date":"2023-06-01T17:21:07","date_gmt":"2023-06-01T17:21:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47526"},"modified":"2023-06-04T17:26:20","modified_gmt":"2023-06-04T17:26:20","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-6-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47526","title":{"rendered":"Resultados da TAP 2022: nada do que reluz \u00e9 ouro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2023-06-01-Resultados-da-TAP-2022-nada-do-que-reluz-e-ouro-c3f9c793\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Partindo do lucro anunciado de 65,6 milh\u00f5es de euros, e ap\u00f3s tr\u00eas ajustamentos, chega-se a um resultado integral (corrigido) negativo de 203,4 milh\u00f5es. Quem \u00e9 que avan\u00e7a para assumir a paternidade do preju\u00edzo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Em finais de mar\u00e7o, a not\u00edcia surgiu na comunica\u00e7\u00e3o social de modo quase uniforme: \u201cTAP volta aos resultados positivos com lucro de 65,6 milh\u00f5es de euros\u201d. N\u00e3o faltou quem, em bicos de p\u00e9s, se apresentasse como obreiro de t\u00e3o grande feito; quem, mais modestamente, visse tal resultado como consequ\u00eancia direta da nacionaliza\u00e7\u00e3o da empresa; ou ainda quem j\u00e1 reclamasse o fim do corte dos sal\u00e1rios em vigor ou o direito a um b\u00f3nus pelo bom desempenho da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal foi a regozijo que ningu\u00e9m parece ter-se lembrado de que os resultados contabil\u00edsticos s\u00e3o estimados segundo regras e que estas, em certas situa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o mais ou menos \u201ctortuosas\u201d, possibilitando, em particulares circunst\u00e2ncias, criar a ilus\u00e3o de resultados que, em verdade, n\u00e3o existem. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi tido em considera\u00e7\u00e3o que o Governo e a administra\u00e7\u00e3o da empresa estavam sob enorme press\u00e3o p\u00fablica para publicitarem resultados que criassem uma perce\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel do desempenho da TAP, contraponto ao chorudo \u201ccheque\u201d que a esta havia sido entregue. Tendo isto presente, nos pontos seguintes procurar-se-\u00e1 ajustar o resultado do per\u00edodo, com o objetivo de propor um n\u00famero que, mais realisticamente, ilustre esse desempenho no ano em causa.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ajustamento 1: chega-se ao resultado integral. Parte-se do resultado l\u00edquido (lucro) de 65,6 milh\u00f5es (M) de euros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este resultado consta da \u00faltima linha da \u201cdemonstra\u00e7\u00e3o do resultado\u201d (DR), o mapa em que as empresas explicam a forma\u00e7\u00e3o deste. Por\u00e9m, as regras contabil\u00edsticas imp\u00f5em que determinados gastos e rendimentos n\u00e3o sejam considerados como componentes do resultado do per\u00edodo, sendo registados diretamente nos capitais pr\u00f3prios. Em tais casos, o impacto das opera\u00e7\u00f5es tende a ser mais opaco, sobretudo para os destinat\u00e1rios da informa\u00e7\u00e3o que tomam aquele resultado como o indicador de refer\u00eancia do desempenho da empresa. Para reduzir essa opacidade, empresas como a TAP s\u00e3o obrigadas a disponibilizar um mapa de \u201cdemonstra\u00e7\u00e3o do resultado integral (DRI)\u201d (\u201c<em>comprehensive income statement<\/em>\u201d), em que ao conte\u00fado da DR \u00e9 adicionado o impacto das referidas opera\u00e7\u00f5es cujos efeitos flu\u00edram diretamente para os capitais pr\u00f3prios. Esse resultado integral \u00e9 uma medida mais pr\u00f3xima do valor criado pela empresa (se for positivo) ou do valor destru\u00eddo (se for negativo). Olhe-se a DRI da TAP. Em 2022, esta verificou um preju\u00edzo integral de 66,2 M. Sim, n\u00e3o \u00e9 lapso. Partindo do resultado l\u00edquido positivo (lucro) de 65,6 M de euros, adicionando-se o gasto suportado para ajustar o fundo de pens\u00f5es (-21,7 M), mais outros gastos n\u00e3o especificados (-27,7 M) e as perdas em instrumentos financeiros derivados (-82,4 M), o resultado torna-se substancialmente negativo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ajustamento 2: o efeito dos impostos diferidos. Parte-se de um resultado integral negativo (preju\u00edzo) de 66,2 M.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 2022, para vigorar a partir de 2023, o Governo, na Lei do Or\u00e7amento, eliminou o existente per\u00edodo temporal m\u00e1ximo para dedu\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos fiscais. Uma pequena (grande) altera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 come\u00e7ou a produzir efeitos. A administra\u00e7\u00e3o da TAP usou-a como suporte para registar 23,6 M de impostos diferidos ativos (IDA) relativos a preju\u00edzos fiscais passados, que anteriormente estava impossibilitada de registar por n\u00e3o prever a gera\u00e7\u00e3o futura de resultados positivos suficientes para absorver tais preju\u00edzos. N\u00e3o fora esse pequeno \u201cjeito\u201d legislativo e aquele montante, n\u00e3o repet\u00edvel, n\u00e3o poderia ter sido registado, aumentando o preju\u00edzo integral. Ajusta-se este em conformidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ajustamento 3: a revers\u00e3o de provis\u00f5es. Descontado o efeito do registo dos IDA, parte-se de um resultado integral negativo (preju\u00edzo) de 89,8 M.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um procedimento de f\u00e1cil implementa\u00e7\u00e3o que a literatura da especialidade refere como tendencialmente presente em todos os processos de restrutura\u00e7\u00e3o de empresas. Consiste em, no ato da planifica\u00e7\u00e3o da mesma, or\u00e7amentar gastos superiores aos necess\u00e1rios, para, posteriormente, fazer a revers\u00e3o do excesso (gerando um rendimento e aumentando o resultado) num ou mais per\u00edodos futuros. Por exemplo: se em vez de 3.200 M o custo da restrutura\u00e7\u00e3o da TAP tivesse sido anunciado como \u201capenas\u201d 2.900 M, o \u201cdesconforto\u201d dos contribuintes seria substancialmente diferente? N\u00e3o, certamente. Ent\u00e3o, a administra\u00e7\u00e3o da empresa e o acionista tinham um incentivo para sobreor\u00e7amentar os gastos, aplicando a sabedoria popular \u201cperdido por cem, perdido por 1.000\u201d, que tem como consequ\u00eancia a transfer\u00eancia de resultados para per\u00edodos futuros. No caso da TAP, no ano de 2022, entre outras, de menor dimens\u00e3o, verifica-se a revers\u00e3o do excesso de 113,6 M de gastos previstos para o fecho do neg\u00f3cio da TAP no Brasil, que se reflete num aumento direto de igual montante do resultado do per\u00edodo. Por isso, sem este efeito contabil\u00edstico, n\u00e3o repet\u00edvel, o resultado integral negativo (preju\u00edzo) da empresa seria de 203,4 M.<\/p>\n\n\n\n<p>Este n\u00famero mostra uma imagem do desempenho da TAP mais realista do que a transmitida pelo resultado l\u00edquido inicialmente publicitado. \u00c9 bem diferente, para pior. Quem \u00e9 que avan\u00e7a para assumir a paternidade de um preju\u00edzo de mais de 200 M? Quem se atreve a reclamar um pr\u00e9mio de gest\u00e3o por tal desempenho?<\/p>\n\n\n\n<p><em>A terminar: duas notas em cima do resultado integral (corrigido) negativo de 203,4 M.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Primeira, as regras contabil\u00edsticas s\u00e3o imperfeitas, \u00e0s vezes \u201ctortuosas\u201d, como se referiu. Por\u00e9m, o pior de tudo, no que respeita \u00e0 qualidade da informa\u00e7\u00e3o produzida, \u00e9 o aproveitamento que dessas regras se pode fazer, para, sem as infringir, mostrar uma realidade paralela que serve interesses particulares. Segunda, a presente cr\u00f3nica pode ser vista como a mensageira que traz as m\u00e1s not\u00edcias, potencialmente contribuindo para desfazer os castelos de vento que j\u00e1 se erigiam em torno da TAP. Presidiu \u00e0 respetiva reda\u00e7\u00e3o o desejo de contribuir para proporcionar a quem disponibilizou os meios para capitalizar a empresa \u2013 os contribuintes, genericamente considerados \u2013 uma imagem mais realista da respetiva situa\u00e7\u00e3o e desempenho. Porque, se n\u00e3o se souber onde se est\u00e1, s\u00f3 por acaso se encontrar\u00e1 o caminho que conduz ao destino pretendido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online Partindo do lucro anunciado de 65,6 milh\u00f5es de euros, e ap\u00f3s tr\u00eas ajustamentos, chega-se a um resultado integral (corrigido) negativo de 203,4 milh\u00f5es. 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