{"id":45823,"date":"2021-02-27T23:16:26","date_gmt":"2021-02-27T23:16:26","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45823"},"modified":"2021-02-27T23:16:29","modified_gmt":"2021-02-27T23:16:29","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-3-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45823","title":{"rendered":"Vender os utilizadores das redes sociais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta<\/strong><\/span>, Expresso online (106 13\/01\/2021)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2021-01-13-Vender-os-utilizadores-das-redes-sociais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/106-CPimenta-JAN2021.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n\n\n\n\n<p><strong>A FRAUDE N\u00c3O \u00c9 UM ACIDENTE DE PERCURSO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A fraude n\u00e3o existe hoje apenas como um acidente de percurso resultante da gan\u00e2ncia de alguns concomitantemente com a falta de respeito pelos interesses sociais, mas, desde a d\u00e9cada de 80\/90 do s\u00e9culo passado, de uma forma sistem\u00e1tica, com impactos mundiais e com procedimentos inerentes a uma crescente organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O enorme volume de opera\u00e7\u00f5es ilegais, a liquidez que elas permitem, o volume de branqueamento de riqueza actualmente existente e a grande dificuldade de a combater, concomitantemente com a crescente organiza\u00e7\u00e3o da criminalidade internacional, a sua capacidade para aproveitar a financiariza\u00e7\u00e3o da economia, a expans\u00e3o da criminalidade de colarinho branco, as fraquezas de v\u00e1rios Estados e as falta de liquidez nas economias de crise, aumentou, e aumenta, a import\u00e2ncia da criminalidade organizada nas nossas sociedades.<\/p>\n\n\n\n<p>A r\u00e1pida expans\u00e3o, ampliada pela presente pandemia, das novas tecnologias (a tend\u00eancia de generaliza\u00e7\u00e3o dos computadores, dos telem\u00f3veis, dos&nbsp;<em>tablets<\/em>, todos utilizando a internet) com crescentes capacidades e crescimento das velocidades de comunica\u00e7\u00e3o, torna a ciberfraude, persistente e mutante, e os sistemas de seguran\u00e7a particularmente importantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>UM DOCUMENTO FUNDAMENTAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Logo, a ciberseguran\u00e7a e o seu respeito pela \u00e9tica \u00e9 uma quest\u00e3o central do mundo contempor\u00e2neo. Uma necessidade sentida por muitos que foram este \u00faltimo ano crescentemente v\u00edtimas destas tentativas de fraude \ua7f7 nomeadamente a extors\u00e3o indevida de 1 \u20ac a muitos milhares, roubos de identidade, etc. \ua7f7, mas tamb\u00e9m ignorada por muitos \ua7f7 vilipendiados e usados sem o saberem.<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a crescente import\u00e2ncia destes assuntos para cada um e para a sociedade, s\u00e3o de particular import\u00e2ncia os diversos Relat\u00f3rios Ciberseguran\u00e7a em Portugal, chamando a aten\u00e7\u00e3o de todos os leitores para estas problem\u00e1ticas e, particularmente para um recentemente publicado dedicado \u00e0 \u201c\u00c9tica e ao Direito\u201d. Dele retiramos os seguintes aspectos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>\u201cA inseguran\u00e7a no ciberespa\u00e7o e os mecanismos de controlo e protec\u00e7\u00e3o cibern\u00e9ticos podem ter efeitos devastadores para a dignidade da pessoa humana, com o potencial de afetar valores como a privacidade, a propriedade, a liberdade, a sa\u00fade ou mesmo a vida.\u201d<\/li><li>\u201cOs fornecedores de ciberseguran\u00e7a t\u00eam de lidar com os desafios \u00e9ticos associados ao conhecimento dos limites da sua pr\u00f3pria atua\u00e7\u00e3o: saber at\u00e9 onde devem ir para garantir os prop\u00f3sitos de seguran\u00e7a e integridade das redes, sem contender com os interesses e direitos fundamentais dos v\u00e1rios agentes envolvidos.\u201d<\/li><li>\u201cA heterogeneidade dos contextos em que atua a ciberseguran\u00e7a e a celeridade a que se verificam as transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas inviabilizam a implementa\u00e7\u00e3o de diretrizes \u00e9ticas est\u00e1veis e uniformes.\u201d<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Estas realidades chamam \u00e0 aten\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o est\u00e1 em causa apenas a fraude e o roubo dos indiv\u00edduos, mas as formas de organiza\u00e7\u00e3o do Estado e da sociedade. A complexidade e gravidade da situa\u00e7\u00e3o exige a interven\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s \ua7f7 no comportamento individual e colectivo \ua7f7 aconselhando tamb\u00e9m formas de interven\u00e7\u00e3o do Estado e de todas as componentes da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisemos mais detalhadamente a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DAS REDES SOCIAIS AO CAMBRIDGE ANALYTICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Microsoft permitiu com o seu sistema operativo Windows a multitarefa, hoje espontaneamente assumida por todos como o \u00abhabitual\u00bb. A Internet permitiu superar a diversidade de protocolos de comunica\u00e7\u00e3o entre computadores e alargou as possibilidades de \u00abdi\u00e1logo\u00bb a todos os cidad\u00e3os. As redes sociais facilitaram essas possibilidades, donde resultou o reencontro de familiares, de amigos, da maior facilidade em encontrar doadores e receptores, etc. A Google, e outros, potenciam todas estas facilidades, ajudaram a banalizar a utiliza\u00e7\u00e3o do correio electr\u00f3nico, permitiram a comunica\u00e7\u00e3o entre povos de l\u00ednguas diferentes e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, depois de v\u00e1rios anos em que a difus\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o nas novas tecnologias, na actualidade, sem as abandonar, concentram-se essencialmente na difus\u00e3o de novos programas inform\u00e1ticos que permitem a comunica\u00e7\u00e3o, as nuvens de dados e elementos similares, assim como a protec\u00e7\u00e3o individual contra os excessos sentidos das novas realidades. Contudo, simultaneamente h\u00e1 tamb\u00e9m muitos aspectos negativos nesta nova din\u00e2mica: difus\u00e3o, por vias difusas e a uma velocidade estrondosa, de not\u00edcias falsas; a manipula\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os por estas, o isolamento da realidade (chegando \u00e0s doen\u00e7as mentais, flagela\u00e7\u00e3o f\u00edsica e at\u00e9 suic\u00eddios). O terrorismo utilizou estas vias. Criaram-se muitas fraudes novas e modificaram-se muitas das antigas, dificultando a sua detec\u00e7\u00e3o. Roubaram-se imperceptivelmente muitos dados e arruinaram-se muitas vidas. Consolidou o branqueamento de riqueza e fortaleceu-se a criminalidade organizada, permitindo a generaliza\u00e7\u00e3o e mundializa\u00e7\u00e3o daquela.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cambridge Analytica, com a manipula\u00e7\u00e3o do eleitorado que permitiu a elei\u00e7\u00e3o de Trump \ua7f7 culminando nos acontecimentos recentes que indignaram o mundo \ua7f7 mostrou, no entanto, de uma forma clara os aspectos negativos da din\u00e2mica inform\u00e1tica recente: algumas campanhas eleitorais utilizam exclusivamente as redes sociais, alguns populistas e ditadores utilizam preferencialmente essa via. Por outras palavras, podemos dizer que as redes sociais frequentemente servem preferencialmente para combater a democracia, negociar o futuro da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cambridge Analytica \ua7f7 tornando p\u00fablico o que era privado (de mais de 87 milh\u00f5es de cidad\u00e3os), difundindo not\u00edcias falsas e parciais, algumas representando um atraso civilizacional (como a da Terra ser plana) \u2013 iniciou novos processos de manipula\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, totalmente ignorados pelos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>Simultaneamente contribuiu para a maneira geral de se ser, estar e sentir, como \u00e9 o caso, por exemplo, da predomina\u00e7\u00e3o do curto prazo na organiza\u00e7\u00e3o futura da vida quotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 f\u00e1cil perceber isto. Justamente as empresas vivem para ter lucro. As empresas de software como as redes sociais ou o Google s\u00e3o usadas por todos n\u00f3s de forma gratuita. A publicidade \u00e9 a sua via de neg\u00f3cio e os anunciantes s\u00e3o os seus clientes, os quais optam pelas redes sociais casos tenham, por essa via, maiores probabilidade de sucesso. Contudo isto s\u00f3 acontecer\u00e1 se as redes sociais usarem os seus utilizadores como o seu produto. Como diz Tristan Harris, respons\u00e1vel do Gmail, no filme \u00abO dilema das redes sociais\u00bb, o grande neg\u00f3cio das redes sociais \u00e9 vender os seus usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorrendo a algoritmos v\u00e1rios, \u00e0 Psicologia, \u00e0s Neuroci\u00eancias e \u00e0 Intelig\u00eancia Artificial manipulam-nos: invadindo a nossa privacidade, aumentando a nossa depend\u00eancia de equipamentos e programas \ua7f7 sem termos disso consci\u00eancia \ua7f7, aumentando os \u00abamigos\u00bb, etc. Enfim, conhecendo-nos, influenciando-nos, vendendo os nossos usos e costumes como consumidores e cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUE FAZER?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fiscalizando, impedindo os abusos e potenciando as virtualidades, condicionando e regulando.<\/p>\n\n\n\n<p>Como?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Expresso online (106 13\/01\/2021) \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-45823","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45823"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45824,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45823\/revisions\/45824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}