{"id":45029,"date":"2020-07-04T15:34:27","date_gmt":"2020-07-04T15:34:27","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45029"},"modified":"2020-07-04T15:34:28","modified_gmt":"2020-07-04T15:34:28","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-1-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45029","title":{"rendered":"Agora, n\u00e3o! Poupe mais tarde"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira<\/strong><\/span>, Expresso online (072 20\/05\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><del><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-05-20-Agora-nao-Poupe-mais-tarde\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/del><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/72-JMoreira-mai2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>H\u00e1 pouco mais de duas semanas, a not\u00edcia surgiu no jornal Neg\u00f3cios: a quase totalidade do capital da Brisa havia sido vendida a um cons\u00f3rcio de fundos de pens\u00f5es. Mais uma empresa nacional cujo controlo passou para m\u00e3os estrangeiras. Seja porque todos andam demasiado absorvidos com a pandemia, seja porque se tornou corriqueiro ver empresas portuguesas de refer\u00eancia passarem a hastear pavilh\u00e3o estrangeiro, o facto \u00e9 que, tirando a referida publica\u00e7\u00e3o, a aliena\u00e7\u00e3o n\u00e3o mereceu a aten\u00e7\u00e3o dos media.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, na pret\u00e9rita semana, o mesmo jornal noticiava que mais de metade dos dividendos distribu\u00eddospelas empresas do \u00edndice PSI-20, equivalentes a mais de um ter\u00e7o dos lucros por elas gerados em 2019, v\u00e3o parar a bolsos estrangeiros. Tamb\u00e9m foi not\u00edcia que n\u00e3o mereceu aten\u00e7\u00e3o, desta vez (talvez) porque o pa\u00eds andava entretido a seguir anovela da \u201ccrise\u201d pol\u00edtica,tendo como protagonistas o primeiro-ministro e o ministro das finan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Uma equipa de investigadores nacionais, estudando os efeitos da pandemia, descobriu que o v\u00edrus, apesar do seu diminuto tamanho, parece ser ideologicamente orientado. Segundo essa equipa, ataca de forma preponderante os mais pobres, ao n\u00edvel econ\u00f3mico e com uma maior propor\u00e7\u00e3o de infe\u00e7\u00f5es.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>H\u00e1 estudosque partem em busca da pedra filosofal e acabam por encontrar o calhau onde est\u00e3o assentes os p\u00e9s do investigador. Acontece, \u00e9 normal. O que n\u00e3o \u00e9 normal \u00e9 que se d\u00ea \u00eanfase a tal resultado, nos moldes que foi dada a estes. Os investigadores ficaram \u201cchocados\u201d com os resultados, os media pegaram no assunto com denodo, numa segunda vaga vieram os fazedores de opini\u00e3oreafirmar que os pobres eram as v\u00edtimas por excel\u00eancia do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>[Apetecia perguntar para onde estavam a olhar estas pessoas que n\u00e3o viram os sinais do agravamento da pobreza que, paulatinamente, os dia do confinamento foram trazendo.]<\/p>\n\n\n\n<p>Espere-se pelo fim das morat\u00f3rias banc\u00e1rias ao pagamento das presta\u00e7\u00f5es dos empr\u00e9stimos das fam\u00edlias (e das empresas) e v\u00e3o ter oportunidade deconstatar como o v\u00edrus afeta mais n\u00e3o s\u00f3 os pobres \u201chabituais\u201d, mas tamb\u00e9m os \u201cnovos\u201d pobres, os endividados que perderam rendimentos. Pobre n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. \u00c9 pessoa, de carne e osso. Que sofre, que necessita de aux\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Por estes dias, dada a incerteza do presente, cada cidad\u00e3o \u00e9 (quase) um analista em pot\u00eancia, atento \u00e0sprevis\u00f5es macroecon\u00f3micas que ajudem a antever o que o futuro reserva. Por\u00e9m, ningu\u00e9m parece ter prestado aten\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa de poupan\u00e7a, uma das poucas previs\u00f5es que apresenta valores relativamente consistentes para diferentes fontes. De acordo com asdivulgadas pela Comiss\u00e3o Europeia, para Portugal essa taxa deve atingir os 9%em 2020, depois de nos \u00faltimos anos ter rondado os 6,5%.Descontando o facto de o rendimento dispon\u00edvel, que \u00e9 denominador do indicador, tamb\u00e9m encolher, o que s\u00f3 por si, para um mesmo volume de poupan\u00e7a, elevaria aquela taxa, o facto \u00e9 que se espera um crescimento efetivo de 2 pontos percentuais (mesmo assim, longe do acr\u00e9scimo de mais de 5 pontos percentuais para a m\u00e9dia da zona Euro).<\/li><li>Tradicionalmente, em Portugal a poupan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 assunto que mere\u00e7a aten\u00e7\u00e3o, muito menos tema acarinhado pelos sucessivos governos e acomodado nassuas pol\u00edticas fiscais.Poupar parece ser olhado como um desvio de personalidade a necessitar de tratamento psiqui\u00e1trico.At\u00e9 por isso, n\u00e3o se estranha que, neste momento de crise, a opini\u00e3o veiculada pelos mediapasse ao lado deste assunto. No entanto, mais do que nunca, o denominado \u201cparadoxo da poupan\u00e7a\u201d deveria ser farol a orientaro comportamento de cada cidad\u00e3o. O que este conceito prop\u00f5e, e que \u00e9 uma descoberta inolvid\u00e1vel para qualquer iniciado nas mat\u00e9rias econ\u00f3micas, \u00e9 uma dicotomia comportamental: se n\u00e3o existir poupan\u00e7a interna, ou ela for insuficiente ao n\u00edvel macroecon\u00f3mico, a \u00fanica via para financiar o investimento \u00e9 atrav\u00e9s do endividamento externo, que implica o pagamento de rendimentos e, mais tarde ou mais cedo, a venda de ativos ao exterior; no entanto, se no limite cada fam\u00edlia poupar a totalidade do seu rendimento dispon\u00edvel deixar\u00e1 de haver atividade econ\u00f3mica, por falta de procura interna, com consequ\u00eancias nefastasno emprego e na distribui\u00e7\u00e3o de rendimento, indiretamente no n\u00edvel de pobreza.<\/li><li>Nos tempos em que poupar era uma necessidade, ter um pequeno \u201cp\u00e9 de meia\u201d para acudir a uma \u201cafli\u00e7\u00e3o\u201d era a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o que permitia \u00e0s fam\u00edlias n\u00e3o naufragar quando aquelasurgisse. A \u201cafli\u00e7\u00e3o\u201d est\u00e1 a\u00ed, com toda a for\u00e7a, e muitas das fam\u00edlias n\u00e3o possuem essa t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o. As previs\u00f5es apontam no sentido de que as restantes ir\u00e3o passar a poupar mais.Grite-se, bem alto: agora, n\u00e3o! Agora n\u00e3o \u00e9 tempo de poupar. Pelo contr\u00e1rio, para que a pobreza n\u00e3o alastre ainda mais, \u00e9 tempo para que, quem manteve o seu rendimento e ou tenha um \u201cp\u00e9 de meia\u201d, o consuma, para gerarneg\u00f3cio que possa, pelo menos,manter o emprego existente. Portanto, nestes tempos em que um \u201ctsunami\u201d econ\u00f3mico a todos amea\u00e7a submergir, a palavra de ordem a adotar por cada umtem de ser: \u201cPoupan\u00e7a n\u00e3o! Consumo, sim!\u201d. Para que tenhamos futuro, deixemos a poupan\u00e7a para mais tarde.<\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online (072 20\/05\/2020)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-45029","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45029"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45030,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45029\/revisions\/45030"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}