{"id":47354,"date":"2023-03-11T20:54:54","date_gmt":"2023-03-11T20:54:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47354"},"modified":"2023-03-11T20:54:56","modified_gmt":"2023-03-11T20:54:56","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47354","title":{"rendered":"Diversifica\u00e7\u00e3o de mercados externos num contexto adverso \u00e0s trocas internacionais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/diversificacao-de-mercados-externos-num-contexto-adverso-as-trocas-internacionais-15968178.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"cc_cursor alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 conhecido que uma das principais fontes de crescimento econ\u00f3mico e de riqueza das na\u00e7\u00f5es \u00e9 o com\u00e9rcio internacional, mas o seu dinamismo e contributo para o crescimento mundial tem vindo a diminuir nas \u00faltimas d\u00e9cadas a um n\u00edvel global, sinal de um retrocesso na globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O com\u00e9rcio global de bens e servi\u00e7os abrandou desde o in\u00edcio do mil\u00e9nio, para um crescimento m\u00e9dio anual de 5,6% na d\u00e9cada de 2000 (ap\u00f3s 7,4% na d\u00e9cada de 1990) e 5,1% na d\u00e9cada de 2010, em termos reais (dados do FMI).<\/p>\n<p>Para tal contribu\u00edram as tens\u00f5es protecionistas crescentes entre os principais blocos econ\u00f3micos, com realce para as medidas dos EUA sob Administra\u00e7\u00e3o Trump (face \u00e0 China e \u00e0 UE), as in\u00fameras barreiras levantadas pela China no acesso ao seu enorme mercado e mesmo as erigidas pela UE, nomeadamente nos produtos agr\u00edcolas e noutras \u00e1reas, sobretudo por via de barreiras regulamentares (ambientais e outras), muitas justific\u00e1veis, mas muitas outras n\u00e3o tanto.<\/p>\n<p>Em 2020, em face do \"grande confinamento\" provocado pela pandemia por covid-19, o com\u00e9rcio global recuou pr\u00f3ximo de 8% em volume, tendo depois recuperado cerca de 10%, em 2021, com os progressos da vacina\u00e7\u00e3o e o al\u00edvio do confinamento. Ainda as cadeias de valor globais n\u00e3o tinham recuperado completamente das disrup\u00e7\u00f5es da pandemia e voltaram a sofrer um novo choque desde fevereiro de 2022, devido \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia, com a reorienta\u00e7\u00e3o de fluxos de com\u00e9rcio de bens russos alvo de san\u00e7\u00f5es (energ\u00e9ticos, militares e outros). Mesmo assim, as previs\u00f5es de janeiro do FMI apontam para um crescimento ainda relevante do com\u00e9rcio mundial em 2022 (5,4%), a refletir novamente a realiza\u00e7\u00e3o de despesa adiada durante a pandemia, desta vez, sobretudo ao n\u00edvel dos servi\u00e7os, em particular, do turismo, com o fim das restri\u00e7\u00f5es e controlos sanit\u00e1rios \u00e0s viagens (incluindo de avi\u00e3o) na generalidade dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Para 2023 e 2024, o FMI prev\u00ea progress\u00f5es historicamente modestas do com\u00e9rcio global (2,4% e 3,4%), influenciadas pela perda de poder de compra devido \u00e0 elevada infla\u00e7\u00e3o e pelo agravamento das tens\u00f5es geopol\u00edticas e protecionistas - no contexto da guerra na Ucr\u00e2nia e da luta pela hegemonia global entre EUA e China -, que se verificam mesmo entre aliados. Com efeito, o \"<em>Inflation Reduction Act<\/em>\" (IRA) de 2022 dos EUA, com uma cl\u00e1usula \"<em>buy american<\/em>\" na \u00e1rea da transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, obrigou a UE a desenhar uma resposta europeia com base em ajudas de estado - com riscos para pa\u00edses possuindo menor margem or\u00e7amental, como Portugal -, que lhe permite agora negociar com os EUA isen\u00e7\u00f5es para as empresas europeias \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do IRA, mas os resultados dessa negocia\u00e7\u00e3o s\u00e3o ainda desconhecidos.<\/p>\n<p>Comparando a din\u00e2mica do com\u00e9rcio mundial e do PIB mundial em volume, verificamos que o contributo (impl\u00edcito) do com\u00e9rcio tem vindo a diminuir de forma dram\u00e1tica: varia\u00e7\u00f5es m\u00e9dias anuais de 7,4% e 3,5%, respetivamente, na d\u00e9cada de 1990; 5,6% e 4,3% na d\u00e9cada de 2000; 5,1% e 4,1% na d\u00e9cada de 2010; e 3,2% e 3,1% de 2019 a 2024 nas proje\u00e7\u00f5es de janeiro do FMI.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o tend\u00eancias de desglobaliza\u00e7\u00e3o preocupantes, em particular para pa\u00edses de pequena e m\u00e9dia dimens\u00e3o como Portugal, cujo processo de crescimento econ\u00f3mico est\u00e1 particularmente dependente da penetra\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o nos mercados internacionais.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que devemos olhar para a evolu\u00e7\u00e3o recente do com\u00e9rcio internacional portugu\u00eas e perspetivas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um crescimento real de 16,7% das exporta\u00e7\u00f5es em 2022, 8,7% nos bens e 37,7% nos servi\u00e7os - com um grande contributo do turismo -, as previs\u00f5es mais recentes por componentes, do Banco de Portugal (datadas de dezembro), apontam para um forte abrandamento neste ano e no pr\u00f3ximo (para 4,3% e 3,7%), que poder\u00e1 sair refor\u00e7ado no pr\u00f3ximo boletim econ\u00f3mico, a divulgar em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Uma parte relevante deste crescimento das exporta\u00e7\u00f5es estar\u00e1 adstrita ao turismo, pelo que a progress\u00e3o nos bens ser\u00e1 ainda mais diminuta.<\/p>\n<p>Um problema estrutural ao n\u00edvel das nossas exporta\u00e7\u00f5es, que impede uma maior progress\u00e3o dessa importante componente do PIB, \u00e9 a excessiva concentra\u00e7\u00e3o em poucos mercados, pelo que a diversifica\u00e7\u00e3o de mercados foi um objetivo assumido no quadro comunit\u00e1rio de apoio que est\u00e1 a terminar, o Portugal 2020.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise r\u00e1pida de alguns n\u00fameros faz questionar a efetividade dos fundos europeus (tamb\u00e9m) em mat\u00e9ria de diversifica\u00e7\u00e3o, face aos reduzidos progressos ou mesmo retrocessos.<\/p>\n<p>Nos resultados do com\u00e9rcio internacional de bens de 2022 (dados do INE), o peso do mercado da UE no total pouco se reduziu entre 2014 (o primeiro ano do PT 2020) e 2022 (\u00faltimo ano de execu\u00e7\u00e3o), passando de 70,8% para 70,5%, o que revela (em m\u00e9dia, certamente haver\u00e1 honrosas exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra) dificuldades de penetra\u00e7\u00e3o em mercados extracomunit\u00e1rios e\/ou uma simples desconsidera\u00e7\u00e3o da necessidade de diversifica\u00e7\u00e3o fora dos mercados europeus, em qualquer dos casos contrariando o objetivo de diversifica\u00e7\u00e3o pretendido.<\/p>\n<p>Por outro lado, considerando apenas os tr\u00eas maiores mercados de exporta\u00e7\u00e3o de bens (Espanha, Fran\u00e7a e Alemanha), todos europeus, verificamos que o seu peso at\u00e9 aumentou nesse per\u00edodo (de 46,9% para 49,3%), passando a representar quase metade do total. Dada a relativa estabiliza\u00e7\u00e3o do peso do mercado intra-comunit\u00e1rio (UE), constata-se que o acr\u00e9scimo de peso dos tr\u00eas maiores mercados (todos europeus, como referido) se fez \u00e0 custa da redu\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia dos demais mercados da UE, evidenciando dificuldades de penetra\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o prioriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ao n\u00edvel desses mercados.<\/p>\n<p>No caso dos servi\u00e7os de turismo, o panorama n\u00e3o \u00e9 muito melhor. Considerando os cinco maiores e tradicionais mercados (Reino Unido, Alemanha, Espanha, Fran\u00e7a e EUA, neste caso incluindo dois mercados extracomunit\u00e1rios, mas tradicionais) o peso nas dormidas de n\u00e3o residentes pouco se reduziu entre 2014 e 2022, tendo passado de 60% para 58%.<\/p>\n<p>Os riscos de depend\u00eancia de poucos mercados externos s\u00e3o grandes (o mesmo se passa ao n\u00edvel dos mercados de importa\u00e7\u00e3o, aqui n\u00e3o analisados), em particular para uma pequena\/m\u00e9dia economia como a portuguesa e no atual contexto desfavor\u00e1vel \u00e0s trocas internacionais (anteriormente descrito), pelo que se aconselha uma maior prioridade e efetividade de mecanismos de promo\u00e7\u00e3o da diversifica\u00e7\u00e3o de mercados externos no Portugal 2030, que ainda n\u00e3o se iniciou, faltando ainda sair a respetiva regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo \u00c9 conhecido que uma das principais fontes de crescimento econ\u00f3mico e de riqueza das na\u00e7\u00f5es \u00e9 o com\u00e9rcio internacional, mas o seu dinamismo e contributo para o crescimento mundial tem vindo a diminuir nas \u00faltimas d\u00e9cadas a um n\u00edvel global, sinal de um retrocesso na globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-47354","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47354"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47366,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47354\/revisions\/47366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}