{"id":45792,"date":"2021-02-19T15:26:22","date_gmt":"2021-02-19T15:26:22","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45792"},"modified":"2021-02-19T15:26:25","modified_gmt":"2021-02-19T15:26:25","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-3-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45792","title":{"rendered":"Utopias e distopias &#8211; ou o ano em que tudo, mas mesmo tudo, vai ficar bem"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>M\u00e1rio Tavares da Silva<\/strong><\/span>, Expresso online (104 30\/12\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-12-30-Utopias-e-distopias----ou-o-ano-em-que-tudo-mas-mesmo-tudo-vai-ficar-bem\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/104-MTSilva-DEZ2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>As burlas, as fraudes online e outros neg\u00f3cios de perfil criminoso, alguns deles em regime porta-a-porta, foram inventados pelos abutres oportunistas do costume e proliferaram (e assim continuam), sem freio, irrompendo l\u00e1 onde o medo e a solid\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis, em especial os mais idosos, abriram espa\u00e7o. Esta \u00e9, se me permitem, uma \u00e1rea a merecer a maior das aten\u00e7\u00f5es por parte das entidades competentes, em particular as de investiga\u00e7\u00e3o criminal, de regula\u00e7\u00e3o e de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controlo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n<p>Estamos a dois dias do final de mais um ano. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano, por sinal, muito diferente de todos os outros. Daqueles sobre que versar\u00e1, certamente, nos manuais de Hist\u00f3ria, um dos mais terr\u00edveis cap\u00edtulos da vida pol\u00edtica, social, econ\u00f3mica, emocional e sanit\u00e1ria da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano em que, sejamos claros, fomos capazes do melhor e do pior. Um ano como h\u00e1 muito n\u00e3o viv\u00edamos. Intenso, assustador, desafiante e disruptivo, a reclamar de todos e de cada um de n\u00f3s, o mais corajoso exerc\u00edcio de supera\u00e7\u00e3o perante uma das maiores cat\u00e1strofes sanit\u00e1rias mundiais de que h\u00e1 mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano a que, \u00e9 certo, se seguir\u00e3o muitos outros, num permanente e impar\u00e1vel devir mas em que nada, rigorosamente nada, ser\u00e1 como dantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui neste paradis\u00edaco recanto da Europa \u00e0 beira mar plantado, o pa\u00eds parou e, um pouco por toda a parte, o mundo estremeceu, vergado perante um inimigo invis\u00edvel e desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>O coronav\u00edrus foi (e infelizmente continuar\u00e1 a ser por mais algum tempo) o pior dos nossos mais tenebrosos pesadelos. Como sabiamente referiu Iraj Harirchi, Vice-Ministro iraniano, o coronav\u00edrus \u00e9 um \u201cv\u00edrus democr\u00e1tico, n\u00e3o distinguido entre ricos e pobres\u201d. E isso, por si s\u00f3, j\u00e1 nos deve fazer parar e pensar sobre o que verdadeiramente nos aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que perante o desconhecido, fomos tateando, aqui e ali, qual o caminho que melhor nos protegia. Estados de emerg\u00eancia, confinamentos, recolhimentos obrigat\u00f3rios, distanciamentos sociais e outras medidas avulsas de combate \u00e0 pandemia, foram sendo tomadas um pouco por toda \u00e0 parte e com intensidades de geometria vari\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo isso, morreram muitos dos nossos e muitos, por muito que lutemos, ainda ir\u00e3o morrer, fruto deste v\u00edrus que, como provocatoriamente refere Bernard-Henri L\u00e9vy, nos enlouquece.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ano que agora finda, prov\u00e1mos que somos capazes de grandes feitos.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio de tanto medo, n\u00e3o nos acobert\u00e1mos por detr\u00e1s do biombo da indiferen\u00e7a e da resigna\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio. Fomos corajosos, bravos, resilientes e, sobretudo, solid\u00e1rios e de uma generosidade e altru\u00edsmo que nos deve encher de orgulho, procurando sempre, aqui e ali, da forma que nos foi poss\u00edvel, ajudar o pr\u00f3ximo, estendendo-lhe a m\u00e3o e incentivando-o a n\u00e3o desistir. Neste ambiente de grande incerteza, as crian\u00e7as, as nossas crian\u00e7as, mostraram estar \u00e0 altura de serem os homens e as mulheres do futuro, ajudando, com o seu sorriso e resili\u00eancia, aqueles que fraquejavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltaram \u00e0s escolas e souberam responder com inexced\u00edvel sabedoria, for\u00e7a e enorme beleza a um v\u00edrus escondido, trai\u00e7oeiro, dissimulado e que tudo fez (e tem feito) para semear a desgra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Que crian\u00e7as fant\u00e1sticas estas que n\u00f3s temos!<\/p>\n\n\n\n<p>Que exemplo de vida que elas, t\u00e3o pequenas, foram capazes de nos transmitir.<\/p>\n\n\n\n<p>Jamais nos esqueceremos da ic\u00f3nica, esmagadora e poderosa mensagem de que tudo iria ficar bem (\u201c<em>andr\u00e0 tutto bene<\/em>\u201d),&nbsp;desenhada em cartazes e pintada em len\u00e7\u00f3is por milhares de crian\u00e7as italianas e que tingiram de m\u00faltiplas cores a centelha de esperan\u00e7a que parecia so\u00e7obrar, num inigual\u00e1vel e irrepet\u00edvel gesto de uni\u00e3o de todos os povos, a bra\u00e7os com a terr\u00edvel pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Serviu, tamb\u00e9m, para prestar a mais do que merecida homenagem \u00e0 luta ent\u00e3o travada pelos hospitais italianos, logo nos primeiros meses da pandemia, e ao isolamento social que come\u00e7ava ent\u00e3o a campear um pouco por toda a Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m fomos, como sempre, capazes do pior.<\/p>\n\n\n\n<p>As burlas, as fraudes online e outros neg\u00f3cios de perfil criminoso, alguns deles em regime porta-a-porta, foram inventados pelos abutres oportunistas do costume e proliferaram (e assim continuam), sem freio, irrompendo l\u00e1 onde o medo e a solid\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis, em especial os mais idosos, abriram espa\u00e7o. Esta \u00e9, se me permitem, uma \u00e1rea a merecer a maior das aten\u00e7\u00f5es por parte das entidades competentes, em particular as de investiga\u00e7\u00e3o criminal, de regula\u00e7\u00e3o e de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controlo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, e j\u00e1 a cortar a meta de 2020, eis a luz no fundo do t\u00fanel. Uma luz que \u00e9, tamb\u00e9m, uma das mais belas e extraordin\u00e1rias p\u00e1ginas que ficar\u00e1 inscrita nos anais da hist\u00f3ria da medicina. Uma vacina num tempo recorde. No entanto, desenganem-se os mais exuberantes, pois a t\u00e3o desejada vacina que come\u00e7a agora a ser ministrada n\u00e3o constitui a panaceia para todos os nossos males. Ela \u00e9, apenas e t\u00e3o-s\u00f3, o in\u00edcio do contra-ataque da humanidade ao coronav\u00edrus, sendo que n\u00e3o devemos olvidar, por um segundo que seja, que todos ainda estamos em campo.<\/p>\n\n\n\n<p>A bola rola de um lado para o outro e todos estamos em jogo, vacinados e n\u00e3o vacinados. Isto significa que temos que continuar a fazer todos, o nosso trabalho de casa e a cumprir, escrupulosamente, as regras definidas pelas autoridades de sa\u00fade respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que como brilhantemente nos interpela Tolentino de Mendon\u00e7a no seu \u00faltimo livro \u201cO que \u00e9 amar um pa\u00eds \u2013 O Poder da Esperan\u00e7a\u201d, \u201c<em>a calamidade \u00e9 uma esp\u00e9cie de lugar dist\u00f3pico, contr\u00e1rio de uma utopia: uma desgra\u00e7a<\/em>\u201d, ao passo que \u201c<em>o tempo da gra\u00e7a \u00e9 o inverso, \u00e9 a utopia, o tempo idealizado, essa esp\u00e9cie de plenitude do desejo<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O desejo, digo eu agora, \u00e9 que tudo em 2021 retome a sua normalidade e possamos, gradativamente, recuperar, sobretudo, a liberdade que o maldito v\u00edrus nos roubou.<\/p>\n\n\n\n<p>Quero acreditar mesmo, como aquelas fant\u00e1sticas crian\u00e7as italianas profetizaram, que 2021 \u00e9 o ano em que tudo, mas mesmo tudo vai ficar bem!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Tavares da Silva, Expresso online (104 30\/12\/2020) \u00a0 \u00a0 As burlas, as fraudes online e outros neg\u00f3cios de perfil criminoso, alguns deles em regime porta-a-porta, foram inventados pelos abutres oportunistas do costume e proliferaram (e assim continuam), sem freio, irrompendo l\u00e1 onde o medo e a solid\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis, em especial os mais&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45792\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-45792","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45792"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45795,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45792\/revisions\/45795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}