{"id":45123,"date":"2020-07-25T16:54:26","date_gmt":"2020-07-25T16:54:26","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45123"},"modified":"2020-07-25T16:54:29","modified_gmt":"2020-07-25T16:54:29","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45123","title":{"rendered":"Racismo e economia &#8211; vamos pelo mau caminho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/jorge-fonseca-de-almeida\/detalhe\/racismo-e-economia---vamos-pelo-mau-caminho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A sociedade portuguesa \u00e9 diversa e essa diversidade acompanha-nos desde a funda\u00e7\u00e3o da nacionalidade. Quando D. Afonso Henriques declarou a independ\u00eancia de Portugal grande parte da popula\u00e7\u00e3o do que \u00e9 hoje a nossa faixa continental era habitada por mouros, uma grande parte dos quais eram negros. Tamb\u00e9m os ciganos se encontram entre n\u00f3s desde h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos.<\/p>\n<p>E no entanto\u2026 ao olharmos para os Conselhos de Administra\u00e7\u00e3o das grandes empresas portuguesas, para os lugares de topo da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, para as profiss\u00f5es mais respeitadas como os ju\u00edzes, os professores universit\u00e1rios, para os comandantes das For\u00e7as Armadas, para tantas e tantas outras posi\u00e7\u00f5es, essa diversidade esvanece-se, evapora-se, desaparece e o que vemos \u00e9 uma esmagadora maioria de homens brancos, pontilhada por uma presen\u00e7a crescente de mulheres igualmente brancas.<\/p>\n<p>Em contrapartida nos empregos mais prec\u00e1rios, nas profiss\u00f5es mais duras, nas popula\u00e7\u00f5es mais pobres vemos aglomerar-se uma despropor\u00e7\u00e3o gritante de membros das minorias \u00e9tnicas e raciais.<\/p>\n<p>Ao sistema que polariza e agrupa as pessoas desta forma injusta e desumana chamam os especialistas racismo institucional ou estrutural. E n\u00e3o adiantam as manifesta\u00e7\u00f5es extremistas e hip\u00f3critas, as juras de amizade, os beijos do Presidente, as nega\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos da direita e da esquerda, os factos falam por si. N\u00e3o h\u00e1 volta a dar. Portugal \u00e9 mesmo um pa\u00eds estruturalmente racista, como mostram os diversos estudos sociol\u00f3gicos europeus e internacionais. E n\u00e3o se demonstra em toda a extens\u00e3o da injusti\u00e7a porque vergonhosamente o Estado portugu\u00eas n\u00e3o autoriza que se recolham os dados estat\u00edsticos que o provariam.<\/p>\n<p>Este racismo institucional, vem agora comprovar a Mckinsey, insuspeita consultora internacional norte-americana, tem consequ\u00eancias graves ao n\u00edvel do desenvolvimento econ\u00f3mico. Desde logo porque coarta a criatividade, bem essencial na economia moderna, e diminui o empenhamento e a produtividade dos empregados que sentem n\u00e3o terem possibilidade de ser reconhecidos fa\u00e7am o que fizerem. Mas n\u00e3o s\u00f3 os que s\u00e3o diretamente discriminados mas tamb\u00e9m os outros que sentem a injusti\u00e7a mas sabem que basta ser branco para ultrapassar o vizinho negro ou cigano n\u00e3o sendo necess\u00e1rio mais empenhamento.<\/p>\n<p>E a discrimina\u00e7\u00e3o inevitavelmente torna-se conhecida e tem consequ\u00eancias. As encomendas baixam, ningu\u00e9m quer ter um fornecedor racista, ningu\u00e9m quer comprar um produto que incorpore partes produzidas por companhias ou pa\u00edses racistas. Grande parte das pessoas que sa\u00edram \u00e0 rua nas gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es antirracistas, por ocasi\u00e3o do assassinato de George Floyde, eram \u2026 brancas.<\/p>\n<p>Lembram-se dos cancelamentos de encomendas e da mudan\u00e7a de fornecedores que as empresas de sapatos e t\u00eaxteis sofreram por causa do trabalho infantil que Portugal teimava em n\u00e3o combater, explicando rid\u00edcula e vergonhosamente ao mundo que essa pr\u00e1tica fazia parte da cultura nacional? Quanto custou ent\u00e3o ao pa\u00eds esse fingido tra\u00e7o cultural.<\/p>\n<p>Os grandes mercados norte-americano, europeu e chin\u00eas est\u00e3o, afirma a Mckinsey, cada vez mais alerta e cada vez mais vigilantes em rela\u00e7\u00e3o ao racismo. As empresas portuguesas t\u00eam de mudar de vida se querem continuar a exportar e a manter posi\u00e7\u00f5es nos mercados estrangeiros. Hoje com a sua postura, Portugal corre o risco de ser alvo de campanhas de boicote antirracista em v\u00e1rios pa\u00edses. \u00c9 preciso mudar. Com a rapidez que hoje, na era digital, se espera.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se desculpem com s\u00e9culos de conviv\u00eancia porque o que todos recordam no estrangeiro \u00e9 da guerra colonial e da recusa de aceitar a independ\u00eancia dos pa\u00edses africanos, igualmente com base no argumento cultural. Desculpas que a ningu\u00e9m a enganaram ent\u00e3o e n\u00e3o enganam agora.<\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<p>* Jorge Fonseca de Almeida, economista, MBA<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,141],"tags":[],"class_list":["post-45123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-de-negocios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45123"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45123\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45124,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45123\/revisions\/45124"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}