{"id":45777,"date":"2021-02-07T18:35:42","date_gmt":"2021-02-07T18:35:42","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45777"},"modified":"2021-02-07T18:35:44","modified_gmt":"2021-02-07T18:35:44","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45777","title":{"rendered":"Todos n\u00f3s somos as cobaias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/todos-nos-somos-as-cobaias-13308387.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/DV117.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p><strong>Aspectos j\u00e1 referidos<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00faltima cr\u00f3nica chamamos \u00e0 aten\u00e7\u00e3o sobre os impactos das \u00abredes sociais\u00bb [1] sobre a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, acabando, de alguma forma, por se imporem como instrumentos de trabalho comuns, por vezes contra a \u00e9tica dominante, e necess\u00e1ria. Mais, essas viola\u00e7\u00f5es da livre escolha individual e do livre arb\u00edtrio de cidad\u00e3os surgem frequentemente como desejadas, essencialmente em resultado de h\u00e1bitos adquiridos. A grande quantidade de not\u00edcias falsas \ua7f7 e a consequente influ\u00eancia de uns pa\u00edses sobre os assuntos internos de outros, a vicia\u00e7\u00e3o de mentalidades e de resultados eleitorais, entre outros aspectos \ua7f7 s\u00e3o um exemplo frequente. A actua\u00e7\u00e3o da Cambridge Analityca, manipulando os resultados eleitorais quando da pen\u00faltima elei\u00e7\u00e3o para a presid\u00eancia dos EUA \u00e9 hoje detalhadamente reconhecida [2].<\/p>\n<p><strong>O seu significado<\/strong><\/p>\n<p>Nesta\u00a0 cr\u00f3nica vamos reflectir um pouco sobre o assunto.<\/p>\n<p>Se hoje \u00e9 f\u00e1cil encontrar consequ\u00eancias nefastas das redes sociais, mesmo para al\u00e9m das anteriormente referidas (grande depend\u00eancia humana da tecnologia, apoio a movimentos terroristas, autoflagela\u00e7\u00e3o e suic\u00eddios, etc., bem patente no per\u00edodo de pandemia que actualmente vivemos, levando a movimento de massas por algumas posi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o a completa nega\u00e7\u00e3o de descobertas cient\u00edficas, por vezes seculares, como dizendo que a Terra \u00e9 plana) nunca nos poderemos esquecer dos grandes progressos que permitiram (por exemplo, reunir fam\u00edlias, p\u00f4r em contacto pessoas distantes, compatibilizar receptores e doadores diversos, incluindo salvando vidas). Hoje qualquer pessoa tem um email, traduz textos de e para muitas l\u00ednguas, procura os estabelecimentos comercias existentes numa zona, contacta instantaneamente com os amigos em qualquer parte do mundo, divulga conhecimentos \u00e0 dist\u00e2ncia, tem acesso a muitos livros e artigos, etc. Mais, tudo isto \u00e9 gratuito. N\u00e3o temos de pagar por tal.<\/p>\n<p>Tudo gratuito! Maravilhoso para todos n\u00f3s. Mas n\u00e3o ser\u00e1 que tal \u00e9 estranho quando \u00e9 praticado por uma empresa (como, por meros exemplos, a Google, o Facebook ou o Twitter entre muitas outras) , que visa legitima e eticamente a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro? Que, no caso do usufrutu\u00e1rio dessa gratuidade \u00e9 uma empresa ou um profissional em nome individual que visa tamb\u00e9m essa racionalidade econ\u00f3mica? Como se justifica?<\/p>\n<p>De uma forma simples. Tudo isso \u00e9 gratuito porque todos n\u00f3s somos as cobaias. Os seus clientes s\u00e3o os anunciantes que optam por eles caso garantam mais vendas que as outras vias. Quem \u00e9 que os anunciantes visam atingir? N\u00f3s. Por isso \u00e9 que todos n\u00f3s, utilizadores, somos estudados e analisados ao pormenor, perdendo toda a privacidade:<\/p>\n<p>\u201cA\u00a0\u00a0 cada segundo, os algoritmos alimentam-se dos nossos dados pessoais. Em que tipo de links\u00a0 clicamos? Que v\u00eddeos vemos\u00a0 at\u00e9 ao fim? A que velocidade passamos de uma coisa para outra? Onde nos encontramos no momento em que fazemos estas coisas? Com quem nos relacionamos, online e na vida real? Que express\u00f5es faciais usamos? Como \u00e9 que a tez da nossa pele muda em diferentes situa\u00e7\u00f5es? O que est\u00e1vamos a fazer antes de decidir comprar, ou n\u00e3o, alguma coisa? Votar ou n\u00e3o votar?\u201d [3]<\/p>\n<p>Com estas e outras an\u00e1lises classificam-nos e sabem como nos influenciar, juntando os conhecimentos crescentes das Neuroci\u00eancias, da Psicologia, da Intelig\u00eancia Artificial, do Marketing, utilizando intensa e sistematicamente diversos \u00a0algoritmos.<\/p>\n<p><strong>Pagamos indirectamente<\/strong><\/p>\n<p>Dissemos anteriormente que nada pagamos pela utiliza\u00e7\u00e3o das redes sociais ou do Google, mas a verdade \u00e9 que efectivamente pagamos de outra forma. Por outras vias. As empresas das redes sociais, como grande parte das grandes empresas, sobretudo multinacionais, pagam uma grande parte dos seus impostos nos para\u00edsos fiscais, usufruindo da legalidade do roubo de uns pa\u00edses por outros e de uma estreita rede de mudan\u00e7a de propriedade e de branqueamento da riqueza.<\/p>\n<p>E j\u00e1 sabemos \ua7f7 este assunto tem sido abordado mais frequentemente \ua7f7 que a fraude fiscal de alguns traduz-se sempre em maiores pagamentos da nossa parte, sobretudo dos honestos, e da\u00ed resulta n\u00f3s pagarmos mais do que dever\u00edamos.<\/p>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>[1] Segundo Merckl\u00e9, P. (2011). <em>Sociologie des r\u00e9seaux sociaux<\/em>. Paris: La D\u00e9couverte.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo brit\u00e2nico John A. Barnes,\u00a0 que foi o primeiro a usar o\u00a0 conceito de\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \"rede social\"\u00a0\u00a0\u00a0 num famoso artigo publicado em 1954, ainda ficou\u00a0 surpreendido quando descobriu que tinha ajudado a forjar o t\u00edtulo de um dos grandes\u00a0 sucessos do cinema mundial em 2010, <em>a<\/em> <em>Rede<\/em> <em>Social,<\/em>\u00a0 o filme de David Fincher que conta a cria\u00e7\u00e3o do <em>Facebook <\/em>de Mark Zuckerberg<\/p>\n<p>Acrescente-se que o que \u00e9 dito neste artigo se estende a muitas outras aplica\u00e7\u00f5es inform\u00e1ticas gratuitas, porque, em contrapartida, aceitamos ser destinat\u00e1rios de publicidade.<\/p>\n<p>[2] Sobre o assunto, veja-se, por exemplo, \u00abNada \u00e9 Privado\u00bb dispon\u00edvel na Netflix.<\/p>\n<p>[3] Meros exemplos de uma actividade sistem\u00e1tica que permite classificar cada um de n\u00f3s de uma forma diferenciada. Citado em Lanier, J. (2020 [2018]). <em>Stop aux R\u00e9seaux Sociaux - 10 bonnes r\u00e9sons de s'en m\u00e9fier et de s'en lib\u00e9rer<\/em> (G. Bardiaux, Trans.). Louvain-la-Neuve: DeBoeck Superieur, p\u00e1g. 11.<\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-45777","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45777"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45781,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45777\/revisions\/45781"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}