{"id":46098,"date":"2021-07-10T23:42:46","date_gmt":"2021-07-10T23:42:46","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46098"},"modified":"2021-07-10T23:42:49","modified_gmt":"2021-07-10T23:42:49","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-4-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46098","title":{"rendered":"A TAP n\u00e3o anda boa!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira<\/strong><\/span>, Expresso online (122 05\/05\/2021)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2021-05-04-A-TAP-nao-anda-boa-0fae1376\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/122JAMoreira5mai2021.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n\n\n\n\n<p>Conta-se que pelo in\u00edcio dos anos 70 a TAP lan\u00e7ou um concurso de ideias para a recolha de uma frase que sintetizasse o que era a empresa e o seu neg\u00f3cio. Os concorrentes deveriam submeter a respetiva proposta gravada numa cassete. O Joaquim, um nortenho de quatro costados, depois de muitos rascunhos, fixou no papel: \u201cA TAP n\u00e3o anda, voa!\u201d. Depois de v\u00e1rias grava\u00e7\u00f5es, enviou a concurso o resultado que considerou mais bem conseguido. O que o j\u00fari ouviu, quando reproduziu a grava\u00e7\u00e3o, foi \u201ca TAP n\u00e3o anda boa!\u201d, naquele sotaque inconfund\u00edvel do Norte, em que os \u201cv\u201d d\u00e3o lugar aos \u201cb\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se sabe se o caso \u00e9 ver\u00eddico, mas tamb\u00e9m n\u00e3o interessa. O importante \u00e9 que no presente a TAP n\u00e3o anda boa e o problema n\u00e3o \u00e9 de sotaque, mas de debilidades concretas que a passagem do tempo exacerbou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana passada a empresa mereceu aten\u00e7\u00e3o especial dos media, que fizeram eco dos seus preju\u00edzos de 2020, no montante de 1.230 milh\u00f5es de euros. Apesar da grandeza do n\u00famero, n\u00e3o houve ondas de choque. Possivelmente porque os contribuintes est\u00e3o adormecidos, insens\u00edveis \u00e0s chorudas faturas que regularmente lhes v\u00e3o chegando para pagamento; ou porque o ministro Pedro Nuno Santos, desdobrando-se em entrevistas, ter\u00e1 atenuado o impacto. Quer-se crer que ser\u00e1 mais pela primeira das raz\u00f5es, pois o discurso do ministro n\u00e3o deveria iludir ningu\u00e9m, nem os mais distra\u00eddos, com a sua repeti\u00e7\u00e3o \u201cad nauseaum\u201d que \u201cDeixar cair a TAP era abdicarmos de \u20ac3 mil milh\u00f5es de exporta\u00e7\u00f5es anuais e de \u20ac1,3 mil milh\u00f5es de compras a mais de 1.000 empresas nacionais\u201d, sem nunca explicar (e ningu\u00e9m lho perguntar) qual \u00e9 o custo suportado para obter tal proveito. Um discurso que, no m\u00ednimo, se pode considerar enviesado, pois um passado de constantes resultados negativos mostra que a TAP (por via dos contribuintes) sempre \u201cpagou para funcionar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisar as contas de 2020 sem se conhecer o Plano de Reestrutura\u00e7\u00e3o \u2013 e mais ainda o parecer da Comiss\u00e3o Europeia sobre o mesmo \u2013 \u00e9 exerc\u00edcio com pouco ou nenhum sentido, pois n\u00e3o se consegue antecipar o que ser\u00e1 o futuro da empresa, nem no curto prazo. Uma coisa \u00e9 certa: a TAP est\u00e1 mal. Veja-se o parecer do Revisor de Contas \u2013 entidade que, supostamente, conhece o dito plano \u2013 iniciado com a apresenta\u00e7\u00e3o de uma \u201cincerteza material relacionada com a continuidade\u201d da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo neste contexto de incerteza extrema, o relat\u00f3rio e contas de 2020 sugere duas reflex\u00f5es: a primeira parte do montante dos juros suportados, 245 milh\u00f5es de euros. \u00c9 um sinal de perigo extremo. Num tempo de juros anormalmente baixos, o elevado peso destes na estrutura de custos reflete o excessivo endividamento da empresa, que metaforicamente se pode olhar como uma bomba-rel\u00f3gio pronta a explodir quando o ciclo de juros baixos se inverter. Muito do que se l\u00ea e ouve sobre a recupera\u00e7\u00e3o da empresa gira em torno dos cortes no pessoal, mas nada sobre o corte do endividamento. No entanto, este parece ser componente de sucesso t\u00e3o ou mais importante do que os gastos com o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda reflex\u00e3o, indiretamente, acaba por reconduzir tamb\u00e9m ao excessivo endividamento. O preju\u00edzo de 1.230 milh\u00f5es de Euros \u00e9 um montante elevad\u00edssimo, cerca de um d\u00e9cimo da \u201cbazuca\u201d atualmente vendida como a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas nacionais. Por\u00e9m, se esse n\u00famero fosse (apenas) 1.000 milh\u00f5es a rea\u00e7\u00e3o da sociedade (dos medias, em particular) teria sido diferente? Cr\u00ea-se que a resposta a esta pergunta \u00e9 negativa. Est\u00e1, pois, criado o ambiente prop\u00edcio para um \u201cbig bath\u201d, uma atua\u00e7\u00e3o tendente \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o financeira,<\/p>\n\n\n\n<p>que visa refletir no resultado do ano corrente tudo o que de negativo se possa refletir, de modo particular componentes que iriam aparecer em anos futuros; bem como adiar para registo futuro componentes positivas que deveriam ser registadas no ano corrente. Deste modo, depois do choque provocado pelo resultado do per\u00edodo, est\u00e1 aberto o caminho para afetar positivamente os resultados futuros, mostrando desempenhos melhores do que os efetivamente se verificar\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso concreto em an\u00e1lise, o aspeto mais vis\u00edvel neste dom\u00ednio diz respeito \u00e0 rubrica de \u201cimpostos diferidos ativos\u201d. O preju\u00edzo de 2020 poder\u00e1 ser deduzido aos lucros obtidos pela empresa nos 10 anos seguintes, permitindo uma poupan\u00e7a fiscal de cerca de 250 milh\u00f5es de euros. As normas contabil\u00edsticas possibilitam que se registe essa poupan\u00e7a no ano corrente, melhorando o resultado l\u00edquido, desde que exista uma probabilidade elevada de, no referido horizonte temporal, a empresa ter resultados antes de impostos positivos para poder absorver os preju\u00edzos em causa (no caso seriam cerca de 1.500 milh\u00f5es em 10 anos). N\u00e3o ter registado essa poupan\u00e7a foi uma decis\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o eminentemente subjetiva. A justifica\u00e7\u00e3o: \u201cn\u00e3o foram reconhecidos os respetivos ativos por impostos diferidos tendo em considera\u00e7\u00e3o a sua magnitude e a extens\u00e3o do horizonte temporal para efeitos de recupera\u00e7\u00e3o dos mesmos \u2026\u201d (p.73). Se tivessem optado pelo reconhecimento o preju\u00edzo teria sido de (apenas) 1.000 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Cen\u00e1rios poss\u00edveis para interpretar esta decis\u00e3o: i) a administra\u00e7\u00e3o adotou uma atitude conservadora, tendo em conta a incerteza quanto aos resultados futuros; ii) a administra\u00e7\u00e3o opta pelo \u201dbig bath\u201d, criando uma \u201creserva oculta\u201d de 250 milh\u00f5es de euros que, em qualquer altura, durante esse horizonte de 10 anos e existindo a expetativa de resultados positivos, pode ser refletida no resultado do(s) per\u00edodo(s), aumentando-o.<\/p>\n\n\n\n<p>O leitor formar\u00e1 o seu ju\u00edzo, escolhendo o cen\u00e1rio que julgar mais pertinente. Qualquer deles \u00e9 preocupante: seja a manipula\u00e7\u00e3o do resultado do per\u00edodo; seja uma verdadeira decis\u00e3o conservadora por parte da administra\u00e7\u00e3o. Com efeito, se este \u00faltimo for o cen\u00e1rio plaus\u00edvel significa que, no referido horizonte temporal, n\u00e3o se espera que a empresa gere resultados em montante relevante, o que condiciona a sua capacidade para reduzir significativamente o endividamento e tende a tornar a presente reestrutura\u00e7\u00e3o em mais um paliativo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online (122 05\/05\/2021) \u00a0 \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-46098","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46098","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46098"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46098\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46099,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46098\/revisions\/46099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}