{"id":45289,"date":"2020-09-13T23:39:38","date_gmt":"2020-09-13T23:39:38","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45289"},"modified":"2020-09-14T11:17:14","modified_gmt":"2020-09-14T11:17:14","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-1-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45289","title":{"rendered":"Rob\u00f4s em lugares surpreendentes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/robos-em-lugares-surpreendentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Quando pensamos em rob\u00f4s imaginamos um boneco mec\u00e2nico, vagamente de formato humano, desenhado para executar as tarefas mais pesadas, repetitivas e desagrad\u00e1veis. Quando se fala em perda de empregos pensamos na extin\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e a sua substitui\u00e7\u00e3o por m\u00e1quinas controladas por computadores. E, no entanto \u2026<\/em><\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<p>O Guardian publicou esta semana um excelente artigo de opini\u00e3o inteiramente escrito por um rob\u00f4s. Este rob\u00f4 n\u00e3o tem forma humanoide, nem consegue levar a cabo trabalhos pesados, a sua exist\u00eancia reduz-se a um programa imaterial de intelig\u00eancia artificial residente num qualquer computador. O artigo em causa \u00e9 um ensaio sobre a Intelig\u00eancia Artificial como avan\u00e7o inofensivo para a humanidade. Quem apenas lesse o artigo n\u00e3o o teria adivinhado a sua autoria.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Eis toda uma classe de atividades humanas em risco de poderem ser, em grande medida, substitu\u00eddas por rob\u00f4s: comentaristas, jornalistas, escritores de divulga\u00e7\u00e3o e de todos os g\u00e9neros de fic\u00e7\u00e3o. Toda uma classe do que em tempos se chamava intelectuais org\u00e2nicos postos em causa. Potencialmente com vantagem, j\u00e1 que o rob\u00f4s n\u00e3o se atrasa na sua produ\u00e7\u00e3o nem tem crises de criatividade.<\/p>\n<p>Seria tamb\u00e9m o reformular de v\u00e1rias ind\u00fastrias. As editoras n\u00e3o mais competiriam pela assinatura de novos escritores, mas pelo desenvolvimento e aperfei\u00e7oamento de rob\u00f4s escritores. Os rob\u00f4s poderiam inclusivamente aprimorar um estilo, concentrar-se em tem\u00e1ticas espec\u00edficas e escrever em v\u00e1rias l\u00ednguas evitando as trai\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es dos tradutores.<\/p>\n<p>Hoje j\u00e1 temos rob\u00f4s que interagem connosco nas redes sociais sem que nos apercebamos da sua falta de humanidade. Alguns absorvem informa\u00e7\u00e3o e repetem-na. Como papagaios disfar\u00e7ados. Um caso exemplar foi o de Tay um chatbot da Microsoft que no Twitter ao ser bombardeada por tiradas racistas e de extrema-direita rapidamente se transformou numa m\u00e1quina repetidora dos maiores disparates. Num Tweet o chabot Tay escreveu que o feminismo \u00e9 \u201cum culto\u201d e um \u201ccancro\u201d e outras tiradas racistas, machistas e xen\u00f3fobas. A Microsoft foi for\u00e7ada a retirar o chatbot. Acabou por ser substitu\u00eddo por outro denominado Zo. Este n\u00e3o se provou diferente e depois de v\u00e1rios coment\u00e1rios inapropriados foi desligado em 2019. Mas Zo conseguiu manter uma conversa fluente e l\u00f3gica com um humano durante quase 10 horas.<\/p>\n<p>Quando mais aperfei\u00e7oados estes chatbots poder\u00e3o substituir com \u00eaxito muitos dos trabalhadores dos call-centers, uma ind\u00fastria que emprega dezenas de milhares de pessoas em Portugal, das rece\u00e7\u00f5es de escrit\u00f3rios, hot\u00e9is, aeroportos e empresas. Estes assistentes virtuais j\u00e1 operam um pouco por todo o lado.<\/p>\n<p>Algumas m\u00e1quinas rob\u00f3ticas s\u00e3o verdadeiramente desconcertantes mas mostram a potencial abrang\u00eancia dos novos sistemas: uma m\u00e1quina coloca, champ\u00f4 e lava o cabelo das pessoas, outra consegue perceber o pedido e entregar bebidas e mesmo fazer cocktails substitu\u00eddo o tradicional barman ou os empregados de balc\u00e3o de pastelarias, uma terceira distribui documentos e pedidos dos clientes no interior de um escrit\u00f3rio ou de um hotel, uma quarta ajuda na agricultura espalhando o p\u00f3len como uma abelha, mesmo na guerra v\u00e3o come\u00e7ar a surgir rob\u00f4s em m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es, incluindo as de soldado.<\/p>\n<p>Outros apontam \u00e1reas t\u00e3o d\u00edspares como os carteiros e os desportistas em que o ser humano pode ser substitu\u00eddo por rob\u00f4s.<\/p>\n<p>O que vemos n\u00e3o s\u00e3o os trabalhos da ind\u00fastria mas os dos servi\u00e7os a ser amea\u00e7ados. A estrutura do mercado de trabalho vai seguramente alterar-se.<\/p>\n<p>Temos aqui uma amea\u00e7a ao emprego? Globalmente n\u00e3o, antes pelo contr\u00e1rio, o emprego vai continuar a expandir-se. A passagem das carro\u00e7as para o carro implicou uma expans\u00e3o do emprego na medida em que \u00e9 necess\u00e1rio construir estradas, autom\u00f3veis, manter oficinas de repara\u00e7\u00e3o, stands de venda, postos de gasolina, explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, refina\u00e7\u00e3o, etc.. Com a intelig\u00eancia artificial e a robotiza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o mesmo. Os rob\u00f4s ter\u00e3o de ser desenhados, as sua componentes fabricadas, testados, montados e toda uma infraestrutura para a sua intera\u00e7\u00e3o criada, exigir\u00e3o altera\u00e7\u00f5es nos locais de trabalho, outra escala de funcionamento, etc. Tudo isso requer m\u00e3o-de-obra, tudo isso ser\u00e3o novos empregos.<\/p>\n<p>Mas certos pa\u00edses especializados nas \u00e1reas do passado podem sofrer percas significativas de emprego. Portugal tem uma percentagem elevada de pessoas a trabalhar em \u00e1reas amea\u00e7adas pela robotiza\u00e7\u00e3o. Em contrapartida n\u00e3o est\u00e1 envolvido na cria\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s. A pandemia vai acelerar a introdu\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o destas tend\u00eancias. Portugal parece estar do lado errado da equa\u00e7\u00e3o e, infelizmente, o Plano encomendado pelo Governo nem se debru\u00e7a sobre este tema quanto mais propor uma estrat\u00e9gia para o enfrentar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo Quando pensamos em rob\u00f4s imaginamos um boneco mec\u00e2nico, vagamente de formato humano, desenhado para executar as tarefas mais pesadas, repetitivas e desagrad\u00e1veis. Quando se fala em perda de empregos pensamos na extin\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e a sua substitui\u00e7\u00e3o por m\u00e1quinas controladas por computadores. 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