{"id":46842,"date":"2022-06-09T09:43:19","date_gmt":"2022-06-09T09:43:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46842"},"modified":"2022-06-09T09:43:21","modified_gmt":"2022-06-09T09:43:21","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-83","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46842","title":{"rendered":"A retalia\u00e7\u00e3o como consequ\u00eancia da den\u00fancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Rute Serra,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/773370\/a-retaliacao-como-consequ-ncia-da-den-ncia?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Apenas culturas organizacionais sadias promover\u00e3o a confian\u00e7a necess\u00e1ria para aqueles que possuam informa\u00e7\u00e3o a denunciar<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"large-9 medium-12 small-12 columns\">\n<article>\n<section id=\"corpo\"><\/section>\n<\/article>\n<div id=\"tags\">\n<p>Quase a terminar a <em>vacatio legis<\/em> para a entrada em vigor do regime geral de prote\u00e7\u00e3o de denunciantes de infra\u00e7\u00f5es (Lei n.\u00ba 93\/2021 de 20 de dezembro, que transp\u00f5e a Diretiva (UE) 2019\/1937 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de outubro de 2019), importa tecer algumas considera\u00e7\u00f5es sobre um dos efeitos mais perversos que pode recair sobre quem assume a responsabilidade de denunciar irregularidades, das quais tenha conhecimento: a retalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Falamos da eventualidade de altera\u00e7\u00f5es nos conte\u00fados funcionais, de ser atirado para uma \u201clista negra\u201d, de ass\u00e9dio, de despedimento, de humilha\u00e7\u00e3o, de isolamento social dos colegas, de transfer\u00eancias injustificadas, de m\u00e1 avalia\u00e7\u00e3o de desempenho, de amea\u00e7as com procedimentos disciplinares, enfim, o rol \u00e9 criativo e, convenhamos, aterrador para quem, tendo conhecimento de irregularidades, tem uma decis\u00e3o a tomar.<\/p>\n<p>Est\u00e1 assim plenamente justificado o receio de quem denuncia irregularidades no seio de uma organiza\u00e7\u00e3o. Com efeito, um estudo recente promovido pela <a href=\"https:\/\/www.ibe.org.uk\/ethicsatwork2021.html\"><em>IBE Ethics at Works: 2021 International survey of employees<\/em><\/a>, com incid\u00eancia sobre 10.000 trabalhadores de treze pa\u00edses, nos quais foi inclu\u00eddo Portugal, conclui com interesse, relativamente ao nosso pa\u00eds, o seguinte:<\/p>\n<ol>\n<li>a) Decresceu (relativamente a 2018), a confian\u00e7a em ambientes de trabalho honestos, (o que s\u00f3 sucedeu com Portugal e Irlanda);<\/li>\n<li>b) Lideramos a tabela dos trabalhadores que se consideram pressionados a comprometerem-se com determinados padr\u00f5es de comportamento organizacional;<\/li>\n<li>c) Menos de metade dos respondentes nacionais sente-se seguro para apresentar den\u00fancias em contexto laboral (o que nos coloca no fim da lista);<\/li>\n<li>d) Apresentamos a maior queda indici\u00e1ria no que concerne \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o com a a\u00e7\u00e3o derivada da sua den\u00fancia;<\/li>\n<li>e) Menos de metade dos respondentes afirmaram ter conhecimento da hip\u00f3tese de reportarem irregularidades nas suas organiza\u00e7\u00f5es, de modo confidencial e<\/li>\n<li>f) Sobressa\u00edmos nas preocupa\u00e7\u00f5es, em especial, com a falta de \u00e9tica no uso de intelig\u00eancia artificial e com a verifica\u00e7\u00e3o de atos de discrimina\u00e7\u00e3o no local de trabalho.<\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o obstante a previs\u00e3o legal relativa \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da retalia\u00e7\u00e3o em contexto de den\u00fancias de irregularidades (art.\u00ba 21.\u00ba da Lei supracitada), certo \u00e9 que apenas culturas organizacionais sadias promover\u00e3o a confian\u00e7a necess\u00e1ria para aqueles que possuam informa\u00e7\u00e3o a denunciar. Denunciar importa arriscar. Arriscar, as mais das vezes, o pr\u00f3prio posto de trabalho. Num pa\u00eds com as caracter\u00edsticas de Portugal, pode ser pedir demais. N\u00e3o constituir\u00e1 tarefa simples sopesar entre as consequ\u00eancias do castigo (da retalia\u00e7\u00e3o) e as que advierem da pr\u00e1tica de irregularidades.<\/p>\n<p>Os impactos organizacionais de um ato de retalia\u00e7\u00e3o traduzem-se, desde logo, na emerg\u00eancia de uma nova v\u00edtima \u2013 o denunciante, como tamb\u00e9m implicam a degrada\u00e7\u00e3o do ambiente organizacional, o que pode ter efeitos devastadores.<\/p>\n<p>Ser\u00e1, portanto, relevante, que as organiza\u00e7\u00f5es e, em especial, as suas lideran\u00e7as de topo, invistam no comprometimento s\u00e9rio com as pol\u00edticas de den\u00fancia a instituir, de modo que tal seja inequivocamente percebido, por quem resolve trilhar o complexo e \u00e1rduo caminho de denunciar.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o deve esquecer, nunca, que todos, enquanto sociedade, o saudamos pela coragem.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rute Serra, Jornal i online Apenas culturas organizacionais sadias promover\u00e3o a confian\u00e7a necess\u00e1ria para aqueles que possuam informa\u00e7\u00e3o a denunciar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-46842","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46842"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46842\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46843,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46842\/revisions\/46843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}