{"id":47019,"date":"2022-10-27T22:23:00","date_gmt":"2022-10-27T22:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47019"},"modified":"2022-10-30T22:28:50","modified_gmt":"2022-10-30T22:28:50","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47019","title":{"rendered":"In memoriam do Professor Carlos Pimenta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/in-memoriam-do-professor-carlos-pimenta-15293951.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"cc_cursor alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p><em>Este texto pretende ser um eco, uma repeti\u00e7\u00e3o, uma valida\u00e7\u00e3o, um testemunho do que j\u00e1 se disse sobre o Professor Carlos Pimenta recentemente falecido.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<\/div>\n<aside class=\"t-a-subscribe-1 js-contentcollapse-root\" data-type=\"box-newsletter-detail\" data-name=\"newsletter-capping\"><header>\n<aside class=\"t-pubbox-ct-1 js-pubinread\">\n<div class=\"t-pubbox-ct-1-i\">\n<div id=\"inread\" data-google-query-id=\"CLfLwpHOzfcCFWKQUQodFMIKXQ\">\n<div id=\"sm-it-main-container-1651934117566\" class=\"sm-it-main-container\" data-it=\"f85ef7d8-ec68-496c-8c70-26ed9d97b735\" data-device=\"desktop\" data-index=\"0\">\n<div class=\"mrec-status\">\n<div class=\"mrec-content\">\n<p>Portugal tem tido tradicionalmente elevados fluxos migrat\u00f3rios, mas a emigra\u00e7\u00e3o de jovens qualificados \u00e9 uma tend\u00eancia relativamente recente. Apesar da falta de dados precisos e fi\u00e1veis, o que impede uma medi\u00e7\u00e3o exata da extens\u00e3o do fen\u00f3meno (muitos jovens n\u00e3o comunicam formalmente a sua partida; consequentemente, o n\u00famero de jovens emigrantes pode ser maior), \u00e9 evidente que Portugal est\u00e1 a viver um preocupante \u00eaxodo de jovens talentosos.<\/p>\n<p>Apesar da baixa taxa de natalidade, todos n\u00f3s conhecemos jovens licenciados que emigraram ou pensam emigrar. Fruto do d\u00e9bil desempenho econ\u00f3mico portugu\u00eas, os jovens qualificados sentem falta de oportunidades de desenvolvimento pessoal e uma quebra das expectativas profissionais. Paralelamente, encontram na Uni\u00e3o Europeia uma maior probabilidade de encontrar um emprego alinhado com os graus acad\u00e9micos obtidos, proximidade geogr\u00e1fica, e possibilidade de melhorar consideravelmente as suas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Embora as crises recentes (de 2008-2010, Covid-19, e Guerra na Ucr\u00e2nia) tenham sido - estejam a ser - sentidas em todo o mundo, uma das consequ\u00eancias mais vis\u00edveis das crises \u00e9 que, em Portugal, a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida tem sido relativamente violenta, com quedas do produto interno bruto (sobretudo durante a vinda da Troika e no ano de 2020; e, no contexto de Guerra, a Comiss\u00e3o Europeia projeta uma queda em cadeia no segundo trimestre, ap\u00f3s uma evolu\u00e7\u00e3o ainda positiva no primeiro trimestre) e aumento dos valores do endividamento.<\/p>\n<p>As crises t\u00eam afetado toda a sociedade portuguesa, mas os seus efeitos tang\u00edveis t\u00eam sido especialmente duros para os jovens, cada vez mais talentosos. O que o pa\u00eds tem para lhe oferecer \u00e9 falta de emprego compat\u00edvel com as qualifica\u00e7\u00f5es, empregos tempor\u00e1rios, a tempo parcial, mal remunerado e altamente taxado, elevados n\u00edveis de inseguran\u00e7a e de incerteza.<\/p>\n<p>Em Portugal, os jovens qualificados dificilmente conseguem ganhar mais de 1000 e poucos euros l\u00edquidos, em empregos frequentemente prec\u00e1rios, fruto da baixa produtividade da economia, que imp\u00f5e uma ex\u00edgua taxa de crescimento e exige uma crescente carga fiscal para manter a m\u00e1quina do Estado, apesar do endividamento p\u00fablico e dos fundos comunit\u00e1rios. A este prop\u00f3sito, a OCDE acaba de divulgar o relat\u00f3rio anual \"Taxing Wages 2022\", ficando claro que a carga fiscal direta sobre o rendimento do trabalho, em Portugal, \u00e9 de facto estrondosa.<\/p>\n<p>Em suma, a aus\u00eancia de oportunidades de emprego que permitam o desenvolvimento pessoal e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida, em conjunto com a quebra das expectativas profissionais e a descren\u00e7a na capacidade do governo e das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para reverter a situa\u00e7\u00e3o, tem levado a popula\u00e7\u00e3o jovem, altamente qualificada, a emigrar para a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>A emigra\u00e7\u00e3o dos jovens surgiu, pois, como estrat\u00e9gia de a\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria de insucesso econ\u00f3mico recente e representa para o pa\u00eds um desperd\u00edcio de talentos com, pelo menos, quatro consequ\u00eancias econ\u00f3micas negativas e auto-agravantes a m\u00e9dio prazo: (i) aumento da carga fiscal dos residentes para sustentar a m\u00e1quina do Estado, que n\u00e3o para de exigir mais, e honrar o pagamento da d\u00edvida existente, (ii) impossibilidade de reverter a baixa produtividade face \u00e0 fuga de talento, (iii) aus\u00eancia de capacidade de substitui\u00e7\u00f5es de m\u00e3o-de-obra, (iv) queda da j\u00e1 reduzida taxa de natalidade e crescente envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, que, por sua vez, afetar\u00e1 diretamente o sistema p\u00fablico de pens\u00f5es no futuro.<\/p>\n<p>Se o governo pensasse a m\u00e9dio-longo prazo, seria, por exemplo, de esperar que baixasse a carga fiscal sobre o trabalho para incentivar a sua procura interna. Acresce que, num contexto de infla\u00e7\u00e3o elevada, h\u00e1 j\u00e1 uma imensa redistribui\u00e7\u00e3o de rendimento a favor do Estado e contra as fam\u00edlias e as empresas, decorrente do aumento da \"taxa efetiva\" dos impostos indiretos, que cresce na propor\u00e7\u00e3o da taxa de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, a n\u00edvel fiscal, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nos impostos sobre o trabalho e sobre o consumo que reside o problema portugu\u00eas. Tamb\u00e9m a carga fiscal sobre o rendimento do capital \u00e9 relativamente elevada, registando-se a maior taxa m\u00e1xima combinada no conjunto dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e da OCDE, bem como uma taxa efetiva tamb\u00e9m relativamente alta, mesmo considerando a pan\u00f3plia discut\u00edvel de benef\u00edcios fiscais. Toda esta carga fiscal penaliza o crescimento econ\u00f3mico e impede que os sal\u00e1rios possam aumentar.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de competitividade fiscal penaliza fortemente a reten\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o de talento, e o investimento. Tal contribui para a manuten\u00e7\u00e3o de baixos n\u00edveis de produtividade e para o desincentivo da atividade econ\u00f3mica, gerando empobrecimento e potenciando a \"proletariza\u00e7\u00e3o\", o aumento da economia paralela e o recurso \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se entende qual a estrat\u00e9gia do governo para o m\u00e9dio-longo prazo e n\u00e3o se compreende o racional subjacente ao n\u00edvel das pol\u00edticas p\u00fablicas. Creio que valeria a pena que se atendesse aos alertas e \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es feitas por institui\u00e7\u00f5es internacionais, come\u00e7ando por atribuir mais import\u00e2ncia \u00e0 efic\u00e1cia e adequa\u00e7\u00e3o do sistema fiscal.<\/p>\n<div class=\"mrec-status\">\n<div class=\"mrec-content\">\n<div id=\"centro1\" data-google-query-id=\"CKXm3s6GoPgCFXUjBgAdnnsA3Q\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<aside class=\"t-a-subscribe-1 js-contentcollapse-root\" data-type=\"box-newsletter-detail\" data-name=\"newsletter-capping\"><\/aside>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/header><\/aside>\n\n\n<p>Do site da Transpar\u00eancia Internacional cito \"Professor Catedr\u00e1tico da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, dirigiu o Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude, e destacou-se no combate e preven\u00e7\u00e3o da fraude e da corrup\u00e7\u00e3o e crimes de \"colarinho branco\", sendo tamb\u00e9m autor de uma vasta obra cient\u00edfica nas \u00e1reas de Economia Portuguesa e Economia Africana\". Foi tamb\u00e9m fundador da Transpar\u00eancia Internacional portuguesa e membro da sua primeira Dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Professor Carlos Pimenta foi um dos mais destacados combatentes contra a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds. Estudou o fen\u00f3meno do ponto de vista da ci\u00eancia econ\u00f3mica e atuou civicamente contra este flagelo que atinge o nosso pa\u00eds com especial virul\u00eancia. Foi fundador das duas mais importantes organiza\u00e7\u00f5es c\u00edvicas que estudam e combatem a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds: o OBEGEF (Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude) e a Transpar\u00eancia Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela sua interven\u00e7\u00e3o recebeu em 2012 o prestigiado Pr\u00e9mio Internacional Outstanding Achievement in Outreach \/ Community Service da Association of Certified Fraud Examiners.<\/p>\n\n\n\n<p>Do site da Faculdade de Economia da retiro \"Exerceu diversos cargos de dire\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica. Pr\u00f3-Reitor da Universidade do Porto para a Informatiza\u00e7\u00e3o Administrativa e para a Coopera\u00e7\u00e3o com \u00c1frica (1988-1998)\".<\/p>\n\n\n\n<p>Da sua investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica centrada em duas grandes \u00e1reas a dos sal\u00e1rios e a da fraude e corrup\u00e7\u00e3o resultam v\u00e1rios livros de que destacamos: Parte dos Sal\u00e1rios no Rendimento Nacional (1972), Curva de Phillips em Portugal (1983), Os Sal\u00e1rios em Portugal (1989), A Economia n\u00e3o registada na Regi\u00e3o Aut\u00f3noma dos A\u00e7ores (2013), Contributos para a Caracteriza\u00e7\u00e3o e Explicita\u00e7\u00e3o da Infla\u00e7\u00e3o em Portugal (2016), Racionalidade, \u00c9tica e Economia (2017), Os Offshores do nosso quotidiano (2018) e A escrita contra o Sil\u00eancio (2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Do artigo do Professor Ant\u00f3nio Maia no Jornal I copio \"O Professor Carlos Pimenta era um homem bom, com enormes qualidades humanas e c\u00edvicas, amigo incondicional de quem teve o privil\u00e9gio de com ele privar, uma refer\u00eancia maior de inspira\u00e7\u00e3o e alento para os elementos do OEBGEF\".<\/p>\n\n\n\n<p>De amigos, colegas que em mensagens nas redes sociais quiseram testemunhar sobre o Professor Carlos Pimenta, escolho de entre muitos: \"Um homem not\u00e1vel \u00e9 que marcou sem d\u00favida o meu percurso profissional\" (A.C.), \"recordando os bons momentos e a vontade sempre persistente do prof. Pimenta na batalha desigual contra a corrup\u00e7\u00e3o e o crime econ\u00f3mico\" (JPM), \"recordo as aulas em que foi meu professor. Foi um privil\u00e9gio\", \"ficar\u00e1 para todos o exemplo da pessoa, profissional e cidad\u00e3o que foi\" (P.M.).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pessoas que nos marcam pelo seu carisma, pela sua obra, apesar de nunca com elas termos privado. No meu caso apenas falei com o Professor Carlos Pimenta em meia d\u00fazia de ocasi\u00f5es mas, em todas elas aprendi e ganhei \u00e2nimo e senti o seu apoio para a luta comum pela \u00e9tica e contra a fraude e corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem sido r\u00e1pido a condecorar feitos ef\u00e9meros e her\u00f3is passageiros, mas lento a reconhecer o m\u00e9rito de carreiras longas e persistentes feitas de trabalho s\u00e9rio e prof\u00edcuo em prol do nosso pa\u00eds como a do Professor Carlos Pimenta. Mas, havendo vontade, ainda vai a tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo Este texto pretende ser um eco, uma repeti\u00e7\u00e3o, uma valida\u00e7\u00e3o, um testemunho do que j\u00e1 se disse sobre o Professor Carlos Pimenta recentemente falecido.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-47019","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47019"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47019\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47020,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47019\/revisions\/47020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}