{"id":46008,"date":"2021-05-15T23:43:46","date_gmt":"2021-05-15T23:43:46","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46008"},"modified":"2021-05-15T23:43:49","modified_gmt":"2021-05-15T23:43:49","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=46008","title":{"rendered":"Memento mori"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida<\/strong><\/span>, Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/opiniao\/memento-mori-13561133.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"cc_cursor alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>Lembra-te na morte, lembra-te que \u00e9s mortal. Eis o conselho que desde a antiguidade grega nos t\u00eam dado os s\u00e1bios. Todos morremos um dia, primeiro fisicamente e depois na mem\u00f3ria dos que nos conheceram e, finalmente, mesmo as nossas obras, se as deixarmos, ser\u00e3o esquecidas e desapareceremos completamente da face da Terra.<\/p>\n<p>E no entanto... as consequ\u00eancias das nossas a\u00e7\u00f5es perduraram no infinito. Porque cada gesto, cada a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma causa que gera outras a\u00e7\u00f5es e outros acontecimentos que sem o nosso contributo nunca existiriam. N\u00f3s pr\u00f3prios agimos em consequ\u00eancia do que outros antes fizeram, pensaram, constru\u00edram.<\/p>\n<p>\u00c9 neste balan\u00e7ar entre a leveza, tudo ser\u00e1 esquecido, e o peso da responsabilidade, o futuro tem inscrito para todo o sempre as consequ\u00eancias das nossas a\u00e7\u00f5es, que o ser humano deve refletir, ponderar e agir.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os seres humanos que s\u00e3o mortais. As suas institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m o s\u00e3o. Mesmo os Estados fenecem por falta de vigor. Na presente conjuntura internacional um Estado morto n\u00e3o \u00e9 um que n\u00e3o existe formalmente, mas antes um cuja vontade n\u00e3o \u00e9 escutada, nem levada em conta. Hoje um Estado morto \u00e9 um Estado irrelevante. Afinal at\u00e9 o Iraque ou o Afeganist\u00e3o continuaram formalmente a existir mesmo quando ocupados por tropas estrangeiras que lhes impunham pol\u00edticas e rumos.<\/p>\n<p>Vem isto a prop\u00f3sito da corrup\u00e7\u00e3o que grassa no nosso pa\u00eds sem que as autoridades intervenham de forma decisiva. Ficamos deveras indignados ao constatar o qu\u00e3o o pa\u00eds se encontra profundamente desarmado face a este fen\u00f3meno. As leis n\u00e3o permitem provar quase nada, os procuradores s\u00e3o incapazes de montar acusa\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas, os ju\u00edzes interpretam as leis de forma err\u00e1tica e branda, as garantias dos r\u00e9us de tal ordem que os processos se arrastam indefinidamente, certa comunica\u00e7\u00e3o social amplifica as vozes da confus\u00e3o moral.<\/p>\n<p>Uma das raras multinacionais portuguesas foi transformada em subsidi\u00e1ria menor de um grupo franc\u00eas. Na base desta derrocada a aplica\u00e7\u00e3o da quase totalidade dos recursos financeiros da empresa em obriga\u00e7\u00f5es sem valor emitidas por um dos seus acionistas de quem o Presidente da multinacional recebeu uns milh\u00f5es. Corrup\u00e7\u00e3o? N\u00e3o. Porqu\u00ea? Porque nenhum dos envolvidos \u00e9 funcion\u00e1rio p\u00fablico. Fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>Este p\u00e2ntano viscoso expande-se, entranha-se, estende tent\u00e1culos por toda a vida p\u00fablica, dominada pelos dois grandes partidos que nos t\u00eam governado ininterruptamente nas \u00faltimas quatro d\u00e9cada com resultados, no m\u00ednimo, desastrosos.<\/p>\n<p>Portugal tem caminhado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cauda da Europa, n\u00e3o reage aos desafios econ\u00f3micos e sociais, desperdi\u00e7a recursos em projetos in\u00fateis, n\u00e3o investe no futuro e permite que os fundos p\u00fablicos europeus sejam desbaratados pela corrup\u00e7\u00e3o, pela fraude, pela gest\u00e3o danosa.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o proferida por Ivo Rosa deve ser para todos os portugueses o momento de perceber que as na\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m morrem quando perdem a capacidade de se regenerar, de se autogovernar, quando deixam de ser capazes de enfrentar os desafios, quando deixam que a criminalidade domine.<\/p>\n<p>Que fique claro Ivo Rosa n\u00e3o \u00e9 o culpado das leis que temos e que ele aplicou, essas s\u00e3o da compet\u00eancia do Parlamento, nem das fragilidades da acusa\u00e7\u00e3o, essas s\u00e3o da (in)compet\u00eancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico e das condi\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o proporcionadas em termos de recursos humanos e materiais pelo Governo, nem do clima de impunidade que grassa no pa\u00eds, essa \u00e9 da responsabilidades dos sucessivos governos.<\/p>\n<p>Esta decis\u00e3o deve ser para o nosso pa\u00eds um<em>\u00a0memento mori<\/em>. Um alerta para os perigos que Portugal enfrenta. E para as mudan\u00e7as que s\u00e3o necess\u00e1rias no sistema legal e pol\u00edtico para que o pa\u00eds n\u00e3o se torne cada vez menos respeitado e mais irrelevante, i.e. morto, na arena internacional.<\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-46008","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46008","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=46008"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46008\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46009,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/46008\/revisions\/46009"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=46008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=46008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=46008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}