{"id":45158,"date":"2020-08-07T14:11:12","date_gmt":"2020-08-07T14:11:12","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45158"},"modified":"2020-08-07T14:11:36","modified_gmt":"2020-08-07T14:11:36","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-3-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-18","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45158","title":{"rendered":"Fraude e corrup\u00e7\u00e3o \u2013 quem v\u00ea caras\u2026"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><b style=\"color: #d8070f;\">Ant\u00f3nio Maia <\/b><\/span><b style=\"color: #d8070f;\"><\/b><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/ponto-de-vista\/silencio-da-fraude\/2020-08-06-fraude-e-corrupcao-quem-ve-caras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Visao-603.pdf\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mas, pergunta-se, estar\u00e3o as pessoas generalizadamente piores em termos dos seus \u00edndices m\u00e9dios de integridade?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p><em>\u201cQuem v\u00ea caras n\u00e3o v\u00ea cora\u00e7\u00f5es\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Trata-se de um prov\u00e9rbio muito utilizado entre n\u00f3s a prop\u00f3sito de situa\u00e7\u00f5es associadas a uma certa dose de fraude ou, pelo menos, de surpresa, quando temos not\u00edcia da ocorr\u00eancia de determinados pormenores menos abonat\u00f3rios ou de menor concord\u00e2ncia com um certo quadro de expectativas relativamente \u00e0 actua\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201c<em>No melhor pano cai a n\u00f3doa<\/em>\u201d \u00e9 o que por vezes tamb\u00e9m dizemos relativamente a situa\u00e7\u00f5es com aquele recorte e quando os envolvidos t\u00eam pelo menos algum destaque social.<\/p>\n<p>Vem esta cr\u00f3nica a prop\u00f3sito dos factos que se est\u00e3o a passar por estes dias aqui ao nosso lado, em Espanha, envolvendo a decis\u00e3o do rei em\u00e9rito, Juan Carlos, em abandonar o pa\u00eds, partindo para lugar incerto (que at\u00e9 pode ser em Portugal, segundo alguma comunica\u00e7\u00e3o social), em virtude dos sucessivos esc\u00e2ndalos noticiosos que t\u00eam vindo a p\u00fablico associando o seu nome, e tamb\u00e9m os de outros familiares da casa real, a alegados \u201c<em>esquemas<\/em>\u201d de menor integridade, de fraude e mesmo de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que, pelo simbolismo que representam e pelo posicionamento no contexto das estruturas pol\u00edticas, sociais e econ\u00f3micas de um qualquer Estado, t\u00eam uma esp\u00e9cie de responsabilidade maior junto da sociedade e dos cidad\u00e3os no que respeita \u00e0 exemplaridade, \u00e0 honorabilidade e at\u00e9 \u00e0 moralidade. Tendem a ser olhadas como verdadeiros referenciais de respeitabilidade na vida institucional e p\u00fablica.<\/p>\n<p>E, nessa medida, aqueles que exercem fun\u00e7\u00f5es nessas institui\u00e7\u00f5es devem revelar, a todo tempo, ser detentores de um perfil superior de integridade. Uma capacidade para ser e para estar \u00e0 altura da exig\u00eancia e das responsabilidades do exerc\u00edcio dessas fun\u00e7\u00f5es. Um perfil \u201c<em>\u00e0 prova de bala<\/em>\u201d, como alguns defendem.<\/p>\n<p>As fun\u00e7\u00f5es de natureza pol\u00edtica, come\u00e7ando logo pelos mais elevados magistrados de uma na\u00e7\u00e3o \u2013 a realeza, no caso dos regimes de monarquia, como o espanhol, que est\u00e1 agora \u201c<em>debaixo de fogo<\/em>\u201d, o Chefe de Estado, ou Presidente da Rep\u00fablica, como sucede entre n\u00f3s, e todas as demais fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como Chefes de Governo, Ministros, Secret\u00e1rios de Estado e Deputados \u2013 encontram-se nestas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m se encontra nas mesmas circunst\u00e2ncias o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da esfera da justi\u00e7a, designadamente Ju\u00edzes, Magistrados, Pol\u00edcias e Advogados, ou o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da sa\u00fade, de que se destacam os M\u00e9dicos e os Enfermeiros, para citar apenas algumas.<\/p>\n<p>Na realidade, todas as institui\u00e7\u00f5es, e o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es em nome da sua causa, requerem este mesmo pressuposto. Integridade e respeito pelo outro.<\/p>\n<p>E \u00e9 do cumprimento desta dicotomia por todos os que servem uma qualquer institui\u00e7\u00e3o (p\u00fablica ou privada) que se constr\u00f3i e alimenta a credibilidade e a confian\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es junto dos cidad\u00e3os e da sociedade.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, a pr\u00e1tica e sobretudo o conhecimento p\u00fablico de actos que desrespeitem um ou ambos os crit\u00e9rios, desacreditam a institui\u00e7\u00e3o e minam essa componente t\u00e3o nevralgicamente importante que \u00e9 o \u201c<em>capital de confian\u00e7a<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>E os casos com recorte de suspei\u00e7\u00e3o de alegadas situa\u00e7\u00f5es de fraude e de corrup\u00e7\u00e3o t\u00eam-se acumulado enormemente nos \u00faltimos anos um pouco por todo o lado e envolvendo todo o tipo de institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Temos, para referir exemplos recentes de Portugal, not\u00edcias de sinais de aus\u00eancia de integridade e de desrespeito pelo outro nas estruturas da Justi\u00e7a, com situa\u00e7\u00f5es publicamente conhecidas envolvendo ju\u00edzes, Magistrados e Pol\u00edcias, nas institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, com situa\u00e7\u00f5es de fraude na gest\u00e3o banc\u00e1ria pelos pr\u00f3prios banqueiros e de gest\u00e3o irregular e abusiva das contas e dos dep\u00f3sitos das poupan\u00e7as \u2013 nalguns casos as poupan\u00e7as de uma vida \u2013 de alguns clientes, na Igreja, com suspei\u00e7\u00f5es de diversa ordem envolvendo sacerdotes, na pol\u00edtica, com alguns Ex-Ministros envolvidos em pol\u00e9micas relativamente a decis\u00f5es que tomaram alegadamente em benef\u00edcio de determinados interesses particulares. Enfim, a listagem tem vindo a engrossar e a alongar-se com o tempo e poucas, se ainda existirem, s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es que possamos presumir \u201c<em>imaculadas<\/em>\u201d, no sentido de n\u00e3o se lhes conhecer nada, rigorosamente nada, de suspei\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio da sua ac\u00e7\u00e3o por qualquer dos seus dirigentes ou colaboradores.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio que acaba por derivar de toda esta sequ\u00eancia de suspei\u00e7\u00f5es \u00e9 de tal forma exaustivo que por vezes se pode ficar com a no\u00e7\u00e3o que o mundo como o conhecemos est\u00e1 prestes a ruir, ou a entrar numa qualquer nova dimens\u00e3o, tal a cad\u00eancia de sinais de falta de \u00e9tica de integridade que se t\u00eam registado.<\/p>\n<p>Mas, pergunta-se, estar\u00e3o as pessoas generalizadamente piores em termos dos seus \u00edndices m\u00e9dios de integridade?<\/p>\n<p>Tenho uma certa percep\u00e7\u00e3o que a resposta a esta quest\u00e3o \u00e9 ainda negativa, ou seja que as pessoas ter\u00e3o sido sempre assim. Umas tendencialmente mais \u00edntegras e outras nem tanto, como verifiquei anteriormente em <a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/600561\/contextos-e-determinantes-da-corrupcao-a-educacao-como-factor-preventivo?seccao=Opiniao_i\">Contexto e determinantes da corrup\u00e7\u00e3o - a educa\u00e7\u00e3o como factor preventivo<\/a>. E, para as menos \u00edntegras, praticar um acto de fraude ser\u00e1 \u201c<em>apenas<\/em>\u201d uma quest\u00e3o de oportunidade.<\/p>\n<p>Simplesmente agora h\u00e1 mais notoriedade dos casos. Pelo menos de alguns casos, daqueles cujos suspeitos exercem fun\u00e7\u00f5es e ocupam posi\u00e7\u00f5es importantes nas estruturas org\u00e2nicas das entidades associadas \u00e0s situa\u00e7\u00f5es sob suspeita.<\/p>\n<p>Na realidade a possibilidade de existirem pessoas menos \u00edntegras de car\u00e1cter em qualquer institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nula nunca. Nunca! Por isso nenhuma institui\u00e7\u00e3o se pode arrogar estar numa posi\u00e7\u00e3o de presumir uma esp\u00e9cie de imunidade natural a problemas desta natureza.<\/p>\n<p>S\u00e3os as pessoas que fazem e constroem as institui\u00e7\u00f5es e n\u00e3o o contr\u00e1rio, como se referiu anteriormente, ou seja \u201c<em>o h\u00e1bito n\u00e3o faz o monge<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A integridade deve presumir-se como pressuposto basilar das rela\u00e7\u00f5es interpessoais que estabelecemos permanentemente uns com os outros. A abordagem do outro, seja em que circunst\u00e2ncia for, n\u00e3o poder\u00e1 nunca partir de um pressuposto diferente. De um pressuposto de desconfian\u00e7a, sob pena de passarmos a viver num estado de permanente e generalizada inseguran\u00e7a sobre tudo e sobre todos.<\/p>\n<p>Mas o estado de presun\u00e7\u00e3o da integridade n\u00e3o confere por si s\u00f3 nenhum grau de certeza quanto \u00e0 presen\u00e7a dessa mesma integridade. Longe disso. Por isso medidas como a transpar\u00eancia, o controlo, a gest\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de riscos s\u00e3o de import\u00e2ncia nevr\u00e1lgica em qualquer institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00c9tica e a integridade n\u00e3o s\u00e3o realidades que se bastem pela simples afirmativa. A sua presen\u00e7a tem sobretudo de ser confirmada e efectivada por todos e de forma permanente!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Maia , Vis\u00e3o online Mas, pergunta-se, estar\u00e3o as pessoas generalizadamente piores em termos dos seus \u00edndices m\u00e9dios de integridade?<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-45158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45159,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45158\/revisions\/45159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}