{"id":47065,"date":"2022-11-24T15:45:52","date_gmt":"2022-11-24T15:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47065"},"modified":"2022-11-25T15:48:34","modified_gmt":"2022-11-25T15:48:34","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-50","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47065","title":{"rendered":"Fraude e corrup\u00e7\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es \u2013 a d\u00favida subsistente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Ant\u00f3nio Maia, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2022-11-24-Fraude-e-corrupcao-nas-organizacoes--a-duvida-subsistente-f662b6f6?imp_reader_token=894a621f-6dfd-4b3e-8562-a10a0352a2ac\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" width=\"16\" height=\"16\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Qual dos dois fatores explica melhor os sinais de preval\u00eancia de integridade que as organiza\u00e7\u00f5es parecem revelar? Os \u00edndices de integridade mais adequada da maioria dos seus colaboradores, ou o facto de muitos deles exercerem fun\u00e7\u00f5es que, pela sua natureza, n\u00e3o oferecem oportunidades vantajosas que justifiquem a op\u00e7\u00e3o pela fraude e a corrup\u00e7\u00e3o, ou ainda por receio de dete\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Por raz\u00f5es profissionais e acad\u00e9micas tenho tido a oportunidade de trabalhar com a componente das pol\u00edticas promotoras da \u00e9tica e da integridade e de despiste e preven\u00e7\u00e3o de riscos de fraude e corrup\u00e7\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es, sobretudo daquelas que constituem o denominado universo do Estado ou do Setor P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta atividade tem compreendido o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es de apoio e acompanhamento formativo e de desenho e dinamiza\u00e7\u00e3o de metodologias e instrumentos de promo\u00e7\u00e3o e aprofundamento de culturas de integridade, como sejam c\u00f3digos de \u00e9tica e conduta, manuais de boas pr\u00e1ticas, planos de preven\u00e7\u00e3o de riscos de fraude e corrup\u00e7\u00e3o e agora, mais recentemente, por via do novo quadro normativo de preven\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, da estrutura\u00e7\u00e3o e dinamiza\u00e7\u00e3o de canais de den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que o desenvolvimento destes projetos tem permitido, muito naturalmente, o contacto e a troca de impress\u00f5es com os colaboradores das organiza\u00e7\u00f5es, incluindo dirigentes, t\u00e9cnicos e todo o tipo de funcion\u00e1rios e trabalhadores que nelas exercem fun\u00e7\u00f5es, sobre quest\u00f5es t\u00e3o importantes como sejam a \u00e9tica, a integridade, a transpar\u00eancia, a responsabilidade, os riscos de fraude e corrup\u00e7\u00e3o e a necessidade e import\u00e2ncia da sua preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da dinamiza\u00e7\u00e3o destes projetos, e sobretudo dessas reflex\u00f5es que sempre se desenvolvem em seu redor, tem emergido uma certa perce\u00e7\u00e3o transversal e at\u00e9 un\u00e2nime, com a qual tendo a concordar, que aponta no sentido de subsistirem sinais de preval\u00eancia da integridade sobre as situa\u00e7\u00f5es de fraude e corrup\u00e7\u00e3o, ainda que todos reconhe\u00e7am, como se sabe, que, por um lado, estamos perante uma problem\u00e1tica que se apresenta com uma natureza tendencialmente oculta, e, por outro, que n\u00e3o existem exemplos de perfei\u00e7\u00e3o, tanto nos modelos e efic\u00e1cia da gest\u00e3o, como no \u00edndice de integridade dos colaboradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sinal que creio possamos considerar para suportar a referida perce\u00e7\u00e3o diz-nos muito simplesmente que se a realidade das organiza\u00e7\u00f5es se apresentasse tendencialmente diferente, ou seja com maior preval\u00eancia de sinais de fraude e corrup\u00e7\u00e3o, o mais prov\u00e1vel seria que, com o decurso do tempo, tendessem para a desagrega\u00e7\u00e3o, precisamente em resultado da m\u00e1 gest\u00e3o, dos conflitos de interesses, do desrespeito pelo cumprimento das fun\u00e7\u00f5es e do crescente descr\u00e9dito aos olhos dos cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 precisamente neste ponto, de uma aparente confronta\u00e7\u00e3o de perce\u00e7\u00f5es, em que, por um lado, se reconhece uma natural imperfei\u00e7\u00e3o dos sistemas de gest\u00e3o e dos pr\u00f3prios \u00edndices de integridade dos colaboradores, e, por outro lado, se constata o funcionamento tendencialmente adequado das organiza\u00e7\u00f5es, se suscita a seguinte quest\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>Qual dos dois fatores explica melhor esses sinais de preval\u00eancia de integridade e de gest\u00e3o adequada que as organiza\u00e7\u00f5es parecem revelar? Os \u00edndices de integridade mais adequada da maioria dos seus colaboradores, ou o facto de muitos deles exercerem fun\u00e7\u00f5es que, pela sua natureza, n\u00e3o oferecem oportunidades vantajosas que justifiquem a op\u00e7\u00e3o pela fraude e a corrup\u00e7\u00e3o, ou ainda por receio de dete\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>A ser mais preponderante a primeira possibilidade, isso significar\u00e1 que, apesar das imperfei\u00e7\u00f5es, a maioria dos colaboradores se revela intrinsecamente \u00edntegro e que esse fator os impede, em consci\u00eancia, como uma for\u00e7a inibidora interior, de praticar atos de fraude e corrup\u00e7\u00e3o. Os c\u00f3digos de \u00e9tica e de conduta s\u00e3o instrumentos que reconhecem como potencialmente uteis e a que facilmente aderem.<\/p>\n\n\n\n<p>A ser mais preponderante a segunda explica\u00e7\u00e3o, a de que os colaboradores tender\u00e3o a praticar atos de fraude e corrup\u00e7\u00e3o se perceberem que lhes podem propiciar boas vantagens para os seus interesses, ent\u00e3o os instrumentos de preven\u00e7\u00e3o de riscos e os canais de den\u00fancia devem ser uma realidade muito forte e potencialmente eficaz na organiza\u00e7\u00e3o, de modo a reduzir as oportunidades e a provocar a inibi\u00e7\u00e3o por receio de dete\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o mais prov\u00e1vel seja que nas organiza\u00e7\u00f5es tenhamos sempre a presen\u00e7a de colaboradores com um ou outro perfil, o mais adequado, como a lei agora requer, seja que existam instrumentos promotores da cultura de integridade e inibidores das op\u00e7\u00f5es pela fraude e corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esta tem\u00e1tica da fraude e da corrup\u00e7\u00e3o e do modo como parece ser ainda percebida e encarada pela gest\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es, deixamos alguns resultados revelados pelo mais recente trabalho realizado em Portugal relativo \u00e0 perce\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios sobre a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o no mercado empresarial \u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www2.deloitte.com\/content\/dam\/Deloitte\/pt\/Documents\/Financial-Advisory\/Corruption-and-Fraud-Survey-2022.pdf\">Estudo Deloitte 2022 - Portugal<\/a>. O estudo, que envolveu um total de 190 empres\u00e1rios, revelou que para 44%, a fraude no mercado empresarial aumentou, tendo-se traduzido maioritariamente na apropria\u00e7\u00e3o e desvio de fundos e na pr\u00e1tica de crimes de natureza tecnol\u00f3gica. A maioria dos entrevistados (87%) assume que as suas empresas disp\u00f5em de pol\u00edticas, mecanismos e procedimentos de preven\u00e7\u00e3o e dete\u00e7\u00e3o de fraude e corrup\u00e7\u00e3o, apesar de 33% considerar que esses instrumentos s\u00e3o menos adequados, e de 27% subvalorizar a necessidade de avalia\u00e7\u00e3o de riscos. Ainda assim, 64% assumem que as suas empresas disp\u00f5em de c\u00f3digos de \u00e9tica e de conduta, 52% disp\u00f5em de pol\u00edtica anticorrup\u00e7\u00e3o e 48% de canais de den\u00fancia. Quanto \u00e0s fragilidades percecionadas como mais associadas \u00e0s ocorr\u00eancias de fraude e corrup\u00e7\u00e3o, 36% considera que s\u00e3o os conflitos de interesses, 19% o recebimento indevido de vantagem ou de ofertas e 14% o abuso de poder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Maia, Expresso online Qual dos dois fatores explica melhor os sinais de preval\u00eancia de integridade que as organiza\u00e7\u00f5es parecem revelar? 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