{"id":45504,"date":"2020-11-01T00:10:48","date_gmt":"2020-11-01T00:10:48","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45504"},"modified":"2020-11-01T00:10:50","modified_gmt":"2020-11-01T00:10:50","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-4-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45504","title":{"rendered":"A &#8220;frugalidade&#8221; dos offshores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><b><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Carlos Pimenta, Jornal i<\/span><\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/713279\/a-frugalidade-dos-offshores?seccao=Opini%C3%A3o\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/CPimenta-out2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"17\" height=\"17\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 uma forma dos mercados funcionarem sem a nefasta interven\u00e7\u00e3o do Estado, de aumentar a efici\u00eancia da actividade econ\u00f3mica pela exist\u00eancia da concorr\u00eancia fiscal entre os pa\u00edses\u201d<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\"><\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p>1. Quando houve a decis\u00e3o in\u00e9dita do Conselho da Uni\u00e3o Europeia que acedeu a enfrentar a pandemia com doa\u00e7\u00f5es de determinados montantes procuramos encontrar uma justifica\u00e7\u00e3o objectiva para a dif\u00edcil posi\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses designados como \u00abfrugais\u00bb, tomando como exemplo a Holanda. As conclus\u00f5es quantificadas est\u00e3o numa cr\u00f3nica noutro jornal<sup>1, <\/sup>que podemos resumir da seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p>a) Considerando o baixo n\u00edvel de corrup\u00e7\u00e3o po\u00edtica<sup>2<\/sup>existente naquele pa\u00eds e os elevados n\u00edveis estimados em alguns dos pa\u00edses da Uni\u00e3o, a posi\u00e7\u00e3o da Holanda \u00e9 perfeitamente justific\u00e1vel (independente de qualquer valora\u00e7\u00e3o que fa\u00e7amos da presente pandemia e das necessidade de apoio financeiro)<\/p>\n\n\n\n<p>b) Tomando como refer\u00eancia o facto daquele pa\u00eds ser um para\u00edso fiscal e judici\u00e1rio e o facto de muitas importantes empresas portuguesas pagarem os seus impostos (parcos) naquele pa\u00eds, pelo facto de nos roubar (pois \u00e9 esta a palavra a empregar) uma parte das receitas fiscais, n\u00e3o h\u00e1 qualquer raz\u00e3o para a posi\u00e7\u00e3o assumida.<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo desta conclus\u00e3o objectiva, aproveitando o importante documento recentemente publicado pelo OBEGEF<sup>3<\/sup> (inteiramente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de cada um dos leitores, de forma totalmente gratuita<sup>4<\/sup>) sobre o facto de \u201cas empresas multinacionais\u201d serem \u201choje obrigadas a entregar junto das autoridades tribut\u00e1rias um relat\u00f3rio anual (conhecido por \u201c<em>Country-by-country Report<\/em>\u201d, CbCR) com informa\u00e7\u00e3o fiscal desagregada pa\u00eds por pa\u00eds por forma a evidenciar onde s\u00e3o distribu\u00eddos os ativos e os trabalhadores e onde s\u00e3o declarados os lucros e pagos os impostos\u201d, mais uma vez vamos centrar a nossa aten\u00e7\u00e3o no facto da Holanda ser uma parte da rede internacional de para\u00edsos fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>2. Muitos s\u00e3o os argumentos a favor da exist\u00eancia dos <em>offshores<\/em> para al\u00e9m da simples indisponibilidade das grandes empresas, sobretudo multinacionais, e fundos v\u00e1rios vivendo da apropria\u00e7\u00e3o da riqueza alheia, de pagarem impostos. Tudo tem a ver com a concorr\u00eancia: \u201c\u00e9 uma forma dos mercados funcionarem sem a nefasta interven\u00e7\u00e3o do Estado, de aumentar a efici\u00eancia da actividade econ\u00f3mica pela exist\u00eancia da concorr\u00eancia fiscal entre os pa\u00edses; porque \u00e9 o garante da privacidade e da propriedade porque aumenta o investimento e o emprego\u201d<sup>5<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Belos argumentos que se baseiam no que costumamos designar por \u00abneofide\u00edsmo dos mercados\u00bb, jogando esses argumentos mais com as palavras do que com a realidade:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Uma coisa \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o do rendimento, outra, muito diferente, \u00e9 a sua cria\u00e7\u00e3o;<\/li><li>O Estado n\u00e3o \u00e9 uma realidade exterior \u00e0 economia e ao funcionamento dos mercados mas sua parte de pleno direito. A sua ac\u00e7\u00e3o na actividade econ\u00f3mica resulta do pr\u00f3prio funcionamento do capitalismo. Assim, por exemplo, o que permite a reprodu\u00e7\u00e3o quotidiana da for\u00e7a de trabalho (al\u00e9m do mais, com remunera\u00e7\u00f5es t\u00e3o baixas) \u00e9 a exist\u00eancia de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/li><li>Uma coisa \u00e9 a concorr\u00eancia na actividade econ\u00f3mica outra totalmente diferente \u00e9 a existente entre os pa\u00edses (a tal \u00abnefasta interven\u00e7\u00e3o do Estado\u00bb) pela apropria\u00e7\u00e3o das receitas fiscais.<\/li><li>Toda e qualquer diminui\u00e7\u00e3o do pagamento dos impostos pelas grandes empresas \u00e9 um aumento do pagamento destes pelas pequenas e m\u00e9dias empresas e pela generalidade dos cidad\u00e3os.<\/li><li>Enfim, manda quem tem poder e o aumenta, agravam-se as desigualdades sociais e os que, em capitalismo est\u00e3o abaixo do limiar da pobreza; aumenta o n\u00famero dos que morrem de fome!<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Mais, se tal \u00e9 gravoso \u00e0 escala mundial muito mais o \u00e9 no \u00e2mbito de uma organiza\u00e7\u00e3o que nasce sob os ausp\u00edcios da coopera\u00e7\u00e3o e da interajuda: \u201cA miss\u00e3o da Comunidade, ao estabelecer um mercado comum e aproximando gradualmente as pol\u00edticas econ\u00f3micas dos Estados-Membros, \u00e9 promover o desenvolvimento harmonioso das actividades econ\u00f3micas em toda a Comunidade e uma expans\u00e3o cont\u00ednua e equilibrada, maior estabilidade, um aumento acelerado dos padr\u00f5es de vida e rela\u00e7\u00f5es mais estreitas entre os Estados que re\u00fane.\u201d<sup>6.<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>3. Retomando o importante documento inicialmente referido, o seu particular interesse resulta da objectividade e preocupa\u00e7\u00e3o de quantifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que esses relat\u00f3rios (CbCR) podem ser objecto da contabilidade criativa das empresas e das poss\u00edveis falsifica\u00e7\u00f5es resultantes das manipula\u00e7\u00f5es da realidade que a rede de para\u00edsos fiscais permite (como, por exemplo, manipula\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de transfer\u00eancia, falsas identidades, testas de ferro, aus\u00eancia de regula\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o, bancos sombra, etc.), tanto mais que esses relat\u00f3rios \u201cn\u00e3o s\u00e3o divulgados publicamente\u201d, mas h\u00e1 dois aspectos que chamam a aten\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>\u201cA aplica\u00e7\u00e3o de um imposto unit\u00e1rio realizada de acordo com a proposta da Comiss\u00e3o Europeia e aplicada \u00e0s 210 empresas multinacionais que operam em Portugal, significaria um acr\u00e9scimo de receita fiscal da ordem dos 220 milh\u00f5es de euros anuais.\u201d<\/li><li>Considerando as empresas multinacionais dos EUA actuando na Uni\u00e3o Europeia, tal poderia significar um ganho da massa tribut\u00e1vel para Portugal de cerca de 1100 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Em contrapartida tr\u00eas pa\u00edses seriam campe\u00f5es na perda de massa tribut\u00e1vel (Holanda, Luxemburgo e Irlanda) no total de 60 mil milh\u00f5es.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>4. Uma curiosidade: nem a Holanda, nem Luxemburgo nem a Irlanda s\u00e3o para Portugal para\u00edsos fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>Como diz o ditado popular, como \u00e9 que quem tem telhados de vidro pode mandar pedras aos telhados dos outros?<\/p>\n\n\n\n<p>Notas&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>1. No Expresso <em>online&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>2. Segundo o estudo \u201cOs custos da corrup\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia\u201d (<em>The costs of corruption across de UE<\/em>) elaborado pelo \u201cGreensafe in the European Parlament, Belgica\u201d em Dezembro de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Viegas, Miguel &amp; Dias, Ant\u00f3nio;<em> A Declara\u00e7\u00e3o por Pa\u00eds e a oportunidade de um imposto Unit\u00e1rio<\/em>. Working Paper #64; H\u00famus &amp; OBEGEF.<\/p>\n\n\n\n<p>4.Abrir <a href=\"http:\/\/www.gestaodefraude.eu\">http:\/\/www.gestaodefraude.eu<\/a> (ou <a href=\"http:\/\/www.obegef.pt\">http:\/\/www.obegef.pt<\/a>), No menu escolher [Publica\u00e7\u00f5es] \/ [Working Papers].<\/p>\n\n\n\n<p>5. Ver Pimenta, C. (2018). <em>Os offshores do nosso quotidiano<\/em>. Coimbra: Almedina.<\/p>\n\n\n\n<p>6. Inicio do Tratado de Roma, documento fundamental da CEE<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Jornal i \u201c\u00c9 uma forma dos mercados funcionarem sem a nefasta interven\u00e7\u00e3o do Estado, de aumentar a efici\u00eancia da actividade econ\u00f3mica pela exist\u00eancia da concorr\u00eancia fiscal entre os pa\u00edses\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-45504","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45504"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45504\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45505,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45504\/revisions\/45505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}