{"id":46625,"date":"2022-03-10T21:49:00","date_gmt":"2022-03-10T21:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46625"},"modified":"2022-03-18T21:59:10","modified_gmt":"2022-03-18T21:59:10","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-73","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46625","title":{"rendered":"REALIDADE TRISTE \u2013 VIDAS SUSPENSAS E APAGADAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> Revista S\u00e1bado<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/www.sabado.pt\/opiniao\/detalhe\/realidade-triste---vidas-suspensas-e-apagadas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Na vida nada est\u00e1 garantido e nenhuma circunst\u00e2ncia \u00e9 imut\u00e1vel<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Nota pr\u00e9via<\/strong> \u2013 Quis a realidade que a primeira cr\u00f3nica de reflex\u00e3o publicada neste espa\u00e7o como membro do Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude coincidisse com os primeiros dias da est\u00fapida (em qualquer circunst\u00e2ncia, a guerra \u00e9 sempre uma estupidez!) invas\u00e3o militar das tropas russas \u00e0 Ucr\u00e2nia. Todos estamos emocionalmente muito envolvidos. A raz\u00e3o fica sempre muito toldada pela emo\u00e7\u00e3o, por um profundo sentimento de injusti\u00e7a e pela raiva de pouco podermos fazer. O texto que apresento foi refeito muitas vezes. Em face da realidade a que assistimos atrav\u00e9s das televis\u00f5es, as palavras parecem ocas, distantes, por vezes quase desprovidas do sentido que sempre lhe atribu\u00edmos. Mas elas s\u00e3o importantes! S\u00e3o uma das formas de mostrar a indigna\u00e7\u00e3o e a revolta que por certo mora em cada uma das pessoas um pouco por todo o mundo. Deixo um abra\u00e7o forte de solidariedade a todo o povo ucraniano pela valentia como est\u00e1 a enfrentar estes momentos de enorme convuls\u00e3o na sua hist\u00f3ria (o Presidente Zelensky tem sido um enorme exemplo de lideran\u00e7a e de inspira\u00e7\u00e3o \u00e0 resist\u00eancia), e tamb\u00e9m a todos os povos do mundo que acreditam e promovem os valores do humanismo, como a paz, a liberdade, a justi\u00e7a, a igualdade, a coopera\u00e7\u00e3o, a entreajuda, o respeito, e tantos outros.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Um mal nunca vem s\u00f3<\/em>, \u00e9 por certo uma forma de caracterizar os tempos que temos vivido no mundo nestes primeiros anos da terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Agora que est\u00e1vamos a come\u00e7ar a ficar animados com a perspetiva do regresso \u00e0 normalidade das nossas vidas, com o \u201caparente\u201d controlo do v\u00edrus da Covid-19 que durante dois longos anos deixou um pesado rasto de morte, ang\u00fastia e incerteza um pouco por todo o lado, z\u00e1s, num \u00e1pice de poucos dias e numa esp\u00e9cie de novo desafio \u00e0s capacidades dos homens, \u00e9-nos atirada para a frente uma guerra.<\/p>\n<p>Que o digam particularmente os ucranianos, que est\u00e3o a sofrer diretamente na pele os efeitos da trai\u00e7oeira e b\u00e1rbara invas\u00e3o militar lan\u00e7ada ao seu pa\u00eds por um g\u00e9lido, inflex\u00edvel e tirano Putin, a pretexto de um alegado e obscuro conceito de garantia de \u201czonas pol\u00edticas de influ\u00eancia\u201d, seja l\u00e1 o que isso for.<\/p>\n<p>Que o digamos depois n\u00f3s, os cidad\u00e3os espalhados um pouco por todo o mundo, que, estupefactos e com crescentes sentimentos de uma profunda injusti\u00e7a e raiva sobre os acontecimentos, vamos acompanhando o evoluir dos factos pelas televis\u00f5es e aderindo a uma forte onda de solidariedade para com o povo ucraniano e o modo heroico como est\u00e1 a arriscar a pr\u00f3pria vida para defender a sua p\u00e1tria e os valores de liberdade em que acredita.<\/p>\n<p>E, claro, estamos tamb\u00e9m todos n\u00f3s muito apreensivos, embora a um n\u00edvel bem menos preocupante e alarmante, quanto aos impactos negativos que o conflito por certo provocar\u00e1 \u2013 j\u00e1 est\u00e1 a provocar! \u2013 nas nossas economias e na nossa qualidade de vida. Neste momento todos estes efeitos s\u00e3o totalmente irrelevantes quando comparados com o sofrimento atroz de todo um povo.<\/p>\n<p>Muito se tem dito e escrito sobre esta circunst\u00e2ncia da guerra. Sobre as suas causas explicativas. Sobre poss\u00edveis cen\u00e1rios de desenvolvimento futuro, incluindo a invas\u00e3o de outros pa\u00edses da mesma alegada \u201czona pol\u00edtica de influ\u00eancia\u201d A poss\u00edvel utiliza\u00e7\u00e3o de armas nucleares. O envolvimento direto da NATO. O rearmamento dos pa\u00edses e dos grandes blocos de interesses econ\u00f3micos. A cria\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a militar defensiva no quadro da Uni\u00e3o Europeia. Enfim sobre as muitas e diversas componentes que caracterizam a realidade geopol\u00edtica e a economia global no imediato e no seu futuro, que se v\u00ea v\u00e3o mudar de forma muito profunda.<\/p>\n<p>E, se ainda formos capazes de nos lembrar \u2013 agora tudo nos parece muito long\u00ednquo \u2013 o mesmo sucedeu durante a fase da Covid. As not\u00edcias que davam conta da evolu\u00e7\u00e3o di\u00e1ria dos n\u00fameros de infetados e de mortos. Dos picos de infe\u00e7\u00e3o virol\u00f3gica e da correspondente press\u00e3o sobre os hospitais. Das medidas de controlo, como o recolher obrigat\u00f3rio, o recurso ao teletrabalho, o uso de m\u00e1scaras, do processo de identifica\u00e7\u00e3o das vacinas e da sua inocula\u00e7\u00e3o a toda a popula\u00e7\u00e3o, entre outras.<\/p>\n<p>Enfim, dois problemas distintos de grande seriedade, que, um ap\u00f3s o outro, vieram desafiar e colocar \u00e0 prova, suspendendo a regularidade das nossas vidas, mostrando-nos essa certeza obvia, mas muitas vezes esquecida ou negligenciada, de que na vida nada est\u00e1 garantido e nenhuma circunst\u00e2ncia \u00e9 imut\u00e1vel.<\/p>\n<p>A componente que pretendo explorar um pouco a prop\u00f3sito desta sequ\u00eancia de desafios \u00e9 a de que as nossas vidas est\u00e3o sempre expostas \u00e0 possibilidade de serem confrontadas com quest\u00f5es que, pelas mais diversas formas, nos s\u00e3o impostas de um modo global dada a sua natureza e magnitude. Por quest\u00f5es que n\u00e3o podemos ignorar e relativamente \u00e0s quais nem sequer nos podemos afastar.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, pelo menos at\u00e9 h\u00e1 dois anos, as nossas vidas decorreram ao longo de d\u00e9cadas em contextos de aus\u00eancia de imposi\u00e7\u00f5es daquela natureza, o que nos conferiu um sentimento coletivo de seguran\u00e7a e uma perce\u00e7\u00e3o de liberdade sobre cada decis\u00e3o concreta que tom\u00e1mos em cada momento e circunst\u00e2ncia. A sensa\u00e7\u00e3o de que o nosso futuro (individual e coletivo) estava na palma da m\u00e3o, e que poder\u00edamos seguir por onde nos parecesse mais ajustado e apropriado em cada ocasi\u00e3o. Eramos livres, ou, pelo menos, acredit\u00e1vamos que o eramos!<\/p>\n<p>Mas \u00e9 igualmente verdade, como a triste realidade tem mostrado, que por vezes as circunst\u00e2ncias da vida adquirem uma dimens\u00e3o impositiva que n\u00e3o permitem de modo nenhum que as ignoremos ou que as desconsideremos. Que n\u00e3o deixam ningu\u00e9m de fora. E mais, que requerem que tenhamos a humildade de perceber que temos de nos entreajudar e adaptar do modo mais adequado \u00e0s mesmas.<\/p>\n<p>E, deste segundo conjunto de circunst\u00e2ncias, a realidade destes dois anos mostra-nos que algumas s\u00e3o naturais, ou seja, que \u00e9 a pr\u00f3pria natureza que nos apresenta um desafio novo \u2013 como foi o caso do v\u00edrus da Covid-19 \u2013, que ningu\u00e9m pode ignorar nem rejeitar por op\u00e7\u00e3o, mas que, por isso, requer a ado\u00e7\u00e3o de um esfor\u00e7o conjunto para ser percebido e para se encontrar uma solu\u00e7\u00e3o mais ajustada para o enfrentar. S\u00e3o, se quisermos, os problemas que a natureza nos imp\u00f5e \u2013 um v\u00edrus, uma cheia, um vendaval, um terramoto, um tsunami, uma tempestade etc.<\/p>\n<p>E h\u00e1 depois outras circunst\u00e2ncias \u2013 como o caso das situa\u00e7\u00f5es de guerra \u2013 que decorrem de decis\u00f5es de alguns esp\u00edritos tiranos \u2013 com capacidade, poder e apoio para as adotar \u2013 que tamb\u00e9m se tornam impositivas para todos. Que exigem um esfor\u00e7o de todos para as perceber e, sobretudo, para as enfrentar, sempre com muita ang\u00fastia, com grande esfor\u00e7o e muitas vidas apagadas.<\/p>\n<p>E \u00e9 esta segunda dimens\u00e3o que torna tudo profundamente absurdo (se esta palavra \u00e9 ajustada ou mesmo se existe alguma outra, nalguma l\u00edngua, que traduza a dimens\u00e3o tir\u00e2nica destas op\u00e7\u00f5es?). \u00c9 por certo uma caracter\u00edstica muito prim\u00e1ria, fora de qualquer racionalidade b\u00e1sica minimamente equilibrada no modo de ser e de estar na vida, esta que \u00e9 revelada por estes esp\u00edritos. Querer impor a terceiros, por qualquer forma, incluindo pela for\u00e7a, com perda de vidas, uma ideia, um estilo de vida. N\u00e3o perceber que todos, pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e pa\u00edses, t\u00eam direito \u00e0 autonomia de decis\u00e3o. A escolher o modo mais adequado de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>E esta imposi\u00e7\u00e3o inclui muitas vezes, como \u00e9 o caso presente, os pr\u00f3prios concidad\u00e3os. Os cidad\u00e3os russos que vivem no seu pa\u00eds e os pr\u00f3prios soldados do ex\u00e9rcito que est\u00e3o envolvidos neste ataque tamb\u00e9m est\u00e3o a ser v\u00edtimas destas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Claro que pouco ou nada podemos fazer para evitar as imposi\u00e7\u00f5es naturais, por assim dizer, mas o que pode ser feito relativamente \u00e0s segundas, \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es originadas no pr\u00f3prio homem?<\/p>\n<p>Esta \u00e9 provavelmente uma das quest\u00f5es que se colocar\u00e1 depois desta trag\u00e9dia, esperando que rapidamente e com o menor custo de vidas se chegue ao p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>Creio, para finalizar, que a reflex\u00e3o em torno desta dimens\u00e3o n\u00e3o pode deixar de incluir tr\u00eas \u00e2mbitos:<\/p>\n<ul>\n<li>Educar para a import\u00e2ncia dos valores de \u00e9tica e do respeito pelos mesmos.<\/li>\n<li>Consciencializar para a cidadania, para o respeito e partilha dos valores da \u00e9tica com os outros e para uma participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, ativa e respons\u00e1vel, incluindo nos processos de tomada de decis\u00e3o sobre quest\u00f5es de interesse coletivo.<\/li>\n<li>Democratizar, para evitar o risco de os poderes m\u00e1ximos de uma sociedade possam ficar concentrados numa \u00fanica pessoa ou institui\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Revista S\u00e1bado Na vida nada est\u00e1 garantido e nenhuma circunst\u00e2ncia \u00e9 imut\u00e1vel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,296],"tags":[],"class_list":["post-46625","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-sabado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46625"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46625\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46626,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46625\/revisions\/46626"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}