{"id":44955,"date":"2020-06-14T00:00:32","date_gmt":"2020-06-14T00:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44955"},"modified":"2020-06-14T00:00:34","modified_gmt":"2020-06-14T00:00:34","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44955","title":{"rendered":"A irreal realidade surreal em que vivemos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia<\/strong><\/span>, Expresso online (069 29\/04\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><del><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-04-29-A-irreal-realidade-surreal-em-que-vivemos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/del><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/69-AMaia-abr2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n\n\n<p>Tudo isto \u00e9 surreal! N\u00e3o consigo ver outra forma de sentir nem de caracterizar o contexto em que nos encontramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se algu\u00e9m nos dissesse h\u00e1 meio ano que fosse, ou nem tanto, que agora estar\u00edamos todos (literalmente todos! sim, todos no mundo inteiro!) fechados em casa, numa esp\u00e9cie de penit\u00eancia, como se o mundo se tivesse transformado numa gigantesca penitenci\u00e1ria, sem portas de entrada nem de sa\u00edda, apenas janelas e postigos electr\u00f3nicos atrav\u00e9s dos quais poder\u00edamos dizer ol\u00e1 e acenar breves adeus uns aos outros, num estado geral de \u201cpris\u00e3o condicionada\u201d, e tudo por causa de um v\u00edrus que havia de vir, n\u00e3o se sabe muito bem de onde nem a que prop\u00f3sito, mas que, num repente, z\u00e1s, empurraria todos para casa a trancarem-se a sete chaves, s\u00f3 nos poder\u00edamos rir. Sim, rir e a gargalhadas profundas, dado o irreal absurdo da cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Por acaso ainda se conseguem lembrar de como era a vossa vida h\u00e1 seis meses? Por exemplo, dos projectos de f\u00e9rias que tra\u00e7aram ou dos desejos com que acompanharam cada uma das doze passas na passagem de ano? Pois \u00e9, que recorda\u00e7\u00f5es long\u00ednquas, que projectos esfumados, vistos agora daqui\u2026 E passaram apenas nem quatro meses. Onde est\u00e1vamos e ao que cheg\u00e1mos\u2026 E onde chegaremos?<\/p>\n\n\n\n<p>O mais prov\u00e1vel seria que, por entre as gargalhadas, pergunt\u00e1ssemos a quem nos tivesse dado essa nova, a quem tivesse esse poder de ver o futuro, se a sua bola de cristal se tinha avariado ou ent\u00e3o se estava a precisar de mudar as pilhas, e depois seguir\u00edamos tranquilamente o nosso caminho, na procura de concretizar todos esses planos sonhados. Todos esses planos a que chamamos liberdade e individualidade. A que chamamos vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, agora aqui confinados neste contexto de realidade irreal, aposto eu, com a certezinha de ganhar, j\u00e1 t\u00ednhamos ido todos a correr para esse vision\u00e1rio, se ele tivesse existido, a procurar saber o que diria agora a sua bola sobre o futuro\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos mergulhados numa esp\u00e9cie de filme, que ainda n\u00e3o consegui perceber se \u00e9 c\u00f3mico ou dram\u00e1tico, ou se de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, esperando que n\u00e3o seja de horror, embora por vezes algumas cenas apresentem um recorte pr\u00f3ximo deste estilo, com a agravante de serem reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ainda n\u00e3o percebi, e acho que ningu\u00e9m conseguiu perceber igualmente, em que parte do filme \u00e9 que vamos. Se estamos ainda nas cenas iniciais, que muito sinceramente \u00e9 o que me parece (a avaliar pelos especialistas destas coisas da virologia), se estamos algures pelo meio do enredo, ou se de algum modo nos abeiramos do desenlace. Mas de uma coisa n\u00e3o tenho d\u00favidas, esta pel\u00edcula \u00e9 a preto-e-branco!<\/p>\n\n\n\n<p>Neste filme, em que n\u00e3o h\u00e1 atores secund\u00e1rios nem figurantes, mas apenas atores principais, todos temos de continuar o desempenhar os nossos pap\u00e9is, a fazer de n\u00f3s pr\u00f3prios, de modo a evitarmos uma propaga\u00e7\u00e3o mais nefasta do v\u00edrus e, a\u00ed sim, a levarmos todo o enredo para o terror.<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que, como em todos os filmes, mesmo aqueles que s\u00e3o verdadeiramente surreais, mais cedo ou mais tarde havemos de chegar a uma cena final, ao \u201c<em>The end<\/em>\u201d, como nos filmes americanos do imagin\u00e1rio da nossa inf\u00e2ncia, e que ent\u00e3o todas estas cenas por que estamos a passar h\u00e3o-de permitir perceber a sua pr\u00f3pria coer\u00eancia e o seu sentido, e h\u00e3o-de sobretudo permitir perceber que a vida vai continuar, ainda que com mudan\u00e7as mais ou menos profundas relativamente \u00e0 que conhec\u00edamos at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas dessas mudan\u00e7as j\u00e1 se antev\u00eaem complicadas, sobretudo as que se relacionam com as componentes econ\u00f3mica e financeira, que, quer queiramos, quer n\u00e3o, quer gostemos mais ou menos, s\u00e3o sempre muito centrais e estruturantes das nossas exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras poss\u00edveis mudan\u00e7as, considero, seriam muito bem-vindas, nomeadamente todas as que permitissem a redu\u00e7\u00e3o da pegada ecol\u00f3gica. Mas, reconhecendo assumir algum pessimismo, creio que n\u00e3o vir\u00e3o a ser dados grandes passos neste sentido, perdendo-se porventura uma oportunidade impar para procurarmos, colectivamente, alterar algumas componentes do nosso estilo e dos nossos padr\u00f5es de vida, nomeadamente dos que causam ou est\u00e3o associados a impactos de elevado desgaste sobre o planeta e os seus recursos. Simplesmente a press\u00e3o dos interesses econ\u00f3micos instalados, aliada a uma certa habitua\u00e7\u00e3o a que estamos formatados, que agora se encontram circunstancialmente suspensos, deixam muito pouco espa\u00e7o para grandes mudan\u00e7as nos estilos de vida e padr\u00f5es de consumo que lhes est\u00e3o associados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas neste filme, abeiramo-nos de uma cena que promete algum \u201c<em>suspense<\/em>\u201c intercalado com um ou outro momento c\u00f3mico, e que se prende com o modo como se pretende fazer o necess\u00e1rio controlo sanit\u00e1rio da frequ\u00eancia das praias no ver\u00e3o. Estaremos confinados a ir \u00e0 praia com senhas numeradas? Com uma esp\u00e9cie de passes balneares? Com controlo policial? S\u00f3 em determinados dias e horas para cada um e em fun\u00e7\u00e3o de um qualquer crit\u00e9rio, como por exemplo o m\u00eas de nascimento?<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1 estaremos para ver, apreciar e sobretudo participar em mais esta cena do enredo deste filme nunca antes visto.<\/p>\n\n\n\n<p>A finalizar, referir que, afinal de contas, todo este contexto n\u00e3o deixa de traduzir, ainda que de uma forma mais radical, a ess\u00eancia e a natureza da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida \u00e9 um desafio em perman\u00eancia, que nos coloca perante obst\u00e1culos mais ou menos complexos relativamente aos quais sempre tivemos a aud\u00e1cia, a capacidade, a determina\u00e7\u00e3o e a coragem necess\u00e1rias para, com maior ou menor esfor\u00e7o, superar e seguir em frente. Por certo agora n\u00e3o ser\u00e1 diferente!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Expresso online (069 29\/04\/2020)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-44955","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44955"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44955\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44957,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44955\/revisions\/44957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}