{"id":46877,"date":"2022-08-18T17:40:00","date_gmt":"2022-08-18T17:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46877"},"modified":"2024-10-26T16:21:32","modified_gmt":"2024-10-26T16:21:32","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-90","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46877","title":{"rendered":"As \u201capar\u00eancias\u201d ao servi\u00e7o das \u201cess\u00eancias\u201d: curso \u00e0 \u201cutopia\u201d consagrada?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Ricardo Rodrigues,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/obegef\/photos\/a.527449700680396\/5498762903549026\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Facebook45.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"17\" height=\"17\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><strong><em>Um dia questionado<\/em><\/strong><em>: \u00a0Se tudo seria aquilo que parece \u201cser\u201d aos olhos,pelo tempo e forma, no tempo que \u00e9 conhecido? <strong>Respondi<\/strong>: De quanto de apar\u00eancia uma boa conviv\u00eancia se faz? Quanto de ess\u00eancia ter\u00edamos de sacrificar? Quanto de transpar\u00eancia nos \u00e9 exig\u00edvel? De quanto de apar\u00eancia uma verdade precisa para ser admiss\u00edvel? Quanto de verdade uma simples apar\u00eancia precisa para ser concept\u00edvel? \u00a0Quais dever\u00e3o ser os princ\u00edpios norteadores e os limites definidores da est\u00e9tica? O que seriam leituras e interpreta\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis e\/ou inaceit\u00e1veis? Qual o n\u00edvel de consci\u00eancia de ess\u00eancia supomos possuir ou dever possuir? Que instrumentos hermen\u00eauticos possu\u00edmos? Que imagem suponho possuir ou dever possuir do \u201ceu\u201d, do \u201coutro\u201d, do \u201cn\u00f3s\u201d, do \u201ctodo\u201d? (\u2026)<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As apar\u00eancias, seu signos, s\u00edmbolos, c\u00f3digos e simbioses, representam complexos feixes comunicacionais em a\u00e7\u00e3o pelos universos culturais, s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es (em contexto e perspetiva), s\u00e3o \u201c<em>pot\u00eancias\u201d<\/em>, s\u00e3o evid\u00eancias, s\u00e3o exterioridades das interioridades, exterioriza\u00e7\u00f5es (como s\u00e3o conhecidos) do \u201cser\u201d e \u201cestar\u201d, as formas das ess\u00eancias (<em>formas para ler e sentir a realidade<\/em>) nas idiossincrasias mundanas.<\/p>\n<p>As apar\u00eancias encontram nas liberdades, seu potencial dignit\u00e1rio e autopoiese gen\u00e9tica, o seu radical (a verdade), a fonte - ess\u00eancia (\u00e9tico-est\u00e9tica). Em especial, a liberdade de aprender, de partilhar, de comparar, de contradizer, de escolher, de decidir, de aceitar, de recusar, <em>etc.<\/em> Em liberdade, \u00e0 margem da cegueira <em>Puritana e<\/em> <em>Manique\u00edsta,<\/em> a possibilidade da \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d cr\u00edtica e din\u00e2mica do \u201cser\u201d, na sua complexidade, em integra\u00e7\u00e3o profunda, a conforma\u00e7\u00e3o da <em>imagem<\/em>, modos de revela\u00e7\u00e3o e leituras. Atrav\u00e9s do eu, com o outro, do n\u00f3s, com o todo, aceder conjuntamente a n\u00edveis diferenciados, mais profundos e elevados, de compreens\u00e3o e consci\u00eancia \u00e9tico-est\u00e9tica.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das apar\u00eancias, nos limites \u00e0 representatividade, considerando a subjetividade e culturalidade implicadas nas propostas e leituras, a inteligibilidade e percetividade poss\u00edveis das realidades. Um universo de sentidos em busca de uma proposta que se cr\u00ea \u00e9tica, funcional e deontologicamente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Em verdade, as apar\u00eancias nunca iludem:<\/strong> Elas apresentam, expondo \u00e0 leitura \u201crepresentativa\u201d, no seu primado, por forma equivalente, a verdade, as ess\u00eancias, as mentiras, as virtuais hip\u00f3teses, as inten\u00e7\u00f5es, as virtudes, o contempor\u00e2neo e o futuro, o convencional e o progresso, as proje\u00e7\u00f5es, os erros, etc.\u00a0 As apar\u00eancias s\u00e3o figurinos, s\u00e3o vestes, constituem o retrato do ilustre, do fat\u00eddico, do divino, do perp\u00e9tuo. As apar\u00eancias s\u00e3o imagem, <em>mapa<\/em>, <em>roteiro<\/em>, <em>or\u00e1culo<\/em>, s\u00e3o pretensiosas fisionomistas, autoras do modo e meio de revela\u00e7\u00e3o das g\u00e9neses e exist\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>As apar\u00eancias s\u00e3o tudo o que temos.<\/strong> S\u00e3o as verdades poss\u00edveis, at\u00e9 que outras, diferentes, diversas, prov\u00e1veis, poss\u00edveis, cognosc\u00edveis, tomem o seu lugar.\u00a0 As evid\u00eancias de uma realidade a descobrir (est\u00e1s preparado(a)?).<\/p>\n<p>As apar\u00eancias s\u00e3o as evid\u00eancias emp\u00edricas em todo o seu esplendor, com todo o potencial causal nas ess\u00eancias. Ilustre-se com a efetividade das seguintes revela\u00e7\u00f5es (desconsiderando, por ora, a fiel correspond\u00eancia com as ess\u00eancias): evid\u00eancias inidoneidade; evid\u00eancias de insubordina\u00e7\u00e3o; evid\u00eancias de deslealdade; evid\u00eancias de insolvabilidade; evid\u00eancias de m\u00e1 gest\u00e3o; evid\u00eancias de opacidade e corrup\u00e7\u00e3o; manifesta\u00e7\u00f5es de riqueza de origem (ainda) desconhecida; evid\u00eancias de espiral inflacionista\/ deflacionista; <em>etc.<\/em><\/p>\n<p><strong>O potencial das apar\u00eancias (\u201ctudo revelam?\u201d; \u201ctudo devolvem\u201d?)<\/strong><\/p>\n<p>Seria o <em>\u201cAndr\u00e9\u201d t\u00e3o mais bem caracterizado pelo conte\u00fado e modo de qualificar e considerar, entre outros, o <\/em>\u201c<em>Augusto<\/em>\u201d, que, necessariamente, <em>\u201cAugusto\u201d<\/em>, embora, assim, tenha sido ou, eventualmente, possa ser representado (contexto \u2013 perspetiva)<em> (V. <\/em><em>Baruch Espinoza; Lise Bourbeau; et. al.<\/em><em>).<\/em><\/p>\n<p><em>De facto, \u201cAugusto\u201d<\/em>, entre perce\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es sociais, mediadas por \u201c<em>Andr\u00e9<\/em>\u201d (n\u00facleo de experi\u00eancias), que, certo(s) dia(s), confrontado, segundo a sua especial sensibilidade, com evid\u00eancias de um particular \u201cfumo\u201d, que julgou de uma \u201ccor\u201d, \u201cforma\u201d e \u201cmodo de revela\u00e7\u00e3o\u201d, a que associara motivos, inten\u00e7\u00f5es, pretextos, ensejos, realiza\u00e7\u00f5es, as \u201cflamas\u201d, talvez, nunca existentes, mas socialmente \u201cdignas\u201d, \u201crelevantes\u201d, \u00e1vidas por respostas, factos vivenciados e transmitidos na prem\u00eancia dos dias, transbordados da liga emocional que os envolve (segundo a fenomenologia da comunica\u00e7\u00e3o), dirigidos a um amplo campo de resson\u00e2ncia, tando mais expressivo na rece\u00e7\u00e3o qu\u00e3o sintonizado na linha discursiva, qu\u00e3o menos vitalizado na sindic\u00e2ncia e reivindica\u00e7\u00e3o, promotores \u00e9tico-est\u00e9ticos. Assim ser\u00e1 devolvida, com todo o potencial sociocultural, psicofisiol\u00f3gico, <em>etc<\/em>.\u00a0 Realmente, \u201c<em>Andr\u00e9<\/em>\u201d \u00e9 fonte prim\u00e1ria e, simultaneamente, secund\u00e1ria, quer a respeito de si mesmo, do meio envolvente, dos atores \/ agentes \/participantes, nomeadamente, de \u201c<em>Augusto<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Nada escapa \u00e0s apar\u00eancias (as apar\u00eancias s\u00e3o as evid\u00eancias do mundo comum?): <\/strong>Das apar\u00eancias vivem\/ n\u00e3o escapam as necessidades, os desejos, os sonhos, os futuros (causas fundacionais das inquieta\u00e7\u00f5es, tristezas e tens\u00f5es)?<\/p>\n<p>As apar\u00eancias, sempre, elucidativas, nos acareiam motivos. Revelam-se faces \/ rostos poss\u00edveis, tang\u00edveis na ferocidade dos tempos. Nas ilustr\u00edssimas est\u00e3o leituras representativas dos caracteres, dos vetores, dos, mais variados, detalhes dos eventos, dos bens materiais e imateriais, das pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas, das personalidades, das condutas, <em>etc<\/em>.<\/p>\n<p>As apar\u00eancias s\u00e3o espelhos, portais, lugares de um tempo, s\u00e3o perman\u00eancias, na experi\u00eancia, s\u00e3o resultados sensoriais e emocionais, carregados de fisionomias, s\u00e3o gatilhos prontos a estimular e desestimular movimentos, intera\u00e7\u00f5es, s\u00e3o for\u00e7as motrizes da a\u00e7\u00e3o, s\u00e3o evid\u00eancias, reais, ideais, virtuais, espont\u00e2neas ou intencionais, percussoras das harmonias, dos ritmos, das temperaturas, <em>etc<\/em>\u00a0no valsejo que \u00e9 vida.<\/p>\n<p>As apar\u00eancias s\u00e3o <em>pretextos<\/em> de f\u00e9, cren\u00e7a, convic\u00e7\u00e3o, <em>etc<\/em>, o h\u00famus de todo um vortex sangu\u00edneo das esperan\u00e7as mundanas (irresist\u00edveis).<\/p>\n<p><strong>Das apar\u00eancias vive\/ n\u00e3o escapa o universo jur\u00eddico, o universo econ\u00f3mico, o multiverso financeiro, o mundo societ\u00e1rio e comercial, as representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as crises diplom\u00e1ticas, <em>etc<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p>As apar\u00eancias s\u00e3o, estruturalmente, manifesta\u00e7\u00f5es ou <em>provas<\/em> de poder, ou poderes de facto, constituem evid\u00eancias intelig\u00edveis dos poderes atribu\u00eddos. As apar\u00eancias s\u00e3o, tamb\u00e9m, atmosferas prop\u00edcias a momentos e lugares. As apar\u00eancias s\u00e3o conforma\u00e7\u00f5es, s\u00e3o imagens de padr\u00f5es \u00e9tico-est\u00e9ticos nos ecossistemas de vi\u00e9s governativo. As apar\u00eancias poder\u00e3o, assim, representar, numa din\u00e2mica de coer\u00eancia e aceitabilidade, compromissos leais com a verdade e as ess\u00eancias, com todas as repercuss\u00f5es sociais, empresariais, econ\u00f3micas, financeiras e culturais.<\/p>\n<p>Se for certo que ao povo cabe decidir da bondade dos seus singelos consortes, descuradas jamais dever\u00e3o ser as justas armas consolidativas da virtuosidade existente ou potencial.<\/p>\n<p>As apar\u00eancias s\u00e3o como que uma d\u00fazia de m\u00e3os vazias, tr\u00eas copos meios cheios, representam, pois, pelo modo e profundidade nas demonstra\u00e7\u00f5es, n\u00edveis de consci\u00eancia, dom\u00ednio e lucidez sobre o <em>estar<\/em> e o <em>ser passado, presente e futuro<\/em>.<\/p>\n<p>Se \u00e0 <em>mulher<\/em> de <em>Cesar<\/em> n\u00e3o bastou a honestidade, ao <em>Gentil<\/em> n\u00e3o bastar\u00e1 o nome, ao integro n\u00e3o bastar\u00e1 s\u00ea-lo, ao autor de um crime (reputa\u00e7\u00e3o em crise), no entanto, talvez n\u00e3o baste uma estoica exist\u00eancia (insist\u00eancia na d\u00favida contr\u00e1ria \u2013 dar um benef\u00edcio).<\/p>\n<p>\u00c0 espreita, a d\u00favida, a suspeita, a desconfian\u00e7a, a caixa de pandora, a margem impiedosa aos ju\u00edzos atributivos, \u00e0s qualifica\u00e7\u00f5es, aos r\u00f3tulos sociais. Nos matizes da d\u00favida, as oportunidades (v. o justo momento pelo justo motivo) de reabilita\u00e7\u00e3o, pelo posicionamento, reposicionamento, reconstru\u00e7\u00e3o ou redefini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aparentar ser, considerando a imagem de si ou a projetada, caracterizada de modo fiel e coerente, constitui um desafio complexo, exigente sob o ponto de vista humano (cognitivo e emocional), t\u00e9cnico e tecnol\u00f3gico, mas indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>De facto, a <em>gest\u00e3o<\/em> das apar\u00eancias, seu vi\u00e9s emancipat\u00f3rio, constitui investimento estrat\u00e9gico essencial ao processo convivial e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o pessoal e profissional (progresso). Assegura, de modo essencial, o controlo e manuten\u00e7\u00e3o das espectativas e esperan\u00e7as, com todos os enlaces causais. Ao passo que, redesenhar, repetidamente, na apar\u00eancia, a proje\u00e7\u00e3o de ess\u00eancia desej\u00e1vel, parece \u201cser\u201d o \u201ceco\u201d ideal \u00e0 transmuta\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s da apar\u00eancia, vislumbra-se a oportunidade de consolidar a verdade ou, mesmo, transformar ou transfigurar em verdade (facto), aquela f\u00e9, aquela cren\u00e7a, aquela convic\u00e7\u00e3o (<em>sonho-fic\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n<p>Aparentar a perspetiva de <em>ser<\/em> constitui habilidade que exige consist\u00eancia e duas dota\u00e7\u00f5es fundamentais, saber comunicar (comprometimento, consci\u00eancia e resili\u00eancia em perspetiva \u2013 <em>empatias e simpatias<\/em>) e demonstrar (congru\u00eancia e din\u00e2micas discursivas), rendendo-se \u00e0 simplicidade, rigor, pertin\u00eancia, concis\u00e3o e clareza. O desiderato, estimular, promover, despertar as atitudes certas, integrar a imagem ao valores e princ\u00edpios, instituindo um posicionamento estrat\u00e9gico (refer\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>A apar\u00eancia implica, sobretudo na sua dimens\u00e3o funcional, um aprofundamento da autoconsci\u00eancia p\u00fablica (contextual), ora, uma genu\u00edna constri\u00e7\u00e3o do <em>Narciso. <\/em>Assim, a fiel ades\u00e3o a ve\u00edculos ordenadores, irrigados pelos flu\u00eddos da consci\u00eancia coletiva especialmente inspirados num sentido dignit\u00e1rio do ser, tamb\u00e9m conhecido como cristaliza\u00e7\u00e3o da \u201c<em>centelha divina<\/em>\u201d (<em>sobre o sagrado Homem e o Amor<\/em>. <em>v.<\/em> <em>S\u00e9neca, Santo Agostinho, Lipovetsky, Andr\u00e9 Compte-Sponville, et. al.<\/em>), motivadores e, simultaneamente, elevadores \u00e9tico-est\u00e9ticos.<\/p>\n<p>As apar\u00eancias, realmente, n\u00e3o poder\u00e3o ser esvaziadas do \u201c<em>estar-ser<\/em>\u201d que representam, ainda que traduzam simples imagens n\u00e3o consent\u00e2neas com as ess\u00eancias, em verdade, propugnadas, de modo direito ou indiretamente, pelos sujeitos, pelo que quando representem manifesta\u00e7\u00f5es que ferem valores e princ\u00edpios \u00e9tico-jur\u00eddicos fundamentais, e pelo correspondente potencial de mobiliza\u00e7\u00e3o que canalizam, dever\u00e3o ser absolutamente intoler\u00e1veis.<\/p>\n<p>In\u00fameros s\u00e3o os exemplos, ainda que, em remota hip\u00f3tese, afastados da ess\u00eancia, constituem, assentes em evid\u00eancias reais ou fictas, em simples sugest\u00f5es ou cren\u00e7as, f\u00f3rmulas discursivas (contextuais) institucionalizadas avessas a qualquer senso ou enlace \u00e9tico-est\u00e9tico. Em geral, discursos motivacionais de \u00f3dio ou de salva\u00e7\u00e3o, provedores do caos, altamente nocivos, miasm\u00e1ticos e predat\u00f3rios (ex.: estigmatiza\u00e7\u00e3o social; agita\u00e7\u00e3o e revolta sociais; corridas banc\u00e1rias; a\u00e7ambarcamentos; etc). Acrescem, discursos de cariz reverencial, tamb\u00e9m, intimidat\u00f3rio, amea\u00e7ador, constritor, penalizante. Ora, signos e sinais de for\u00e7a, como mil\u00edcias, armas, mortes, fontes da crueldade humana e do cinismo (arte do governar contempor\u00e2neo). Ainda, demonstra\u00e7\u00f5es de \u00f3dio ao pensamento cr\u00edtico, ora, discursos capciosos de voca\u00e7\u00e3o negacionista, anti ci\u00eancia, promovendo a desconfian\u00e7a a respeito da confiabilidade dos <em>saberes<\/em>. Tamb\u00e9m, discursos conspiracionistas, que, opondo, de modo pernicioso, povos, suas cren\u00e7as, f\u00e9s e culturas, identidades instrumento, legitimam, por exce\u00e7\u00e3o ou especialidade, seus individuais intentos. Em particular, para assegurar a benignidade, a coer\u00eancia e a efic\u00e1cia, pelo suporte social, de um dado posicionamento ou medida, tendo como pano de fundo, uma ficta apar\u00eancia de patriotismo, o discurso atributivo de privil\u00e9gios sociais, econ\u00f3micos, financeiros, etc, a determinados segmentos ou franjas do tecido social, tais como, migrantes, refugiados, grupos \u00e9tnicos e nacionais, instigando, com a sensa\u00e7\u00e3o de desigualdade e\/ou de esbulho, processos de estigmatiza\u00e7\u00e3o social ou a sua dramatiza\u00e7\u00e3o. Propor uma categoriza\u00e7\u00e3o social, a partir de uma linear qualifica\u00e7\u00e3o:\u00a0 <em>pessoas de bem<\/em>. Cogitar o entendimento de que todos aqueles que cometem crimes dever\u00e3o, numa linha profanadora da reabilita\u00e7\u00e3o\/(res)socializa\u00e7\u00e3o pela descren\u00e7a, ser rotulados de, per se, \u201ccriminosos\u201d ou \u201cbandidos\u201d (qualifica\u00e7\u00e3o intang\u00edvel), constituindo franja-alvo a neutralizar (descurando valores\/ princ\u00edpios como a toler\u00e2ncia e a compaix\u00e3o) - \u201cBandido bom \u00e9 bandido morto\u201d.<\/p>\n<p>A natureza factual das apar\u00eancias, seu impacto, a sua assaz voca\u00e7\u00e3o preditiva ilustra as funda\u00e7\u00f5es de est\u00e9ticas tendencialmente comprometidas com as ess\u00eancias. Ao passo que se exige a transi\u00e7\u00e3o, sem precedentes, das rudimentares e ing\u00e9nuas leituras populares, entre a rusticidade da linearidade, a casta sensa\u00e7\u00e3o, a mera convic\u00e7\u00e3o ou f\u00e9, para constru\u00e7\u00f5es reflexivas e cr\u00edticas. A forma que toma a f\u00f3rmula qualificadora n\u00e3o dever\u00e1 existir menos comprometida que a forma da f\u00f3rmula a qualificar. N\u00e3o devemos exigir, todavia, uma leitura que, apesar de tudo comprometida com as ess\u00eancias, apresente fisionomia totalmente diversa, desconsiderando a componente est\u00e9tica, que lhe deu vida, que lhe deu o existir (o \u201cser\u201d, a \u201cluz\u201d).<\/p>\n<p><strong>Aos autores, artistas de dom\u00ednio, educadores, professores, formadores, engenheiros, arquitetos, m\u00e9dicos, enfermeiros, ju\u00edzes, advogados, doutrinadores religiosos, pol\u00edticos, empres\u00e1rios, trabalhadores, aos pais, \u00e0s m\u00e3es, aos irm\u00e3os, aos filhos, aos afins, todos os servidores (cocriadores \u2013 correspons\u00e1veis). Qual o teu posicionamento nesta equa\u00e7\u00e3o?\u00a0 Qual o caminho a seguir?<\/strong><\/p>\n<p>As est\u00e9ticas, revela\u00e7\u00f5es, imagens ou <em>verdades tang\u00edveis<\/em>, e os seus agentes-atores-promotores, nutrem-se reciprocamente do todo complexo comunicacional-cultural do qual s\u00e3o participantes ativos, pelo que se afiguram, <em>per se<\/em>, din\u00e2micas, porosas (n\u00e3o est\u00e1ticas). Ora, a multiplicidade de influ\u00eancias e diversidade de influenciadores e influenciados, nas din\u00e2micas das sociedades da informa\u00e7\u00e3o, conhecimento e comunica\u00e7\u00e3o, sustentadas por tecnologia, sociedades complexas (v. <em>\u00c9mile Durkheim<\/em>, <em>et. al<\/em>.) onde se cruzam universos f\u00edsicos e virtuais, adensa o desafio da cognoscibilidade das possibilidades de leitura (ainda que considerados sejam os resultados precipitados pelos processos de mundializa\u00e7\u00e3o e globaliza\u00e7\u00e3o), bem como, e consequentemente, das manifesta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas afirmativas. Pelo que se imp\u00f5e, em abono da tangibilidade de um eficiente entran\u00e7amento \u00e9tico-est\u00e9tico, um cont\u00ednuo aprofundamento consciencial e uma postura de compromisso ativo \/ din\u00e2mico, sustentada em valores\/ princ\u00edpios, como a toler\u00e2ncia, a compaix\u00e3o e o amor.<\/p>\n<p><strong>A verdade (ou, ser\u00e1, revela\u00e7\u00e3o?) incontest\u00e1vel: <em>bem mais do que \u201cser\u201d \u00e9 estrutural \u201csaber\u201d (a)parecer. <\/em><\/strong><\/p>\n<p>A consci\u00eancia da import\u00e2ncia e impacto dos modos de revela\u00e7\u00e3o das ess\u00eancias, com a qual concorrem modos rudimentares e, outros, bem mais agu\u00e7ados de perpassar as vestes das apar\u00eancias, desvendando evid\u00eancias, reais, virtuais, potenciais, ideais, sugerem novos movimentos concorrenciais. Que superando a simples aproxima\u00e7\u00e3o ou pretens\u00e3o, de modo estruturado, capaz de, sem preju\u00edzo da autodetermina\u00e7\u00e3o dos sujeitos, revelar de modo amplamente afirmativo a realidade.<\/p>\n<p>De facto, se muito improv\u00e1vel \u00e9 repetindo os mesmos processos, com o mesmo c\u00f3digo consciencial, obter resultados diferentes (<em>Albert Einstein<\/em>), a disrup\u00e7\u00e3o poder\u00e1 iniciar-se com a simples coloca\u00e7\u00e3o em causa e\/ou perspetiva, que se adensa com a benigna introdu\u00e7\u00e3o do estudo, da an\u00e1lise, da reflex\u00e3o, da partilha din\u00e2mica, etc, no fundo, \u00f3leos essenciais \u00e0s engrenagens do progresso comunicacional respons\u00e1vel (consciente).<\/p>\n<p>Conscientes das ic\u00f3nicas verdades, intr\u00ednsecas e virtuais (pelas leituras), carreadas das apar\u00eancias, acompanhadas da devolu\u00e7\u00e3o \u00e0s ess\u00eancias, ora, o papel estrutural dos ilustres gestores de expectativas (pela apar\u00eancia), ve\u00edculos de f\u00e9s e esperan\u00e7a, a debelar sequ\u00eancias de encontros, contrariedades, atos, momentos e resultados, trilhando fiel o encontro de f\u00e9 com as ess\u00eancias.<\/p>\n<p>Novos fazedores das est\u00e9ticas, comprometidos com o \u201c<em>eu<\/em>\u201d, o \u201coutro\u201d, o \u201cn\u00f3s\u201d e o \u201ctodo\u201d, cocriadores, correspons\u00e1veis pelas leituras e eventuais distor\u00e7\u00f5es, as inevit\u00e1veis proje\u00e7\u00f5es, nomeadamente, consequentes da afeta\u00e7\u00e3o das perce\u00e7\u00f5es, com potencial de efic\u00e1cia sobre acordos, pactos, compromissos, bem como, no respeitante \u00e0 consist\u00eancia e \u00e0 resili\u00eancia de determinada matriz vivencial (ex.: cultura organizativa).<\/p>\n<p><strong>O compromisso \u00e9tico-est\u00e9tico \u00e9, por todo o exposto, um projeto \/ processo inacabado, uma realiza\u00e7\u00e3o sem seguro, mas seguramente prof\u00edcua, precipitando a cultura nutridora ou irrigadora do consciente presente, t\u00e3o essencial aos ambientes organizativos, em especial, escolas e academias, centros de forma\u00e7\u00e3o, empresas, associa\u00e7\u00f5es, etc.\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Intrincar o prop\u00f3sito est\u00e9tico \u00e0s modela\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia, n\u00e3o mais \u00e9 que \u201camalgamar a ideia pura com a realidade humana\u201d (Victor Hugo, \u201cOs Miser\u00e1veis\u201d). Trata-se de esvaziar de motivos as <em>pedras da engrenagem<\/em>, revelar, consolidando, ao\/no mundo, interno e externo, o complexo \u00e9tico-est\u00e9tico das virtudes e das exist\u00eancias (palavras ordenadoras: <em>verdade, autenticidade, presen\u00e7a, coer\u00eancia, consist\u00eancia e resili\u00eancia<\/em>), assim, plenas de sentido, no sentir que \u00e9 pleno de sentidos, nos sentidos que s\u00e3o todos pelo quais aspiramos e devolvemos, formas, padr\u00f5es, cores, melodias, ritmos, aromas e perfumes, as texturas, etc, nas fei\u00e7\u00f5es e contextos apresentados, gatilhos do sentir, consci\u00eancias do estar, no presente que nos pertence, autores, cocriadores da Hist\u00f3ria-Est\u00f3ria.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima linha \u00e9 tua _______________________________________________________________________________________<\/p>\n<h6><\/h6>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Rodrigues, OBEGEF Um dia questionado: \u00a0Se tudo seria aquilo que parece \u201cser\u201d aos olhos,pelo tempo e forma, no tempo que \u00e9 conhecido? Respondi: De quanto de apar\u00eancia uma boa conviv\u00eancia se faz? Quanto de ess\u00eancia ter\u00edamos de sacrificar? Quanto de transpar\u00eancia nos \u00e9 exig\u00edvel? De quanto de apar\u00eancia uma verdade precisa para ser admiss\u00edvel?&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46877\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1417,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,284],"tags":[],"class_list":["post-46877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-obegef-facebook"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1417"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46877"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46877\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48359,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46877\/revisions\/48359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}