{"id":47049,"date":"2022-11-21T18:31:46","date_gmt":"2022-11-21T18:31:46","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47049"},"modified":"2022-11-21T18:31:47","modified_gmt":"2022-11-21T18:31:47","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47049","title":{"rendered":"O regresso \u00e0 normalidade da pol\u00edtica monet\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/o-regresso-a-normalidade-da-politica-monetaria-15361299.html?fbclid=IwAR15hh3gxVeJ3Q2FbqT_XpTdO0la2I2gBHuU_vev8XxedbsVYqWipAcFo_w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"cc_cursor alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p><em>A crise financeira de 2007 imp\u00f4s uma viragem na pol\u00edtica monet\u00e1ria. Na altura, para lidar com as press\u00f5es deflacionistas e a aus\u00eancia de crescimento econ\u00f3mico, os bancos centrais deixaram de poder contar com os instrumentos convencionais, tais como as taxas de juro, por serem ineficazes e\/ou insuficientes.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<\/div>\n<aside class=\"t-a-subscribe-1 js-contentcollapse-root\" data-type=\"box-newsletter-detail\" data-name=\"newsletter-capping\"><header>\n<aside class=\"t-pubbox-ct-1 js-pubinread\">\n<div class=\"t-pubbox-ct-1-i\">\n<div id=\"inread\" data-google-query-id=\"CLfLwpHOzfcCFWKQUQodFMIKXQ\">\n<div id=\"sm-it-main-container-1651934117566\" class=\"sm-it-main-container\" data-it=\"f85ef7d8-ec68-496c-8c70-26ed9d97b735\" data-device=\"desktop\" data-index=\"0\">\n<div class=\"mrec-status\">\n<div class=\"mrec-content\">\n<p>Assim, para mitigar e prevenir uma s\u00e9rie de riscos e perturba\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e financeiras, os principais bancos centrais - a Reserva Federal (FED), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Inglaterra - passaram a recorrer a instrumentos de pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o-convencionais, em particular, o\u00a0<em>forward guidance<\/em>\u00a0(pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o com o objetivo de moldar a expetativa do p\u00fablico), a\u00a0<em>quantitative easing<\/em>\u00a0(pol\u00edtica de altera\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o do balan\u00e7o do banco central), a\u00a0<em>qualitative easing<\/em>\u00a0(pol\u00edtica de altera\u00e7\u00e3o da \"composi\u00e7\u00e3o\" do balan\u00e7o do banco central sem altera\u00e7\u00e3o da sua dimens\u00e3o) e as taxas de juro negativas.<\/p>\n<p>Tratou-se de uma inova\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da pol\u00edtica monet\u00e1ria que enriqueceu a paleta de instrumentos dos bancos centrais em lidar com problemas econ\u00f3micos da maior import\u00e2ncia, tendo inclusive valido o Pr\u00e9mio Nobel de 2022 a Ben Bernanke, o Presidente da FED entre 2006 e 2014.<\/p>\n<p>De acordo com a literatura existente, n\u00e3o restam d\u00favidas que as medidas de pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o-convencionais tiveram importantes efeitos. Os resultados n\u00e3o s\u00e3o, contudo, consensuais, no que toca \u00e0 dire\u00e7\u00e3o e \u00e0 magnitude dos impactos, diferindo em face da amostra de pa\u00edses analisados, do tipo de medidas analisadas, das vari\u00e1veis utilizadas e das t\u00e9cnicas de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, por\u00e9m, assistimos a uma grande reconfigura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, intensificando a emerg\u00eancia de uma nova ordem mundial, com uma acelera\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o entre dois blocos pol\u00edticos e econ\u00f3micos. De um lado as democracias (as economias liberais ocidentais) e do outro as autocracias (China, R\u00fassia e outros regimes autocr\u00e1ticos). Esta nova ordem mundial trouxe consigo o aumento da beliger\u00e2ncia e do protecionismo. Este \u00faltimo fen\u00f3meno tem sido tamb\u00e9m intensificado pela substitui\u00e7\u00e3o da deslocaliza\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es das empresas para pa\u00edses em desenvolvimento por produ\u00e7\u00f5es robotizadas nos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Ora, se o fen\u00f3meno inflacionista atual \u00e9 uma heran\u00e7a das pol\u00edticas monet\u00e1rias n\u00e3o-convencionais - que expandiram enormemente o balan\u00e7o dos bancos centrais, dado que, pelo menos no longo prazo, a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno monet\u00e1rio, no sentido que \u00e9 fruto do excesso de moeda em circula\u00e7\u00e3o face \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o -, o aumento da beliger\u00e2ncia e do protecionismo, decorrentes da nova ordem mundial, foram \"a gota que fez transbordar o copo\", por acelerarem a mudan\u00e7a de rumo da infla\u00e7\u00e3o em termos estruturais, sendo tamb\u00e9m de relevar os efeitos da pol\u00edtica de \"zero casos covid-19\" da China, que tem afetado as cadeias de abastecimento globais, devendo desvanecer-se gradualmente.<\/p>\n<p>Face ao aumento da taxa de infla\u00e7\u00e3o, ocorreu uma (nova) mudan\u00e7a no uso de instrumentos de pol\u00edtica monet\u00e1ria, com aumentos r\u00e1pidos e intensos das taxas de juro diretoras (pol\u00edtica tradicional), al\u00e9m da referida retirada de medidas de pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o-convencionais.<\/p>\n<p>Por exemplo, o BCE acabou com os atuais programas de compra de d\u00edvida (ainda que abrindo a possibilidade de retomar o que foi adotado durante a pandemia, caso esta volte a ressurgir). Por\u00e9m, j\u00e1 criou um novo instrumento preventivo de anti-fragmenta\u00e7\u00e3o na \u00e1rea euro (condicional, nomeadamente, ao seguimento das regras or\u00e7amentais europeias) para compra de ativos de pa\u00edses onde as condi\u00e7\u00f5es de financiamento do Estado em mercado deixem de refletir os fundamentais econ\u00f3micos, procurando assim preservar o mecanismo de transmiss\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria (uma das justifica\u00e7\u00f5es para o uso de medidas de pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o-convencionais) e evitar uma repeti\u00e7\u00e3o da crise de d\u00edvidas soberanas, que levou Portugal a pedir ajuda externa em 2011. Note-se que a mera exist\u00eancia do instrumento j\u00e1 produz efeitos, pelo efeito dissuasor sobre os mercados, embora a falta de detalhes do mesmo possa prejudicar a sua credibilidade e levar os mercados a test\u00e1-lo.<\/p>\n<div class=\"mrec-status\">\n<div class=\"mrec-content\">\n<div id=\"centro3\" data-google-query-id=\"CIi3tdHyv_sCFUXnUQodBnQPqQ\">\n<p>Dito isto, e apesar do contexto de incerteza atual, \u00e9 positivo o regresso a alguma normalidade da pol\u00edtica monet\u00e1ria, com o retorno de taxas de juro positivas (o que confere incentivos mais adequados e saud\u00e1veis na rela\u00e7\u00e3o entre risco, investimento e poupan\u00e7a), desde que n\u00e3o se tornem demasiado elevadas a m\u00e9dio e longo prazos, e balan\u00e7os dos bancos centrais de dimens\u00e3o mais normal com o fim do grosso dos programas de medidas de pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o-convencionais.<\/p>\n<p>Por outro lado, ser\u00e1 a partir daqui que veremos qual o papel de longo prazo das medidas de pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o-convencionais, al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o do mecanismo de transmiss\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria, que se mant\u00e9m relevante, pelo menos na \u00e1rea do euro. Mais concretamente, numa futura crise n\u00e3o inflacionista, ser\u00e1 que as medidas de pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o-convencionais continuar\u00e3o a funcionar como o \u00faltimo recurso de pol\u00edtica monet\u00e1ria, ap\u00f3s esgotados os instrumentos tradicionais? Ou ser\u00e1 que ser\u00e3o usadas antes de se esgotarem os instrumentos tradicionais, para n\u00e3o cairmos numa armadilha de liquidez e continuarmos a manter taxas de juro positivas?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mrec-status\">\n<div class=\"mrec-content\">\n<div id=\"centro1\" data-google-query-id=\"CKXm3s6GoPgCFXUjBgAdnnsA3Q\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside class=\"t-a-subscribe-1 js-contentcollapse-root\" data-type=\"box-newsletter-detail\" data-name=\"newsletter-capping\"><\/aside>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header><\/aside>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo A crise financeira de 2007 imp\u00f4s uma viragem na pol\u00edtica monet\u00e1ria. 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