{"id":46221,"date":"2021-08-05T20:18:00","date_gmt":"2021-08-05T20:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46221"},"modified":"2021-09-02T20:20:32","modified_gmt":"2021-09-02T20:20:32","slug":"o-principio-da-realidade-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46221","title":{"rendered":"AQUI N\u00c3O SE FIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong style=\"color: #d8070f;\">Pedro Miguel Cunha, OBEGEF<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/obegef\/posts\/4335572293201432\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/facebook-icon.png\" alt=\"\" width=\"20\" height=\"20\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Facebook18.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/pdf.jpg\" alt=\"\" width=\"18\" height=\"18\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por isso, sem a implementa\u00e7\u00e3o de mecanismos de preven\u00e7\u00e3o e dissuas\u00e3o do fen\u00f3meno da fraude, independentemente dos fundos comunit\u00e1rios que o pa\u00eds venha a receber, o crescimento econ\u00f3mico nunca ser\u00e1 aquele que todos ambicionamos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div>\n<p>Como nos revelou o professor de sa\u00fade p\u00fablica e estat\u00edstico sueco Hans Rolling, com recurso a visualiza\u00e7\u00e3o de dados em realidade aumentada, a evolu\u00e7\u00e3o dos indicadores de esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida, \u00e0 nascen\u00e7a, e rendimento per capita, em paridade de poder de compra, no per\u00edodo que compreende 200 anos, desde 1810, n\u00e3o obstante todas as adversidades conhecidas, foi extraordin\u00e1ria. A taxa de mortalidade infantil, antes dos 5 anos, desceu de 44% para 4%. A esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida \u00e0 nascen\u00e7a subiu de 30 para 70 anos A taxa de pobreza extrema desceu de 85% para 9%. Em contraponto com o nosso instinto mais dram\u00e1tico e pessimista, que conduz muitas vezes \u00e0quela frase muito repetida \u201cas coisas est\u00e3o cada vez pior\u201d, podemos concluir que o mundo hoje \u00e9, no que respeita \u00e0s condi\u00e7\u00f5es gerais de vida das pessoas, muito melhor do que o de h\u00e1 200, ou 20, anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Em Portugal, a evolu\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m not\u00e1vel, no entanto, os dados revelam, no que respeita ao indicador rendimento per capita, uma desacelera\u00e7\u00e3o do seu crescimento no s\u00e9culo XXI. No relat\u00f3rio semestral da Comiss\u00e3o Europeia dedicado ao nosso pa\u00eds, divulgado em fevereiro de 2020, no qual s\u00e3o avaliados os progressos realizados em mat\u00e9ria de reformas estruturais, \u00e9 referido, por um lado, que o nosso desempenho n\u00e3o se traduziu em converg\u00eancia com as economias mais avan\u00e7adas da Uni\u00e3o Europeia, ali\u00e1s, at\u00e9 divergiu, e, por outro, que os pa\u00edses que a integraram em 2004, Chipre, Eslov\u00e1quia, Eslov\u00e9nia, Est\u00f3nia, Hungria, Let\u00f3nia, Litu\u00e2nia, Malta, Pol\u00f3nia, e Rep\u00fablica Checa, conseguiram, desde ent\u00e3o, eliminar a diferen\u00e7a m\u00e9dia de 17 pontos percentuais face ao rendimento per capita portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Na consequ\u00eancia de sondagem realizada pela <em>Intercampus<\/em>, foi noticiado, em setembro de 2020, que cerca de 60% dos portugueses n\u00e3o confiam na boa gest\u00e3o dos fundos a receber da Uni\u00e3o Europeia no \u00e2mbito do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia e do Quadro Financeiro Plurianual 2020-2027. Numa interpreta\u00e7\u00e3o mais restrita, este resultado sugere que, na perce\u00e7\u00e3o dos inquiridos, primeiro, o aproveitamento das verbas recebidas da Uni\u00e3o Europeia no passado poderia ter sido bem melhor, e segundo, temem que, no futuro, os motivos de tal n\u00e3o venham a ser devidamente corrigidos. Mas, mais importante, numa interpreta\u00e7\u00e3o mais ampla, indicia a falta de confian\u00e7a dos portugueses, n\u00e3o apenas nas institui\u00e7\u00f5es intervenientes na gest\u00e3o dos fundos europeus, mas tamb\u00e9m, em geral, nas pessoas que agem de forma consistente e em desacordo com as suas expectativas de comportamento positivo, quaisquer que sejam as intera\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, as quais, na sua globalidade, consubstanciam a economia portuguesa. A confian\u00e7a nos outros, que inclui estranhos e n\u00e3o apenas as pessoas que nos s\u00e3o mais pr\u00f3ximas e que conhecemos, \u00e9 normalmente designada de confian\u00e7a generalizada, e o seu impacto no crescimento econ\u00f3mico \u00e9, muitas vezes, esquecido e subavaliado.<\/p>\n<p>Os dados sobre confian\u00e7a generalizada s\u00e3o normalmente obtidos atrav\u00e9s de entrevistas com perguntas deste tipo: \u201cVoc\u00ea diria que (1) a maioria das pessoas pode ser confi\u00e1vel ou (2) precisa ter muito cuidado a lidar com elas\u201d .Se dermos aten\u00e7\u00e3o ao estudo <em>Society at a Glance<\/em> de 2016 da OCDE, no qual \u00e9 apresentado um conjunto de indicadores econ\u00f3micos e sociais, verificamos que a percentagem de portugueses que responde confiar nos outros \u00e9 de apenas de 19,17%, o que resulta num valor muito baixo quando comparado com os valores de 36,02% de m\u00e9dia da OCDE, 74,92% da Dinamarca, 72,93% da Noruega, 67,42% da Holanda, e com os valores dos pa\u00edses da Europa do Sul, 29,60% da It\u00e1lia, 27,01% da Fran\u00e7a, 20,66% da Fran\u00e7a, e 19,57% da Espanha. Com piores que Portugal s\u00f3 surgem: o Chile, o M\u00e9xico, a Turquia e a Eslov\u00e1quia. Conclus\u00e3o: aqui n\u00e3o se fia! Mas a que se deve esta falta de confian\u00e7a dos portugueses? Se entendermos a fraude como o comportamento, tendencionalmente intencional, ilegal ou n\u00e3o \u00e9tico, de enganar os outros com vista \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de um ganho particular, poderemos concluir que, quase por defini\u00e7\u00e3o, a desconfian\u00e7a generalizada em Portugal \u00e9, pelo menos em parte, consequ\u00eancia do fen\u00f3meno da fraude que se manifesta nas mais variadas situa\u00e7\u00f5es da nossa vida em sociedade.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos anos sugerem um impacto significativo da (des)confian\u00e7a generalizada no crescimento econ\u00f3mico. Por si s\u00f3, em exerc\u00edcio acad\u00e9mico, com dados relativos ao per\u00edodo 1980 a 2009, consegue explicar cerca de 20% da varia\u00e7\u00e3o do rendimento <em>per capita<\/em> entre pa\u00edses. \u00c9 a base da coopera\u00e7\u00e3o entre pessoas fora do seu c\u00edrculo familiar, e \u00e9 fundamental nos processos de inova\u00e7\u00e3o e investimento. Por isso, sem a implementa\u00e7\u00e3o de mecanismos de preven\u00e7\u00e3o e dissuas\u00e3o do fen\u00f3meno da fraude que fa\u00e7am subir os n\u00edveis de confian\u00e7a generalizada do pa\u00eds, independentemente dos fundos comunit\u00e1rios que o pa\u00eds venha a receber, o crescimento econ\u00f3mico nunca ser\u00e1 aquele que todos ambicionamos.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Miguel Cunha, OBEGEF Por isso, sem a implementa\u00e7\u00e3o de mecanismos de preven\u00e7\u00e3o e dissuas\u00e3o do fen\u00f3meno da fraude, independentemente dos fundos comunit\u00e1rios que o pa\u00eds venha a receber, o crescimento econ\u00f3mico nunca ser\u00e1 aquele que todos ambicionamos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,284],"tags":[],"class_list":["post-46221","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-obegef-facebook"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46221"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46221\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46224,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46221\/revisions\/46224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}