{"id":45027,"date":"2020-07-04T15:26:44","date_gmt":"2020-07-04T15:26:44","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45027"},"modified":"2020-07-04T15:26:47","modified_gmt":"2020-07-04T15:26:47","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=45027","title":{"rendered":"Remoto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Pedro Moura<\/strong><\/span>, Expresso online (071 13\/05\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><del><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-05-13-Remoto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/del><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/71-PMoura-mai2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n\n\n<p>O que parecia imposs\u00edvel aconteceu: a maior parte das empresas e seus empregados passaram a trabalhar em modo remoto (ou pelo menos aqueles cujos trabalhos assim o permitiam).<\/p>\n\n\n\n<p>O surto Covid-19 colocou-nos perante desafios pessoais e sociais que praticamente ningu\u00e9m havia imaginado h\u00e1 3 meses atr\u00e1s. As nossas rotinas di\u00e1rias, tomadas como garantidas e imut\u00e1veis, foram postas em causa e viradas do avesso quase instantaneamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as empresas s\u00e3o subitamente enormes partid\u00e1rias desta forma de trabalho (remoto), tentando gerir a situa\u00e7\u00e3o o melhor que podem para assegurar a continuidade do neg\u00f3cio. Os trabalhadores adaptam-se o melhor que podem, com maior ou menor dificuldade. \u00c9 trabalho remoto for\u00e7ado. \u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mais que uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, esta \u00e9 sobretudo uma excelente oportunidade para promover uma mudan\u00e7a estrutural na maneira como se organiza o trabalho, com um enorme enfoque em tornar o trabalho remoto uma realidade concreta ap\u00f3s o per\u00edodo agudo da crise que atravessamos.<\/p>\n\n\n\n<p>A minha atual empresa \u00e9 uma startup tecnol\u00f3gica, e embora j\u00e1 tiv\u00e9ssemos uma pol\u00edtica de trabalho remoto e uma m\u00e9dia de idades relativamente baixa, esta passagem abrupta para 100% remoto n\u00e3o foi f\u00e1cil. Aconteceram imensos imprevistos, foram necess\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es por vezes dolorosas (nomeadamente por quem tem crian\u00e7as em casa ou vive com profissionais de sa\u00fade, o meu caso...), e as aprendizagens ainda hoje continuam a acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que uma coisa \u00e9 falar e teorizar sobre trabalho remoto, outra coisa bem diferente \u00e9 trabalhar efetivamente de forma 100% remota. Garantidamente que nem tudo sobre trabalho remoto \u00e9 fant\u00e1stico e libertador, como muitas vezes parece transparecer nesse novo exerc\u00edcio de estilo que \u00e9 postar nas redes sociais mosaicos de pessoas no Zoom sorridentes e maravilhosas, como se o seu neg\u00f3cio estivesse a ir de vento em popa.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, mesmo com todas as dificuldades uma coisa \u00e9 certa: vamos tentar aproveitar, enquanto empresas esta mudan\u00e7a para fazer do trabalho remoto uma parte fundamental da maneira como trabalhamos, por forma a sairmos mais fortes e competitivos desta prova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior barreira para a ado\u00e7\u00e3o de l\u00f3gicas de trabalho remoto n\u00e3o \u00e9 a tecnologia, \u00e9 a cultura da gest\u00e3o, algo que se sabe n\u00e3o ter grande fama c\u00e1 pelo burgo. N\u00e3o tenho a menor d\u00favida que \u00e0 medida que o per\u00edodo de confinamento for passando muitas das empresas que hoje em dia falam sobre as maravilhas do trabalho remoto e de como se adaptaram t\u00e3o bem \u00e0 atual realidade, rapidamente voltar\u00e3o \u00e0s \u2018maravilhas\u2019 do trabalho \u2018normal\u2019, aquele onde o gestor pode ver e controlar os seus subordinados, onde as pessoas continuar\u00e3o a ir para o escrit\u00f3rio desperdi\u00e7ar grande parte do tempo entre caf\u00e9s e a ficar at\u00e9 um bocado mais tarde para parecerem bem perante a chefia e os colegas, onde se voltar\u00e3o a perder anos de vida em transportes e onde o jogo do respeitinho e da lambe-botice ser\u00e3o factores cr\u00edticos de sucesso. \u00c9 a natureza humana: as pessoas tendem a mudar somente quando s\u00e3o obrigadas a tal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas pensando positivamente, estou tamb\u00e9m certo que muitas empresas ir\u00e3o efetivamente mudar para uma pol\u00edtica mais \u2018remote-friendly\u2019. Afinal as vantagens s\u00e3o muitas e mais que provadas: mais flexibilidade e equil\u00edbrio vida-trabalho, menos tempo em transportes, menos \u2018politiquice de escrit\u00f3rio\u2019 e distra\u00e7\u00f5es, e maiores motiva\u00e7\u00e3o e produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>E estes benef\u00edcios passam das pessoas e das empresas para a sociedade como um todo, pois pessoas mais motivadas e produtivas geram empresas mais rent\u00e1veis e competitivas, que por sua vez influenciam toda a economia nacional. Isto para n\u00e3o mencionar os \u00f3bvios ganhos ambientais e de melhoria de sa\u00fade mental, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou confiante que com a passagem desta \u00e9poca azarada o trabalho remoto ir\u00e1 permanecer como um conceito forte nas organiza\u00e7\u00f5es, ou, pelo menos, nas mentes dostrabalhadores que passaram por esta experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta experi\u00eancia for\u00e7ada est\u00e1 a ensinar trabalhadores e empresas que o trabalho pode ser feito remotamente, que uma reuni\u00e3o muitas vezes \u00e9 perfeitamente substitu\u00edvel por um email, e que n\u00e3o cai o Carmo e a Trindade se nem toda a gente estiver a trabalhar na mesma sala ao mesmo tempo. Trabalho remoto \u00e9 poss\u00edvel e desej\u00e1vel, e vai ser cada vez mais um fator de diferencia\u00e7\u00e3o na capacidade de atrair e reter o melhor talento.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de evoluir, de deixar o esp\u00edrito controleiro e de micro-gest\u00e3o para o Portugal do antigamente. Chegou o tempo de reconceptualizar o hor\u00e1rio das 9h \u00e0s 17h (ou muitas vezes das 8h \u00e0s 20h) e criar novas formas de trabalho e colabora\u00e7\u00e3o que nos permitam encarar o futuro como algo que pode ser melhor que o passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura, Expresso online (071 13\/05\/2020)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-45027","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45027"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45027\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45028,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45027\/revisions\/45028"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}