{"id":47042,"date":"2022-11-11T21:22:00","date_gmt":"2022-11-11T21:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47042"},"modified":"2022-11-13T21:26:30","modified_gmt":"2022-11-13T21:26:30","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-107","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47042","title":{"rendered":"O Direito Penal e a Prote\u00e7\u00e3o aos Cidad\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Silv\u00e9rio Cordeiro,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/785320\/o-direito-penal-e-a-protecao-aos-cidadaos?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>A constru\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica do direito penal n\u00e3o est\u00e1 estruturada de forma a garantir os direitos dos cidad\u00e3os no decorrer do processo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p>Atualmente, temos vindo assistir a uma degrada\u00e7\u00e3o da imagem do direito penal no que respeita ao posicionamento dos cidad\u00e3os perante si.<\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00e3o que se poder\u00e1 colocar: Ser\u00e1 o direito penal verdadeiramente protetor dos cidad\u00e3os na extens\u00e3o do seu sistema?<\/p>\n\n\n\n<p>O colapso do sistema penal nas configura\u00e7\u00f5es que atualmente se estruturam tem sido estudado entre n\u00f3s, na medida em que este polariza a sua atua\u00e7\u00e3o entre o excesso ou o defeito, deixando uma lacuna, em alguns casos, no que concerne \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o e dos seus direitos. Se por um lado assistimos a uma supercriminaliza\u00e7\u00e3o, por outro encontramos vazios penais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, o direito penal reporta-se sempre a um conflito entre direitos humanos, por\u00e9m, uma vez inseridos no sistema, os cidad\u00e3os deparam-se com in\u00fameras dificuldades.<\/p>\n\n\n\n<p><a>A constru\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica do direito penal n\u00e3o est\u00e1 estruturada de forma a garantir os direitos dos cidad\u00e3os no decorrer do processo<\/a>. Veja-se a t\u00edtulo de exemplo o tempo que o sistema demora a findar um processo, podendo na medida da sua atua\u00e7\u00e3o restringir direitos fundamentais dos cidad\u00e3os, nomeadamente o direito \u00e0 liberdade. Com efeito, de que forma pode um cidad\u00e3o combater a morosidade do sistema? Na verdade, o processo penal pode encetar em si uma figura de \u201ccarrasco\u201d do cidad\u00e3o, promovendo uma vitimiza\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, consequente dos formalismos e lentid\u00e3o do sistema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, persiste a seguinte quest\u00e3o: n\u00e3o estaremos a enveredar, com o atual esquema penal, por um caminho perigoso que possa colocar em risco o sistema de prote\u00e7\u00e3o e de garantia dos direitos fundamentais dos cidad\u00e3os?<\/p>\n\n\n\n<p>Efetivamente, a fun\u00e7\u00e3o de garantia do indiv\u00edduo dever\u00e1 orientar o novo paradigma do Direito Penal do cidad\u00e3o, que lhe garanta a efetiva\u00e7\u00e3o e respeito das suas garantias no decorrer do processo. Atente-se ao seguinte exemplo: um indiv\u00edduo que vem a ser absolvido de um crime e que no decorrer de um processo penal v\u00ea restringidos os seus direitos fundamentais, cujo processo se arrastou por meses a fio, de que forma o sistema penal assegura o equil\u00edbrio? Por outro lado, veja-se uma v\u00edtima menor cujo progenitor(a) acusa o\/a outro (a) de algum crime de natureza sexual, o\/a menor vai entrar no sistema penal e deparar-se-\u00e1 com in\u00fameras per\u00edcias e interrogat\u00f3rios. A vitimiza\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria dos intervenientes no processo penal \u00e9 algo que vem adquirindo maior enfoque na doutrina. Na verdade, este termo aparece na legisla\u00e7\u00e3o nacional desde 2009 (lei 112\/2009, de 16 de setembro) mas na pr\u00e1tica, devido aos in\u00fameros formalismos o seu enfoque mostra-se parco.<\/p>\n\n\n\n<p>O cidad\u00e3o e a sua rela\u00e7\u00e3o com o sistema penal s\u00e3o alvo de debate, tal como a capacidade, vontade e efic\u00e1cia do sistema para atender \u00e0s principais necessidades dos indiv\u00edduos (Davis, Lurigio &amp; Skogan, 1997). A realidade do cidad\u00e3o \u00e9 desconsiderada da realidade judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, o sistema Judici\u00e1rio engloba diversas entidades, tais como: o Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP) que dirige a fase processual do inqu\u00e9rito; os ju\u00edzes de julgamento e de instru\u00e7\u00e3o criminal; os advogados; os \u00f3rg\u00e3os de pol\u00edcia e o IML, entre outros. Tudo isto demonstra a tangibilidade e a complexidade deste sistema, bem como as numerosas inst\u00e2ncias\/entidades com as quais um cidad\u00e3o tem que contactar quando necessita de uma resolu\u00e7\u00e3o ou apoio ao n\u00edvel da justi\u00e7a, que denuncia a sua complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A legitima\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal nacional e europeia (e internacional) no \u00e2mbito da prote\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, s\u00f3 ser\u00e1 concretizada se enraizar a necessidade de olhar mais profundamente para estas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim assistimos progressivamente ao surgimento de programas especializados em viol\u00eancia e\/ou vitimiza\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A reestrutura\u00e7\u00e3o do sistema penal dever\u00e1 apresentar-se como harmoniosa para com os pilares \u201cjur\u00eddico-constitucionais do Estado de Direito\u201d, a resolu\u00e7\u00e3o deste conflito entre morosidade e formalismos do sistema penal e a subjuga\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os ao sistema vitimizante passar\u00e1 por impor ao Direito a tarefa de harmonizar as exig\u00eancias de um processo penal com os direitos de prote\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o dentro do sistema, tendo sempre como orienta\u00e7\u00e3o o principio basilar do Estado de Direito - &nbsp;O Princ\u00edpio da Dignidade da Pessoa Humana - afigurando-se como indispens\u00e1vel um olhar mais atento da doutrina e entidades oficiais e afins, com o objetivo de obter o equil\u00edbrio entre a atua\u00e7\u00e3o do sistema, a prote\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o e o sistema penal.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Silv\u00e9rio Cordeiro, Jornal i online A constru\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica do direito penal n\u00e3o est\u00e1 estruturada de forma a garantir os direitos dos cidad\u00e3os no decorrer do processo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-47042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47042"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47042\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47043,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47042\/revisions\/47043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}