{"id":44777,"date":"2020-05-09T10:25:31","date_gmt":"2020-05-09T10:25:31","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44777"},"modified":"2020-05-09T10:25:32","modified_gmt":"2020-05-09T10:25:32","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44777","title":{"rendered":"Os grandes perdedores da Covid19"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/os-grandes-perdedores-da-covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Cr\u00f3nica-49_OA_06Maio2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>Haver\u00e1 sempre uma perda enorme durante a din\u00e2mica de transi\u00e7\u00e3o para o equil\u00edbrio inicial, sendo essa perda gigantesca para o setor privado<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left\"><!--more--><\/p>\n<p>A pandemia de coronav\u00edrus ceifou milhares de vidas em todos os continentes e paralisou praticamente a economia mundial. Tendo em conta a orienta\u00e7\u00e3o para permanecer em casa \u2013 mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial foi colocada em isolamento \u2013, as atividades que envolvem grupos de pessoas foram suspensas e, excluindo alimentos, bebidas e produtos de limpeza, as compras foram (na melhor das hip\u00f3teses) adiadas. Na incerteza, as pessoas est\u00e3o a recuar, optando por poupar em vez de comprar, at\u00e9 porque podem perder os seus empregos. A produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 a diminuir com o aumento dos pacientes e das pessoas em casa \u2013 a maior parte da produ\u00e7\u00e3o industrial (minera\u00e7\u00e3o e manufatura) requer uma atividade presencial assim como, por exemplo, a atividade tur\u00edstica. Os efeitos negativos da crise est\u00e3o assim a aumentar, com o consumo a diminuir e as empresas a reduzir a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A escassez da oferta, motivada pela quarentena, pela interrup\u00e7\u00e3o das cadeias de valor internacionais, e pela altera\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de consumo, levou \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o das atividades empresariais em muitos sectores econ\u00f3micos (privados); por todo o mundo, tem havido relatos generalizados de escassez da oferta de produtos farmac\u00eauticos, alimentos e outros bens essenciais devido \u00e0 compra de produtos em p\u00e2nico. A economia est\u00e1 a arrefecer, muitas empresas privadas acabar\u00e3o por \"fechar as portas\" ou a tentar recuperar com medidas de curto e m\u00e9dio prazo (por exemplo, cortes salariais e cen\u00e1rios de despedimento), e progressivamente circula menos dinheiro. No dinamismo do processo econ\u00f3mico, as preocupa\u00e7\u00f5es deslocaram-se rapidamente do lado da oferta para o lado da procura das economias, o que j\u00e1 causou a maior recess\u00e3o global da hist\u00f3ria, sendo que a queda de receitas de muitas fam\u00edlias e empresas p\u00f5e em causa a capacidade de pagar e assumir novas d\u00edvidas, mesmo no cen\u00e1rio de taxas de juro baixas; ou seja, mais cedo ou mais tarde o sistema financeiro ser\u00e1 tamb\u00e9m afetado negativamente.<\/p>\n<p>Em geral, os indiv\u00edduos que trabalham no sector privado s\u00e3o mais suscet\u00edveis de perder com o choque, uma vez que operam maioritariamente em atividades que requerem presen\u00e7a f\u00edsica. Os impactos econ\u00f3micos da crise s\u00e3o, pois, distintos nos sectores privado e p\u00fablico e manifestam-se em algumas vari\u00e1veis de interesse importantes \u2013 desigualdade salarial entre trabalhadores do sectores p\u00fablico e privado, crescimento econ\u00f3mico e bem-estar social \u2013 e esta distin\u00e7\u00e3o serve de motiva\u00e7\u00e3o para esta cr\u00f3nica. Com efeito, diferen\u00e7as not\u00e1veis entre os sectores p\u00fablico e privado podem comprometer a coes\u00e3o econ\u00f3mica e social a curto-m\u00e9dio-longo prazo assim como o crescimento econ\u00f3mico que a sustenta e melhora o n\u00edvel de vida de toda a sociedade a longo prazo.<\/p>\n<p>A crise evidencia naturalmente o papel crescente do sector p\u00fablico, para onde s\u00e3o canalizados todos os impostos e contribui\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, tendo, face a isso, como uma das suas miss\u00f5es assegurar a equidade, garantindo direitos b\u00e1sicos e igualdade de oportunidades assim como promover o bem-estar e a coes\u00e3o social para todos. Foi nesse contexto que, na fase do choque, foi obrigado a impor medidas de mitiga\u00e7\u00e3o para reduzir a atividade econ\u00f3mica e, subsequentemente, abolir as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 normalidade. De igual modo, o ritmo de recupera\u00e7\u00e3o desej\u00e1vel depender\u00e1 tamb\u00e9m das pol\u00edticas adotadas durante a crise que compensem a paragem. Se essas medidas assegurarem que os trabalhadores n\u00e3o percam postos de trabalho, que as empresas n\u00e3o se desmoronem e que as redes econ\u00f3micas e comerciais sejam preservadas, a recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais r\u00e1pida e sem entraves. Este \u00e9 um enorme desafio para as economias ocidentais.<\/p>\n<p>Note-se tamb\u00e9m que a queda da produ\u00e7\u00e3o e em diversos servi\u00e7os, com o turismo \u00e0 cabe\u00e7a, n\u00e3o foi inicialmente causada pela procura, mas foi uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel das medidas destinadas a limitar a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Assim, o papel da pol\u00edtica econ\u00f3mica n\u00e3o deve ser o de estimular a procura agregada, pelo menos n\u00e3o inicialmente, mas sim o de se concentrar na oferta \u2013 o sector produtivo privado \u2013, garantindo o funcionamento da m\u00e1quina produtiva e evitando perturba\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas excessivas. Este processo dever\u00e1 manter a infla\u00e7\u00e3o na medida do poss\u00edvel. Se as medidas forem bem sucedidas, \u00e9 prov\u00e1vel que as taxas de juro e a procura agregada se mantenham sustent\u00e1veis na fase de recupera\u00e7\u00e3o. Nessas circunst\u00e2ncias, o est\u00edmulo or\u00e7amental ser\u00e1 uma resposta adequada e altamente eficaz na maioria das economias ocidentais. Assim, sendo certo que o sucesso da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica depende de a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica para controlar o v\u00edrus r\u00e1pida e eficazmente, \u00e9 igualmente verdade que s\u00e3o necess\u00e1rias medidas pol\u00edticas adequadas por parte dos governos e dos bancos centrais para estimular a recupera\u00e7\u00e3o dos rendimentos das fam\u00edlias e das empresas mais afetadas.<\/p>\n<p>Neste contexto, desenvolvi um modelo de equil\u00edbrio geral capaz de replicar os dados dos Estados Unidos e dos pa\u00edses membros da Uni\u00e3o Europeia. Tomei como exemplo uma economia que no per\u00edodo pr\u00e9-crise, ou seja, dezembro de 2019, apresentasse uma taxa de crescimento de 2%, uma taxa de infla\u00e7\u00e3o de 3% e um sal\u00e1rio m\u00e9dio da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica superior ao sal\u00e1rio m\u00e9dio do sector privado em 10% \u2013 no fundo, o que se observa nos dados reais para as \u00faltimas d\u00e9cadas na m\u00e9dia dos pa\u00edses acima referidos. Depois considerei que a economia registou um choque negativo na produtividade do trabalho do sector privado de apenas 10%, para observar que, na sequ\u00eancia desse choque, a taxa de crescimento passa para -7%, a taxa de infla\u00e7\u00e3o sobe para 4% e o sal\u00e1rio m\u00e9dio da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica passa a ser superior ao do sector privado em 15%, sendo ainda de destacar a quebra do bem-estar social em cerca de 20%, em especial nos trabalhadores do sector privado para quem o bem-estar social decresce em 32%. A corre\u00e7\u00e3o destes valores induzidos pelo choque exigem, como referido acima, interven\u00e7\u00e3o adequada do governo, com pol\u00edtica fiscal de est\u00edmulo \u00e0 atividade produtiva, conjugada com interven\u00e7\u00e3o apropriada dos bancos centrais, com pol\u00edtica monet\u00e1ria de al\u00edvio de restri\u00e7\u00f5es ao cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Seja como for, ou seja, imaginando que as pol\u00edticas fiscal e monet\u00e1ria rep\u00f5em a situa\u00e7\u00e3o inicial em mat\u00e9ria de taxas de crescimento e de infla\u00e7\u00e3o e que o sal\u00e1rio m\u00e9dio da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica volta a ser superior ao do sector privado em 10%, haver\u00e1 sempre uma perda enorme durante a din\u00e2mica de transi\u00e7\u00e3o para o equil\u00edbrio inicial, sendo essa perda gigantesca para o sector privado.<\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) Haver\u00e1 sempre uma perda enorme durante a din\u00e2mica de transi\u00e7\u00e3o para o equil\u00edbrio inicial, sendo essa perda gigantesca para o setor privado<\/p>\n","protected":false},"author":63,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-44777","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44777"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44778,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44777\/revisions\/44778"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}