{"id":47405,"date":"2023-03-25T17:07:33","date_gmt":"2023-03-25T17:07:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47405"},"modified":"2023-03-26T17:15:20","modified_gmt":"2023-03-26T17:15:20","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-1-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47405","title":{"rendered":"Imigra\u00e7\u00e3o importante, mas redu\u00e7\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o ainda mais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/imigracao-importante-mas-reducao-da-emigracao-ainda-mais-16057657.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"cc_cursor alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>A comunica\u00e7\u00e3o social tem dado nota, de forma mais ou menos recorrente, das tend\u00eancias demogr\u00e1ficas negativas em Portugal.\u00a0Os dados mais recentes t\u00eam aspetos negativos, mas tamb\u00e9m positivos, que importa analisar e refletir, para extrair conclus\u00f5es \u00fateis.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"t-article-body-1\">\n<div class=\"t-ab-i\">\n<div class=\"t-ab-content js-sshow-sidebar-1-ref-content\">\n<div class=\"t-abc-i\">\n<div class=\"t-abc-i-i js-article-content-rm-full js-sshow-sidebar-1-ref-content-full\">\n<p>Entre os dois \u00faltimos censos (o de 2021 e o de 2011), a popula\u00e7\u00e3o portuguesa encolheu 2,1%, com a subida de 21% na faixa de 65 e mais anos a n\u00e3o compensar a queda nos demais grupos et\u00e1rios, que foi de -15% dos 0 aos 14 anos, -5% dos 15 aos 24 e -6% dos 25 aos 64 anos.<\/p>\n<p>\u00c9 por demais evidente o fen\u00f3meno do envelhecimento, que tem um lado positivo ineg\u00e1vel, associado \u00e0 tend\u00eancia de aumento da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida. Esse aumento foi interrompido pela pandemia, devido ao acr\u00e9scimo de mortalidade associado, mas espera-se que a trajet\u00f3ria ascendente da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida seja retomada, assim o Governo seja capaz de resolver os problemas mais prementes da Sa\u00fade, mas isso j\u00e1 seria um tema para outra cr\u00f3nica.<\/p>\n<p>O envelhecimento traz, ao mesmo tempo, desafios enormes ao nosso mercado de trabalho e \u00e0s empresas, bem como \u00e0 Seguran\u00e7a Social, como \u00e9 sabido.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 medidas ao n\u00edvel de promo\u00e7\u00e3o da natalidade que devem ser tomadas e s\u00e3o urgentes, \u00e9 certo que s\u00f3 no longo prazo se ir\u00e3o refletir num acr\u00e9scimo de trabalhadores dispon\u00edveis para as empresas e potenciais contribuintes para o Or\u00e7amento do Estado, incluindo a Seguran\u00e7a Social. Outra solu\u00e7\u00e3o complementar, com efeitos muito mais imediatos, \u00e9 conseguir um aumento do saldo migrat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A taxa de crescimento (efetiva) da popula\u00e7\u00e3o pode ser decomposta entre a taxa de crescimento natural (associada ao saldo natural, a diferen\u00e7a entre nascimentos e \u00f3bitos) e a taxa de crescimento migrat\u00f3rio (decorrente do saldo migrat\u00f3rio, a diferen\u00e7a entre imigrantes e emigrantes).<\/p>\n<p>A nossa reduzida taxa de natalidade (das mais baixas a n\u00edvel europeu), em conjunto com o aumento da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida (um aspeto positivo, como referido), reflete-se numa taxa de crescimento natural negativa, uma tend\u00eancia estrutural que determina uma redu\u00e7\u00e3o da nossa popula\u00e7\u00e3o caso a taxa de crescimento migrat\u00f3rio (mais vol\u00e1til) n\u00e3o seja superior. \u00c9 nessa premissa que assentam as proje\u00e7\u00f5es de longo prazo da popula\u00e7\u00e3o portuguesa, todas apontando para uma forte redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de residentes portugueses nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Talvez possamos ser mais otimistas nas proje\u00e7\u00f5es para o saldo migrat\u00f3rio, mas para tal h\u00e1 que trabalhar ativamente nesse sentido atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas mais adequadas.<\/p>\n<p>Na verdade, passados os anos mais complicados do programa de ajustamento da\u00a0<em>troika<\/em>, em que a taxa de crescimento migrat\u00f3rio foi bastante negativa, desde 2017 que este indicador apresenta valores positivos e crescentes, de tal modo que desde 2019 tem superado a taxa de crescimento natural negativa e permitido uma recupera\u00e7\u00e3o (ainda que diminuta) da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2021, a taxa de crescimento migrat\u00f3rio subiu para 0,96% (correspondendo a 99 mil pessoas) e sobrep\u00f4s-se claramente \u00e0 taxa de crescimento natural de -0,44% (-45 mil pessoas), traduzindo-se num crescimento de 0,52% da popula\u00e7\u00e3o (quase 54 mil pessoas), claramente o valor mais alto na s\u00e9rie dispon\u00edvel (com in\u00edcio em 2011), seguindo-se a valores de 0,02% em 2020 (2 mil pessoas) e 0,19% em 2019 (19 mil pessoas).<\/p>\n<p>Feitas as contas, de 2019 a 2021, a popula\u00e7\u00e3o aumentou em 75 mil pessoas, o que parece um valor importante, mas \u00e9 muito pouco para contrariar a redu\u00e7\u00e3o de 296 mil pessoas registada entre 2011 e 2018 (dividida entre 166 mil pessoas perdidas via saldo natural negativo e outras 130 mil via saldo migrat\u00f3rio negativo, com mais 82 mil emigrantes e menos 48 mil imigrantes), per\u00edodo que abrange o programa de ajustamento da\u00a0<em>troika<\/em>.<\/p>\n<p>Esse aumento de 75 mil residentes em tr\u00eas anos resultou da entrada de 169 mil imigrantes (dos quais 99 mil em 2021, como referido) e, em menor medida, da diminui\u00e7\u00e3o de 16 mil emigrantes (tempor\u00e1rios e permanentes), perfazendo 185 mil pessoas de saldo migrat\u00f3rio positivo, que contrariou a perda de 109 mil pessoas via saldo natural negativo (nascimentos menos \u00f3bitos).<\/p>\n<p>Todos estes n\u00fameros servem para demonstrar duas coisas relativamente simples.<\/p>\n<p>Primeiro, que a entrada de imigrantes \u00e9 muito importante para o reequil\u00edbrio populacional e, consequentemente, do mercado de trabalho e das contas p\u00fablicas nacionais, at\u00e9 porque geralmente a popula\u00e7\u00e3o imigrante tem taxas de natalidade superiores \u00e0 dos nacionais, podendo ainda contribuir para suprir car\u00eancias espec\u00edficas da oferta de trabalho nacional. Mas o afluxo relevante de imigrantes - beneficiando, mais recentemente, da imagem de pa\u00eds seguro, longe da atual guerra na Ucr\u00e2nia, e com um clima e gentes muito apraz\u00edveis e acolhedores - requer pol\u00edticas p\u00fablicas apropriadas para acolhimento e capitaliza\u00e7\u00e3o do capital humano (via forma\u00e7\u00e3o e reconhecimento de compet\u00eancias), bem como para mitigar eventuais efeitos econ\u00f3micos indesej\u00e1veis, como a press\u00e3o imobili\u00e1ria nas grandes cidades. A realidade demonstra que h\u00e1 muito a melhorar nestes dom\u00ednios e no aproveitamento das v\u00e1rias oportunidades de imigra\u00e7\u00e3o (e.g., refugiados ucranianos, entre outros; acordos de imigra\u00e7\u00e3o; n\u00f3madas digitais).<\/p>\n<p>Segundo, que o saldo migrat\u00f3rio pode e deve ser refor\u00e7ado de forma mais substancial e estrutural por via da redu\u00e7\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o - cujo impacto na recupera\u00e7\u00e3o recente da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 muito diminuto por compara\u00e7\u00e3o com o da imigra\u00e7\u00e3o -, o que requer pol\u00edticas abrangentes e integradas de reten\u00e7\u00e3o de talento, de aumento da produtividade e de redu\u00e7\u00e3o da carga fiscal. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel os nossos empregadores (do setor privado, mas tamb\u00e9m do p\u00fablico) pagarem sal\u00e1rios mais elevados que evitem evitar a sa\u00edda de trabalhadores qualificados (jovens em particular) para pa\u00edses com maiores remunera\u00e7\u00f5es e perspetivas de carreiras, incluindo pa\u00edses europeus que entraram na Uni\u00e3o Europeia depois de Portugal (recebendo menos fundos comunit\u00e1rios) e nos ultrapassaram em n\u00edvel de vida.<\/p>\n<p>Em 2019, 42,3% dos nossos emigrantes permanentes tinhan forma\u00e7\u00e3o superior. O n\u00famero baixou para 34,2% em 2020, mas pode ter sido influenciado pela pandemia. Seja como for, s\u00e3o n\u00fameros que nos devem fazer pensar seriamente o rumo do Pa\u00eds, pois demonstram de forma clara o potencial de talento que o nosso pa\u00eds produziu, mas foi incapaz de reter e aproveitar, acabando por beneficiar os pa\u00edses de acolhimento, que certamente adotaram pol\u00edticas relativamente melhores ao longo da sua hist\u00f3ria mais long\u00ednqua e recente.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo A comunica\u00e7\u00e3o social tem dado nota, de forma mais ou menos recorrente, das tend\u00eancias demogr\u00e1ficas negativas em Portugal.\u00a0Os dados mais recentes t\u00eam aspetos negativos, mas tamb\u00e9m positivos, que importa analisar e refletir, para extrair conclus\u00f5es \u00fateis.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-47405","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47405"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47405\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47407,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47405\/revisions\/47407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}