{"id":44741,"date":"2020-05-02T09:49:11","date_gmt":"2020-05-02T09:49:11","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44741"},"modified":"2020-05-02T09:49:14","modified_gmt":"2020-05-02T09:49:14","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44741","title":{"rendered":"O COVID-19 ou o fim do mundo como o conhecemos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia<\/strong><\/span>, Expresso online (063 18\/03\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><del><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-03-18-O-Covid-19-ou-o-fim-do-mundo-como-o-conhecemos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/del><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/63-AMaia-mar2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n\n\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o caiu-nos directamente dentro das nossas vidas da pior forma que poder\u00edamos imaginar. Atrav\u00e9s de um v\u00edrus. Atrav\u00e9s do <em>COVID-19<\/em>, mais conhecido por <em>Corona v\u00edrus<\/em>, e da sua capacidade impar\u00e1vel para ultrapassar fronteiras e infectar homens e mulheres de todas as idades e classes sociais um pouco por todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>E este efeito de alastramento r\u00e1pido, decorrente sobretudo da grande mobilidade das pessoas por todo o espa\u00e7o do globo \u2013 recordemos que as primeiras not\u00edcias da exist\u00eancia desta nova estirpe de v\u00edrus surgiram em Wuhan, na China, em Dezembro do ano passado \u2013, tem provocado nas \u00faltimas semanas uma verdadeira onda de caos nos hospitais e de p\u00e2nico nas sociedades.<\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00e2nico existente traduz-se por exemplo nas situa\u00e7\u00f5es de verdadeiro a\u00e7ambarcamento de todo o tipo de produtos alimentares nos supermercados, deixando as prateleiras literalmente limpas todos os dias, num claro sinal de receio de falta de alimentos e tamb\u00e9m, porque n\u00e3o referir, de menor civismo relativamente ao respeito e considera\u00e7\u00e3o pelos outros e pelos seus direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas este p\u00e2nico deriva sobretudo do facto de n\u00e3o ser ainda conhecido \u2013 nem se antever que possa vir a existir nos pr\u00f3ximos meses \u2013 um medicamento, uma cura ou pelo menos uma forma capaz de neutralizar ou minimizar os efeitos provocados por esta nova estirpe de v\u00edrus. E estes efeitos incluem a possibilidade da morte de indiv\u00edduos de determinados grupos mais vulner\u00e1veis, nomeadamente dos mais idosos, dos mais fragilizados por determinadas patologias e tamb\u00e9m daqueles que pade\u00e7am de doen\u00e7as cr\u00f3nicas.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 neste contexto que nos encontramos, cheios de d\u00favidas \u2013 Que raio de v\u00edrus \u00e9 este? De onde saiu? Como se propaga? Como se combate? Porqu\u00ea tanto tempo fechados em casa em quarentena? \u2013 intranquilos e sobretudo com receio de que o cont\u00e1gio possa abater-se sobre n\u00f3s ou um dos nossos. \u2013 A crise do v\u00edrus vai mexer com os nossos medos e ang\u00fastias!<\/p>\n\n\n\n<p>Em reac\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da epidemia \u2013 entretanto reconhecida pela OMS como pandemia \u2013, os Estados, atrav\u00e9s dos Governos, t\u00eam vindo a adoptar medidas restritivas da mobilidade das pessoas de modo a reduzir os contactos sociais. Esta \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o preventiva que tem em vista a redu\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio, uma vez que a transmiss\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus se faz directamente no contacto entre indiv\u00edduos infectados e n\u00e3o infectados e que o estado de infec\u00e7\u00e3o se revela num per\u00edodo relativamente longo de 14 dias ap\u00f3s esse contacto. A revela\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio t\u00e3o diferida no tempo faz com que o \u00edndice de alastramento do v\u00edrus seja exponencialmente muito elevado, como de resto tem sido verificado pelos casos da China e agora um pouco por todo o mundo, com particular incid\u00eancia no continente europeu, nomeadamente em It\u00e1lia, Espanha, Fran\u00e7a, Dinamarca, Alemanha e, claro, entre n\u00f3s, aqui em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta realidade apresenta um contexto novo, totalmente novo, nunca vivida anteriormente por ningu\u00e9m das gera\u00e7\u00f5es agora em vida. Nunca, na hist\u00f3ria do homem, se verificou a situa\u00e7\u00e3o de um n\u00famero t\u00e3o grande de pa\u00edses em todos os continentes estarem a lutar ao mesmo tempo com o mesmo agente viral e a adoptar, pela mesma raz\u00e3o, medidas restritivas ao movimento dos seus cidad\u00e3os a prop\u00f3sito de conter a sua propaga\u00e7\u00e3o. \u2013 A crise do v\u00edrus vai modificar a capacidade de coopera\u00e7\u00e3o entre os diversos pa\u00edses do mundo!<\/p>\n\n\n\n<p>Esta esp\u00e9cie de <em>paralisa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da sociedade<\/em>, de <em>Quarentena Preventiva<\/em>, que se compreende e se aceita, sobretudo em fun\u00e7\u00e3o dos prop\u00f3sitos que lhe est\u00e3o associados \u2013 defender e assegurar a manuten\u00e7\u00e3o das nossas vidas de forma saud\u00e1vel \u2013 est\u00e1 j\u00e1 a provocar impactos na economia dos Estados e nos mercados mundiais. A procura de bens de consumo, bem como os \u00edndices da actividade tur\u00edstica e todas as demais actividades econ\u00f3micas que lhes est\u00e3o associadas est\u00e3o a reduzir-se de modo significativo, o que provocar\u00e1 uma previs\u00edvel crise econ\u00f3mica e conduzir\u00e1 posteriormente a um processo de reajustamento dos atores e das pr\u00f3prias actividades econ\u00f3micas. \u2013 A crise do v\u00edrus j\u00e1 est\u00e1 a ter e vai ter ainda mais impactos na economia e nos mercados mundiais!<\/p>\n\n\n\n<p>E o recurso ao teletrabalho, op\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a ser adoptada por muitas entidades que assim continuam a dispor da ac\u00e7\u00e3o dos seus colaboradores enquanto estes se encontram em casa neste regime de <em>Quarentena Preventiva<\/em>, vai provavelmente consolidar esta solu\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o nalgumas entidades, por permitir uma redu\u00e7\u00e3o de custos a essas mesmas entidades e aos pr\u00f3prios colaboradores (custos financeiros e de <em>stress<\/em> associados \u00e0s desloca\u00e7\u00f5es di\u00e1rias entre a resid\u00eancia e o local de trabalho). E por possibilitar tamb\u00e9m formas mais motivadoras de organiza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do tempo pelos pr\u00f3prios colaboradores. \u2013 A crise do v\u00edrus vai alterar as formas e os modos de presta\u00e7\u00e3o de trabalho, a din\u00e2mica e a cultura das organiza\u00e7\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, questionamo-nos, como \u00e9 que em pleno s\u00e9c. XXI, com o actual estado evolutivo da ci\u00eancia e com uma certa percep\u00e7\u00e3o da inexist\u00eancia de doen\u00e7as e de agentes nocivos incontrol\u00e1veis, ainda surge um v\u00edrus capaz de nos afectar sem que o conhe\u00e7amos devidamente e de modo a podermos controlar os seus efeitos? Ser\u00e1 este um v\u00edrus efectivamente novo que ainda n\u00e3o se revelara e que adquiriu esta capacidade de nos afectar porque o seu desenvolvimento ficou facilitado no contexto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas provocadas pelo efeito do aquecimento global? E ser\u00e1 que outros v\u00edrus ou outros agentes nocivos podem vir a desenvolver-se igualmente neste \u00e2mbito? \u2013 A crise do v\u00edrus vai alterar a rela\u00e7\u00e3o do homem com o planeta e com os impactos da sua ac\u00e7\u00e3o sobre os recursos e sobre o clima!<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201c<em>As epidemias na hist\u00f3ria do homem<\/em>\u201d (Edi\u00e7\u00f5es 70, 1986), Jean-Charles Sournia e Jacques Rffi\u00e9 recordam-nos aquilo que porventura muitos de n\u00f3s consider\u00e1vamos ultrapassado ou sem grande sentido. Dizem-nos os autores, na p\u00e1g. 179, \u201c<em>Os progressos da ci\u00eancia, particularmente da medicina, foram tais desde h\u00e1 meio s\u00e9culo que acredit\u00e1mos possuir o dom\u00ednio total da natureza que nos cerca. Nada h\u00e1 de mais falso. O homem continua a ser t\u00e3o fr\u00e1gil como foi, e a sua adapta\u00e7\u00e3o e a sua defesa contra o meio muitas vezes agressivo que o cerca devem renovar-se incessantemente: ele dever\u00e1 inventar sempre novas armas contra novos inimigos<\/em>.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Expresso online (063 18\/03\/2020)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-44741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44741"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44742,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44741\/revisions\/44742"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}