{"id":47510,"date":"2023-05-22T13:23:07","date_gmt":"2023-05-22T13:23:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47510"},"modified":"2023-05-24T13:30:30","modified_gmt":"2023-05-24T13:30:30","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-152","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47510","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que podemos confiar nos bancos?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Miguel Viegas, Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/799592\/sera-que-podemos-confiar-nos-bancos-?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Apesar de todas as medidas anunciadas sobre regula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 foram gastas somas colossais de fundos p\u00fablicos para salvar bancos que, supostamente, estavam bem capitalizados e supervisionados<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O ano 2023 come\u00e7ou com mais uma crise financeira, rotulada j\u00e1 como a maior crise banc\u00e1ria desde 2008. Depois da fal\u00eancia do <em>Silvergate Bank<\/em> (institui\u00e7\u00e3o de pequena dimens\u00e3o, mas que ter\u00e1 lan\u00e7ado o alerta), dois importantes bancos norte-americanos, o<em> Silicon Valley Bank <\/em>(SVB) e o <em>Signature Bank<\/em> entraram em colapso. Dias mais tarde, o <em>Cr\u00e9dit Suisse<\/em> era resgatado por outro banco, com o aval do governo. Na semana passada, foi a vez do<em> First Republic Bank<\/em> entrar em fal\u00eancia, mais um banco norte americano, o terceiro este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m pode prever se a turbul\u00eancia se ficar\u00e1 por aqui ou se mais epis\u00f3dios est\u00e3o na calha. O que sabemos \u00e9 que, apesar de todas as medidas anunciadas sobre regula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 foram gastas mais uma vez, somas colossais de fundos p\u00fablicos para salvar bancos que, supostamente, estavam bem capitalizados e supervisionados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar uma perspetiva quantitativa ao leitor sobre a dimens\u00e3o dos acontecimentos, esses tr\u00eas bancos norte americanos detinham ativos totalizando 532 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Esta quantia ultrapassa a totalidade dos ativos detidos pelos 25 maiores bancos que faliram na sequ\u00eancia da crise de 2008 (que representam um valor total atualizado de 526 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares). \u00c9 sintom\u00e1tico que a fal\u00eancia tenha ocorrido no SVB, um banco de refer\u00eancia da ind\u00fastria de tecnologia (e principalmente das startups). Um banco dito s\u00f3lido, mas que foi aniquilado em poucas horas depois de uma corrida aos dep\u00f3sitos assim que foram anunciadas as primeiras perdas. Os pedidos de levantamento totalizaram s\u00f3 no dia 9 de mar\u00e7o a soma de 42 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Esta foi a segunda maior fal\u00eancia de bancos na hist\u00f3ria dos EUA (desde o <em>Washington Mutual<\/em> em 2008). Pouco tempo depois, a 12 de mar\u00e7o de 2023, o <em>Signature Bank <\/em>(l\u00edder em empr\u00e9stimos em criptomoedas) seguiu o mesmo caminho, colapsando na sequ\u00eancia de mais uma corrida aos dep\u00f3sitos que acabaria por provocar a terceira maior fal\u00eancia banc\u00e1ria da hist\u00f3ria dos EUA. O Credit Suisse faliu uns dias mais tarde, a 19 de mar\u00e7o, quando foi comprado a pre\u00e7o de saldo pelo UBS, outro banco su\u00ed\u00e7o, sob os ausp\u00edcios do governo que fez quest\u00e3o de aben\u00e7oar a transa\u00e7\u00e3o com uma almofada financeira de 108 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p>As culpas desta crise s\u00e3o atribu\u00eddas a fatores certamente relevantes, mas n\u00e3o suficientes para tranquilizar a opini\u00e3o p\u00fablica. Primeiro foi a pandemia. Depois a guerra na Ucr\u00e2nia que afetou as cadeias de abastecimento mundial, provocando escassez de mat\u00e9rias-primas e componentes essenciais, acabando por gerar taxas de infla\u00e7\u00e3o \u00e0s quais j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1vamos habituados. E finalmente, como elemento catalisador, vieram as subidas das taxas de juro, postas em pr\u00e1tica pelos bancos centrais precisamente para combater a infla\u00e7\u00e3o. Estas narrativas assentam em factos que n\u00e3o podem ser omitidos. Contudo, n\u00e3o explicam a vulnerabilidade das institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o resistiram aos primeiros pingos de chuva. Alem disso, acabam por lan\u00e7ar uma cortina de fumo que impede qualquer reflec\u00e7\u00e3o s\u00e9ria sobre esta crise banc\u00e1ria. At\u00e9 porque esta reflec\u00e7\u00e3o iria expor todo o discurso p\u00f3s-2008 que sustentou os acordos de Basileia III e a cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Banc\u00e1ria, e a garantia de que nunca mais os fundos p\u00fablicos iriam cobrir os preju\u00edzos dos bancos. Na realidade, estes epis\u00f3dios recentes mostram exatamente o contr\u00e1rio. A cada crise financeira aumenta a concentra\u00e7\u00e3o do setor refor\u00e7ando as chamadas empresas \u201c<em>to big to fail<\/em>\u201d (demasiado grandes para falir). Com esta concentra\u00e7\u00e3o cresce a completa subordina\u00e7\u00e3o de quem supervisiona face ao supervisionado. Note-se que coube ao gigante JPMorgan, ficar com os despojos do First Republic Bank. Os n\u00edveis de alavancagem continuam alt\u00edssimos e envoltos em mist\u00e9rio com os novos r\u00e1cios de capitais prudenciais constru\u00eddos a partir de algoritmos pouco transparentes e pouco recomend\u00e1veis (r\u00e1cios Tier e outros). \u00c0 falta de capital, criaram-se t\u00edtulos obrigacionistas h\u00edbridos, tamb\u00e9m chamados de contingentes, que podem ser uma coisa ou outro conforme as necessidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta crise confirma, por outro lado, a forma diligente com que os governos imediatamente acorrem quando se trata de socializar as perdas do grande capital financeiro. Nos Estados Unidos, existe um sistema que garante os dep\u00f3sitos at\u00e9 250 mil d\u00f3lares. Num comunicado da secret\u00e1ria do Tesouro, Janet Yellen, em conjunto com a Reserva Federal (Fed) e a<em> Deposit Guarantee Agency <\/em>(FDIC), ap\u00f3s consulta ao presidente dos Estados Unidos, <em>Joe Biden<\/em>, foi anunciado que todos os dep\u00f3sitos do SVB (nomeadamente aqueles que excedessem os 250 mil d\u00f3lares) seriam garantidos pelo estado federal, numa opera\u00e7\u00e3o que viria a ser estimada em 170 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Regressando \u00e0 Europa, o <em>Cr\u00e9dit Suisse<\/em>, j\u00e1 tinha beneficiado, uns dias antes de falir, de um empr\u00e9stimo p\u00fablico de 54 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Na compra do banco pelo UBS, o governo helv\u00e9tico alavancou o neg\u00f3cio com um aval de 108 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. \u00c9 bom lembra que o banco UBS, conhecido como o maior gestor de fortunas do mundo, teria falido na sequ\u00eancia da crise de 2008, n\u00e3o fosse a pronta interven\u00e7\u00e3o na altura do governo e do Banco Central Su\u00ed\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria demonstra que os bancos privados abandonados \u00e0 voragem do mercado, tendem a adotar comportamentos de risco, sobretudo quanto sentem, da parte do estado uma garantia p\u00fablica impl\u00edcita. Estes, mais cedo ou mais tarde, tornam-se fonte de problemas e de instabilidade. A quest\u00e3o da supervis\u00e3o p\u00fablica dos bancos continua por isso de grande atualidade, incluindo a pr\u00f3pria presen\u00e7a do estado na \u00e1rea financeira, tema tabu do presente, mas que certamente ver\u00e1 chegar a sua hora. At\u00e9 l\u00e1, importa evitar a excessiva concentra\u00e7\u00e3o dos bancos e separar as atividades de cr\u00e9dito e de investimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Viegas, Jornal i online Apesar de todas as medidas anunciadas sobre regula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 foram gastas somas colossais de fundos p\u00fablicos para salvar bancos que, supostamente, estavam bem capitalizados e supervisionados<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-47510","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47510"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47510\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47511,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47510\/revisions\/47511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}