{"id":45202,"date":"2020-08-18T22:43:36","date_gmt":"2020-08-18T22:43:36","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45202"},"modified":"2020-08-18T22:43:41","modified_gmt":"2020-08-18T22:43:41","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-1-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45202","title":{"rendered":"Portugal e a travagem da Globaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/jorge-fonseca-de-almeida\/detalhe\/portugal-e-a-travagem-da-globalizacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>A<\/em> continua\u00e7\u00e3o da retra\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro europeu e norte-americano e a eventual retirada de algumas atividades atirar\u00e1 o pa\u00eds para uma crise ainda maior que significar\u00e1 um empobrecimento relativamente aos outros pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<p>A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a retirada dos Estados Unidos de v\u00e1rios tratados internacionais, a atual pandemia, t\u00eam vindo a significar uma dupla travagem: a do crescimento mundial e a da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ora Portugal tem sido um dos pa\u00edses para onde muitas grandes multinacionais europeias t\u00eam deslocalizado algumas das suas atividades (Siemens, Volkswagen, Renault, Bosch, etc., etc.). A travagem da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um risco para Portugal.<\/p>\n<p>Portugal, tendo apostado na especializa\u00e7\u00e3o em m\u00e3o-de-obra barata e pouco especializada, est\u00e1 particularmente fr\u00e1gil neste momento. Muitas empresas internacionais est\u00e3o a encurtar cadeias de produ\u00e7\u00e3o, chamando a casa muitas atividades que levavam a cabo ou subcontratavam no estrangeiro.<\/p>\n<p>Esse efeito j\u00e1 se nota em Portugal com o encerramento de v\u00e1rias atividades que algumas multinacionais desenvolviam no nosso pa\u00eds e a sua transfer\u00eancia para o pa\u00eds de origem ou para pa\u00edses mais perto das sedes. At\u00e9 em atividades de baixo valor acrescentado como os call-centers, que praticamente s\u00f3 acrescentam baixos sal\u00e1rios, aluguer de instala\u00e7\u00f5es e custos de telecomunica\u00e7\u00f5es est\u00e3o j\u00e1 a sair e a retornar aos pa\u00edses de origem.<\/p>\n<p>Tendo a maior parte das suas exporta\u00e7\u00f5es, da sua ind\u00fastria, nas m\u00e3os de empresas estrangeiras ou de empresas portuguesas que fornecem componentes para empresas estrangeiras, Portugal encontra-se particularmente vulner\u00e1vel \u00e0 tend\u00eancia de encurtamento das cadeias de valor. Alguns parecem imaginar que essa tend\u00eancia passa essencialmente pelo abandono da China e o regresso das atividades industriais \u00e0 Europa. \u00c9 um equ\u00edvoco. Se a quest\u00e3o \u00e9 de seguran\u00e7a, ent\u00e3o o risco \u00e9 quase t\u00e3o grande que a atividade esteja deslocalizada na China como em Portugal. No caso de fechamento de fronteiras, tal como aconteceu na primeira onda da pandemia, tais atividades ficam sempre no estrangeiro quer se localizem na China quer em Portugal.<\/p>\n<p>E, sendo o mercado chin\u00eas gigantesco e o portugu\u00eas min\u00fasculo o risco de retirada \u00e9 muito menor em Portugal do que na China, onde as empresas se arriscam a perder volumes de vendas absolutamente cruciais para a sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>A continua\u00e7\u00e3o da retra\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro europeu e norte-americano e a eventual retirada de algumas atividades atirar\u00e1 o pa\u00eds para uma crise ainda maior que significar\u00e1 um empobrecimento relativamente aos outros pa\u00edses europeus e uma onda de emigra\u00e7\u00e3o ainda maior do que a que tivemos por ocasi\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o da troika. Ao trazer atividades deslocalizadas para o interior os pa\u00edses do centro da Europa v\u00e3o necessitar de um influxo de trabalhadores, o que propiciar\u00e1 oportunidades num momento em que Portugal tender\u00e1 a ter um alto desemprego.<\/p>\n<p>O novo plano estrat\u00e9gico para a recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o leva em conta estes riscos e prefere pensar apenas no cen\u00e1rio risonho de que as empresas alem\u00e3s e francesas mudem parte das suas atividades da China para Portugal. Tamb\u00e9m n\u00e3o considera que se o risco \u00e9 a seguran\u00e7a de abastecimento e o custo ent\u00e3o os pa\u00edses fronteiri\u00e7os do centro, leste e do sul da Europa, que est\u00e3o mais pr\u00f3ximo da Alemanha e da Fran\u00e7a, tender\u00e3o a ter vantagem sobre Portugal que est\u00e1 na periferia e que apresenta fortes dificuldades de acesso em caso de pandemias ou outras ocorr\u00eancias que levem ao encerramento de fronteiras.<\/p>\n<p>\u00a0O cen\u00e1rio risonho \u00e9, pois, pouco prov\u00e1vel. Ao n\u00e3o considerar a hip\u00f3tese de retirada parcial das multinacionais estrangeiras, o plano deixa o pa\u00eds vulner\u00e1vel e sem resposta para esta eventualidade.<\/p>\n<p>Mas se \u00e9 verdade que a deslocaliza\u00e7\u00e3o ocidental est\u00e1 em processo de travagem o mesmo n\u00e3o se pode dizer da asi\u00e1tica. A China iniciou com a rota da seda um processo, que tem tido altos e baixos, de deslocaliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias atividades, olhe-se para a ind\u00fastria t\u00eaxtil asi\u00e1tica que se tem instalado em \u00c1frica.<\/p>\n<p>O centro econ\u00f3mico do mundo est\u00e1 hoje sediado na regi\u00e3o \u00c1sia-Pac\u00edfico onde se encontram v\u00e1rias economias muito poderosas, a Chinesa, a Japonesa, a Coreana, a Singapurense, e economias com vastos mercados como a Indiana.<\/p>\n<p>Assim, uma das alternativas para contrariar a travagem do investimento estrangeiro europeu e norte-americano, a retirada parcial de atividades e a redu\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00f5es para esses pa\u00edses (a come\u00e7ar pelo turismo) encontra-se numa maior proximidade aos mercados asi\u00e1ticos. \u00c9 uma alternativa que deve ser cuidadosamente preparada e posta em pr\u00e1tica. Sob pena de nos fecharmos num \u00fanico cen\u00e1rio que \u00e9, como vimos, de dif\u00edcil concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios A continua\u00e7\u00e3o da retra\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro europeu e norte-americano e a eventual retirada de algumas atividades atirar\u00e1 o pa\u00eds para uma crise ainda maior que significar\u00e1 um empobrecimento relativamente aos outros pa\u00edses europeus.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,141],"tags":[],"class_list":["post-45202","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-de-negocios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45202"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45203,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45202\/revisions\/45203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}