{"id":45754,"date":"2021-01-29T23:30:28","date_gmt":"2021-01-29T23:30:28","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45754"},"modified":"2021-01-29T23:30:31","modified_gmt":"2021-01-29T23:30:31","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-3-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45754","title":{"rendered":"Compras online, todo o cuidado \u00e9 pouco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira<\/strong><\/span>, Expresso online (102 16\/12\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-12-16-Compras-online-todo-o-cuidado-e-pouco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/102-JAMoreira-DEZ2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>O comprador online tem de agir como se estivesse embrenhado numa selva desconhecida e cheia de perigos, onde tem de procurar proteger-se do que de danoso pode surgir em cada p\u00e1gina que visita. Mesmo assim, o risco nunca desaparece completamente<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n\n\nA reclus\u00e3o caseira provocada pelas medidas de conten\u00e7\u00e3o da covid-19 tem, paulatinamente, vindo a mudar os h\u00e1bitos de compra. Nalguns casos por necessidade, mas cada vez mais por comodidade, j\u00e1 nem se pensa em ir a uma loja f\u00edsica comprar os produtos de que se necessita. Abre-se o computador, pesquisam-se potenciais vendedores, encomenda-se, faz-se o pagamento e acredita-se que tudo correr\u00e1 bem.\nCen\u00e1rio 1\nA empresa vendedora \u00e9 conhecida. O risco de se ser defraudado por falta de entrega do produto \u00e9 muito reduzido. Os restantes riscos e possibilidades de lit\u00edgios, por exemplo por defeito do produto adquirido, n\u00e3o ser\u00e3o muito diferentes dos existentes na compra em loja f\u00edsica.\nCen\u00e1rio 2\t\nA experi\u00eancia de compra come\u00e7a com a procura de empresas vendedoras do produto. Plataformas de \u201ce-commerce\u201d como a KuntaKusta tendem a ser o primeiro local de visita. A\u00ed se encontra, com facilidade, uma lista de empresas fornecedoras (muitas delas conhecidas), a proposta de pre\u00e7o de cada uma e detalhes sobre o prazo e despesas da entrega.\nNeste cen\u00e1rio o risco n\u00e3o est\u00e1 na n\u00e3o exist\u00eancia da empresa vendedora. As plataformas em que ela se domicilia, ao exigirem uma inscri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, controlam a respetiva exist\u00eancia. O risco est\u00e1, sobretudo, num eventual n\u00e3o cumprimento das condi\u00e7\u00f5es da oferta, nomeadamente prazos de entrega (o que tamb\u00e9m pode acontecer no cen\u00e1rio 1).\nImagine o leitor que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o de compra deste tipo, a empresa que prop\u00f5e a melhor oferta financeira \u00e9-lhe totalmente desconhecida. Tenha calma. A poupan\u00e7a de uns quantos euros na compra, sempre apetec\u00edvel, n\u00e3o deve toldar-lhe o discernimento no momento da decis\u00e3o da compra. Essa poupan\u00e7a virtual pode vir a desvanecer-se no futuro, face \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de eventuais conflitos supervenientes. Se a plataforma disponibiliza coment\u00e1rios de anteriores clientes dessa empresa, ou um indicador do grau de satisfa\u00e7\u00e3o em anteriores compras, o leitor tem a sua decis\u00e3o de compra facilitada, podendo tom\u00e1-la de modo mais alicer\u00e7ado. Por\u00e9m, se essa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel o processo de compra n\u00e3o dever\u00e1 terminar a\u00ed. O leitor abra o motor de busca e fa\u00e7a uma pequena pesquisa sobre essa empresa. Por exemplo, \u201cempresa X reclama\u00e7\u00f5es\u201d. Mais vezes do que seria esperado e desej\u00e1vel, vai encontrar informa\u00e7\u00e3o sobre a empresa que o ajudam a ter uma mais concreta perce\u00e7\u00e3o do risco de com ela transacionar: \u201ca empresa demorou mais de duas semanas a entregar o produto, quando se propusera entreg\u00e1-lo ao fim de dois dias\u201d; \u201co produto ainda n\u00e3o chegou e a empresa n\u00e3o atende os meus telefonemas\u201d; \u201ca encomenda n\u00e3o chega e n\u00e3o encontro um endere\u00e7o ou n\u00famero de telefone para onde possa ligar\u201d. Informa\u00e7\u00f5es deste teor levar\u00e3o o leitor, certamente, a equacionar se tal empresa \u00e9 o parceiro comercial com quem quer negociar.\nEste cen\u00e1rio e o anterior correspondem, metaforicamente, ao atravessar de uma rua na passadeira. H\u00e1 sempre o risco de se poder ser atropelado, mas \u00e9 bastante reduzido e tende a diluir-se na medida em que o comprador, antes de colocar o p\u00e9 na passadeira, olhe para ambos os lados da rua para se certificar de que n\u00e3o h\u00e1 um condutor distra\u00eddo na via.\n\nCen\u00e1rio 3\nO mais arriscado, em que o comprador procura transacionar em terreno aberto, cheio de perigos. Corresponde a atravessar uma rua de grande movimento fora da passadeira. O risco de ser atropelado \u00e9 elevado, i.e. o risco de ser financeiramente defraudado, por via de o pagamento que efetuou nunca vir a ter como contrapartida a chegada do desejado produto que adquiriu, aquela pechincha que lhe toldou a raz\u00e3o.\nImagine o leitor que quer comprar uns t\u00e9nis de marca, aqueles com que h\u00e1 muito tempo sonha para o acompanharem nas suas caminhadas, mas que s\u00f3 agora tem disponibilidade para adquirir. Vai \u00e0s plataformas do costume, as propostas de venda que recolhe s\u00e3o um pouco mais atrativas do que as da loja f\u00edsica que h\u00e1 tempos visitara, mas n\u00e3o s\u00e3o ainda a pechincha que deseja. Alarga a sua pesquisa, insere palavras-chave no motor de busca, come\u00e7am a aparecer outras propostas, esta sim atraentes. Alguns dos proponentes vendedores at\u00e9 t\u00eam um \u201csite\u201d atrativo, a proposta \u00e9 irrecus\u00e1vel, at\u00e9 s\u00f3 h\u00e1 dois pares dispon\u00edveis. Recolhe o IBAN para a transfer\u00eancia, fecha a compra, j\u00e1 se v\u00ea com os bonitos t\u00e9nis nos p\u00e9s. Os dias passam e nada chega. Volta ao \u201csite\u201d e n\u00e3o h\u00e1 canal de contacto para deixar uma mensagem ou para efetuar um telefonema. Sente que algo n\u00e3o est\u00e1 bem. Olha, agora, para o endere\u00e7o eletr\u00f3nico do \u201csite\u201d e n\u00e3o consegue perceber em que pa\u00eds est\u00e1 domiciliado. Faz uma pesquisa na internet, mas n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o sobre a empresa\/vendedor, para al\u00e9m do dito \u201csite\u201d. Teme o pior. Tem raz\u00e3o para isso, como vem a comprovar.\nNeste cen\u00e1rio, o comprador deveria ter presente, antes de concretizar a compra, aquele c\u00e9lebre prov\u00e9rbio \u201cquando a esmola \u00e9 grande o pobre desconfia [deve desconfiar]\u201d. \u00c9 dif\u00edcil, efetivamente, resistir a uma esmola grande. Mas, para algu\u00e9m em tal situa\u00e7\u00e3o, a respetiva desconfian\u00e7a \u00e9, na verdade, a \u00fanica prote\u00e7\u00e3o que tem contra a fraude de que est\u00e1 prestes a ser v\u00edtima. O olhar para o endere\u00e7o eletr\u00f3nico do potencial vendedor e procurar situ\u00e1-lo geograficamente; o pesquisar informa\u00e7\u00e3o sobre o vendedor e se nada aparecer n\u00e3o presumir que se trata de um aspeto positivo; o questionar-se sobre como \u00e9 poss\u00edvel que algu\u00e9m consiga propor tal pechincha \u2026 Se n\u00e3o tiver respostas que respondam cabalmente a d\u00favidas como estas o comprador racional deveria \u201cpartir para outra\u201d, procurando fornecedor alternativo para os seus t\u00e9nis, mesmo que custem um pouco mais.\nEp\u00edlogo\nFazer compras \u201conline\u201d n\u00e3o deve ser encarado como um jogo de sorte e azar, como uma roleta russa. A racionalidade do comprador, mais do que a emo\u00e7\u00e3o inerente a uma pechincha, deve preponderar. Ele tem de agir como se estivesse embrenhado numa selva desconhecida e cheia de perigos, onde tem de procurar proteger-se do que de danoso pode surgir em cada p\u00e1gina que visita. Mesmo assim, o risco nunca desaparece completamente.\nAs autoridades alertam para a frequente ocorr\u00eancia de fraudes em compras \u201conline\u201d, peritos em seguran\u00e7a afian\u00e7am que os defraudadores est\u00e3o a viver um momento \u00e1ureo das suas vidas e que \u00e9 mais f\u00e1cil defraudar quem anda \u00e0 procura de uma pechincha, do que roubar rebu\u00e7ados a uma criancinha.\nAt\u00e9 por isto, todo o cuidado \u00e9 pouco.\n\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online (102 16\/12\/2020) \u00a0 \u00a0 O comprador online tem de agir como se estivesse embrenhado numa selva desconhecida e cheia de perigos, onde tem de procurar proteger-se do que de danoso pode surgir em cada p\u00e1gina que visita. 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