{"id":45389,"date":"2020-10-04T21:52:19","date_gmt":"2020-10-04T21:52:19","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45389"},"modified":"2020-10-04T21:52:22","modified_gmt":"2020-10-04T21:52:22","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-39","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45389","title":{"rendered":"Portugal tem os melhores gestores do mundo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><b><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Pedro Moura, Jornal i<\/span><\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/710537\/portugal-tem-os-melhores-gestores-do-mundo-?seccao=Opiniao_i\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/PMoura-out2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"17\" height=\"17\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Nas nossas empresas e outras organiza\u00e7\u00f5es o n\u00famero de gestores med\u00edocres \u00e9 desproporcionalmente superior ao dos gestores capazes. Qualidade de gest\u00e3o tende a ser uma anomalia estat\u00edstica<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\"><\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p>Embora a minha forma\u00e7\u00e3o base seja \u2018Cromo do T\u00e9cnico\u2019 (Inform\u00e1tica, ainda por cima), cedo a minha carreira seguiu por caminhos mais ligados \u00e0 Gest\u00e3o. Tive a sorte de poder trabalhar com gestores excelentes que muito me ensinaram e ajudaram a evoluir em meio a tanta asneirada que fiz.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tive tamb\u00e9m o azar de ter de trabalhar com muitos outros gestores med\u00edocres, que para al\u00e9m de criadores de muitas dores de cabe\u00e7a, me permitiram viver diretamente a realidade do que \u00e9 a gest\u00e3o em Portugal. E a realidade n\u00e3o \u00e9 bonita.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela minha amostra, e depois de refletir bem sobre o meu maior ou menor enviesamento, ouso afirmar a minha opini\u00e3o de que nas nossas empresas e outras organiza\u00e7\u00f5es o n\u00famero de gestores med\u00edocres \u00e9 desproporcionalmente superior ao dos gestores capazes. Qualidade de gest\u00e3o tende a ser uma anomalia estat\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e1cil ser\u00e1 de ver que isto tende a transformar qualquer tentativa de melhoria da qualidade das nossas empresas, produtividade ou de eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel da nossa economia num exerc\u00edcio pr\u00f3ximo do masoquismo, como por exemplo, correr a meia-maratona com um tipo, um gestor, a puxar-nos pelos cal\u00e7\u00f5es para tr\u00e1s enquanto nos grita que devemos correr no sentido da partida e n\u00e3o da meta. Isto durante toda a corrida. Felizmente somos um povo que preza o sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo esta a realidade, deixo algumas das raz\u00f5es que penso podem ajudar a este estado de coisas (emerg\u00eancia, calamidade?).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Falta de Forma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os gestores em Portugal seguem mais ou menos o atraso em forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica do resto do pa\u00eds: de acordo com este&nbsp;<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2019\/12\/31\/santos-silva-aponta-falhas-na-formacao-dos-gestores-estudos-internacionais-dao-lhe-razao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo<\/a>, 55% dos empregadores n\u00e3o t\u00eam o ensino secund\u00e1rio, e cerca de 43% do gestores que trabalham por conta de outrem t\u00eam um n\u00edvel de ensino abaixo do 9\u00ba ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A juntar a esta lacuna na forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica dos nossos gestores, h\u00e1 que juntar a lacuna da forma\u00e7\u00e3o em geral ao n\u00edvel humano. Nascer em fam\u00edlias com posses, frequentar juventudes partid\u00e1rias ou ter uma boa dose de amigalha\u00e7os em bons lugares geralmente n\u00e3o faz um bom gestor.<\/p>\n\n\n\n<p>E quanto a forma\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>on-the-job<\/em>, tendo em conta que h\u00e1 mais piores gestores que bons gestores ser\u00e1 f\u00e1cil de ver que a probabilidade de ter como \u2018mentor\u2019 um bom gestor tende a ser baixa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Princ\u00edpio de Peter<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para os desconhecedores,&nbsp;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Peter_principle\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">esta p\u00e9rola de sabedoria da teoria de gest\u00e3o<\/a>&nbsp;\u00e9 obra do&nbsp;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Laurence_J._Peter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dr Laurence J. Peter<\/a>, e afirma muito sinteticamente que os trabalhadores numa organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica tendem a ser promovidos at\u00e9 ao limite da sua incompet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, os empregados tendem a ser promovidos com base na sua compet\u00eancia na fun\u00e7\u00e3o atual, n\u00e3o com base na compet\u00eancia para a fun\u00e7\u00e3o para a qual ser\u00e3o promovidos, isto at\u00e9 se tornarem totalmente incompetentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar um exemplo, um excelente programador \u00e9 promovido a gestor de projeto, fun\u00e7\u00e3o em que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom como era programador, mas ainda est\u00e1 acima da m\u00e9dia. De seguida, \u00e9 promovido a diretor, e naturalmente \u00e9 pior diretor que gestor de projeto, mas mesmo assim ainda \u00e9 melhor que a m\u00e9dia (n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil). E vai por a\u00ed acima, at\u00e9 chegar ao t\u00edtulo de \u2018CEO honor\u00e1rio\u2019 ou \u2018Chairman n\u00e3o-executivo\u2019 ou \u2018Presidente do Comit\u00e9 Consultivo de Peritos\u2019, ou seja, o Santo Graal de uma carreira: o \u2018Encosto Dourado\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou certo que este fen\u00f3meno acontece imenso em Portugal, e ouso estender o \u2018Princ\u00edpio de Peter\u2019 com a \u2018Extens\u00e3o de Pedro\u2019: a probabilidade de um trabalhador de uma organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica ser promovido (at\u00e9 ao limite da sua incompet\u00eancia) aumenta com o resultado da seguinte f\u00f3rmula: (incompet\u00eancia do seu superior X&nbsp; n\u00edvel de \u2018amigalhacismo\u2019 entre os dois) \/ (receio do superior que o trabalhador lhe possa um dia vir a \u2018fazer sombra\u2019). O que me leva ao pr\u00f3ximo ponto,<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Confian\u00e7a vs Valor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sendo o portugu\u00eas um povo muito leal, sobretudo entre amigalha\u00e7os, \u00e9 not\u00f3rio que as principais decis\u00f5es que cada pessoa toma se regulem por esta bitola: importa mais a confian\u00e7a e a lealdade (ou o tal amigalhacismo, termo abstruso mas engra\u00e7ado) que o valor e a compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E se nas decis\u00f5es ao n\u00edvel pessoal este princ\u00edpio muitas vezes acarreta problemas, a n\u00edvel profissional tende a ser catastr\u00f3fico, sobretudo ao n\u00edvel da gest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Confian\u00e7a \u00e9 fundamental, certo? Talvez porque temos uma cultura de desconfian\u00e7a que nos corr\u00f3i at\u00e9 ao tutano, inseguros que somos enquanto pessoas e povo, incapazes de aceitar que as outras pessoas podem n\u00e3o estar sempre a \u2018querer-nos lixar\u2019. E t\u00e3o preocupados estamos com isto, que n\u00e3o conseguimos avaliar e tomar decis\u00f5es com base em valor e compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os neg\u00f3cios fazem-se mais por \u2018rela\u00e7\u00e3o\u2019 que por \u2018valor\u2019; as contrata\u00e7\u00f5es e promo\u00e7\u00f5es s\u00e3o para \u2018malta de confian\u00e7a\u2019, de prefer\u00eancia \u2018referenciada\u2019, e n\u00e3o para \u2018malta de valor\u2019; as decis\u00f5es fazem-se mais a olhar para o interesse pessoal e dos amigalha\u00e7os que para o valor acrescentado para a organiza\u00e7\u00e3o; as falcatruas, primeiro pequenas depois maiores, fazem-se tamb\u00e9m entre a &nbsp;\u2018malta de confian\u00e7a\u2019, at\u00e9 porque \u2018que se f*** a empresa, primeiro tratamos de n\u00f3s\u2019; etc.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Respeitinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 antes falei disto&nbsp;<a href=\"https:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/ponto-de-vista\/silencio-da-fraude\/2017-07-13-o-respeitinho-e-muito-bonito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>. Basicamente somos um povo com pouca coragem para dizer e fazer o que pensa. H\u00e1 quem lhe chame boas maneiras, eu chamo-lhe respeitinho (ou medinho, mi\u00fafa, cagufa, etc).<\/p>\n\n\n\n<p>E o bom gestor portugu\u00eas segue a tradi\u00e7\u00e3o: exige dos subordinados respeitinho, assegurando que da\u00ed n\u00e3o vir\u00e3o nem problemas nem qualquer tipo de ideia ou pensamento cr\u00edtico que pudessem abalar o&nbsp;<em>status quo<\/em>&nbsp;e a sua inquestion\u00e1vel superioridade; e perante o seu superior, que toda a gente tem um, observa \u00e0 risca a cartilha que abaixo de si prega, sabendo sempre que mais vale abanar a cabe\u00e7a que falar, e que questionar o que quer que seja \u00e9 considerado pena capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Respeitinho \u00e9 bonito e replica-se melhor ao longo de gera\u00e7\u00f5es e camadas das empresasque o Covid-19, tornando-o porventura a nossa caracter\u00edstica negativa mais dif\u00edcil de mudar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Falta de mulheres na gest\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma categoria de g\u00e9nero, racial, sexual, cultural, etc n\u00e3o faz de ningu\u00e9m bom ou mau. Mas j\u00e1 ando por c\u00e1 h\u00e1 tempo suficiente para saber que um conjunto de homens deixados soltos \u00e0 frente de uma empresa tende a fazer gest\u00e3o ao n\u00edvel do \u2018Senhor das Moscas\u2019, em que um grupo de crian\u00e7as brit\u00e2nicas se v\u00ea sozinho numa ilha e se tenta auto-governar. Desculpar\u00e3o o spoiler, mas a est\u00f3ria n\u00e3o acaba bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu defendo que devem existir mais mulheres na gest\u00e3o das empresa e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o por achar que \u00e9 um ideal bonito, que as mulheres t\u00eam de ter oportunidades iguais ou quaisquer outros argumentos que fiquem bem numa conversa durante o&nbsp;<em>brunch<\/em>, mas sim por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia das empresas e de n\u00f3s mesmos, os homens que por alguma raz\u00e3o (Peter, Pedro?) s\u00e3o gestores. N\u00e3o \u00e9 por idealismo, \u00e9 mesmo por interesse; mulheres, salvem-nos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura, Jornal i Nas nossas empresas e outras organiza\u00e7\u00f5es o n\u00famero de gestores med\u00edocres \u00e9 desproporcionalmente superior ao dos gestores capazes. 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