{"id":46399,"date":"2022-01-19T17:27:15","date_gmt":"2022-01-19T17:27:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46399"},"modified":"2022-01-19T17:29:43","modified_gmt":"2022-01-19T17:29:43","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-69","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46399","title":{"rendered":"Final feliz no mundo dos produtos financeiros"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/759800\/final-feliz-no-mundo-dos-produtos-financeiros?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\"><\/a><\/p>\n\n<p><em>A partir de casa, atrav\u00e9s do \u201chomebanking\u201d, conseguir concretizar uma t\u00e3o simples e in\u00f3cua transa\u00e7\u00e3o financeira constituiu um aut\u00eantico calv\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Antes do fim de ano, numa atitude que se repete regularmente no mesmo per\u00edodo, decidi subscrever algumas unidades de participa\u00e7\u00e3o de um fundo de investimento enquadrado nos denominados PPR \u2013 Plano Poupan\u00e7a Reforma. Um produto financeiro de baixo risco e, consequentemente, de modesta rentabilidade.<\/p>\n<p>A partir de casa, atrav\u00e9s do \u201c<em>homebanking<\/em>\u201d, conseguir concretizar uma t\u00e3o simples e in\u00f3cua transa\u00e7\u00e3o constituiu um aut\u00eantico calv\u00e1rio. Primeiro obst\u00e1culo, os meus conhecimentos financeiros n\u00e3o estavam certificados (ou estariam desatualizados). Foi-me proposto que respondesse a um question\u00e1rio, de muitas perguntas, que me exigiu respostas sobre os meus conhecimentos de Finan\u00e7as. Consegui passar esta etapa. Segundo, o meu perfil continuou desatualizado por um par de dias \u2013 julgo que por algu\u00e9m na institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter ainda certificado a minha qualifica\u00e7\u00e3o financeira, expressa atrav\u00e9s do question\u00e1rio \u2013 o que continuava a impossibilitar a subscri\u00e7\u00e3o das ditas unidades. Terceiro, quando o perfil foi atualizado, tive de folhear, eletronicamente, quase uma dezena de folhas de informa\u00e7\u00e3o financeira geral e sobre o dito produto, onde fui bloqueado, novamente, por me ter esquecido de assinalar, num min\u00fasculo quadradinho, que lera e percebera o conte\u00fado dessas p\u00e1ginas. Finalmente, qual corredor de prova de obst\u00e1culos, cansado, mas motivado pela resili\u00eancia demonstrada na ultrapassagem dos mesmos, vi \u00e0 minha frente, espelhada no ecr\u00e3 do computador, a possibilidade de poder fazer o meu pequeno investimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o inquiri a gestora de conta sobre o porqu\u00ea de tal calv\u00e1rio, sobretudo o question\u00e1rio, porque sabia antecipadamente a resposta. Conhe\u00e7o minimamente a Lei que a isso obriga, cujo objetivo \u00e9 reduzir a possibilidade de um cidad\u00e3o ser aldrabado nas suas rela\u00e7\u00f5es com os intermedi\u00e1rios financeiros \u2013 merit\u00f3ria preocupa\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Resultado: dormem todos descansados, consci\u00eancia tranquila. O investidor, porque, cansado do esfor\u00e7o que lhe \u00e9 imposto, o corpo imp\u00f5e-lhe um sono pesado e isento de quaisquer considera\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia; as institui\u00e7\u00f5es financeiras, porque cumprem a Lei, escrupulosamente; o Legislador, porque confia que a dezena de folhinhas de prote\u00e7\u00e3o, com que presenteia os cidad\u00e3os que ousem fazem uma qualquer aplica\u00e7\u00e3o financeira, \u00e9 a guardi\u00e3 eficaz e intranspon\u00edvel contra qualquer trapa\u00e7a.<\/p>\n<p>Estar-se-ia em presen\u00e7a de mais uma est\u00f3ria com final feliz n\u00e3o fosse um \u201cmas\u201d que por ali anda e que sempre acaba, como qualquer \u201cmas\u201d teimoso, por estragar os finais almejados. &nbsp;<\/p>\n<p>O A. apareceu, como acontece com alguma regularidade, para esclarecer um pequeno aspeto relacionado com a sua atividade de gerente de uma microempresa. \u201cA empresa tem algum dinheiro na conta \u00e0 ordem e o funcion\u00e1rio do banco disse-me que era melhor aplicar esse dinheiro num fundo de investimento, pois rende \u2013 o que n\u00e3o acontece com o dep\u00f3sito \u2013 e n\u00e3o tem risco \u2026\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem qu\u00ea?!\u201d, quase berrei. Como o leitor intuir\u00e1, a conversa que se seguiu com o A. girou toda em torno do que \u00e9 um fundo de investimento e se implica ou n\u00e3o o risco de perda de capital. Saquei a ficha do referido fundo da \u201cnet\u201d, procurei, marquei a vermelho a frase onde esse risco estava expressamente referido, mas, por mais convincentes que fossem os meus argumentos e explica\u00e7\u00f5es, entre os dois estava, sempre, o fantasma do funcion\u00e1rio do banco, que dissera que n\u00e3o tinha. Por fim, esgotada a paci\u00eancia, sugeri-lhe que voltasse ao banco e mostrasse ao funcion\u00e1rio a parte que eu assinalara a vermelho e, ent\u00e3o, ouvisse da parte dele um pedido de desculpas. Deixou-me, ombros ca\u00eddos, cabisbaixo. N\u00e3o sei qual foi o desfecho da conversa que, supostamente, teve no banco, embora n\u00e3o me admirasse se o dito funcion\u00e1rio o tentasse aldrabar, mais uma vez, com informa\u00e7\u00e3o err\u00f3nea.<\/p>\n<p>Os dois acontecimentos que brevemente descrevi, ocorridos com intervalo de poucos dias, fizeram-me voltar a refletir sobre o que, metaforicamente, pode ser entendido como colar o penso onde d\u00f3i, n\u00e3o onde est\u00e1 a ferida aberta. O Legislador, consciente de um problema de assimetria de literacia financeira na rela\u00e7\u00e3o cidad\u00e3os-institui\u00e7\u00f5es financeiras, arranjou uma solu\u00e7\u00e3o administrativa, vis\u00edvel nas muitas folhas de informa\u00e7\u00e3o que s\u00e3o colocadas diante do cidad\u00e3o, para este assinar. Esqueceu, por\u00e9m, que tudo isso \u00e9 em v\u00e3o \u2013 salvo nos aspetos de responsabiliza\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o que assina as ditas folhinhas, ou que pede a algu\u00e9m para lhe preencher o question\u00e1rio de literacia financeira. Se ele n\u00e3o souber o que \u00e9, por exemplo, um fundo de investimento, n\u00e3o h\u00e1 folhinhas que evitem que possa ser trapaceado. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Num tempo em que cada cidad\u00e3o, em maior ou menor grau, est\u00e1 engajado na sustentabilidade do planeta, seria muito mais respons\u00e1vel se o gasto com os milh\u00f5es de folhinhas que anualmente s\u00e3o impressas com essa informa\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m l\u00ea, ou cujo conte\u00fado n\u00e3o percebe, fosse poupado e os recursos inerentes fossem desviados para campanhas maci\u00e7as de literacia financeira, a come\u00e7ar pelas escolas b\u00e1sicas e a terminar na forma\u00e7\u00e3o para adultos.<\/p>\n<p>Ganhava o planeta, ganhava o sistema financeiro, ganhavam os cidad\u00e3os em geral. Isto, sim, seria um final feliz.<\/p>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online A partir de casa, atrav\u00e9s do \u201chomebanking\u201d, conseguir concretizar uma t\u00e3o simples e in\u00f3cua transa\u00e7\u00e3o financeira constituiu um aut\u00eantico calv\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-46399","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46399"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46399\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46410,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46399\/revisions\/46410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}