{"id":45729,"date":"2021-01-16T19:28:14","date_gmt":"2021-01-16T19:28:14","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45729"},"modified":"2021-01-16T19:28:20","modified_gmt":"2021-01-16T19:28:20","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-3-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45729","title":{"rendered":"A arte de furtar bili\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta<\/strong><\/span>, Expresso online (100 02\/12\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-12-02-A-arte-de-furtar-bilioes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/100-CPimenta-DEZ2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os para\u00edsos fiscais e a \"concorr\u00eancia entre pa\u00edses na arte de furtar os fisco alheio\"<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>1 \u2013 Na \u00faltima cr\u00f3nica neste mesmo local mostr\u00e1mos o perigo que representa a lavagem de dinheiro, hoje frequentemente associado ao terrorismo, talvez mais como palavra de ordem do que como realidade. Por outras palavras, procura-se refor\u00e7ar o horror generalizado ao branqueamento do rendimento, dada a sua gravidade para o futuro da humanidade (dom\u00ednio dos neg\u00f3cios l\u00edcitos pela criminalidade organizada, corrup\u00e7\u00e3o e generaliza\u00e7\u00e3o das fraudes, atentados \u00e0 democracia, entre outros).<\/p>\n<p>Conclu\u00edmo-lo mostrando a exist\u00eancia de estruturas legais para o fazer, criadas pelos Estados, os conhecidos para\u00edsos fiscais. Constituindo uma densa rede internacional (capaz de encobrir propriedade, manipular pre\u00e7os e diversificar os crimes fiscais) e tendo como n\u00facleos dominantes a Am\u00e9rica do Norte e a Europa quer indirectamente, como o Reino Unido (via depend\u00eancias e Commonwealth of Nations), quer directamente como a Su\u00ed\u00e7a, o Luxemburgo e a Holanda. \u00c9 exactamente sobre esta via \ua7f7 tratada e defendida como \u00abconcorr\u00eancia econ\u00f3mica\u00bb quando mais n\u00e3o \u00e9 que \u00abconcorr\u00eancia entre pa\u00edses na arte de furtar o fisco alheio\u00bb \ua7f7 que trataremos nesta cr\u00f3nica, aproveitando para o efeito um recente documento da Rede de Justi\u00e7a Fiscal (RJF).<\/p>\n<p>2 \u2013 Diversos organismos internacionais se t\u00eam pronunciado contra a exist\u00eancia dessa rede de para\u00edsos fiscais e, obviamente, de cada um, mas h\u00e1 o reconhecimento generalizado da falta de vontade pol\u00edtica de o decidir. Assim, tem-se recorrido sobretudo a vias indirectas de os condicionar. S\u00e3o exemplos disso as dificuldades criadas em alguns offshores (como as Ilhas Caim\u00e3o) \u00e0 lavagem de dinheiro, \u00e0 troca \u00abautom\u00e1tica\u00bb de informa\u00e7\u00e3o entre administra\u00e7\u00f5es fiscais \ua7f7 nem sempre realizadas e verdadeiras \ua7f7 proposta pela OCDE.<\/p>\n<p>Tendo em aten\u00e7\u00e3o que do ponto de vista fiscal os offshores servem particularmente para as actividades internacionais das multinacionais e das grandes fortunas, manipulando a seu favor o pagamento de impostos (isto \u00e9, pagando o m\u00ednimo poss\u00edvel), tem sido frequentemente referido que \u201cos relat\u00f3rios de actividade e de contas das multinacionais devem ser p\u00fablicos e descrevendo a actividade realizada em cada pa\u00eds (ou regi\u00e3o), de acordo com um conjunto de regras contabil\u00edsticas claramente definidas\u201d, come\u00e7ando por admitir que tal \u00e9 poss\u00edvel e que h\u00e1 capacidade e vontade pol\u00edtica para o fiscalizar.<\/p>\n<p>S\u00e3o esses os dados retidos e analidasos pelo referido documento da RJF (\u201cThe State of Tax Justice 2020\u201d), que de seguida transcrevemos (muit\u00edssimo parcamente).<\/p>\n<p>(Aproveitamos tamb\u00e9m para referir, tendo-o j\u00e1 feito noutras cr\u00f3nicas noutros jornais, o referido no documento do OBEGEF, preocupado com os impactos das multinacionais americanas na Uni\u00e3o Europeia, dispon\u00edvel no\u00a0<em>site<\/em>\u00a0daquela organiza\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>3 \u2013 O documento agora publicado pela RJF, utilizando para tal informa\u00e7\u00f5es prestadas pela OCDE, exige uma grande aten\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s, sendo publicado em v\u00e1rias l\u00ednguas, incluindo o portugu\u00eas. \u00c9 certo que se centra na actua\u00e7\u00e3o das empresas (\u201cdas corpora\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos mais ricos em detrimento de todos os outros\u201d) em termos fiscais, mas trata-se de um documento vital, assumindo a posi\u00e7\u00e3o \u201cde que os impostos sejam pagos onde ocorre a actividade econ\u00f3mica\u201d.<\/p>\n<p>Acrescente-se em complemento que mesmo \u201cas popula\u00e7\u00f5es dos para\u00edsos fiscais mais agressivos, que minam os direitos tribut\u00e1rios de outros pa\u00edses, normalmente n\u00e3o beneficiam dos limitados \u00abganhos\u00bb obtidos\u201d.<\/p>\n<p>Para agu\u00e7ar o apetite do leitor apresentamos de seguida algumas, parcas, informa\u00e7\u00f5es sobre o seu conte\u00fado:<\/p>\n<ul>\n<li>\u201co mundo perde anualmente mais de 427 bili\u00f5es de d\u00f3lares americanos (427.000.000.000) em impostos devido ao abuso fiscal internacional. Desses 427 bili\u00f5es, 245 bili\u00f5es s\u00e3o perdidos para empresas multinacionais que transferem lucros para para\u00edsos fiscais a fim de subdeclarar rendimentos obtidos em pa\u00edses onde fazem neg\u00f3cios e, consequentemente, pagar menos impostos do que deveriam. Os restantes 182 bili\u00f5es s\u00e3o perdidos para milion\u00e1rios que escondem activos e rendimentos n\u00e3o declarados no exterior, fora do alcance da lei.\u201d<\/li>\n<li>\u201cOs\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0renda mais\u00a0alta\u00a0perdem mais impostos\u00a0(382,7 bili\u00f5es)\u00a0do\u00a0que\u00a0os\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0renda mais baixa\u00a0(45\u00a0bili\u00f5es).\u00a0No\u00a0entanto,\u00a0as\u00a0perdas\u00a0fiscais dos\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0renda mais baixa\u00a0s\u00e3o\u00a0proporcionalmente\u00a0maiores quando comparadas\u00a0\u00e0\u00a0receita tribut\u00e1ria\u00a0que\u00a0normalmente\u00a0arrecadam.\u00a0Os\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0baixa renda perdem\u00a0o\u00a0equivalente\u00a0a\u00a05,8% de\u00a0sua\u00a0receita tribut\u00e1ria arrecadada,\u00a0enquanto\u00a0os\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0alta\u00a0renda\u00a0perdem\u00a02,5%.\u00a0Embora\u00a0essa\u00a0tend\u00eancia\u00a0se\u00a0mant nha\u00a0para\u00a0perdas\u00a0fiscais\u00a0devido\u00a0ao\u00a0abuso\u00a0de\u00a0impostos\u00a0corporativos,\u00a0onde\u00a0os\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0baixa\u00a0renda\u00a0perdem\u00a0o\u00a0equivalente\u00a0a\u00a05,5% de\u00a0sua\u00a0receita tribut\u00e1ria\u00a0arrecadada\u00a0e\u00a0os\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0alta\u00a0renda perdem\u00a01,3%,\u00a0os\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0alta\u00a0renda\u00a0perdem\u00a0propor\u00e7\u00f5es\u00a0maiores\u00a0quando\u00a0se\u00a0trata\u00a0deperdas\u00a0fiscais para\u00a0o\u00a0sector privado, a\u00a0evas\u00e3o\u00a0fiscal. Os\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0renda mais\u00a0alta\u00a0perdem\u00a0o\u00a0equivalente\u00a0a 1,2%\u00a0de\u00a0sua\u00a0receita tribut\u00e1ria colectada,\u00a0enquanto\u00a0os\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0renda mais baixa perdem\u00a00,3%.\u00a0Reconhecemos\u00a0v\u00e1rias raz\u00f5es\u00a0potenciais\u00a0para este\u00a0resultado.\u00a0Embora seja poss\u00edvel\u00a0que\u00a0simplesmente exist\u00e3o\u00a0relativamente menos\u00a0indiv\u00edduos\u00a0ricos\u00a0em\u00a0pa\u00edses\u00a0de\u00a0renda baixa\u00a0que\u00a0utilizam centros financeiros offshore\u00a0para\u00a0esconder\u00a0os\u00a0seus activos,\u00a0esta\u00a0conclus\u00e3o\u00a0pode\u00a0tamb\u00e9m\u00a0ser\u00a0resultado\u00a0de\u00a0defici\u00eancias\u00a0nos\u00a0dados\u00a0dispon\u00edveis,\u00a0ou da\u00a0nossa\u00a0metodologia.\u00a0An\u00e1lises\u00a0futuras\u00a0possivelmente adoptar\u00e3o uma abordagem menos conservadora\u00a0caso\u00a0melhores dados estejam\u00a0dispon\u00edveis.\u201d Por outras palavras, tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica que vivemos, \u201canualmente os pa\u00edses perdem o equivalente a mais de 34 milh\u00f5es de sal\u00e1rios anuais de enfermeiros para para\u00edsos fiscais\u201d.<\/li>\n<li>Por grandes regi\u00f5es do Globo temos a \u00c1frica com uma percentagem anual dos tributos perdidos pelos pa\u00edses em fun\u00e7\u00e3o da actua\u00e7\u00e3o das empresas nos para\u00edsos fiscais de 33%, \u00c1sia com 18%, Cara\u00edbas com 8,9%; Europa com 14,0%, Am\u00e9rica Latina com 26,9%, Am\u00e9rica do Norte com 16,8%, Oce\u00e2nia com 15,8%.<\/li>\n<\/ul>\n<p>4 \u2013 Para terminarmos no est\u00edmulo \u00e0 leitura deste documento dispon\u00edvel na Internet, alguns dados sobre Portugal: perda anual em impostos devido ao abuso fiscal global: $1.046.072.964, correspondendo 1,9% da receita tribut\u00e1ria. Simultaneamente causa danos em outros pa\u00edses em $553 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>5 \u2013 Enfim, os para\u00edsos fiscais s\u00e3o um assunto que a todos implica. Os povos est\u00e3o a ser roubados por iniciativa dos seus eleitos. \u00c9 imperioso actuar.<\/p>\n\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Expresso online (100 02\/12\/2020) \u00a0 \u00a0 Os para\u00edsos fiscais e a &#8220;concorr\u00eancia entre pa\u00edses na arte de furtar os fisco alheio&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-45729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45729"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45729\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45730,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45729\/revisions\/45730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}