{"id":47436,"date":"2023-04-08T19:26:00","date_gmt":"2023-04-08T19:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47436"},"modified":"2023-04-09T19:31:51","modified_gmt":"2023-04-09T19:31:51","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-1-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47436","title":{"rendered":"Investimento, produtividade, crescimento e n\u00edvel de vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/investimento-produtividade-crescimento-e-nivel-de-vida-16133012.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"cc_cursor alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Quem acompanha os dados econ\u00f3micos depara-se, muitas vezes, com indicadores aparentemente contradit\u00f3rios, que importa esclarecer.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"t-article-body-1\">\n<div class=\"t-ab-i\">\n<div class=\"t-ab-content js-sshow-sidebar-1-ref-content\">\n<div class=\"t-abc-i\">\n<div class=\"t-abc-i-i js-article-content-rm-full js-sshow-sidebar-1-ref-content-full\">\n<p>Informa\u00e7\u00e3o recente do Eurostat mostrou que Portugal teve a terceira maior taxa de crescimento econ\u00f3mico da Uni\u00e3o Europeia em 2022, causando algum entusiasmo, mas a verdade \u00e9 que se tratou sobretudo de um efeito de recupera\u00e7\u00e3o (no turismo, em particular, beneficiando da imagem de Portugal como destino bonito e seguro, longe da guerra na Ucr\u00e2nia, e da realiza\u00e7\u00e3o de despesa adiada durante a pandemia, que tamb\u00e9m estimulou o consumo privado), ap\u00f3s desempenhos inferiores \u00e0 maioria dos pa\u00edses europeus nos dois anos precedentes.<\/p>\n<p>Na verdade, a varia\u00e7\u00e3o acumulada do PIB desde 2019 (em volume) foi de apenas de 3,3%, valor ligeiramente superior \u00e0 m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia (3,0%), mas que foi o nono mais baixo entre os Estados-membros, pelo que o desempenho n\u00e3o nos pode deixar satisfeitos, sobretudo tendo em conta que Portugal cresceu a um ritmo quase metade do registado na m\u00e9dia da UE nas duas primeiras d\u00e9cadas deste mil\u00e9nio.<\/p>\n<p>Mais importante, Portugal continua cada vez mais na cauda da Europa em n\u00edvel de vida (aferido pelo PIB\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0em paridade de poderes de compra), o indicador que conta em termos de converg\u00eancia real e que as pessoas efetivamente sentem quando viajam, ao compararem o seu poder de compra com outros povos europeus, e tamb\u00e9m quando tomam a decis\u00e3o de emigrar.<\/p>\n<p>Com efeito, o mesmo Eurostat mostrou que, embora Portugal tivesse melhorado o seu n\u00edvel de vida relativo em 2022, de 75,1% para 77,2% da m\u00e9dia da UE, a verdade \u00e9 que este valor \u00e9 ainda bastante inferior ao registado em 2019 (78,2%), antes da pandemia, e traduz a perda de mais uma posi\u00e7\u00e3o neste importante indicador, de 20.\u00ba para a 21.\u00ba, ou seja o s\u00e9timo pior na UE27.<\/p>\n<p>A Hungria foi o pa\u00eds que ultrapassou Portugal em 2022, mas mesmo a nossa 21.\u00aa posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ada, pois fomos alcan\u00e7ados pela Rom\u00e9nia (tamb\u00e9m em 77,2% da m\u00e9dia), que durante muitos anos foi o pa\u00eds mais pobre da UE e, em 2017, era ainda o segundo pior a este n\u00edvel, tendo entrado mais tarde na Uni\u00e3o (em 2007) e recebido relativamente menos fundos europeus.<\/p>\n<p>Estes resultados n\u00e3o nos devem deixar satisfeitos, naturalmente.<\/p>\n<p>Muito se tem dito sobre as causas desta ultrapassagem e, se \u00e9 verdade que muitos dos pa\u00edses de Leste que nos ultrapassaram em n\u00edvel de vida tinham (e t\u00eam) n\u00edveis m\u00e9dios de qualifica\u00e7\u00e3o de partida relativamente mais elevados, tal n\u00e3o \u00e9 explica\u00e7\u00e3o para tudo, nem sequer ser\u00e1 a causa primordial. Com efeito, Portugal tem progredido nas qualifica\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o consegue aproveitar cabalmente esse capital humano, pois uma parte significativa dessa gera\u00e7\u00e3o mais qualificada de sempre tem estado a emigrar na \u00faltima d\u00e9cada, mesmo j\u00e1 depois do per\u00edodo mais dram\u00e1tico da\u00a0<em>troika<\/em>, pese embora algum desagravamento recente, evidenciado na cr\u00f3nica anterior.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fator trabalho, o outro fator primordial para o crescimento econ\u00f3mico \u00e9 o capital, pelo que devemos olhar tamb\u00e9m para a\u00ed \u00e0 procura de explica\u00e7\u00f5es para o nosso baixo desempenho.<\/p>\n<p>Em 2022, Portugal era o pa\u00eds com a terceira pior taxa de investimento (20,6%, que compara com 24,8% na UE), posi\u00e7\u00e3o que tem mantido, apenas com pequenas oscila\u00e7\u00f5es, desde o pedido de ajuda externa e a interven\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>troika<\/em>, que nos obrigou a reduzir o endividamento externo, precisamente uma das grandes fontes de financiamento do investimento at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Se, mesmo com grandes afluxos de fundos comunit\u00e1rio, Portugal regista este baixo n\u00edvel de investimento em termos relativos, n\u00e3o \u00e9 de espantar que a nossa produtividade n\u00e3o progrida como noutros pa\u00edses e que o nosso crescimento econ\u00f3mico potencial seja baixo (basta olhar para o reduzido crescimento tendencial neste mil\u00e9nio), limitando o avan\u00e7o do n\u00edvel de vida.<\/p>\n<p>Isto leva-nos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do atual pacote irrepet\u00edvel de fundos comunit\u00e1rios, os do PRR e os do Portugal 2030, grosso modo.<\/p>\n<p>Se o PPR j\u00e1 deveria estar em execu\u00e7\u00e3o plena, a verdade \u00e9 que os pagamentos s\u00e3o ainda relativamente baixos, nomeadamente \u00e0s empresas, limitando o efeito na economia, pois n\u00e3o basta receber as tranches de financiamento, \u00e9 preciso depois uma Administra\u00e7\u00e3o \u00e1gil para que benefici\u00e1rios diretos e indiretos vejam os seus pedidos analisados com a celeridade devida, e a\u00ed Portugal esbarra, como sempre na burocracia excessiva do nosso Estado. \u00c9 preciso ainda reconhecer que a infla\u00e7\u00e3o tem vindo a dificultar, e muito, a execu\u00e7\u00e3o, pois os custos dos investimentos programados aumentaram face aos or\u00e7amentos iniciais, pelo que est\u00e1 em prepara\u00e7\u00e3o uma reprograma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel do Portugal 2030, os primeiros concursos oficiais come\u00e7aram h\u00e1 pouco tempo, mas dizem alguns especialistas que j\u00e1 esta atrasado muitos meses, o que n\u00e3o \u00e9 um come\u00e7o auspicioso.<\/p>\n<p>Acresce que os empr\u00e9stimos \u00e0s empresas j\u00e1 est\u00e3o em contra\u00e7\u00e3o (certamente a refletir a subida r\u00e1pida das taxas de juro, no contexto do combate do BCE \u00e0 infla\u00e7\u00e3o), o que ir\u00e1 prejudicar ainda mais a execu\u00e7\u00e3o dos fundos.<\/p>\n<p>Dito isto, \u00e9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es para que o investimento seja alimentado, de forma mais sustent\u00e1vel e perene, por poupan\u00e7a interna, algo que n\u00e3o est\u00e1, na maior parte das vezes, na ordem do dia.<\/p>\n<p>As taxas de juro de dep\u00f3sitos j\u00e1 come\u00e7aram a subir, mas de forma ainda incipiente, como o pr\u00f3prio Governador do Banco de Portugal reconheceu.<\/p>\n<p>Faltam instrumentos com um bin\u00f3mio risco-rentabilidade atrativo em Portugal e, al\u00e9m dos tradicionais certificados de aforro (que t\u00eam tido uma grande ades\u00e3o nos tempos mais recentes), o investimento em imobili\u00e1rio tem sido dos mais populares, mesmo que n\u00e3o acess\u00edvel a todos.<\/p>\n<p>Acontece que o recente pacote de habita\u00e7\u00e3o lan\u00e7ado pelo governo desfez la\u00e7os de confian\u00e7a com os investidores, nomeadamente em mat\u00e9ria de alojamento local e de arrendamento, onde basta olhar para a medida de limita\u00e7\u00e3o do aumento das rendas a 2% (o que traduz atualmente uma quebra em termos reais) para ver que vai afastar investidores nesse segmento (j\u00e1 para n\u00e3o falar da instabilidade fiscal), precisamente o contr\u00e1rio do pretendido.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo Quem acompanha os dados econ\u00f3micos depara-se, muitas vezes, com indicadores aparentemente contradit\u00f3rios, que importa 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