{"id":45458,"date":"2020-10-23T23:49:29","date_gmt":"2020-10-23T23:49:29","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45458"},"modified":"2020-10-24T15:10:42","modified_gmt":"2020-10-24T15:10:42","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45458","title":{"rendered":"Independente ao servi\u00e7o do quem?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta<\/strong><\/span>, Expresso online (088 09\/09\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><del><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-09-09-Independente-ao-servico-de-quem-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/del><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/88-CPimenta-SET2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<p>1. A realidade das coisas tem muitos elementos que n\u00e3o s\u00e3o considerados por n\u00f3s, porque s\u00e3o desnecess\u00e1rios para a nossa viv\u00eancia. Por exemplo, quando tencionamos ir trabalhar numa mesa n\u00f3s dizemos \u201cn\u00f3s vamos trabalhar para aquela mesa\u201d. Dispensamo-nos de descrever \u201caquela mesa\u201d em pormenor (largura, altura, material de que \u00e9 feito, caracter\u00edsticas deste, etc.), acontecendo o mesmo com trabalho (o que vamos fazer, como, utilizando o qu\u00ea e mais uma vez descrevendo at\u00e9 ao pormenor cada um dos objetos, etc.) O mesmo se poderia dizer em rela\u00e7\u00e3o aos outros elementos (\u201cn\u00f3s\u201d, intencionalidade,). Isto \u00e9, a realidade (\u201crealidade em si\u201d) \u00e9 sempre muito mais do que aquilo que eu considero (\u201crealidade para si\u201d). Esta diferen\u00e7a existe sempre, seja qual for o tipo de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal \u00e9 inevit\u00e1vel para se reter da complexidade (do ser e das rela\u00e7\u00f5es entre eles) o que \u00e9 essencial em cada momento. \u00c9 isto que nos permite viver, e nesse sentido se encaminham todas as fases da nossa aprendizagem. Aprendemos a simplificar pela abstra\u00e7\u00e3o e a expressar o resultado desta por meio de palavras que a exprime (\"mesa\", \"trabalho\", \"n\u00f3s\", no exemplo referido). Por isso as palavras s\u00e3o fundamentais, e devem ter um significado semelhante para o \"emissor\" e o \"recetor\". Se n\u00f3s, no exemplo anterior, tiv\u00e9ssemos dito \u201ciremos esbofar para a t\u00e1bula daqui\u201d diz\u00edamos o mesmo, segundo o dicion\u00e1rio de sin\u00f3nimos, mas n\u00e3o haveria comunica\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s e o outro a quem nos dirig\u00edamos! Mais, essa comunica\u00e7\u00e3o tem ra\u00edzes culturais diferentes, especificidades terminol\u00f3gicas locais e a probabilidade de desencontros \u00e9 imensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivendo numa sociedade em que a informa\u00e7\u00e3o tem um papel fundamental as palavras utilizadas, sobretudo as que s\u00e3o referidas de forma sistem\u00e1tica em determinadas situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, \u00e9 importante que todos n\u00f3s assumamos uma postura de reflex\u00e3o e cr\u00edtica, utilizando este termo num sentido amplo (donde resultar\u00e1 uma aceita\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o ou uma postura interm\u00e9dia recheada de hip\u00f3teses e considera\u00e7\u00f5es complementares).<\/p>\n\n\n\n<p>2. Na problem\u00e1tica da fraude h\u00e1, para n\u00f3s, tr\u00eas conceitos que exigem a nossa an\u00e1lise cuidadosa: conflito de interesses, transpar\u00eancia e independ\u00eancia. J\u00e1 tendo aflorado o primeiro, abordado cientificamente o segundo, abordaremos o terceiro nesta cr\u00f3nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomamos esta posi\u00e7\u00e3o porque ela surge frequentemente associada \u00e0s auditorias:<\/p>\n\n\n\n<p>No momento em que foi apresentada, com grandes atrasos, ambiguidades do texto (percet\u00edveis e encobertos pelo seu secretismo) e provavelmente com importantes incongru\u00eancias e conflitos de interesse), a auditoria ao Novo Banco, parece-nos oportuno refletirmos um pouco sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Os auditores (os indiv\u00edduos sobre os quais recai o trabalho) podem ter uma boa ou m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica familiar, deontol\u00f3gica ou social, mas ao fazerem parte de uma empresa est\u00e3o inevitavelmente inseridos numa rede de poss\u00edveis conflitos de interesse (por exemplo, manter ou n\u00e3o o emprego, acatar ou n\u00e3o as instru\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas, outras).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que se admita que aqui n\u00e3o surjam problemas, h\u00e1 tr\u00eas outros n\u00edveis em que poder\u00e3o surgir:<\/p>\n\n\n\n<p>Se estas s\u00e3o as possibilidades existentes, se a entidade contratante \u00e9 o Estado, deveria este tomar cuidados suplementares para que estas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o surgissem, o que no caso referido n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>4. Enfim n\u00e3o h\u00e1 auditorias independentes. Pode haver auditorias honestas ou desonestas, mas nunca ditas independentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso o meu amigo quando ouvia falar em auditorias independentes perguntava sempre: \u201cao servi\u00e7o de quem?\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Expresso online (088 09\/09\/2020)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-45458","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45458"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45458\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45468,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45458\/revisions\/45468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}