{"id":47210,"date":"2023-01-07T15:56:00","date_gmt":"2023-01-07T15:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47210"},"modified":"2023-01-08T16:43:41","modified_gmt":"2023-01-08T16:43:41","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-118","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47210","title":{"rendered":"Legaliza\u00e7\u00e3o da \u00e9tica pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Nuno Magina,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/789502\/legalizacao-da-etica-politica?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><\/p>\n\n\n\n<p><em><em>Os pol\u00edticos tendem a avaliar as condutas \u00e9ticas dentro de par\u00e2metros estritamente legais e formais<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Portugal vive num debate constante sobre a \u00e9tica de quem nos governa. A perce\u00e7\u00e3o dos portugueses \u00e9 de que os titulares de cargos&nbsp;pol\u00edticos tomam, vezes de mais, decis\u00f5es com base em interesses pessoais, facilitando o clientelismo e amiguismo em detrimento do interesse p\u00fablico. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por estranho que pare\u00e7a, sempre que surge mais um caso pol\u00edtico, os altos respons\u00e1veis habituaram-se a defender o seu bom nome sem qualquer pudor na pra\u00e7a p\u00fablica, protegendo-se atr\u00e1s do cumprimento integral da lei e descurando princ\u00edpios \u00e9ticos fundamentais, algo visto por muitos como a legaliza\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o. Um mecanismo de defesa que resulta inevitavelmente na quebra da confian\u00e7a depositada pelos cidad\u00e3os nos representantes eleitos ou nomeados politicamente. A subvers\u00e3o da \u00e9tica pol\u00edtica faz crer que Portugal se trata de um condado \u00e0 beira-mar plantado, destinado a ser \u201cgovernado\u201d por um grupo restrito de pessoas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de Conduta do XXIII Governo Constitucional, aprovado em 9 de maio de 2022 \u2013 uma medida tomada no contexto da Estrat\u00e9gia Nacional Anticorrup\u00e7\u00e3o 2020-2024 - expressa de uma forma clara os princ\u00edpios gerais de conduta, por exemplo: \u201cprossecu\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico e boa administra\u00e7\u00e3o\u201d; \u201ctranspar\u00eancia\u201d; \u201cimparcialidade\u201d; \u201cintegridade e honestidade\u201d; e \u201cgarantia de confidencialidade quanto aos assuntos reservados dos quais tomem conhecimento no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es\u201d, sendo necess\u00e1rio que os titulares de cargos pol\u00edticos ajam e decidam \u201cexclusivamente em fun\u00e7\u00e3o da defesa do interesse p\u00fablico\u201d. Contudo, na aus\u00eancia de defini\u00e7\u00f5es para todos esses princ\u00edpios gerais de conduta, o c\u00f3digo limita-se a remeter para disposi\u00e7\u00f5es legais avulsas, como seja o Artigo 69.\u00ba do C\u00f3digo do Procedimento Administrativo, relativo a casos de impedimento por conflitos de interesses tipificados na lei. Fica ainda no ar uma d\u00favida substancial sobre como supervisionar o cumprimento dos ditos princ\u00edpios gerais de conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>A Assembleia da Rep\u00fablica, na sua compet\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00e3o, est\u00e1 naturalmente colocada para supervisionar a aplica\u00e7\u00e3o do referido c\u00f3digo de conduta pelo Governo. Todavia, presentemente colocam-se d\u00favidas fundamentais sobre a fiscaliza\u00e7\u00e3o da conduta dos pr\u00f3prios Deputados da Assembleia da Rep\u00fablica, ferindo com gravidade a arquitetura da \u00e9tica pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo \u201c\u00c9tica e integridade na pol\u00edtica\u201d, publicado no passado m\u00eas de dezembro pela Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos, \u00e9 bastante elucidativo quanto \u00e0 opacidade da \u00e9tica na pol\u00edtica portuguesa. Citando este estudo, <a>\u201cos pol\u00edticos tendem a avaliar as condutas \u00e9ticas dentro de par\u00e2metros estritamente legais e formais, ao passo que os cidad\u00e3os tendem a ter uma conce\u00e7\u00e3o mais abrangente e a considerar inaceit\u00e1veis v\u00e1rias pr\u00e1ticas e condutas que os pol\u00edticos veem como normais em pol\u00edtica\u201d<\/a>. Este estudo despoleta, e muito bem, a discuss\u00e3o sobre a regula\u00e7\u00e3o da \u00e9tica pol\u00edtica, sendo necess\u00e1rio responder a tr\u00eas quest\u00f5es: Quem \u00e9 regulado? Que \u00e1reas tem\u00e1ticas s\u00e3o objeto de regula\u00e7\u00e3o? e Atrav\u00e9s de que sistema de valores, regras e instrumentos \u00e9 efetuada a regula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds continua sem responder a todas essas quest\u00f5es de uma forma transparente. Algumas opera\u00e7\u00f5es de cosm\u00e9tica, como o C\u00f3digo de Conduta aprovado em 9 de maio de 2022, podem fazer crer que os portugueses podem ficar descansados. Contudo, na aus\u00eancia de todos os pilares da \u00e9tica pol\u00edtica, a perce\u00e7\u00e3o negativa por parte dos cidad\u00e3os estar\u00e1 para ficar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Magina, Jornal i online Os pol\u00edticos tendem a avaliar as condutas \u00e9ticas dentro de par\u00e2metros estritamente legais e formais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-47210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47210"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47214,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47210\/revisions\/47214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}