{"id":45253,"date":"2020-09-05T12:06:33","date_gmt":"2020-09-05T12:06:33","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45253"},"modified":"2020-09-05T12:06:38","modified_gmt":"2020-09-05T12:06:38","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45253","title":{"rendered":"Medida da qualidade das elites"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/medida-da-qualidade-das-elites\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Cronica-54_OA_02setembro2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>O med\u00edocre comportamento dos gastos p\u00fablicos, a par do n\u00edvel de endividamento, representa uma forte extra\u00e7\u00e3o de valor das gera\u00e7\u00f5es futuras<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left\"><!--more--><\/p>\n<p>Na quarta-feira passada, dia 2, foi apresentado o Elite Quality Index (EQI) para Portugal, no qual tive a oportunidade de participar. Tenho defendido que, em Portugal, nomeadamente a elite pol\u00edtica \u00e9 extrativa, penalizando o desenvolvimento econ\u00f3mico do pa\u00eds. Quando escrevo recebo sempre meia d\u00fazia de emails a rebater o meu ponto de vista, geralmente com a argumenta\u00e7\u00e3o \u201cent\u00e3o, apresente l\u00e1 n\u00fameros!\u201d. Respondo aos emails sempre com n\u00fameros. Desta vez, a cr\u00f3nica revela novos n\u00fameros que confirmam que a elite pol\u00edtica \u00e9 extrativa.<\/p>\n<p>Os valores do EQI para 32 pa\u00edses constam do Elite Quality Report 2020, dispon\u00edvel em www.elitequality.org. Este relat\u00f3rio \u00e9 da responsabilidade de uma equipa multidisciplinar de investigadores da Universidade de St. Gallen (Su\u00ed\u00e7a). Al\u00e9m dessa equipa, tem o suporte de uma rede internacional de parceiros e de institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, destacando-se a dxFeed como gestora da Plataforma de Gest\u00e3o do \u00cdndice e a Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) como parceiro acad\u00e9mico para Portugal. \u00c0 equipa da FEP, a que perten\u00e7o, coube a tarefa de analisar os dados nacionais e proceder ao correspondente trabalho anal\u00edtico.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que todas as sociedades s\u00e3o dominadas por elites que manifestam a sua influ\u00eancia em \u00e1reas distintas: pol\u00edtica, economia, cultura, religi\u00e3o, acad\u00e9mica, ... S\u00e3o geralmente as elites pol\u00edticas e econ\u00f3micas que t\u00eam a capacidade de coordena\u00e7\u00e3o dos recursos dispon\u00edveis (humanos, financeiros, recursos naturais, conhecimento, e todos os outros) nas sociedades, pelo que s\u00e3o as que merecem a aten\u00e7\u00e3o do EQI.<\/p>\n<p>O EQI mede ent\u00e3o a qualidade das elites pol\u00edticas e econ\u00f3micas, atendendo \u00e0 forma como a suas atua\u00e7\u00f5es determinam o desenvolvimento econ\u00f3mico e humano das sociedades em que se inserem. \u00c9 aqui que reside o seu car\u00e1ter verdadeiramente inovador. Em vez de medir diretamente a qualidade das elites, o que \u00e9 virtualmente imposs\u00edvel, f\u00e1-lo de forma indireta medindo as consequ\u00eancias agregadas das suas atua\u00e7\u00f5es. Assim, elites de elevada qualidade, inclusivas, seguem modelos criadores de valor que d\u00e3o \u00e0 sociedade mais do que dela retiram, desenvolvendo atividades produtivas potenciadoras do \u201cbolo\u201d que \u00e9 a riqueza. Nesse processo, a elite tamb\u00e9m sai beneficiada mesmo que \u201ccoma sempre a mesma fatia\u201d, porque o \u201cbolo\u201d \u00e9 progressivamente maior. Por sua vez, elites de baixa qualidade, extrativas, desenvolvem modelos de apropria\u00e7\u00e3o de valor criado pela sociedade \u2013 o que na terminologia anglo-sax\u00f3nica se designa por rent-seeking. Na nossa analogia, elites de baixa qualidade limitam-se a fazem aumentar a sua \u201cfatia\u201d de um \u201cbolo\u201d que, por culpa pr\u00f3pria, n\u00e3o cresce.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da (in)capacidade de cria\u00e7\u00e3o de valor, o poder concentrado nessas elites \u00e9 outro fator condicionador do desenvolvimento das sociedades. Mais poder significa maior capacidade para fazer prevalecer as suas prefer\u00eancias e interesses.<\/p>\n<p>Esses dois fatores, a cria\u00e7\u00e3o de valor e o poder, podendo assumir diferentes n\u00edveis, permitem estipular uma tipologia para as elites pol\u00edticas e econ\u00f3micas. A combina\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es d\u00e1 origem a quatro \u00e1reas do \u00edndice \u2013 valor econ\u00f3mico, valor pol\u00edtico, poder econ\u00f3mico e poder pol\u00edtico \u2013, que, no EQI, s\u00e3o avaliadas por um total de 72 indicadores cujas fontes dos dados s\u00e3o oficiais, governamentais ou institucionais (como o Banco Mundial ou o Fundo Monet\u00e1rio Internacional), transparentes e p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios da qualidade das elites que anualmente ir\u00e3o ser produzidos ser\u00e3o certamente um instrumento de an\u00e1lise econ\u00f3mica aprofundada, permitindo apresentar um enquadramento inovador conducente a novas interpreta\u00e7\u00f5es do estado das sociedades, uma capacidade de compara\u00e7\u00e3o do potencial de desenvolvimento dos pa\u00edses, um elevado potencial de sustenta\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico sobre pol\u00edticas nacionais, uma capacidade de complementar e, possivelmente, aperfei\u00e7oar a an\u00e1lise econ\u00f3mica ortodoxa.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio apresentado, Singapura ocupa o 1\u00ba lugar, pelo que as elites empresariais desta cidade-estado s\u00e3o as maiores criadoras de valor. Nos posicionamentos cimeiros encontram-se ainda a Su\u00ed\u00e7a (2\u00ba), a Alemanha (3\u00ba), o Reino Unido (4\u00ba) e os Estados Unidos (5\u00ba). As elites portuguesas est\u00e3o classificadas a meio da tabela (14\u00ba), no conjunto dos pa\u00edses analisados. Esta classifica\u00e7\u00e3o esconde, contudo, grandes disparidades ao n\u00edvel das quatro \u00e1reas do \u00edndice, revelando melhor desempenho ao n\u00edvel da capacidade de cria\u00e7\u00e3o de valor por parte das elites econ\u00f3micas (10\u00ba) e muito pior desempenho ao n\u00edvel da capacidade de cria\u00e7\u00e3o de valor por parte das elites pol\u00edticas (25\u00aa).<\/p>\n<p>O pior desempenho ao n\u00edvel do valor pol\u00edtico decorre das significativas disparidades regionais, da p\u00e9ssima qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos, do vergonhoso n\u00edvel de endividamento, dos elevados encargos sobre as empresas que contribuem para a fraca competitividade da economia e para o baixo n\u00edvel de investimento, e da elevada e extrativa carga fiscal. A este prop\u00f3sito \u00e9 ainda de destacar o med\u00edocre comportamento dos gastos p\u00fablicos, que, a par do n\u00edvel de endividamento, representa uma forte extra\u00e7\u00e3o de valor das gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel dos indicadores de poder, pol\u00edtico e econ\u00f3mico, Portugal apresenta um melhor desempenho que a m\u00e9dia dos pa\u00edses inquiridos. Os resultados ao n\u00edvel do poder pol\u00edtico decorrem da partilha da soberania com a Uni\u00e3o Europeia, com o municipalismo, as Comiss\u00f5es de Coordena\u00e7\u00e3o Regional e as Regi\u00f5es Aut\u00f3nomas. Adicionalmente, tamb\u00e9m a imposi\u00e7\u00e3o de quotas para a diversidade de g\u00e9nero em cargos pol\u00edticos, no setor empresarial do Estado e em empresas cotadas contribui para o bom desempenho nesta \u00e1rea. Em termos de poder econ\u00f3mico observa-se que o pa\u00eds revela um bom dinamismo ao n\u00edvel de entrada e sa\u00edda de empresas do mercado. Acresce que o n\u00famero de grandes empresas \u00e9 diminuto, contribuindo tamb\u00e9m para que o poder econ\u00f3mico n\u00e3o esteja demasiado concentrado.<\/p>\n<p>Em suma, em termos pol\u00edticos, o poder forte traduz-se em fraca cria\u00e7\u00e3o de valor, permitindo que se classifique a elite pol\u00edtica de extrativa. Em termos econ\u00f3micos acontece exatamente o contr\u00e1rio: o poder da elite \u00e9 mais fraco que a sua cria\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) O med\u00edocre comportamento dos gastos p\u00fablicos, a par do n\u00edvel de endividamento, representa uma forte extra\u00e7\u00e3o de valor das gera\u00e7\u00f5es futuras<\/p>\n","protected":false},"author":63,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-45253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45253"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45254,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45253\/revisions\/45254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}