{"id":47400,"date":"2023-03-24T16:32:41","date_gmt":"2023-03-24T16:32:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47400"},"modified":"2023-03-24T16:32:44","modified_gmt":"2023-03-24T16:32:44","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-54","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47400","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o e distopias: uma breve reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da felicidade"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">M\u00e1rio Tavares da Silva, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2023-03-24-Corrupcao-e-distopias--uma-breve-reflexao-sobre-a-importancia-da-felicidade-c4a87488\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Escrito por um grupo de peritos independentes, o Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade constitui, em nosso entender, mais do que uma publica\u00e7\u00e3o not\u00e1vel da autoria da Rede de Solu\u00e7\u00f5es de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, alimentada pelos dados da sondagem realizada pela Gallup World Poll, um aut\u00eantico tratado de pol\u00edticas p\u00fablicas que, estou certo, todos os decisores, p\u00fablicos e privados, nas suas mais diferentes \u00e1reas de responsabilidade e de governa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem, nem devem, naturalmente, deixar de ler, de refletir e de dele extra\u00edrem as li\u00e7\u00f5es que possam impactar na vida dos seus concidad\u00e3os para os tornar, verdadeiramente, ainda mais felizes<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A recente divulga\u00e7\u00e3o do interessante e did\u00e1tico Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade\u00a0<a href=\"https:\/\/worldhappiness.report\/ed\/2023\/\">(World Happiness Report 2023)<\/a>, desafiou-me a compreender melhor o significado de distopia, por oposi\u00e7\u00e3o, refira-se, \u00e0 ideia de utopia, ou se preferimos, a diferen\u00e7a, respetivamente, entre comunidades de homens e de mulheres experienciando viv\u00eancias dist\u00f3picas, por compara\u00e7\u00e3o com outras experienciando viv\u00eancias ut\u00f3picas.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma forma simplista, a distopia, segundo alcancei do referido relat\u00f3rio, magistralmente escrito e metodologicamente bem suportado, traduziria ent\u00e3o um pa\u00eds imagin\u00e1rio com o povo, pasme-se, menos feliz do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta medida, o objetivo de estabelecer uma distopia seria, sobretudo, o de procurar uma refer\u00eancia que permitisse que todos os pa\u00edses pudessem ser favoravelmente comparados, assumindo que nenhum pa\u00eds seria mais pobre do que aqueles que experienciassem viver em distopia.<\/p>\n\n\n\n<p>No relat\u00f3rio, o exerc\u00edcio que se encontra desenvolvido, assenta em seis vari\u00e1veis-chave, sendo que as notas mais baixas observadas para essas vari\u00e1veis-chave caracterizariam os pa\u00edses como vivendo numa distopia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, por oposi\u00e7\u00e3o a uma utopia, esses pa\u00edses ditos dist\u00f3picos gravitariam, ent\u00e3o, num ecossistema marcado por uma vida fr\u00e1gil, exist\u00eancia desagrad\u00e1vel, rendimentos muito baixos, esperan\u00e7a de vida reduzida, baixos \u00edndices de generosidade, altos \u00edndices de corrup\u00e7\u00e3o, d\u00e9beis e fracas liberdades e baixos apoios sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade dist\u00f3pica seria, por assim dizer e com base numa breve consulta que ous\u00e1mos fazer no ChatGPT, uma sociedade tipicamente caracterizada pelo totalitarismo, assolada por desastres ambientais ou outras formas de colapso social e em que as pessoas sofreriam, frequentemente, de opress\u00e3o, pobreza e, sobretudo, de falta de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui chegados, a pergunta chave e a que o Relat\u00f3rio procura dar resposta formula-se de modo cristalino: seremos n\u00f3s realmente felizes?<\/p>\n\n\n\n<p>Perante isto, e antes de tudo o mais, atrever-me-ia a dizer que, paradoxalmente, sobretudo dada uma guerra que ningu\u00e9m antecipara e que traz consigo destrui\u00e7\u00e3o e mortes em resultado de uma invas\u00e3o ileg\u00edtima, barbar\u00e1 e criminosa perpetrada pela R\u00fassia sobre uma Ucr\u00e2nia soberana, o Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade de 2023 se assumir, legitimamente refira-se, e pelas preocupa\u00e7\u00f5es que enuncia, um significado particularmente relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>E f\u00e1-lo, no meu modesto entender, para que se possa encetar, desde j\u00e1, ou pelo menos provocar, uma profunda reflex\u00e3o quanto \u00e0 necessidade de redefini\u00e7\u00e3o das mais variadas pol\u00edticas p\u00fablicas, quer a n\u00edvel europeu quer a n\u00edvel global.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos dois referidos pa\u00edses, \u00e9 curioso at\u00e9 notar que, por exemplo, se ambos registaram aumentos globais da benevol\u00eancia durante os anos de 2020 e 2021, j\u00e1 durante o ano de 2022, a benevol\u00eancia cresceu acentuadamente na Ucr\u00e2nia ao passo que caiu significativamente na R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da magnitude do sofrimento e dos danos infligidos ao povo ucraniano, as avalia\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 import\u00e2ncia da vida permaneceram mais elevadas em setembro de 2022 do que no rescaldo da anexa\u00e7\u00e3o ocorrida em 2014, o que se poder\u00e1 atribuir a um sentido mais forte quanto \u00e0 exist\u00eancia de um prop\u00f3sito comum, de maior benevol\u00eancia e, sobretudo, de uma maior confian\u00e7a nas lideran\u00e7as ucranianas, o que n\u00e3o sucedeu, note-se, em igual medida, nas lideran\u00e7as russas.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado num dram\u00e1tico momento da nossa hist\u00f3ria, o Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade de 2023&nbsp;assinala os quase 11 anos desde a ado\u00e7\u00e3o, em 28 de junho de 2012, da&nbsp;<a href=\"https:\/\/eurocid.mne.gov.pt\/sites\/default\/files\/repository\/content\/event\/26954\/documents\/ares66281e.pdf\">Resolu\u00e7\u00e3o 66\/281 pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>, proclamadora da simb\u00f3lica data de 20 de mar\u00e7o como o Dia Internacional da Felicidade, agora em crise refira-se, enquanto a guerra perdurar, provando que l\u00e1 onde n\u00e3o impera a paz, as pessoas n\u00e3o ter\u00e3o nunca as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para serem verdadeiramente felizes.<\/p>\n\n\n\n<p>Escrito por um grupo de peritos independentes, o Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade constitui, em nosso entender, mais do que uma publica\u00e7\u00e3o not\u00e1vel da autoria da Rede de Solu\u00e7\u00f5es de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, alimentada pelos dados da sondagem realizada pela Gallup World Poll, um aut\u00eantico tratado de pol\u00edticas p\u00fablicas que, estou certo, todos os decisores, p\u00fablicos e privados, nas suas mais diferentes \u00e1reas de responsabilidade e de governa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem, nem devem, naturalmente, deixar de ler, de refletir e de dele extra\u00edrem as li\u00e7\u00f5es que&nbsp;possam impactar na vida dos seus concidad\u00e3os para os tornar, verdadeiramente, ainda mais felizes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos cinco cap\u00edtulos que o integram, o primeiro, relativo \u00e0 previs\u00e3o de uma desafiante \u201cAgenda para a Felicidade\u201d, a implementar, desejavelmente, nos pr\u00f3ximos 10 anos, encerra um conjunto de relevantes prioridades para as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 forte e temos de saber agarr\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Dispomos todos, nessa medida, de uma janela de oportunidade \u00fanica, irrepet\u00edvel diria mesmo, dado que a prossecu\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e eficaz dessas prioridades ao n\u00edvel das op\u00e7\u00f5es das diferentes pol\u00edticas p\u00fablicas pode proporcionar uma efetiva revolu\u00e7\u00e3o no real bem-estar das pessoas, aproveitando e potenciando o extraordin\u00e1rio avan\u00e7o que a humanidade tem evidenciado nos mais variados dom\u00ednios, seja pela utiliza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos e descobertas que se vem produzindo, em particular no plano das novas tecnologias, seja pelo incremento e robustecimento das pautas axiol\u00f3gicas e \u00e9ticas que constituem referenciais para as mais diferentes formas de atua\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, o Relat\u00f3rio, partindo da aprendizagem que decorre dos resultados do question\u00e1rio aplicado a milh\u00f5es de inquiridos em todo o mundo, permite uma compreens\u00e3o mais clara dos fatores-chave e que permitem explicar as diferen\u00e7as no bem-estar dos v\u00e1rios pa\u00edses do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre esses fatores, descortinamos relevantes aspetos que recobrem, por exemplo, temas relativos \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental (com especial enfoque para o&nbsp;<em>work life balance<\/em>), passando pelas rela\u00e7\u00f5es humanas (na fam\u00edlia, no trabalho e na comunidade), aos rendimentos e ao emprego, virtudes de car\u00e1cter, incluindo a pr\u00f3-socialidade e a confian\u00e7a, o apoio social, a liberdade pessoal, a aus\u00eancia de corrup\u00e7\u00e3o e um governo efetivo e promotor de igualdade real entre todos os seus concidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos, nem devemos nunca olvidar que os nossos h\u00e1bitos e os nossos valores s\u00e3o formados, em primeira linha, pelas institui\u00e7\u00f5es sociais onde vivemos, com as quais interagimos, e que pautam e disciplinam, em maior ou menor intensidade, as rela\u00e7\u00f5es que com elas se estabelecem.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o surpreende, nesta medida, que os pa\u00edses n\u00f3rdicos, embora n\u00e3o sendo t\u00e3o ricos como muitos outros pa\u00edses que com eles diretamente comparam, apresentem ainda assim o maior n\u00edvel de bem-estar, sobretudo porque as suas institui\u00e7\u00f5es dirigem primacialmente as suas agendas para a obten\u00e7\u00e3o de n\u00edveis mais elevados de confian\u00e7a, de respeito m\u00fatuo e de apoio, quer na rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre as organiza\u00e7\u00f5es e as pessoas, quer nas rela\u00e7\u00f5es que as pr\u00f3prias pessoas estabelecem entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>A desejada revolu\u00e7\u00e3o do bem-estar de todos e de cada um de n\u00f3s depender\u00e1, em larga medida, do desempenho das institui\u00e7\u00f5es sociais que consigamos implementar, desenvolver e fortalecer internamente e na rela\u00e7\u00e3o com os outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratam-se, afinal, de pequenas coisas que, desde cedo, podem e devem ser feitas e que tanto, no final do dia, podem significar para as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia da corrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre elas, como muitas outras que o Relat\u00f3rio procura evidenciar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 caso para dizer que sermos felizes n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o dif\u00edcil\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Basta querer e, sobretudo, fazer diferente, rumando assim \u00e0 (<em>ut\u00f3pica<\/em>) felicidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Tavares da Silva, Expresso online Escrito por um grupo de peritos independentes, o Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade constitui, em nosso entender, mais do que uma publica\u00e7\u00e3o not\u00e1vel da autoria da Rede de Solu\u00e7\u00f5es de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, alimentada pelos dados da sondagem realizada pela Gallup World Poll, um aut\u00eantico tratado de pol\u00edticas p\u00fablicas que, estou&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47400\">Ler 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