{"id":46619,"date":"2022-03-17T10:00:00","date_gmt":"2022-03-17T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46619"},"modified":"2022-03-25T20:50:12","modified_gmt":"2022-03-25T20:50:12","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-7-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46619","title":{"rendered":"\u201cSoprador de apito\u201d II &#8211; vers\u00e3o Whistleblower e, finalmente, vers\u00e3o Denunciante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Raquel Brito,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/obegef\/photos\/5073983012693686\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Facebook34.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"17\" height=\"17\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>A primeira vez que escrevi sobre a figura do denunciante decorria o ano de 2017,\u00a0ainda em Portugal este era um caminho pouco ou nada percorrido. \u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O reconhecimento de que o crime \u00e9 um problema indissoci\u00e1vel da vida em sociedade n\u00e3o ser\u00e1 um fen\u00f3meno recente, mas un\u00e2nime sem d\u00favida. Em tempos idos (ou n\u00e3o), o crime foi j\u00e1 associado ao pecado, e o seu castigo uma puni\u00e7\u00e3o divina. Atualmente esta vis\u00e3o deu lugar a outras formas de pensamento, de teoriza\u00e7\u00e3o e, por fim, de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cl\u00e1ssico \u201cDos delitos e das Penas\u201d \u00e9 poss\u00edvel constatar o sentido da viragem entre o pensamento medieval e a \u201cmodernidade\u201d. Pela sua contemporaneidade, os escritos de Beccaria, inscritos num ciclo de classicismo, transp\u00f5em para os dias de hoje grande parte da realidade. A qual se compadece, como todos percebemos, com uma dificuldade especial na aplica\u00e7\u00e3o de determinadas exig\u00eancias legais.<\/p>\n<p>Procura-se pelo direito penal o controlo social formal, moldando e condicionando comportamentos, contudo, n\u00e3o ser\u00e1 o \u00fanico, nem talvez o mais eficaz. Refletido por Jos\u00e9 Faria da Costa (2007) <em>\u201c\u2026sem rem\u00e9dios n\u00e3o podemos lutar contra a doen\u00e7a, \u00e9 evidente que a luta contra esta se faz antes sem, \u00e9 \u00f3bvio, a utiliza\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos.\u201d<\/em> Ou ainda, novamente em Beccaria (2007) <em>\u201cMais vale prevenir os delitos que puni-los\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Pelo que se pode entender que existem outros fatores que possibilitam, pela sua efic\u00e1cia, afastar a injusti\u00e7a e o crime do quotidiano das sociedades. Relevam fatores como a diminui\u00e7\u00e3o da pobreza, a igualdade social, o combate \u00e0 fraude e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, entre outros. Neste sentido, numa \u00e1rea na qual os fen\u00f3menos se imiscuem entre o moralmente reprov\u00e1vel e o legalmente conden\u00e1vel, a fraude requer uma especial aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>In\u00fameras s\u00e3o as defini\u00e7\u00f5es e termos associados as estas condutas. Entre muitos outros, os autores Huberts e Lasthuizen (2006), procuraram um conceito abrangente que reflita sobre uma pan\u00f3plia de comportamentos, nomeadamente, <strong>Corrup\u00e7\u00e3o: suborno; nepotismo, \u201c<em>cronyism\u201d, \u201cpatronage\u201d; <\/em>Fraude e furto; Conflito de interesses (p\u00fablico e privados); Abuso de autoridade (alegando causas nobres); Abuso e manipula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o; Discrimina\u00e7\u00e3o e ass\u00e9dio sexual; Abuso e desperd\u00edcio de recursos<\/strong><\/p>\n<p>Certo \u00e9 que a lista n\u00e3o termina aqui. E n\u00e3o carece de justifica\u00e7\u00e3o todo e qualquer ato que vise a procura de formas de combate e mitiga\u00e7\u00e3o dos danos provocados pela corrup\u00e7\u00e3o, seja pela investiga\u00e7\u00e3o quer atrav\u00e9s do sistema jur\u00eddico e judicial.<\/p>\n<p>Atualmente vivemos uma realidade bem diferente dos tempos da \u201cpuni\u00e7\u00e3o divina\u201d. A que a globaliza\u00e7\u00e3o trouxe novos desafios. Entre eles a preocupa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas mais globalistas. Na UE constata-se uma preocupa\u00e7\u00e3o em uniformizar conceitos, legisla\u00e7\u00e3o, san\u00e7\u00f5es e procedimentos, emanando diretivas que ser\u00e3o transpostas nos pa\u00edses integrantes.<\/p>\n<p>Neste contexto, \u00e0 semelhan\u00e7a de muitos outros cen\u00e1rios t\u00e3o distintos (e.g. Prote\u00e7\u00e3o de dados, ag\u00eancias de viagens e turismo - <a href=\"https:\/\/dre.pt\/dre\/detalhe\/decreto-lei\/17-2018-114832293\">https:\/\/dre.pt\/dre\/detalhe\/decreto-lei\/17-2018-114832293<\/a> ) assistimos recentemente \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o da Diretiva Europeia desenvolvendo novo Mecanismo Nacional Anticorrup\u00e7\u00e3o estabelecendo o regime geral de preven\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, assim Portugal v\u00ea-se obrigado a adotar novas medidas anticorrup\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/762690\/canais-de-den-ncia-whistleblowing-?seccao=Opini%C3%A3o_\">https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/762690\/canais-de-den-ncia-whistleblowing-?seccao=Opini%C3%A3o_<\/a>i<\/p>\n<p>Entre outras orienta\u00e7\u00f5es (vinculativas), nesta diretiva \u00e9 enquadrada e reconhecida a figura do denunciante. A Lei n.\u00ba 93\/2021, de 20 de dezembro estabelece o regime geral de prote\u00e7\u00e3o de denunciantes de infra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A primeira vez que escrevi sobre a figura do denunciante decorria o ano de 2017 <a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/563555\/-soprador-de-apito-?seccao=Opiniao_i\">https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/563555\/-soprador-de-apito-?seccao=Opiniao_i<\/a>, ainda em Portugal este era um caminho pouco ou nada percorrido.<\/p>\n<p>Pertence \u00e0 consci\u00eancia geral que a pouca transpar\u00eancia e a responsabiliza\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o p\u00fablica e privada \u00e9 um problema global e Portugal n\u00e3o \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra.<\/p>\n<p>Veremos o que de diferente resultar\u00e1 desta transposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raquel Brito, OBEGEF A primeira vez que escrevi sobre a figura do denunciante decorria o ano de 2017,\u00a0ainda em Portugal este era um caminho pouco ou nada percorrido. \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,284],"tags":[],"class_list":["post-46619","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-obegef-facebook"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46619"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46619\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46671,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46619\/revisions\/46671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}