{"id":45517,"date":"2020-11-07T23:29:55","date_gmt":"2020-11-07T23:29:55","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45517"},"modified":"2020-11-07T23:29:58","modified_gmt":"2020-11-07T23:29:58","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45517","title":{"rendered":"Cortinas de fumos envolvendo o Novo Banco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira<\/strong><\/span>, Expresso online (090 23\/09\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-09-23-Cortinas-de-fumos-envolvendo-o-Novo-Banco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/90-JAMoreira-SET2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Novo Banco (NB) tem sido presen\u00e7a permanente no dia-a-dia dos portugueses. S\u00f3 o recente crescimento do n\u00famero de indiv\u00edduos infetados pela Covid 19 o atirou, momentaneamente, para segundo plano<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n\n\n<p>\u00c9 inequ\u00edvoco que, desde o primeiro momento, todos os que, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, intervieram nos destinos do NB procuraram envolv\u00ea-lo numa cortina de fumo que ofuscasse o que verdadeiramente aconteceu (est\u00e1 a acontecer) e o que existia (ou desapareceu). Hipocrisia e desonestidade intelectual s\u00e3o tra\u00e7os que marcam tais interven\u00e7\u00f5es, a come\u00e7ar pelo Governo e a acabar na generalidade dos partidos com assento na Assembleia da Rep\u00fablica. Cada qual acrescenta mais umas quantas achas molhadas \u00e0 fogueira, ajudando a tornar mais espessa essa cortina de fumo, ao ponto de o comum dos cidad\u00e3os j\u00e1 nem saber se o banco efetivamente existe ou se n\u00e3o passa de uma defumada ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A cortina come\u00e7ou a formar-se, necessariamente, no tempo do Grupo BES, quando a administra\u00e7\u00e3o deste, com a coniv\u00eancia dos auditores da altura, foi procurando esconder as perdas do grupo e do banco BES. H\u00e1 dias, num artigo de opini\u00e3o, um cronista colocava em d\u00favida que os ativos (bens e direitos) que ficaram no NB estivessem realmente sobreavaliados. \u00c9 \u00f3bvio que sim. Est\u00e1 nos livros: quando uma organiza\u00e7\u00e3o come\u00e7a a ter dificuldades financeiras a primeira medida adotada para as esconder passa por reduzir o montante de imparidades e provis\u00f5es a registar na contabilidade, com isso contribuindo para mostrar resultados por via da sobreavalia\u00e7\u00e3o dos ativos. Portanto, quando o Governo e Banco de Portugal deram \u00e0 luz o NB, a partir do BES, passando para aquele o que existia de \u201cbom\u201d neste, os ativos \u201cbons\u201d estavam empolados, registados acima do seu valor de mercado. Naquele fim de semana de todas as decis\u00f5es, em que decorreu a cis\u00e3o do BES, a cortina de fumo que tudo envolvia n\u00e3o ter\u00e1 permitido uma adequada perce\u00e7\u00e3o da realidade. E se nessa altura tal perce\u00e7\u00e3o minimamente existia n\u00e3o devem ter existido condi\u00e7\u00f5es, pol\u00edticas e financeiras, para limpar desde logo o que de podre existia em tais ativos \u201cbons\u201d. Por\u00e9m, em vez de se explicar isso aos portugueses, optou-se por alimentar a cortina de fumo, para tornar tudo (ainda) mais opaco.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo foi passando e chegou a altura da venda do NB. Como seria de esperar, o potencial comprador n\u00e3o se limitou a olhar para a institui\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do fumo que a envolvia. Dotou-se de meios, foi ao \u00e2mago da mesma, esquartejou cada um dos ativos, mediu o que eles n\u00e3o valiam, o que de podre possu\u00edam. Chegou-se ao c\u00e9lebre n\u00famero dos 3,9 mil milh\u00f5es de euros, o valor estimado do empolamento dos ativos, caucionado pelo Governo e pelo Banco de Portugal, entre outras institui\u00e7\u00f5es. Portanto, este n\u00famero n\u00e3o representou uma benesse para o comprador. Representou aquilo que, com a coniv\u00eancia dos auditores, estava registado no balan\u00e7o (fraudulento) da institui\u00e7\u00e3o, mas que, em verdade, n\u00e3o existia. A partir da fixa\u00e7\u00e3o de tal n\u00famero, o desfecho esperado tamb\u00e9m est\u00e1 prescrito nos livros: o comprador deixa de ter qualquer incentivo para se esfor\u00e7ar em vender os ativos (com podrid\u00e3o) por um valor superior ao fixado. Neste contexto, n\u00e3o se percebe a surpresa (muito menos a indigna\u00e7\u00e3o) de tantos quando as menos valias da\u00ed resultantes passaram a ser anualmente registadas e o NB passou a reclamar do Fundo de Resolu\u00e7\u00e3o (eufemismo para contribuintes) o ressarcimento da sobreavalia\u00e7\u00e3o dos ativos \u00e0 data da venda.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se esperaria que o NB passasse a brilhar ao sol, liberto da cortina de fumo que h\u00e1 muito o envolvia, o Governo e o Banco de Portugal criaram uma nova, escondendo o contrato de venda e as responsabilidades que o mesmo poderia vir a trazer aos cidad\u00e3os contribuintes. Um logro, para o qual n\u00e3o se v\u00ea, nem se obteve uma justifica\u00e7\u00e3o (o sigilo banc\u00e1rio n\u00e3o parece justifica\u00e7\u00e3o para o ato). Dificilmente este comportamento deixaria de ter consequ\u00eancias futuras. Mais tarde ou mais cedo o assunto voltaria \u00e0 luz do dia, para assombrar um Governo que, neste caso, desde o primeiro momento, nunca pautou o seu comportamento pela transpar\u00eancia. O discurso do \u201csem custos para o contribuinte\u201d, que em outras circunst\u00e2ncias tamb\u00e9m se veio a verificar ser um logro, foi parte da cortina de fumo. E como a \u201cmentira tem perna curta\u201d, o Governo (pior, o pa\u00eds) est\u00e1 a pagar agora a fatura, entalado entre um contrato que n\u00e3o pode deixar de cumprir \u2013 tudo o que se disser em contr\u00e1rio \u00e9 mais fumo para os olhos dos cidad\u00e3os \u2013 e a press\u00e3o dos partidos-parceiros (da ex-geringon\u00e7a).<\/p>\n\n\n\n<p>Estes partidos lan\u00e7am agora uma nova cortina de fumo, procurando ofuscar a responsabilidade e coniv\u00eancia com o desenrolar do processo ao longo do tempo. Depois de terem convivido pacificamente com o assunto e a mentira, em modo participativo, v\u00eam agora dizer \u201cn\u00e3o se pague. Nem mais um c\u00eantimo para o NB!\u201d. Paralelamente, exigem auditoria atr\u00e1s de auditoria, na esperan\u00e7a de conseguirem uma que branqueie, num curto sum\u00e1rio executivo, a n\u00f3doa que o apoio pol\u00edtico passado deixou.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez tenha passado ao lado, distorcida por tanto fumo, mas o facto \u00e9 que n\u00e3o se ouviu ou leu uma \u00fanica palavra de reflex\u00e3o, em particular por parte de quem enche a boca a pedir auditorias e mais auditorias, sobre o custo de cada uma delas, direta ou indiretamente pagas pelo er\u00e1rio p\u00fablico, pelos impostos dos cidad\u00e3os. A desonestidade intelectual subjacente ao lan\u00e7amento de cortinas de fumo tem sempre custos para os cidad\u00e3os, nomeadamente financeiros. Aspeto que, pelo menos aparentemente, a ningu\u00e9m preocupa.<\/p>\n\n\n\n<p>Aguarda-se o pr\u00f3ximo epis\u00f3dio, que ser\u00e1 difundido muito brevemente, aquando da apresenta\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento do Estado para 2021. H\u00e1 uma curiosidade imensa em perceber como \u00e9 que a pr\u00f3xima cortina de fumo sobre o NB ser\u00e1 lan\u00e7ada. Tal como as anteriores, n\u00e3o ser\u00e1 isenta de custo. Por isso, deixa-se um pedido ao sr. Primeiro-Ministro: por favor, inscreva no pr\u00f3ximo or\u00e7amento dota\u00e7\u00e3o financeira para mandar efetuar uma auditoria que permita apurar os custos financeiros para o pa\u00eds (deixem-se de lado os de natureza diversa) resultantes da falta de transpar\u00eancia e desonestidade intelectual dos pol\u00edticos no que respeita ao assunto NB. Pede-se, ainda, para evitar desconfian\u00e7as relativas ao eventual conflito de interesses entre o auditor e o auditado, que se adjudique essa auditoria a uma institui\u00e7\u00e3o que, inequivocamente, n\u00e3o apresente relacionamentos passados com as partes auditadas. N\u00e3o \u00e9 por desconfian\u00e7a. \u00c9 apenas para que n\u00e3o se acrescente mais fumo onde j\u00e1 tanto existe.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, enquanto ela n\u00e3o \u00e9 concretizada, os pedidos continuam a chegar, engrossando a lista de auditorias em espera. Agora \u00e9 o PSD que \u2013 para ser diferente? \u2013 pede dose dupla, uma auditoria e uma comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito. Que fumarada isto vai provocar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online (090 23\/09\/2020) \u00a0 \u00a0 \u00a0 O Novo Banco (NB) tem sido presen\u00e7a permanente no dia-a-dia dos portugueses. 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