{"id":46033,"date":"2021-05-30T21:55:54","date_gmt":"2021-05-30T21:55:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46033"},"modified":"2021-05-30T21:55:58","modified_gmt":"2021-05-30T21:55:58","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-57","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46033","title":{"rendered":"Integridade 360 &#8211; porque \u00e9 a \u00e9tica que nos une"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> Jornal i<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/736185\/integridade-360-porque-e-a-etica-que-nos-une?seccao=Opini%C3%A3o_i&amp;fbclid=IwAR2zC_bQVnj4GZDLXMf04uASWBCSeGfr8EODf_ICQL5c_FHnTezG_48w8f4\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AMaia-mai2021.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"17\" height=\"17\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>S\u00e3o as pessoas \u2013 todas as pessoas! \u2013 que s\u00e3o respons\u00e1veis por fazer com que os valores aconte\u00e7am<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por raz\u00f5es acad\u00e9micas e profissionais, e sobretudo por profundas motiva\u00e7\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es pessoais, de cidadania, tenho dedicado alguma particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es da \u00e9tica e da integridade nas organiza\u00e7\u00f5es, particularmente nas que t\u00eam uma natureza p\u00fablica.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es, p\u00fablicas e n\u00e3o p\u00fablicas \u2013 qualquer organiza\u00e7\u00e3o! \u2013 s\u00e3o integradas por pessoas. Sem elas, as pessoas, e por muito importantes, claros e inequ\u00edvocos que pudessem ser os prop\u00f3sitos e as normas que regessem uma qualquer organiza\u00e7\u00e3o, ela pura e simplesmente n\u00e3o existiria. Ou melhor, existia mas n\u00e3o funcionava, o que na pr\u00e1tica seria o mesmo.<\/p>\n<p>Imaginem \u2013 hip\u00f3tese por si s\u00f3 absurda, admito-o, mas que ainda assim ouso explorar para que vejamos a import\u00e2ncia da componente humana nas organiza\u00e7\u00f5es \u2013 uma qualquer organiza\u00e7\u00e3o com prop\u00f3sitos e regras de funcionamento muito claros e muito bem estabelecidos, com instala\u00e7\u00f5es, inclusive, mas sem qualquer pessoa que operasse essas regras. Algo como necessitarmos de cuidados de sa\u00fade, por exemplo, e ao chegarmos ao hospital \u2026 nada, ou melhor, ningu\u00e9m estar ali sequer para nos abrir a porta, para nos acolher, para nos dizer bom dia, enfim para cuidar de n\u00f3s. Ou se, depois de nos assaltarem a casa, nos desloc\u00e1ssemos \u00e0 esquadra da pol\u00edcia do bairro para apresentar queixa e ningu\u00e9m l\u00e1 se encontrasse para nos ajudar, confortar e tentar saber quem teria sido o autor desse crime e recuperar os objectos que tivessem sido furtados. Ou, indo agora para o privado, irmos a um supermercado, ao barbeiro ou ao banco e ningu\u00e9m l\u00e1 se encontrasse para nos atender.<\/p>\n<p>Como nos sentir\u00edamos? Como reagir\u00edamos? Como seria a vida em sociedade?<\/p>\n<p>Serve isto para verificar aquilo que j\u00e1 sabemos, que as pessoas s\u00e3o um elemento central \u2013 determinante mesmo! \u2013 para que as organiza\u00e7\u00f5es aconte\u00e7am.<\/p>\n<p>E, perguntar-se-\u00e1 o leitor, <em>esta entrada vem a prop\u00f3sito de qu\u00ea, se tudo isto \u00e9 \u00f3bvio<\/em>?<\/p>\n<p>Vem a prop\u00f3sito precisamente das vertentes da \u00e9tica e da integridade, que, como sabemos, s\u00e3o inerentes \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas. S\u00e3o inerentes \u00e0 vida em sociedade. S\u00e3o a base e o fundamento da (s\u00e3) conviv\u00eancia social.<\/p>\n<p>Somos seres sociais, j\u00e1 sabemos, o que significa que \u00e9 em grupo que existimos e nos realizamos. Sabemos igualmente que, para que o grupo funcione, t\u00eam de existir regras, normas, princ\u00edpios, mais ou menos formais, mas importantes e necess\u00e1rios para estabelecer e sustentar um quadro de expectativas sobre a actua\u00e7\u00e3o de cada um no seio do grupo. Aquilo a que chamamos a normalidade. No fundo para que a exist\u00eancia do grupo n\u00e3o se torne ca\u00f3tica, nem se desagregue, mas para que tenha alguma coer\u00eancia e propicie contextos de coes\u00e3o social, de confian\u00e7a e de seguran\u00e7a. Para que todos os intervenientes se revejam minimamente nessa normalidade e, dessa forma, com o seu contributo activo, validem a import\u00e2ncia dessa normalidade e a fa\u00e7am subsistir.<\/p>\n<p>Os valores da \u00e9tica s\u00e3o o resultado de um processo milenar, que gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o os vai moldando e burilando, utilizando-os e ajustando-os do modo mais adequado a cada tempo e a cada circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Neste processo evolutivo reconhecemos hoje para n\u00f3s como valores de relev\u00e2ncia central: a liberdade, a igualdade, a justi\u00e7a, a honra, o respeito, a responsabilidade, a honestidade, o car\u00e1cter, a transpar\u00eancia, e tantos outros.<\/p>\n<p>Mas os valores da \u00e9tica s\u00f3 fazem sentido se forem operacionalizados. Se forem postos em pr\u00e1tica. Se os sentirmos presentes no nosso quotidiano, desde o relacionamento mais simples, como no contexto familiar ou entre amigos e vizinhos, por exemplo, aos mais formais, entre colegas ou entre Chefes e os seu subordinados nas rela\u00e7\u00f5es profissionais de trabalho, ou mesmo entre l\u00edderes pol\u00edticos, Chefes de Governo ou Chefes de Estado.<\/p>\n<p>Por outras palavras, s\u00e3o as pessoas \u2013 sim, somos n\u00f3s, pessoas de carne e osso, com vulnerabilidades e fragilidades, mas tamb\u00e9m com reconhecidas capacidades racionais e humanas \u2013 que t\u00eam de se revelar competentes na concretiza\u00e7\u00e3o desses valores. S\u00e3o as pessoas \u2013 todas as pessoas! \u2013 que s\u00e3o respons\u00e1veis por fazer com que os valores aconte\u00e7am. As pessoas s\u00e3o respons\u00e1veis pela verifica\u00e7\u00e3o da integridade.\u00a0<\/p>\n<p>Mas, como tamb\u00e9m bem sabemos, n\u00e3o \u00e9 assim sempre. Algumas pessoas \u2013 uma minoria, por certo \u2013 n\u00e3o revelam essa capacidade. Apresentam um menor \u00edndice de integridade e, por isso, preferem retirar para si o melhor que o grupo lhes proporciona a cada momento sem dar grande contributo em troca. E sempre que isso sucede, esse conjunto de valores que conferem coer\u00eancia e estabilidade ao grupo perdem sentido. Tornam-se ocos, uma esp\u00e9cie de fal\u00e1cia. E os restantes membros do grupo, claro, sentem-se defraudados e frustrados.<\/p>\n<p>E esta \u00e9 que \u00e9 quest\u00e3o que aqui gostaria de fixar.<\/p>\n<p>\u00c9 que as organiza\u00e7\u00f5es podem integrar \u2013 e integram! \u2013 pessoas com estes perfis de menor integridade. Pessoas capazes de aproveitar todas as circunst\u00e2ncias para satisfazer os seus intentos, revelando pouca ou nenhuma considera\u00e7\u00e3o pelos outros, pela organiza\u00e7\u00e3o e pelos seus prop\u00f3sitos. E mais, estas pessoas podem estar em qualquer posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, desde o Presidente ou Director-Geral, passando pelo Dirigente interm\u00e9dio, pelo Chefe de departamento ou por um qualquer Funcion\u00e1rio de primeira linha da estrutura hier\u00e1rquica.<\/p>\n<p>Qualquer organiza\u00e7\u00e3o e, dentro dela, qualquer posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica ou fun\u00e7\u00e3o, est\u00e1 exposta ao risco de, a todo o tempo, poder ser operada por algu\u00e9m menos \u00edntegro. Por algu\u00e9m que, por via desse menor \u00edndice de integridade, coloque em crise a estabilidade da cultura de integridade da organiza\u00e7\u00e3o, podendo inclusivamente provocar eventuais efeitos de perda de reputa\u00e7\u00e3o e credibilidade sobre a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deste ponto de vista, a exist\u00eancia nas organiza\u00e7\u00f5es de c\u00f3digos de \u00e9tica e de conduta \u00e9 reconhecidamente considerada uma medida de gest\u00e3o importante e necess\u00e1ria. Por isso as entidades, pelo menos as de natureza p\u00fablica e as privadas de maior dimens\u00e3o, t\u00eam vindo a desenvolver e a adoptar os seus pr\u00f3prios c\u00f3digos de \u00e9tica e de conduta.\u00a0<\/p>\n<p>Os c\u00f3digos de \u00e9tica e conduta devem preferencialmente ser resultado do contributo de todas as pessoas da organiza\u00e7\u00e3o, no sentido de serem identificados os valores matriciais da organiza\u00e7\u00e3o, e, correlativamente, de se prescreverem as tipologias de actua\u00e7\u00e3o a adoptar por todos, incluindo para as fun\u00e7\u00f5es que impliquem ou pressuponham contactos com terceiros, designadamente utentes, clientes, fornecedores e prestadores de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Dever\u00e1 ser um c\u00f3digo de \u00e9tica que assuma uma perspectiva de Integridade 360. Que procure fornecer indica\u00e7\u00f5es quanto a condutas esperadas nos relacionamentos de todos com todos. Entre colegas do mesmo n\u00edvel hier\u00e1rquico. Entre dirigentes e subalternos. E de todos para com terceiros fora da organiza\u00e7\u00e3o com os quais tenham de se relacionar funcionalmente.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que este pressuposto de amplitude m\u00e1xima dos c\u00f3digos de \u00e9tica e conduta \u00e9 natural. Todavia e apesar disso, subsistem ainda entidades, p\u00fablicas e privadas, que parecem desconhecer ou negligenciar essa import\u00e2ncia. A recentemente adoptada <a href=\"https:\/\/dre.pt\/application\/file\/a\/160922895\">Estrat\u00e9gia Nacional Anticorrup\u00e7\u00e3o 2020 - 2024<\/a>, presentemente em fase de concretiza\u00e7\u00e3o normativa, vem assumir claramente essa necessidade relativamente a todas as entidades p\u00fablicas, bem como \u00e0s entidades privadas de maior dimens\u00e3o, no que parece ser um sinal positivo quando ao reconhecimento formal da utilidade destes instrumentos na gest\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todavia, a mera exist\u00eancia destes instrumentos de promo\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o de culturas organizacionais de integridade n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, suficiente. \u00c9 necess\u00e1rio que sejam depois devidamente divulgados e dinamizados junto de todos as pessoas da organiza\u00e7\u00e3o. Todos devem conhecer os pressupostos e os prop\u00f3sitos da sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>O sucesso dos c\u00f3digos de \u00e9tica e conduta numa organiza\u00e7\u00e3o depende muito da ades\u00e3o, do envolvimento e do comprometimento de todos, como \u00e9 reconhecido por exemplo pela gestora de recursos humanos Susan Heathfield, em <a href=\"https:\/\/www.thebalancecareers.com\/core-values-are-what-you-believe-1918079\">Core Values are what you believe<\/a>.<\/p>\n<p>E ainda assim, com a exist\u00eancia de c\u00f3digos de \u00e9tica e de conduta nas organiza\u00e7\u00f5es e com o envolvimento das pessoas na promo\u00e7\u00e3o e aprofundamento de uma cultura organizacional de fortalecimento da integridade, subsistir\u00e3o sempre pessoas menos \u00edntegras, menos preocupadas e menos envolvidas com a cultura da organiza\u00e7\u00e3o, que, quando tiverem oportunidade, n\u00e3o deixar\u00e3o de tentar alcan\u00e7ar os seus prop\u00f3sitos em detrimento dos prop\u00f3sitos da organiza\u00e7\u00e3o que (n\u00e3o) servem. <\/p>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i S\u00e3o as pessoas \u2013 todas as pessoas! \u2013 que s\u00e3o respons\u00e1veis por fazer com que os valores aconte\u00e7am<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-46033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46033"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46033\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46034,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46033\/revisions\/46034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}