{"id":45252,"date":"2020-09-05T12:14:44","date_gmt":"2020-09-05T12:14:44","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45252"},"modified":"2020-09-05T12:14:48","modified_gmt":"2020-09-05T12:14:48","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45252","title":{"rendered":"Interior confinado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/interior-confinado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Cronica-53_OA_04agosto2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>O per\u00edodo de confinamento imposto na sequ\u00eancia da pandemia Covid-19 foi mau para todos, mas foi especialmente mau para quem vive no interior.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left\"><!--more--><\/p>\n<p>Em Portugal, a distribuic\u0327a\u0303o geogr\u00e1fica da actividade econo\u0301mica, social e cultural entre o litoral e o interior \u00e9 demasiado assim\u00e9trica e, por consequ\u00eancia, o mesmo acontece com a distribui\u00e7\u00e3o da populac\u0327a\u0303o. O interior \u00e9 envelhecido, rural, desertificado, estagnado, deprimido, humilde, trabalhador, associado a uma secular vida de mis\u00e9ria, e completamente esquecido fora de per\u00edodos eleitorais. Apesar de todos os constrangimentos que historicamente se t\u00eam imposto ao interior, representa cerca de 70% do territ\u00f3rio nacional e ainda cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O per\u00edodo de <em>confinamento imposto na sequ\u00eancia<\/em> da pandemia <em>Covid<\/em>-<em>19 foi obviamente mau para todos, mas foi especialmente mau para quem vive no interior. A pobreza de recursos p\u00fablicos, de infraestruturas e de alternativas ditou que muitos estudantes se tenham visto privados de aulas, que o produto de muita actividade econ\u00f3mica tenha ficado sem escoamento, e que muita popula\u00e7\u00e3o tenha mergulhado ainda em mais solid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Curiosamente, ou talvez n\u00e3o, pouco se fala dos graves problemas que assolam o interior actual. Bem sei que <\/em>o relato da realidade \u00e9 sempre determinado pelo poder dos vencedores. Sei tamb\u00e9m que a liberdade democr\u00e1tica permite que haja jornalismo id\u00f3neo, mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que tal n\u00e3o \u00e9 suficiente para impedir a tend\u00eancia para ignorar o interior vencido, que nada \u201creclama\u201d, que dificilmente acede ao poder pol\u00edtico, que n\u00e3o controla mercados, n\u00e3o financia campanhas eleitorais e n\u00e3o compra favores.<\/p>\n<p><em>Claro que os recursos s\u00e3o escassos e que \u00e9 dif\u00edcil atender a todos os pedidos, sobretudo aos pedidos de quem, por educa\u00e7\u00e3o secular, aceita todos os sacrif\u00edcios e nunca \u201creclama\u201d, mas o que se passa no interior \u00e9 efectivamente alarmante e devia merecer maior solidariedade. O que se <\/em>espera dos governos \u00e9 ac\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o pelos destro\u00e7ados pelo economicismo, dos que para quem viver \u00e9 sobreviver. Se assim n\u00e3o for, como tem sido, acelera-se o ciclo vicioso de pobreza e da desertifica\u00e7\u00e3o. Sem aulas \u201cdecentes\u201d condena-se o futuro, sem apoio ao escoamento de produ\u00e7\u00f5es \u2013 como, por exemplo, do vinho e do azeite \u2013 condena-se o presente e o futuro, e a solid\u00e3o vai matando em propor\u00e7\u00f5es crescentes.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o era justa a desigualdade de oportunidades sentida no interior, desde logo pela inferior qualidade dos (cada vez piores) servi\u00e7os fornecidos pelo Estado. N\u00e3o era aceit\u00e1vel, como tem sido h\u00e1bito, o cont\u00ednuo encerramento de servi\u00e7os no interior do pa\u00eds (veja-se o encerramento de diversos balc\u00f5es da CGD ou de esta\u00e7\u00f5es dos CTT, com o argumento de insuficiente n\u00famero de utentes). N\u00e3o era igualmente aceit\u00e1vel que uma elite dirigente e t\u00e9cnica de um sem n\u00famero de organismos com fun\u00e7\u00f5es de regula\u00e7\u00e3o, controlo e fiscaliza\u00e7\u00e3o, vivesse na sombra de actividade produtiva concentrada no interior. S\u00f3 para citar alguns exemplos, veja-se os casos do Instituto da Vinha e do Vinho, do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, a administra\u00e7\u00e3o e todos os servi\u00e7os da EDP, Iberdrola e outras. Veja-se ainda o caso das barragens, consideradas como \u201cinvestimentos de desenvolvimento local\u201d, mas que efectivamente apenas criam o posto de trabalho do vigilante durante a sua fase de explora\u00e7\u00e3o. Estas, como todas as explora\u00e7\u00f5es do interior, nada t\u00eam contribu\u00eddo para a melhoria da massa cr\u00edtica social dos respectivos lugares.<\/p>\n<p>O interior que nada pede e que nunca contribuiu para desgra\u00e7as, merece bem mais aten\u00e7\u00e3o, porque tem recursos mais ou menos abundantes que devem ser aproveitados localmente e valorizados, desde o patrim\u00f3nio cultural (monumental e imaterial) aos espa\u00e7os naturais, desde produtos agr\u00edcolas singulares aos recursos do subsolo. Em algumas industrias tem at\u00e9 alguma tradi\u00e7\u00e3o. Investimentos pontuais, intempestivos, sem qualquer possibilidade de adensamento do tecido econ\u00f3mico e social nunca foram a solu\u00e7\u00e3o. Que importa, por exemplo, investir no turismo se n\u00e3o h\u00e1 recursos humanos apropriados e\u00a0 se se corta nos servi\u00e7os de sa\u00fade?<\/p>\n<p>Os habitantes do interior s\u00e3o tamb\u00e9m cidad\u00e3os indispens\u00e1veis. Por isso, para al\u00e9m do fosso que vem sendo cavado face \u00e0 m\u00e9dia nacional, no imediato, merecem que o governo seja sens\u00edvel ao alargamento do fosso educacional com a m\u00e9dia nacional, que ajude no escoamento de produ\u00e7\u00f5es e que esteja atento ao modo de vida de muita gente cada vez mais sozinha. \u00c9 verdade que a passagem do sobreviver para o viver n\u00e3o se transforma por decreto, mas porque o sobreviver tem express\u00f5es quantitativas alarmantes, porque h\u00e1 um mau estar que exige e aconselha interven\u00e7\u00e3o, o interior merece actualmente especial aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Merece, no fundo, beneficiar <strong>d<\/strong>o princ\u00edpio da solidariedade inter-territorial, como, sobretudo, o litoral tem beneficiado dos pa\u00edses mais ricos da Uni\u00e3o Europeia. Isso faz-se, por exemplo, invertendo a l\u00f3gica de desqualifica\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e infra-estruturas existentes. Faz-se tamb\u00e9m por via do refor\u00e7o de servi\u00e7os, com a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade \u00e0 cabe\u00e7a, e da atractividade de alguns centros urbanos do interior, estrategicamente posicionados. Faz-se, ainda, olhando para os recursos e capacidades end\u00f3genas e pensando o respectivo desenvolvimento a partir do aproveitamento desses recursos e dessas compet\u00eancias.<\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) O per\u00edodo de confinamento imposto na sequ\u00eancia da pandemia Covid-19 foi mau para todos, mas foi especialmente mau para quem vive no interior.<\/p>\n","protected":false},"author":63,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-45252","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45252"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45252\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45256,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45252\/revisions\/45256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}