{"id":47312,"date":"2023-02-18T12:00:00","date_gmt":"2023-02-18T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47312"},"modified":"2023-02-19T12:04:52","modified_gmt":"2023-02-19T12:04:52","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-132","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47312","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia Artificial nos Tribunais \u2013 Algumas Quest\u00f5es \u00c9ticas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Ant\u00f3nio da Costa Alexandre,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/792821\/intelig-ncia-artificial-nos-tribunais-algumas-questoes-eticas?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Os particulares devem ser informados previamente a qualquer tratamento por sistemas de IA do processo judicial em que s\u00e3o partes, bem como ser-lhes reconhecido o direito de manifestarem a sua oposi\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia Artificial (IA) nos tribunais motivou a publica\u00e7\u00e3o por parte do Conselho Europeu, em 2018, da Carta Europeia de \u00c9tica sobre o Uso da Intelig\u00eancia Artificial em Sistemas Judiciais e seu ambiente (Carta \u00c9tica), acess\u00edvel em <a href=\"https:\/\/rm.coe.int\/ethical-charter-en-for-publication-4-december-2018\/16808f699c\">https:\/\/rm.coe.int\/ethical-charter-en-for-publication-4-december-2018\/16808f699c<\/a>. Ficaram estabelecidos cinco princ\u00edpios fundamentais: (i) respeito dos direitos fundamentais; (ii) n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o; (iii) qualidade e da seguran\u00e7a; (iii) transpar\u00eancia, imparcialidade e equidade, e; (v) controlo do usu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o da IA nos tribunais parece ser inevit\u00e1vel como medida de efici\u00eancia e qualidade no \u00e2mbito da justi\u00e7a preditiva com o recurso a sistemas que permitem a identifica\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia e de doutrina, mas tamb\u00e9m na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos online, na elabora\u00e7\u00e3o e na pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o de escrituras p\u00fablicas.&nbsp; A este prop\u00f3sito, foi noticiado recentemente a realiza\u00e7\u00e3o da primeira escritura p\u00fablica realizada online no nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes princ\u00edpios fundamentais visam preparar o funcionamento pr\u00e1tico da Intelig\u00eancia Artificial (IA) nos sistemas judicias dos Estados-membros, respeitando a \u00e9tica e os valores jur\u00eddicos. Embora os princ\u00edpios \u00e9ticos possam parecer insuficientes como <em>softlaw<\/em>, principalmente devido \u00e0 aus\u00eancia de coercibilidade, com ades\u00e3o volunt\u00e1ria por parte da sociedade e dos indiv\u00edduos, no entanto, promovem uma IA \u00e9tica orientada para o \u00abbem social\u00bb e para o respeito pelos \u00abvalores \u00e9ticos e normas legais\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>A conjuga\u00e7\u00e3o da \u00e9tica com os direitos fundamentais no dom\u00ednio destas tecnologias tem sido considerada essencial por entidades internacionais. Na Uni\u00e3o Europeia, do elevado acervo de publica\u00e7\u00f5es em que as quest\u00f5es \u00e9ticas da IA s\u00e3o abordados, embora nem sempre coincidentes, importa destacar as \u201cOrienta\u00e7\u00f5es \u00c9ticas para uma IA de Confian\u00e7a\u201d, elaboradas por um Grupo Independente de Peritos\u201d criado pela Comiss\u00e3o Europeia, que constitui o primeiro documento oficial \u00e0 escala mundial, com propostas no \u00e2mbito da \u00e9tica da IA, dispon\u00edvel no link <a href=\"https:\/\/op.europa.eu\/en\/publication-detail\/-\/publication\/d3988569-0434-11ea-8c1f-01aa75ed71a1\/language-pt\/format-PDF\">https:\/\/op.europa.eu\/en\/publication-detail\/-\/publication\/d3988569-0434-11ea-8c1f-01aa75ed71a1\/language-pt\/format-PDF<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido, diversas entidades como a OCDE, ONU, G-7, G-20, entre outras, t\u00eam divulgado documentos, orienta\u00e7\u00f5es e princ\u00edpios \u00e9ticos no dom\u00ednio da IA. A UNESCO apresentou o Acordo Mundial sobre \u00c9tica da Intelig\u00eancia Artificial (AI) adotado pelos 193 Estados-membros da UNESCO na 41\u00aa Sess\u00e3o da Confer\u00eancia Geral, realizada em novembro de 2021, acess\u00edvel em <a href=\"https:\/\/unescoportugal.mne.gov.pt\/pt\/noticias\/acordo-mundial-sobre-a-etica-da-inteligencia-artificial\">https:\/\/unescoportugal.mne.gov.pt\/pt\/noticias\/acordo-mundial-sobre-a-etica-da-inteligencia-artificial<\/a>. Na realidade, esta mat\u00e9ria tem merecido abordagens de uma multiplicidade de atores, como organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, entidades empresariais e corpora\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m da sociedade civil e dos pr\u00f3prios cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>A Carta \u00c9tica pretende acautelar a tend\u00eancia j\u00e1 evidenciada nos sistemas de IA para refletir as discrimina\u00e7\u00f5es existentes na sociedade, desde logo inerentes aos dados que alimentam estas tecnologias, recomendando a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos que n\u00e3o reproduzam ou agravem essas discrimina\u00e7\u00f5es nas m\u00faltiplas dimens\u00f5es em que se revelam. Confere especial aten\u00e7\u00e3o aos dados considerados sens\u00edveis, como as origens raciais ou \u00e9tnicas, aspetos socioecon\u00f3micos, opini\u00f5es pol\u00edticas, cren\u00e7as religiosas ou filos\u00f3ficas, filia\u00e7\u00e3o sindical, dados gen\u00e9ticos, dados biom\u00e9tricos, dados no \u00e2mbito da sa\u00fade, assim como os dados relativos \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da qualidade e da seguran\u00e7a, a Carta \u00c9tica recomenda, no tratamento de decis\u00f5es e dados judiciais, a utiliza\u00e7\u00e3o de \u201cfontes certificadas e dados incorp\u00f3reos com modelos concebidos de forma multidisciplinar\u201d. A quest\u00e3o da multidisciplinariedade na conce\u00e7\u00e3o de sistemas de IA tem sido considerada como um dos fatores cr\u00edticos para o sucesso de projetos de inova\u00e7\u00e3o, principalmente quando h\u00e1 tecnologia envolvida determinante para num ambiente tecnol\u00f3gico seguro, v.g, OCDE in Hello, World: Artificial Intelligence and its Use in the Public Sector, acess\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/governance\/innovative-government\/working-paper-hello-world-artificial-intelligence-and-its-use-in-the-public-sector.htm\">https:\/\/www.oecd.org\/governance\/innovative-government\/working-paper-hello-world-artificial-intelligence-and-its-use-in-the-public-sector.htm<\/a> &nbsp;Importa considerar a experi\u00eancia dos agentes judici\u00e1rios como magistrados, procuradores, funcion\u00e1rios judiciais, mas tamb\u00e9m de outros profissionais nas \u00e1reas mais diversas como a matem\u00e1tica, estat\u00edstica, psicologia e ci\u00eancias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O princ\u00edpio da transpar\u00eancia, imparcialidade e equidade, recomenda a acessibilidade aos m\u00e9todos de tratamento de dados, procurando um equil\u00edbrio entre os direitos de propriedade intelectual e a necessidade de transpar\u00eancia nas decis\u00f5es judiciais promovidas pelos sistemas de IA. Refere, concretamente, a Carta \u00c9tica: \u201cO sistema tamb\u00e9m pode ser explicado em linguagem clara e familiar (para descrever como os resultados s\u00e3o produzidos) comunicando, por exemplo, a natureza dos servi\u00e7os oferecidos, as ferramentas que foram desenvolvidas, o desempenho e os riscos de erro.\u201d Estes sistemas requerem grandes quantidades de dados, os <em>big data<\/em>, envolvendo a prote\u00e7\u00e3o dos dados pessoais prevista no Regulamento Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (RGPD), mas tamb\u00e9m as regras de prote\u00e7\u00e3o dos dados em regime aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Recomenda ainda, o princ\u00edpio \"sob controle do usu\u00e1rio\u201d, com o objetivo de garantir que os utilizadores sejam agentes informados e controlem as suas escolhas. As decis\u00f5es dos sistemas de IA devem ser pass\u00edveis de interven\u00e7\u00e3o humana, por parte dos profissionais do sistema judicial, revendo decis\u00f5es e\/ou dados utilizados, em fun\u00e7\u00e3o das vicissitudes espec\u00edficas de casos concretos. No entanto, est\u00e1 identificada a tend\u00eancia humana para a rever\u00eancia perante a tecnologia, evitando por vezes, questionar os seus resultados, importa que os profissionais sejam alertados, conferindo confian\u00e7a para questionarem a m\u00e1quina, quando tal se justificar.<\/p>\n\n\n\n<p><a>Os particulares devem ser informados previamente a qualquer tratamento por sistemas de IA do processo judicial em que s\u00e3o partes, bem como ser-lhes reconhecido o direito de manifestarem a sua oposi\u00e7\u00e3o<\/a>, pedindo a aprecia\u00e7\u00e3o da causa judicial por um tribunal conforme previsto na Conven\u00e7\u00e3o Europeia dos Direitos do Homem e na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo a evitar a exclus\u00e3o digital, a Carta \u00c9tica recomenda ainda a implementa\u00e7\u00e3o de \u201calfabetiza\u00e7\u00e3o inform\u00e1tica\u201d para os utilizadores. Tamb\u00e9m a Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, acess\u00edvel no link <a href=\"https:\/\/dre.pt\/dre\/detalhe\/lei\/27-2021-163442504\">https:\/\/dre.pt\/dre\/detalhe\/lei\/27-2021-163442504<\/a>, prev\u00ea: \u201cA execu\u00e7\u00e3o de programas que garantam o acesso a instrumentos e meios tecnol\u00f3gicos e digitais por parte da popula\u00e7\u00e3o, para potenciar as compet\u00eancias digitais e o acesso a plataformas eletr\u00f3nicas, em particular dos cidad\u00e3os mais vulner\u00e1veis\u201d. Como nos foi referido nas entrevistas do trabalho de campo da nossa investiga\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, \u00e9 necess\u00e1rio trazer os exclu\u00eddos para o digital e levar os que t\u00eam capacita\u00e7\u00e3o digital m\u00e9dia para um grau mais avan\u00e7ado. De facto, saber enviar um email, um <em>whatsapp <\/em>ou utilizar o Facebook n\u00e3o oferece qualquer garantia na procura de emprego.<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso pa\u00eds existem alguns programas no \u00e2mbito da capacita\u00e7\u00e3o digital que t\u00eam vindo a ser executados por entidades p\u00fablicas, &nbsp;direcionados quer para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, quer para o setor privado, com especial enfoque nas PME\u2019s, resultante da articula\u00e7\u00e3o de entidades p\u00fablicas, como a Estrutura de Miss\u00e3o Portugal Digital e do programa \u00abIniciativa Nacional Compet\u00eancias Digitais e.2030 - INCoDe.2030\u00bb, que apoiam iniciativas de outras entidades, tamb\u00e9m com o recurso aos apoios financeiros da Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em anexo \u00e0 Carta \u00c9tica foi publicado um estudo sobre a utiliza\u00e7\u00e3o da IA nos sistemas judiciais, em particular no que se refere ao processamento de decis\u00f5es judiciais, do qual merecem destaque alguns pontos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>De notar a influ\u00eancia do lobby comunit\u00e1rio tamb\u00e9m nesta mat\u00e9ria: \u201cA iniciativa para o desenvolvimento destes instrumentos prov\u00e9m em grande parte do sector privado, cuja clientela at\u00e9 agora tem sido maioritariamente constitu\u00edda por companhias de seguros, advogados e servi\u00e7os jur\u00eddicos que pretendem reduzir a inseguran\u00e7a jur\u00eddica e a imprevisibilidade das decis\u00f5es judiciais. No entanto, os decisores p\u00fablicos come\u00e7am a ser cada vez mais solicitados por um sector privado que deseja ver estas ferramentas - que s\u00e3o por vezes vers\u00f5es \"beta\", ou seja, que evoluir\u00e3o com o tempo - integradas nas pol\u00edticas p\u00fablicas.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Neste documento tamb\u00e9m \u00e9 referido que em 2018, a utiliza\u00e7\u00e3o de algoritmos de IA nos sistemas judiciais europeus tinha como principal mercado as companhias de seguros, departamentos jur\u00eddicos de empresas, advogados e particulares. No entanto, a Carta \u00c9tica teve o prop\u00f3sito de incentivar a implementa\u00e7\u00e3o da IA nos sistemas judiciais dos Estados-membros, visando a uniformiza\u00e7\u00e3o, considerando que alguns pa\u00edses mais vanguardistas j\u00e1 vinham adotando uma \u201cabordagem extremamente avan\u00e7ada\u201d na utiliza\u00e7\u00e3o da IA no apoio a decis\u00f5es judiciais.<\/li>\n\n\n\n<li>Reconhece a import\u00e2ncia fundamental dos dados, considerados o \"petr\u00f3leo\" do s\u00e9culo XXI. Como j\u00e1 referimos em artigos anteriores a IA atrav\u00e9s de uma grande quantidade de dados conjugados com as capacidades de computa\u00e7\u00e3o permite alcan\u00e7ar resultados mais eficientes, aumentando a qualidade e a rapidez na resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es que lhe s\u00e3o submetidas.<\/li>\n\n\n\n<li>O documento refere a experi\u00eancia americana nesta mat\u00e9ria, referindo nomeadamente o algoritmo COMPAS, cuja utiliza\u00e7\u00e3o tem motivado cr\u00edticas, como referimos no nosso artigo anterior <a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/791331\/intelig-ncia-artificial-algoritmos-e-preconceito-racial?seccao=Opiniao_i\">https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/791331\/intelig-ncia-artificial-algoritmos-e-preconceito-racial?seccao=Opiniao_i<\/a> .<\/li>\n\n\n\n<li>Quanto \u00e0 anonimiza\u00e7\u00e3o ou pseudoanonimiza\u00e7\u00e3o de dados no \u00e2mbito do quadro europeu de prote\u00e7\u00e3o de dados, foi identificada a dificuldade da utiliza\u00e7\u00e3o destes dados uma vez que os mesmos eram essencialmente reutilizados por privados visando uma clientela profissional.<\/li>\n\n\n\n<li>O software \"justi\u00e7a preditiva\u201d, efetiva-se atrav\u00e9s da modela\u00e7\u00e3o estat\u00edstica de decis\u00f5es anteriores utilizando m\u00e9todos da computa\u00e7\u00e3o como processamento de linguagem natural e aprendizagem autom\u00e1tica (os programas de computador aprendem com a experi\u00eancia).<\/li>\n\n\n\n<li>Alerta tamb\u00e9m para risco da exist\u00eancia de falsas correla\u00e7\u00f5es por aplica\u00e7\u00e3o dos modelos estat\u00edsticos e probabil\u00edsticos, \u201cquanto maior a base de dados utilizada para correla\u00e7\u00f5es, maiores as chances de encontrar padr\u00f5es recorrentes e maiores as chances de cometer erros\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>No que se refere a sistemas de avalia\u00e7\u00e3o de risco de reincid\u00eancia como o COMPAS, Pereira &amp; Lopes, 2020, in \u201cM\u00e1quina \u00c9ticas \u2013 Da Moral da Maquinaria \u00e0 Maquinaria Moral\u201d, dispon\u00edvel na Wook, referem que estes sistemas s\u00e3o um exemplo claro de \u201cmau uso, efetivo e real, destes algoritmos simplistas. N\u00e3o quer dizer que tais algoritmos n\u00e3o tenham o seu recesso pr\u00f3prio de grande utilidade, no qual poder\u00e3o apresentar solu\u00e7\u00f5es muito boas para um dado nicho. Em sua defesa, neste caso de aplica\u00e7\u00e3o, argumenta-se que os ju\u00edzes atarefados como est\u00e3o e sobretudo depois do almo\u00e7o, decidem pior!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os sistemas de IA que recorrerem \u00e0 aprendizagem autom\u00e1tica ou a um m\u00e9todo mais evolu\u00eddo, a chamada aprendizagem profunda (<em>deep learning<\/em>) que incluem redes neuronias, t\u00eam dificuldade em explicar as decis\u00f5es que tomam. Por isso, s\u00e3o com frequ\u00eancia designados sistemas opacos ou de \u201ccaixa negra\u201d, o que refor\u00e7a a necessidade da intermedia\u00e7\u00e3o do humano nos processos de tomada de decis\u00e3o de modo a mitigar os efeitos indesej\u00e1veis de decis\u00f5es baseadas em propostas dos sistemas de IA que n\u00e3o possibilitam, ainda, a explicabilidade das mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das limita\u00e7\u00f5es da IA relaciona-se com o facto de se basear em dados que refletem o passado, n\u00e3o tendo capacidade para prever ou analisar situa\u00e7\u00f5es novas, como foi o caso da pandemia provocada pelo COVID 19. De acordo com as entrevistas que realizamos, n\u00e3o houve nenhum sistema de IA que tenha previsto esta pandemia, por se tratar de uma realidade absolutamente nova e porque n\u00e3o existiam dados dispon\u00edveis que permitissem a sua previs\u00e3o. Na verdade, \u00e9 muito dif\u00edcil prever situa\u00e7\u00f5es novas com estas t\u00e9cnicas da IA, afigurando-se, portanto, essencial ter <em>human in the loop<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio da Costa Alexandre, Jornal i online Os particulares devem ser informados previamente a qualquer tratamento por sistemas de IA do processo judicial em que s\u00e3o partes, bem como ser-lhes reconhecido o direito de manifestarem a sua oposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-47312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47312"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47315,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47312\/revisions\/47315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}