{"id":46767,"date":"2022-05-12T10:00:00","date_gmt":"2022-05-12T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46767"},"modified":"2022-05-07T15:03:43","modified_gmt":"2022-05-07T15:03:43","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-8-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46767","title":{"rendered":"Comportamentos que condicionam vidas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Facebook38.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"17\" height=\"17\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>As consequ\u00eancias s\u00e3o bem mais graves, defraudando expetativas de relacionamento que a boa-f\u00e9 na negocia\u00e7\u00e3o justificava, deixando vidas em suspenso.\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A informatiza\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es, da sociedade como um todo, teve consequ\u00eancias enormes no modo como as pessoas, sejam individuais ou coletivas, comunicam entre si. Na popula\u00e7\u00e3o ativa mais jovem, poucos ser\u00e3o os que t\u00eam experi\u00eancia de comunicar por via f\u00edsica, escrevendo uma carta, colocando-a no correio e esperando que, passados dois ou tr\u00eas dias, quando n\u00e3o mais, ela chegue ao seu destino. A isto se juntava outro tanto tempo, ou mais, para receber uma resposta. Hoje, a comunica\u00e7\u00e3o com terceiros faz-se por email, ou por curtas mensagens. \u00c9 mais c\u00f3moda, ao n\u00edvel do custo de envio e de tempo de prepara\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na rapidez de acesso ao destinat\u00e1rio.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o tornou-se instant\u00e2nea, ou quase. Dispara-se um email para o outro lado do mundo e, pronto, chegou. Por via deste car\u00e1ter imediato, que \u00e9 comum a muitas outras facetas da atual vida em sociedade, os indiv\u00edduos, e por arrastamento as organiza\u00e7\u00f5es, tornaram-se mais impacientes, protestam quando as respostas que esperam n\u00e3o chegam com o imediatismo de que se julgam credores.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, enquanto se nota um crescente aumento dessa impaci\u00eancia geral e da incapacidade para esperar, nota-se um igual crescimento das situa\u00e7\u00f5es em que \u00e0 mensagem recebida n\u00e3o h\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o de contrapor um acuso de rece\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se cada um, recebido o que se espera, se esquecesse de quem ficou do outro lado aguardando um \u201crecebi\u201d, ou at\u00e9 um \u201cobrigado\u201d, perfeitamente justific\u00e1vel em muitos casos.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias, a pedido de uma estudante que estava a estagiar numa empresa, gastei v\u00e1rias horas a recolher material e a redigir uma longa mensagem com informa\u00e7\u00e3o. Remeti-a. Passaram duas semanas sem que o simples acuso da rece\u00e7\u00e3o tivesse ocorrido. Contatei a estudante. Respondeu que se \u201cesquecera\u201d de acusar a rece\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este tipo de \u201cesquecimentos\u201d \u00e9 cada vez mais recorrente. Esquece-se o \u201coutro\u201d, salvo quando \u00e9 para exigir ou obter algo. Ainda que involuntariamente, \u00e9 um modo de condicionar a vida de algu\u00e9m, \u00e9 a consubstancia\u00e7\u00e3o de um relacionamento oportunista em que o \u201coutro\u201d deixa de existir depois de nos servir.<\/p>\n<p>Pensar\u00e1 o leitor que a vida moderna, em que todos andam demasiado atarefados, n\u00e3o deixa espa\u00e7o para respostas ou, mesmo, para incluir nas mensagens uma curta palavra de sauda\u00e7\u00e3o. \u00c9 prov\u00e1vel que assim seja e que o condicionamento do \u201coutro\u201d a que me referia seja para muitos um fator despiciendo.<\/p>\n<p>Suba-se um patamar. O A. candidatou-se a um lugar numa organiza\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito de um processo de sele\u00e7\u00e3o. Foi chamado para uma entrevista, julgou que esta correra bem, foi informado que depois seria contactado. Os meses passaram, o A. esperava o prometido contacto, a sua vida em suspenso. N\u00e3o queria pressionar a organiza\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o podia ficar eternamente \u00e0 espera. Contactou-a. Do outro lado da linha, secamente, foi informado que esse processo de sele\u00e7\u00e3o estava fechado h\u00e1 dois meses e que um outro candidato havia sido selecionado.<\/p>\n<p>Este caso real n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o neste tipo de relacionamentos. Pelo contr\u00e1rio, tende a ser a regra. Satisfeita a necessidade, as organiza\u00e7\u00f5es esquecem os \u201coutros\u201d n\u00e3o escolhidos, sem uma palavra que encerre uma curta rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o frutificou. Poder\u00e1 justificar-se este tipo de comportamento com a press\u00e3o do dia-a-dia, a falta de tempo? N\u00e3o, de todo.<\/p>\n<p>\u00c9 claro o condicionamento que atua\u00e7\u00f5es como a referida t\u00eam sobre as vidas dos \u201coutros\u201d que deixaram de ter utilidade. Agora, as consequ\u00eancias n\u00e3o se ficam pelo n\u00edvel da polidez, pela falta de resposta \u00e0s mensagens recebidas. S\u00e3o bem mais graves, defraudando expetativas de relacionamento que a boa-f\u00e9 na negocia\u00e7\u00e3o justificava, deixando vidas em suspenso.\u00a0<\/p>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, OBEGEF As consequ\u00eancias s\u00e3o bem mais graves, defraudando expetativas de relacionamento que a boa-f\u00e9 na negocia\u00e7\u00e3o justificava, deixando vidas em suspenso.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,284],"tags":[],"class_list":["post-46767","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-obegef-facebook"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46767"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46767\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46773,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46767\/revisions\/46773"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}