{"id":46853,"date":"2022-06-15T18:02:00","date_gmt":"2022-06-15T18:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46853"},"modified":"2022-06-22T18:06:36","modified_gmt":"2022-06-22T18:06:36","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-85","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46853","title":{"rendered":"Publicidade dirigida: riscos e benef\u00edcios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Silv\u00e9rio Cordeiro,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/773758\/publicidade-dirigida-riscos-e-beneficios?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Este tipo de an\u00fancios pode criar bolhas de filtro (isola\u00e7\u00e3o intelectual onde algoritmos selecionam a informa\u00e7\u00e3o que o utilizador quer ver e privam-no de ver a oposi\u00e7\u00e3o), e c\u00e2maras de eco (as nossas ideias s\u00e3o refor\u00e7adas por meio de constante repeti\u00e7\u00e3o, aliadas a uma aus\u00eancia de oposi\u00e7\u00e3o, aumentando a nossa cren\u00e7a da sua verosimilidade)<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"large-9 medium-12 small-12 columns\">\n<article>\n<section id=\"corpo\"><\/section>\n<\/article>\n<div id=\"tags\">\n<p>Quase a terminar a <em>vacatio legis<\/em> para a entrada em vigor do regime geral de prote\u00e7\u00e3o de denunciantes de infra\u00e7\u00f5es (Lei n.\u00ba 93\/2021 de 20 de dezembro, que transp\u00f5e a Diretiva (UE) 2019\/1937 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de outubro de 2019), importa tecer algumas considera\u00e7\u00f5es sobre um dos efeitos mais perversos que pode recair sobre quem assume a responsabilidade de denunciar irregularidades, das quais tenha conhecimento: a retalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Falamos da eventualidade de altera\u00e7\u00f5es nos conte\u00fados funcionais, de ser atirado para uma \u201clista negra\u201d, de ass\u00e9dio, de despedimento, de humilha\u00e7\u00e3o, de isolamento social dos colegas, de transfer\u00eancias injustificadas, de m\u00e1 avalia\u00e7\u00e3o de desempenho, de amea\u00e7as com procedimentos disciplinares, enfim, o rol \u00e9 criativo e, convenhamos, aterrador para quem, tendo conhecimento de irregularidades, tem uma decis\u00e3o a tomar.<\/p>\n<p>Est\u00e1 assim plenamente justificado o receio de quem denuncia irregularidades no seio de uma organiza\u00e7\u00e3o. Com efeito, um estudo recente promovido pela <a href=\"https:\/\/www.ibe.org.uk\/ethicsatwork2021.html\"><em>IBE Ethics at Works: 2021 International survey of employees<\/em><\/a>, com incid\u00eancia sobre 10.000 trabalhadores de treze pa\u00edses, nos quais foi inclu\u00eddo Portugal, conclui com interesse, relativamente ao nosso pa\u00eds, o seguinte:<\/p>\n<ol>\n<li>a) Decresceu (relativamente a 2018), a confian\u00e7a em ambientes de trabalho honestos, (o que s\u00f3 sucedeu com Portugal e Irlanda);<\/li>\n<li>b) Lideramos a tabela dos trabalhadores que se consideram pressionados a comprometerem-se com determinados padr\u00f5es de comportamento organizacional;<\/li>\n<li>c) Menos de metade dos respondentes nacionais sente-se seguro para apresentar den\u00fancias em contexto laboral (o que nos coloca no fim da lista);<\/li>\n<li>d) Apresentamos a maior queda indici\u00e1ria no que concerne \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o com a a\u00e7\u00e3o derivada da sua den\u00fancia;<\/li>\n<li>e) Menos de metade dos respondentes afirmaram ter conhecimento da hip\u00f3tese de reportarem irregularidades nas suas organiza\u00e7\u00f5es, de modo confidencial e<\/li>\n<li>f) Sobressa\u00edmos nas preocupa\u00e7\u00f5es, em especial, com a falta de \u00e9tica no uso de intelig\u00eancia artificial e com a verifica\u00e7\u00e3o de atos de discrimina\u00e7\u00e3o no local de trabalho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o obstante a previs\u00e3o legal relativa \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da retalia\u00e7\u00e3o em contexto de den\u00fancias de irregularidades (art.\u00ba 21.\u00ba da Lei supracitada), certo \u00e9 que apenas culturas organizacionais sadias promover\u00e3o a confian\u00e7a necess\u00e1ria para aqueles que possuam informa\u00e7\u00e3o a denunciar. Denunciar importa arriscar. Arriscar, as mais das vezes, o pr\u00f3prio posto de trabalho. Num pa\u00eds com as caracter\u00edsticas de Portugal, pode ser pedir demais. N\u00e3o constituir\u00e1 tarefa simples sopesar entre as consequ\u00eancias do castigo (da retalia\u00e7\u00e3o) e as que advierem da pr\u00e1tica de irregularidades.<\/p>\n<p>Os impactos organizacionais de um ato de retalia\u00e7\u00e3o traduzem-se, desde logo, na emerg\u00eancia de uma nova v\u00edtima \u2013 o denunciante, como tamb\u00e9m implicam a degrada\u00e7\u00e3o do ambiente organizacional, o que pode ter efeitos devastadores.<\/p>\n<p><em>ver e privam-no de ver a oposi\u00e7\u00e3o), e c\u00e2maras de eco (as nossas ideias s\u00e3o refor\u00e7adas por meio de constante repeti\u00e7\u00e3o, aliadas a uma aus\u00eancia de oposi\u00e7\u00e3o, aumentando a nossa cren\u00e7a da sua verosimilidade)<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os an\u00fancios personalizados s\u00e3o vistos como o \u201cSanto Graal\u201d do marketing moderno e, segundo a Forbes, numa publica\u00e7\u00e3o de 2016, estes s\u00e3o um dos fatores cr\u00edticos de sucesso. De acordo com um estudo da Adlucent: 71% dos consumidores, revela prefer\u00eancia por este tipo de publicidade; os neg\u00f3cios podem alcan\u00e7ar um aumento de lucros na ordem dos 15%; a probabilidade de os consumidores repetirem as compras \u00e9 de 44%.<\/p>\n<p>Com efeito, existem diferentes n\u00edveis de publicidade dirigida, nomeadamente: Contextual (an\u00fancios sobre a mesma tem\u00e1tica do que est\u00e1 a ser consumido pelo utilizador); Comportamental (semelhante \u00e0 contextual, mas aqui considera-se o hist\u00f3rico de pesquisas do utilizador, tempo que passa em cada p\u00e1gina, links em que clicou, p\u00e1ginas que segue em redes sociais, etc.); Segmentada geograficamente; e Redes sociais.<\/p>\n<p>Neste contexto, colocamos a seguinte quest\u00e3o \u201cSendo a publicidade dirigida t\u00e3o intrusiva, porque motivo os utilizadores a preferem?\u201d No estudo supracitado, 46% dos consumidores defendem que reduz a publicidade irrelevante, 25% indicam que \u00e9 uma forma de descobrirem novos produtos, 19% defendem ser uma forma mais r\u00e1pida e simples de encontrar os produtos de interesse. Certo \u00e9 que, a maioria dos consumidores, 87%, acreditam que publicidade personalizada significa conte\u00fado exclusivo, baseado nas suas compras ou comportamentos anteriores.<\/p>\n<p>Efetivamente, sabemos que os neg\u00f3cios precisam de an\u00fancios e, se os dados recolhidos forem exclusivamente utilizados para este efeito, estar\u00edamos a falar de marketing na sua ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a publicidade dirigida comporta riscos, recorde-se o caso do esc\u00e2ndalo da Cambridge Analytica, pela divis\u00e3o pol\u00edtica que criou, tanto no Reino Unido, como nos Estados Unidos. Estes casos tornaram evidente, que este tipo de an\u00fancios pode criar bolhas de filtro (isola\u00e7\u00e3o intelectual onde algoritmos selecionam a informa\u00e7\u00e3o que o utilizador quer ver e privam-no de ver a oposi\u00e7\u00e3o), e c\u00e2maras de eco (as nossas ideias s\u00e3o refor\u00e7adas por meio de constante repeti\u00e7\u00e3o, aliadas a uma aus\u00eancia de oposi\u00e7\u00e3o, aumentando a nossa cren\u00e7a da sua verosimilidade). Nestes casos, este tipo de publicidade foi, n\u00e3o s\u00f3 ve\u00edculo para divis\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o de pessoas, como tamb\u00e9m para o aumento da circula\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o perigosa.<\/p>\n<p>Na verdade, a grande maioria dos an\u00fancios online s\u00e3o comerciais, e n\u00e3o pol\u00edticos. Nesse sentido, um artigo recentemente publicado (junho 2021) na Nature \u201c<em>Epistemic fragmentation poses a threat to the governance of online targeting<\/em>\u201d investigou quais os efeitos negativos que este tipo de publicidade poderia ter na popula\u00e7\u00e3o, isto, para al\u00e9m das conhecidas quest\u00f5es de privacidade.<\/p>\n<p>Por exemplo, no mundo real, um an\u00fancio fraudulento numa paragem de autocarros \u00e9 facilmente detetado e reportado \u00e0s autoridades competentes. Por\u00e9m, no caso dos consumidores online, estes est\u00e3o isolados numa bolha, dado que a informa\u00e7\u00e3o que recebem foi-lhes dirigida. De facto, o problema de s\u00f3 vermos an\u00fancios com os quais provavelmente concordamos, ou para os quais estamos menos preparados para lhes reconhecer um sentido malicioso ou fraudulento, dificulta que estes sejam detetados e denunciados.<\/p>\n<p>Devido ao volume de an\u00fancios online, supervisores humanos n\u00e3o podem controlar todas as campanhas. No entanto, solu\u00e7\u00f5es automatizadas tamb\u00e9m se provaram ineficazes. De facto, um estudo de 2008 da Carnegie Mellon University (Auditing Digital Platforms for Discrimination in Economic Opportunity Advertising), revelou que as m\u00e1quinas t\u00eam grandes dificuldades para reconhecerem quando um an\u00fancio \u00e9 malicioso, especialmente no que compete a interpret\u00e1-los num contexto. Com efeito, verificou-se que os algoritmos em vez de dissociarem an\u00fancios de contextos inapropriados, tendem a amplificar o seu comp\u00f3sito. Por exemplo, apresentar um an\u00fancio de comida rica em gordura de forma dirigida a crian\u00e7as, o conte\u00fado de per si n\u00e3o \u00e9 negativo, todavia quando enquadrado neste contexto poder\u00e1 ser prejudicial. Tradicionalmente as autoridades adotam uma abordagem reativa, atuando em fun\u00e7\u00e3o da reclama\u00e7\u00e3o dos consumidores.<\/p>\n<p>Atualmente, os reguladores est\u00e3o a adotar uma combina\u00e7\u00e3o de duas estrat\u00e9gias para enfrentar estes desafios, que passam por colocar \u00eanfase na educa\u00e7\u00e3o dos consumidores para estes terem \u201ccontrolo\u201d sobre como s\u00e3o direcionados, e pela monitoriza\u00e7\u00e3o proativa de campanhas publicit\u00e1rias, atrav\u00e9s da automatiza\u00e7\u00e3o dos mecanismos de triagem, antes de os an\u00fancios serem publicados online. Todavia, ambas as estrat\u00e9gias apresentam limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Finalmente, somos de opini\u00e3o que se deveria restaurar o papel dos consumidores enquanto participantes ativos na regulamenta\u00e7\u00e3o da publicidade online. Ora, tal pode ser alcan\u00e7ado quer diminuindo a precis\u00e3o das categorias de segmenta\u00e7\u00e3o, quer instituindo quotas de segmenta\u00e7\u00e3o, quer acabando completamente com a segmenta\u00e7\u00e3o. Deste modo, admitimos que pelo menos uma parte dos an\u00fancios online, seria garantidamente vista por consumidores mais diversos, num contexto partilhado, onde as obje\u00e7\u00f5es podem ser mais facilmente levantadas e discutidas.<\/p>\n<p>Ser\u00e1, portanto, relevante, que as organiza\u00e7\u00f5es e, em especial, as suas lideran\u00e7as de topo, invistam no comprometimento s\u00e9rio com as pol\u00edticas de den\u00fancia a instituir, de modo que tal seja inequivocamente percebido, por quem resolve trilhar o complexo e \u00e1rduo caminho de denunciar.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o deve esquecer, nunca, que todos, enquanto sociedade, o saudamos pela coragem.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Silv\u00e9rio Cordeiro, Jornal i online Este tipo de an\u00fancios pode criar bolhas de filtro (isola\u00e7\u00e3o intelectual onde algoritmos selecionam a informa\u00e7\u00e3o que o utilizador quer ver e privam-no de ver a oposi\u00e7\u00e3o), e c\u00e2maras de eco (as nossas ideias s\u00e3o refor\u00e7adas por meio de constante repeti\u00e7\u00e3o, aliadas a uma aus\u00eancia de oposi\u00e7\u00e3o, aumentando a nossa&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46853\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-46853","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46853"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46853\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46859,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46853\/revisions\/46859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}