{"id":46997,"date":"2022-10-20T19:40:00","date_gmt":"2022-10-20T19:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46997"},"modified":"2022-10-21T19:49:01","modified_gmt":"2022-10-21T19:49:01","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-49","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46997","title":{"rendered":"Para qu\u00ea tanta austeridade?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #d8070f;\">\u00d3scar Afonso, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2022-10-20-Para-que-tanta-austeridade--45da29fd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Infelizmente, n\u00e3o se vislumbram, na proposta de OE2023, medidas que assegurem a correta atribui\u00e7\u00e3o de fundos, e que acelerem a execu\u00e7\u00e3o e o impacto econ\u00f3mico quer do PRR, quer do Portugal 2030<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito da Proposta de Or\u00e7amento de Estado para 2023 (OE2023), assuma-se que o cen\u00e1rio macroecon\u00f3mico que o sustenta \u00e9 realista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em princ\u00edpio n\u00e3o \u00e9, assumindo como mais atual e completo o cen\u00e1rio do FMI (que faz proje\u00e7\u00f5es para o PIB mundial num grande n\u00famero de economias). De acordo com o FMI,&nbsp;o crescimento da economia portuguesa n\u00e3o deve ir sequer al\u00e9m de 0,7% em 2023 (quase metade dos 1,3% previstos pelo governo) e que a taxa de infla\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ficar nos 4,7% (face a 4,0% nos n\u00fameros do governo, o que torna as suas proje\u00e7\u00f5es de consumo e de PIB ainda mais otimistas).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, tendo em conta que o Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as usou as previs\u00f5es anteriores do FMI no enquadramento do seu pr\u00f3prio cen\u00e1rio (tal como o fez o Conselho de Finan\u00e7as P\u00fablicas no seu parecer sobre o cen\u00e1rio do Or\u00e7amento), afigura-se bastante estranho que o Primeiro-Ministro Ant\u00f3nio Costa tenha vindo tentar descredibilizar estas proje\u00e7\u00f5es mais recentes do FMI, apenas porque n\u00e3o lhe s\u00e3o favor\u00e1veis. N\u00e3o faz sentido comparar o acerto de proje\u00e7\u00f5es de crescimento anteriores porque o contexto \u00e9 muito diferente, com uma infla\u00e7\u00e3o elevada e menos ajuda do consumo para superar as estimativas do PIB, o que torna as recentes proje\u00e7\u00f5es do FMI mais realistas, como referido.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ok, vamos ser \u201canjinhos\u201d e assumir que vai tudo ocorrer como o governo prev\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as medidas mais marcantes do OE2023, destaque-se a proposta de:<\/p>\n\n\n\n<p>(i) redu\u00e7\u00e3o do IRC para as empresas que aumentem as remunera\u00e7\u00f5es em 4,8%, mas condicional a v\u00e1rios requisitos que tornam a medida menos atrativa e pass\u00edvel de se concretizar;<\/p>\n\n\n\n<p>(ii) aumento de pens\u00f5es at\u00e9 4,43% para 2023, quando, de acordo com a lei em vigor, deveria ser 8%, significando que, mesmo as pens\u00f5es com aumento m\u00e1ximo em 2023, v\u00e3o ser penalizadas a partir de 2024 porque a base sobre a qual assentar\u00e3o os novos aumentos passa a ser irremediavelmente inferior;<\/p>\n\n\n\n<p>(iii) atualiza\u00e7\u00e3o dos escal\u00f5es de IRS em 5,1%, o que \u00e9 manifestamente inferior aos quase 8% de taxa de infla\u00e7\u00e3o esperados este ano, em que os escal\u00f5es n\u00e3o v\u00e3o ser atualizados, mais 4% de infla\u00e7\u00e3o em 2023 seguindo o cen\u00e1rio do governo, pelo que os agregados familiares ser\u00e3o brindados com um aumento da carga fiscal nos acr\u00e9scimos de rendimento: ao contr\u00e1rio do que a propaganda dissemina, as fam\u00edlias ser\u00e3o, portanto, presenteadas com mais austeridade;<\/p>\n\n\n\n<p>(iv)&nbsp;aumento salarial de&nbsp;3,9% no sector p\u00fablico,&nbsp;oscilando entre 8% nos sal\u00e1rios mais baixos e 2% nos restantes, com um m\u00ednimo de cerca de 52 euros por trabalhador.&nbsp;No setor privado, o Acordo de M\u00e9dio Prazo de Melhoria de Rendimentos, Sal\u00e1rios e Competitividade prev\u00ea um aumento de&nbsp;5,1% em fun\u00e7\u00e3o das medidas previstas, mas trata-se de uma progress\u00e3o volunt\u00e1ria, a que n\u00e3o ajuda a sinaliza\u00e7\u00e3o de uma progress\u00e3o inferior dada no setor p\u00fablico (3,9%).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, independentemente do sector, ap\u00f3s uma enorme perda de poder de compra em 2022 (recorde-se que, na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, porque o aumento dos sal\u00e1rios foi de apenas 0,9%, h\u00e1 a perda de um sal\u00e1rio), ser\u00e3o poucos os trabalhadores a ter uma mitiga\u00e7\u00e3o dessa perda e muitos ir\u00e3o perder novamente rendimento em termos reais em 2023, mesmo assumindo o cen\u00e1rio de uma infla\u00e7\u00e3o de 4% do governo, sendo que, no caso dos pensionistas, s\u00e3o esperadas perdas permanentes de rendimento a partir de 2024 pelo n\u00e3o cumprimento da lei. A perda de poder de compra ser\u00e1 ainda maior usando cen\u00e1rios de infla\u00e7\u00e3o mais alta, como o do FMI (4,7%) ou mesmo o do Conselho de Finan\u00e7as P\u00fablicas (5,1%), que se me afiguram mais realistas no atual contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito do ponto (iv), acima, os ex\u00edguos aumentos salariais d\u00e3o-nos ainda dois importantes sinais. De acordo com o governo, os aumentos visam&nbsp;evitar uma espiral inflacionista. Mas, se assim \u00e9, os aumentos no sector p\u00fablico poderiam ser superiores, porque t\u00eam menor impacto nos pre\u00e7os dos bens e servi\u00e7os transacionados, logo na taxa de infla\u00e7\u00e3o. Por outro lado, ao penalizar assumidamente o poder de compra dos trabalhadores mais qualificados (com aumentos de apenas 2% face a 4% de infla\u00e7\u00e3o prevista), cujos sal\u00e1rios j\u00e1 s\u00e3o os que pior comparam com o setor privado (explicando a dificuldade de reten\u00e7\u00e3o de quadros no setor p\u00fablico), o governo informa-nos que ainda h\u00e1 espa\u00e7o para uma maior degrada\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, da Educa\u00e7\u00e3o, da Justi\u00e7a e de outros importantes servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o o OE2023 n\u00e3o tem nada de positivo? Tem. \u00c9 de saudar a queda do peso da d\u00edvida p\u00fablica no PIB, sobretudo no contexto atual de r\u00e1pida subida das taxas de juro e tendo presente que, no seio da Uni\u00e3o Europeia (UE), Portugal \u00e9 um dos mais endividados \u2013 o 3\u00ba com peso mais elevado em 2021. \u00c9, pois, importante baixar esse r\u00e1cio para valores mais comport\u00e1veis, implicando um menor r\u00e1cio de juros da d\u00edvida p\u00fablica. Devemos, por isso, ver como positiva a previs\u00e3o de uma redu\u00e7\u00e3o do r\u00e1cio para 110,8% do PIB em 2023 \u2013 ap\u00f3s 115,0% em 2022, 125,5% em 2021 e um m\u00e1ximo de 134,9% em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a agressividade do ajustamento imposto pelo governo \u00e9 fortemente penalizadora para empresas e fam\u00edlias. Depois da austeridade imposta aos trabalhadores em 2022 e mesmo quando as regras or\u00e7amentais da UE est\u00e3o suspensas desde 2020 e at\u00e9 2023 (prevendo-se que sejam retomadas em 2024), incluindo o limite de 3% do peso do d\u00e9fice no PIB, o governo socialista, que outrora se queixou da agressividade do ajustamento anterior, induzido pelos desequil\u00edbrios impostos pela sua governa\u00e7\u00e3o, vem agora, num cen\u00e1rio muit\u00edssimo mais favor\u00e1vel \u2013 com um d\u00e9fice recomend\u00e1vel, taxas de juros a aumentar mas razoavelmente baixas e um sistema financeiro robustecido \u2013 impor ainda mais agressividade no ajustamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na altura do programa de ajustamento imposto pela Troika, o Partido Socialista repetiu at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o a desnecessidade do ter \u201cido para al\u00e9m da Troika\u201d. Perante esse comportamento, quem imaginaria que agora, numa situa\u00e7\u00e3o deveras muito mais favor\u00e1vel, tivesse come\u00e7ado logo a cumprir as regras em 2021, ao contr\u00e1rio da maioria dos pa\u00edses da UE \u2013 15 em 27 pa\u00edses da UE n\u00e3o o fizeram nesse ano \u2013, tendo registado um d\u00e9fice significativamente inferior \u00e0 m\u00e9dia europeia nesse ano (-2,9%). E, em 2022 e 2023, continuando a fazer \u201ct\u00e1bua rasa\u201d do que criticava, o governo socialista continuou e continuar\u00e1 a ir al\u00e9m do exigido, sacrificando fortemente empresas e fam\u00edlias, pois prev\u00ea que o saldo or\u00e7amental continue a melhorar, passando para -1,9% e -0,9%, respetivamente, quando seriam permitidos valores abaixo de -3% ou at\u00e9 mais, dado que, como j\u00e1 disse, as regras or\u00e7amentais est\u00e3o suspensas. Este governo transfere, pois, para empresas e fam\u00edlias todo o sacrif\u00edcio, mais do que revertendo as revers\u00f5es que fez, depois de obrigar os portugueses a pagar os disparates no Banif, no Novo Banco e na TAP. E assim se explica a produ\u00e7\u00e3o de pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Se fica claramente evidenciado que o governo socialista poderia ter ido mais longe no apoio \u00e0 economia durante a pandemia, mesmo tendo em conta o r\u00e1cio de d\u00edvida relativamente elevado \u2013 como, ali\u00e1s, o fizeram outros pa\u00edses com r\u00e1cios tamb\u00e9m elevados \u2013, fica igualmente claro que tamb\u00e9m agora poderia ser socialmente mais justo. Efetivamente, seria desej\u00e1vel que o governo fosse mais s\u00e9rio, mais sens\u00edvel aos portugueses mais vulner\u00e1veis, e que atendesse mais ao m\u00e9dio e longo prazo, propondo um melhor equil\u00edbrio entre, por um lado, apoios a empresas e fam\u00edlias e, por outro lado, redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9fice e d\u00edvida p\u00fablicos numa perspetiva de curto, m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n\n\n\n<p>Considero, pois, que h\u00e1 atualmente margem para uma expressiva redu\u00e7\u00e3o estrutural da carga fiscal sobre as empresas e as fam\u00edlias. A redu\u00e7\u00e3o de impostos ajudaria a aliviar a subida exponencial de custos para as empresas e a perda de poder de compra das fam\u00edlias, refor\u00e7ada com medidas adicionais espec\u00edficas e decisivas para minorar situa\u00e7\u00f5es de maior vulnerabilidade nas empresas (com realce para as mais intensivas em energia) e nas fam\u00edlias, sobretudo as mais pobres, que sofrem sempre relativamente mais com a infla\u00e7\u00e3o. Os apoios mais expressivos \u00e0s empresas e \u00e0s fam\u00edlias teriam de ser entendidos como um investimento, tendo em vista a potencia\u00e7\u00e3o do investimento e a reten\u00e7\u00e3o de talento e, assim, a eleva\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva e do crescimento econ\u00f3mico potencial, melhorando, em simult\u00e2neo, a sustentabilidade da d\u00edvida a m\u00e9dio e longo prazos, ainda que \u00e0 custa de um eventual maior r\u00e1cio de d\u00edvida no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, porque \u00e9 ent\u00e3o t\u00e3o ego\u00edsta o governo? Porque est\u00e1 \u201cborrado de medo\u201d com o aumento das taxas de juro; porque, apesar de se dizer socialista, faz parte da sua g\u00e9nese ser insens\u00edvel; e, porque n\u00e3o tendo uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica para o pa\u00eds, olha exclusivamente para o curto prazo, equilibrando o dia-a-dia e remediando o imediato, pensando que, ao sobreviver em cada momento, se ir\u00e1 perpetuar a longo prazo, quando o que acontecer\u00e1 \u00e9 que, a dada altura, deixar\u00e1 de ter condi\u00e7\u00f5es para governar, incluindo por falta de trabalhadores qualificados, por n\u00e3o investir na sua reten\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o qual deveria ser o ajustamento do peso da d\u00edvida no PIB? A meu ver, o que conseguisse posicionar o pa\u00eds dentro da condicionalidade de ajuda do Instrumento de Prote\u00e7\u00e3o de Transmiss\u00e3o da Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (IPTPM) anunciado em julho pelo BCE, que poder\u00e1 comprar t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica em pa\u00edses com uma deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de financiamento n\u00e3o motivada pela deteriora\u00e7\u00e3o dos fundamentais, sem sacrificar em demasia empresas e fam\u00edlias. As condi\u00e7\u00f5es de ajuda no contexto do IPTPM incluem:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>o cumprimento com as regras or\u00e7amentais da UE e uma d\u00edvida p\u00fablica sustent\u00e1vel,<\/li><li>a&nbsp;<a>aus\u00eancia de desequil\u00edbrios macroecon\u00f3micos severos&nbsp;<\/a>e&nbsp;<a>a execu\u00e7\u00e3o dos compromissos assumidos no Semestre Europeu e no Mecanismo de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia<\/a>.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00e0 luz destas duas condi\u00e7\u00f5es que o OE2013 deveria ter sido constru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o cumprimento das regras or\u00e7amentais e a sustentabilidade da d\u00edvida \u2013 isto \u00e9, sobre o<strong>&nbsp;<\/strong>ponto (1) \u2013 j\u00e1 praticamente tudo foi dito nesta cr\u00f3nica, com o governo socialista \u201cir al\u00e9m do Pacto de Estabilidade\u201d, quando antes criticava o \u201cir al\u00e9m da Troika\u201d, com a grande diferen\u00e7a que, nessa altura, havia uma heran\u00e7a catastr\u00f3fica a vencer \u2013 em particular, um d\u00e9fice de 11%, taxas de juros elevadas, um sistema financeiro arruinado, e aus\u00eancia de infla\u00e7\u00e3o que ajudasse. Ora \u00e9 muito bem sabido que per\u00edodos de infla\u00e7\u00e3o ajudam a um ajustamento mais r\u00e1pido das contas p\u00fablicas se a atualiza\u00e7\u00e3o das despesas p\u00fablicas pela infla\u00e7\u00e3o \u2013 nomeadamente sal\u00e1rios de funcion\u00e1rio p\u00fablicos e pens\u00f5es \u2013 for inferior, em m\u00e9dia, ao aumento de receitas fiscais por via da subida dos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o portuguesa \u00e9 certamente aconselh\u00e1vel seguir esse preceito, de modo a reduzir o peso da d\u00edvida no PIB e evitar uma espiral inflacionista. No entanto, como tamb\u00e9m j\u00e1 referi, h\u00e1 margem para um equil\u00edbrio mais virtuoso, a n\u00edvel conjuntural e estrutural, na distribui\u00e7\u00e3o desse \u201cdividendo da infla\u00e7\u00e3o\u201d (na \u00f3tica das contas p\u00fablicas), sobretudo por via de uma redu\u00e7\u00e3o estrutural da carga fiscal (num m\u00e1ximo hist\u00f3rico, levando a um dos valores mais altos a n\u00edvel europeu de esfor\u00e7o fiscal, que relativiza a carga fiscal pelo n\u00edvel de vida), tanto para as empresas, como para as fam\u00edlias, pois os atuais n\u00edveis de fiscalidade penalizam a atra\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o de investimento e de talento. Ou seja, o crescimento das receitas fiscais em 2022 e 2023 por via da infla\u00e7\u00e3o deve tamb\u00e9m ser aproveitado como uma oportunidade para reduzir estruturalmente a carga fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio macroecon\u00f3mico do Governo prev\u00ea uma redu\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f3mico para 1,3% (ap\u00f3s 6,7% em 2022), enquanto a infla\u00e7\u00e3o baixa, mas mant\u00e9m-se ainda elevada (4%, valor que se pode considerar otimista, como j\u00e1 referido). Ou seja, continuar\u00e1 a haver um \u201cdividendo de infla\u00e7\u00e3o\u201d (para as contas p\u00fablicas) significativo em 2023, que deve ser redistribu\u00eddo por todos \u2013 estado, empresas e fam\u00edlias \u2013 e entre as gera\u00e7\u00f5es presentes e as futuras. Em particular, o governo dever\u00e1 fazer a sua parte e aproveitar os investimentos previstos em digitaliza\u00e7\u00e3o para melhorar os servi\u00e7os p\u00fablicos consumindo menos recursos, de modo que, no final, tenhamos contas p\u00fablicas mais sustent\u00e1veis e compat\u00edveis com uma economia mais din\u00e2mica, indo de encontro \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de apoio do BCE nos mercados de d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Relativamente ao ponto (2), que remete para a necessidade de aus\u00eancia de desequil\u00edbrios macroecon\u00f3micos severos e para a execu\u00e7\u00e3o dos compromissos assumidos no Semestre Europeu e no Mecanismo de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia, cumpre dizer que o OE2023 deveria pautar-se por uma maior aloca\u00e7\u00e3o de verbas do PRR \u00e0s empresas, geradoras de riqueza, pelo que eventuais reprograma\u00e7\u00f5es de verbas \u2013 mais prov\u00e1veis face \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e ao forte atraso de implementa\u00e7\u00e3o, que poder\u00e3o tornar invi\u00e1veis alguns investimentos \u2013 dever\u00e3o fazer elevar essa aloca\u00e7\u00e3o, aumentando o impacto econ\u00f3mico estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o dos atrasados investimentos e reformas do PRR, bem como os investimentos do Portugal 2030 \u2013 onde ainda falta a necess\u00e1ria regulamenta\u00e7\u00e3o para entrar em funcionamento \u2013 s\u00e3o instrumentais para os compromissos do Semestre Europeu e para a redu\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrios macroecon\u00f3micos que ainda persistem, onde se real\u00e7am os elevados n\u00edveis de d\u00edvida p\u00fablica, privada e externa, num contexto de baixo crescimento da produtividade. O aumento da produtividade \u2013 que deve ser a prioridade de aloca\u00e7\u00e3o do montante elevado e irrepet\u00edvel de fundos europeus \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos \u2013 \u00e9 fundamental para a eleva\u00e7\u00e3o do potencial de crescimento econ\u00f3mico e a redu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel do endividamento, incluindo o p\u00fablico. Espera-se ainda que os crit\u00e9rios de atribui\u00e7\u00e3o de fundos se pautem pela capacidade de gera\u00e7\u00e3o de riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, infelizmente, n\u00e3o se vislumbram, na Proposta de OE2023, medidas que assegurem a correta atribui\u00e7\u00e3o de fundos, e que acelerem a execu\u00e7\u00e3o e o impacto econ\u00f3mico quer do PRR, quer do Portugal 2030.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Expresso online Infelizmente, n\u00e3o se vislumbram, na proposta de OE2023, medidas que assegurem a correta atribui\u00e7\u00e3o de fundos, e que acelerem a execu\u00e7\u00e3o e o impacto econ\u00f3mico quer do PRR, quer do Portugal 2030<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-46997","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46997"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46998,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46997\/revisions\/46998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}